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Simpósio 2

SIMPÓSIO 2 – LÍNGUA E LITERATURA PORTUGUESAS – ARTICULAÇÕES E MÚLTIPLAS ABORDAGENS

 

Coordenadores:

Raul de Souza Püschel | Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo (IFSP) | puschel@uol.com.br

Cristina Lopomo Defendi | Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo (IFSP) | crislopomo@hotmail.com

 

Resumo:

Este Simpósio pretende reunir apresentações de trabalhos que façam a articulação entre língua e literatura portuguesas ou demonstrem estratégias metodológicas para ensino de língua e literatura.

Apresentamos a seguir algumas questões que podem nortear as pesquisas a serem apresentadas: Quais as constantes linguísticas para a formação dos gêneros literários poesia lírica, poesia épica, conto, crônica, romance, drama e ensaio? Quais são ainda os elementos da língua que se apresentam como constituintes estruturadores de certas formulações da teoria literária? Ou seja, que elementos linguísticos, em certos teóricos e críticos, subjazem como centrais na formulação conceitual dos modelos por eles construídos? Por outro lado, indaga-se outrossim de que modo as modificações trazidas pelos grandes escritores contribuíram e contribuem filologicamente para mudanças dos padrões linguísticos e estilísticos, de modo intra e extradialetal? Além disso, de que forma o ensino de língua e literatura pode apresentar abordagens inovadoras e que trabalhem visando efetivamente leitura, fruição e análise textual? Como os diálogos entre língua e literatura chegam à sala de aula?

Espera-se, com este simpósio, fomentar a discussão sobre ensino de língua e literatura, a interface língua e literatura e a formação de professores de Língua Portuguesa.

 

Palavras-chave: Articulação língua-literatura, Sequências didáticas, Gêneros literários, Estilística, Filologia.

 

Minibiografias:

Raul de Souza Püschel é docente titular aposentado do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo, do qual foi coordenador da Licenciatura em Letras. É bacharel e licenciado em Letras-Português e mestre e doutor em Comunicação e Semiótica (área de concentração: Literaturas). Ministrou, entre muitas outras, as disciplinas Língua Portuguesa, Literaturas Brasileira e Portuguesa, Redação, Literatura Ocidental de 1 a 7, continuando a fazê-lo, atualmente, como professor convidado. Lecionou em várias instituições e em diversos graus de ensino, bem como foi editor de revista Sinergia e tem colaborado com a revista Metalinguagens.

Cristina Lopomo Defendi é docente do quadro permanente do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo e coordenadora do subprojeto PIBID Letras – campus São Paulo (Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência). É bacharel e licenciada em Letras-Português (1994), Mestre em Filologia e Língua Portuguesa (2008) e Doutora em Letras (2013), todos os títulos pela Universidade de São Paulo (USP). Tem experiência na área de Letras, com ênfase em Língua Portuguesa, atuando principalmente nos seguintes temas: Gramaticalização, Livro didático de LP, Mudança gramatical, Leitura e Produção textual.

 

 

Resumos dos trabalhos aprovados

Comunicação 1

A teoria bakhtiniana e o ensino de literatura

Autora:

Mayra Pinto – Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo (IFSP) mayrapinto@uol.com.br

 

Resumo:

Esta comunicação procura demonstrar a pertinência de alguns conceitos da teoria bakhtiniana do discurso para o ensino de literatura. Para isso, será analisada uma crônica de Machado de Assis, publicada jornal Gazeta de Notícias em 19 de maio de 1888, com base na abordagem axiológica desenvolvida pelos teóricos do Círculo de Bakhtin. De acordo com eles, a comunicação artística é uma forma de comunicação social como outras, o que significa que há alguns pressupostos próprios tanto da linguagem artística, quanto da linguagem cotidiana. Um deles é o fato de que a palavra na vida cotidiana tem sempre uma parte verbal e outra não verbal, subentendida. Essa parte determina os valores sociais do discurso, dados pela situação – composta por: espaço e tempo em que ocorre a enunciação; objeto ou tema de que trata; e a atitude dos falantes em relação ao que se fala, a apreciação valorativa. A compreensão dessa abordagem contribui para que o professor perceba a questão da ideologia sob o ponto de vista bakhtiniano – tudo o que envolve a visão de mundo e sua escala de valor. Essa noção permite perceber os valores, positivos e negativos, que atravessam todos os discursos, inclusive os literários, e os constituem como discursos pertencentes às mais diferentes vozes sociais. Com um bom domínio sobre a questão ideológica, como parte intrínseca de qualquer discurso, o professor poderá contribuir para formar um leitor literário não só mais crítico, mas também mais sensível às camadas dialógicas do texto literário.

Palavras-chave: Ensino de literatura; Teoria bakhtiniana; Machado de Assis.

 

Minibiografia:

Professora do quadro permanente do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo. Editora-assistente da Linha dÁgua, revista do PPG Filologia e Língua Portuguesa/USP. Líder do GP/ CNPq / IFSP Grupo de Estudos da Linguagem – GELIFSP. Membro-estudante do GP / CNPq / USP Grupo de Estudos do Discurso da USP -GEDUSP. Pós-doutorado (2015) na Universidade de São Paulo. É autora de coleções didáticas de Português para os anos finais do Ensino Fundamental e de Noel Rosa: o humor na canção, FAPESP/Ateliê. Tem experiência na área de Literatura Brasileira, Literatura e Ensino, com ênfase na teoria bakhtiniana. Atua nos seguintes temas: teoria bakhtiniana, gêneros do discurso, discurso literário.


Comunicação 2

O contato em sala de aula com as traduções de Augusto e de Haroldo de Campos e o que disso advém, em termos criativos, para mudança de padrões linguísticos e textuais

Autor:

Raul de Souza Püschel – Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo (IFSP) – puschel@uol.com.br

 

Resumo:

Nesta comunicação será discutido como pode ser trabalhada a tradução poética de Augusto e Haroldo de Campos em sala de aula. Isso será visto em diversas passagens da experiência docente do autor desta apresentação, principalmente nas disciplinas “Literatura Ocidental”, “Literatura Universal dos Últimos Trezentos Anos”, “Artes Clássicas”, “Formação de Repertório e Leituras da Contemporaneidade”, “Estilística”, “Prática Pedagógica”, “Literatura e Civilização: Aspectos da Literatura Comparada”, “Literatura Comparada”, “A Linguagem Poética: Teoria e Prática Textual” e mesmo em disciplinas ligadas à Língua Portuguesa, Literaturas de Língua Portuguesa e Redação. Nesta última, por exemplo, alunos do médio chegaram a fazer transcriação de poemas de Mallarmé e e.e.cummings. Sob mediação do processo ensino-aprendizagem, o aluno tem o enriquecimento da sua capacidade linguística e de sua capacidade textual por meio de exercícios de recriação poética, por exemplo, em Prática Pedagógica (Estilística), bem como a ampliação de seu universo cognitivo pelo contato com outras tradições e culturas, a partir do gesto de aproximação e deslocamento da “operação tradutória” (Borges, s/data; Eco, 2001; H. Campos; A. Campos). Será ainda possível avaliar de que forma a própria criação autoral de dos irmãos Campos sofreu os influxos de tal atividade tradutória (Püschel, 1999). As agudas fraturas sintáticas de Mallarmé em língua francesa (Hugo Friedrich, 1979; Octávio Paz, 1975) não teriam sido assimiladas como implosão do verso no Concretismo (Püschel, 1994)? Que outras experiências pelo contato tradutório ficaram marcadas na poética de Augusto e de Haroldo de Campos? O que assimilam os alunos de diversos graus de estudo, em geral, e os futuros professores de Letras, em particular, ao entrarem em contato com a transcriação dos irmãos Campos? Quais as mudanças de padrões linguísticos-textuais que daí advêm? Como o universo da tradução poética amplia os horizontes de uma língua, no sentido estrito, e da linguagem, no sentido lato (Pound, s/data)?

Palavras-chave: Irmãos Campos; tradução; assimilação; recriação; mudança de padrões linguísticos-textuais.

 

Minibiografia:

Raul de Souza Püschel é doutor em Comunicação e Semiótica e professor titular aposentado do IFSP. Neste último, foi um dos proponentes da Licenciatura em Letras, da qual foi o primeiro coordenador. Criou disciplinas, tais como “Formação de Repertório e Leituras da Contemporaneidade”, e, em parceria, “Literatura Ocidental”, “Literatura Universal dos Últimos Trezentos Anos” e “Artes Clássicas”. Foi ainda editor, revisor, parecerista e membro de conselho editorial. Publicou também um livro de poesia, assim como alguns ensaios.


Comunicação 3

A gramaticalização do item afinal em clássicos das literaturas brasileira e portuguesa

Autora:

Renata Barbosa Vicente – UACSA/UFRPE – renatab.vicente@gmail.com

 

Resumo:

Decidimos tomar por objetivo precípuo apresentar um estudo sobre a mudança gramatical que teria afetado a palavra afinal. Para dar conta desse quesito, metodologicamente reunimos algumas amostras de clássicos da literatura portuguesa e brasileira. Consultamos pelo menos três obras da literatura portuguesa, entre elas, o “Memorial do convento” de José Saramago, na qual já identificamos 52 ocorrências e pelo menos três obras da literatura brasileira, tal como, “Iracema” de José de Alencar, que conta com 6 ocorrências. Para fundamentarmos esta pesquisa tomamos por base Meillet (1912, apud CAMPBELL & JANDA 2001:95) que defende que é propriedade da gramaticalização a criação de novas formas, geradoras de categorias que causam uma reorganização do sistema. Também é importante o trabalho de Vicente (2009) que demonstrou em textos de jornais o processo de gramaticalização, em que ocorre um deslizamento funcional do item afinal partindo de um advérbio associado a tempo, para outros usos como marcador discursivo e a operador argumentativo. Hipotetizando que quanto mais erudito é o item-fonte, menos sujeito ao processo de gramaticalização ele está, é possível que os clássicos, dada a formalidade do texto escrito, não apresentem alguns padrões funcionais, tais como, os de marcador discursivo e operador argumentativo.  Então, haveria outras categorias linguísticas identificadas nesses textos?  Acreditamos, com base em resultados preliminares, que mesmo em textos mais formais teremos usos linguísticos, por exemplo, de marcadores discursivos, assumindo independência sintática em relação aos componentes da frase, provocando uma falsa impressão de não-integração à construção da sentença. Por fim, travaremos um diálogo entre gramaticalização e ensino, mostrando qual viés é adotado por alguns livros didáticos para tratar dos usos linguísticos do item-afinal.

Palavras-chave: funcionalismo; gramaticalização; marcador discursivo; operador argumentativo; clássicos da literatura.

 

Minibiografia:

Renata Barbosa Vicente atualmente é Professora Adjunta da Universidade Federal Rural de Pernambuco. É Doutora em Filologia e Língua Portuguesa pela Universidade de São Paulo, possui Mestrado em Letras pela Universidade de São Paulo – USP, participa dos grupos de pesquisa Mudança Gramatical do Português e Linguagem Cognição e Sociedade – LINCS, ambos da FFLCH-USP.


Comunicação 4

Língua portuguesa, Literatura, criação e criatividade

Autores:

Alexssandro Ribeiro Moura – IFG – alexssandro.moura@ifg.edu.br

Elisandra Filetti-Moura – CEPAE-UFG – elisandra.filetti@yahoo.com.br

 

Resumo:

O ensino de literatura é bastante importante para formação cultural, intelectual e humana no trajeto acadêmico da educação básica. Podemos perceber frequentemente que diversos projetos escolares têm se voltado para o letramento interdisciplinar que os textos literários podem oferecer (BRASIL, 2001). Nesse sentido, é necessário observar que o texto literário, sobretudo os clássicos, têm o poder de se atualizarem e se tornarem contemporâneos a diversas épocas, devido a sua universalidade e densidade estrutural e temática. Este trabalho consiste na análise de metodologias de ensino-aprendizagem de literatura e língua portuguesa que valorizam a criatividade e a ativação de estruturas de composição, bem como os efeitos estéticos próprios do domínio discursivo literário. Ações como produção de poemas, de curtas metragens, adaptação de peças teatrais e escrita criativa de contos e crônicas são exemplos de como é possível aprender as características de um texto literário através de atividades que se voltam para a criação e a criatividade, pois assim são ativados efetivamente aspectos estruturais, temáticos e estilísticos presentes nesses textos. A literatura ocupa um lugar de destaque na formação do pensamento crítico do corpo discente e assim deve ser entendida, já que, diferentemente dos textos funcionais do dia a dia, ela é capaz de incorporar diversos discursos, estruturas e estilos. Sendo assim, ela redimensiona a relação de leitor e autor com o tempo, o espaço e o contexto de produção, contribuindo significativamente para formação linguística e humana desses leitores. Esta pesquisa compreende uma análise de metodologias de ensino que valorizam a criação literária como eixo norteador do letramento literário, linguístico, artístico e interdisciplinar, a partir de experiências de leitura e produção textual, com alunos da educação básica, realizadas nas instituições federais de ensino brasileiras CEPAE-UFG e IFG-Aparecida de Goiânia, no estado de Goiás, Brasil.

Palavras-chave: Língua Portuguesa; Literatura; Ensino; interdisciplinaridade.

 

Minibiografias:

Autor 1 – Alexssandro Ribeiro Moura possui graduação em Letras pela Universidade Federal de Goiás (2004), mestrado (2007) e doutorado em Letras e Linguística (estudos literários) também pela UFG (2013). É docente do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Goiás. Tem experiência na área de Letras, com ênfase em Língua Portuguesa, Literatura e Cinema. É líder do NUPELID (Núcleo de Estudos e Pesquisas em Linguagem, Inovação e Discurso Científico).

Autor 2 – Elisandra Filetti-Moura possui Doutorado em Letras e Linguística pela Universidade Federal de Goiás (2014), Mestrado em Estudos Linguísticos pela Universidade Federal de Minas Gerais (1999) e Graduação em Letras pela Universidade Federal de Goiás (1994). Atualmente é professora do Centro de Ensino e Pesquisa Aplicada à Educação e do Programa de Pós-Graduação em Ensino na Educação Básica (PPGEEB/CEPAE/IFG). Tem experiência na área de Linguística, com ênfase em Gramática Funcional, atuando principalmente nos seguintes temas: ensino de língua e sua funcionalidade, uso, formação de professores, entre outros.


Comunicação 5

Língua e literatura em movimento: uma abordagem metodológica

 

Autoras:

Ana Lúcia Furquim Campos-Toscano – Uni-FACEF Centro Universitário Municipal de Franca – anafurquim@yahoo.com

Monica de Oliveira Faleiros – Uni-FACEF Centro Universitário Municipal de Franca – molifafacef@gmail.com

 

Resumo:

Este trabalho é parte dos resultados do subprojeto de Letras do Programa Institucional de Iniciação à Docência (PIBID/CAPES/Uni-FACEF) que tem como propósito promover a leitura de textos literários junto a alunos do 6º ano do Ensino Fundamental de escolas do Estado de São Paulo, na cidade de Franca. Na preparação das atividades desenvolvidas por nós, coordenadoras de área, e aplicadas pelos bolsistas de iniciação à docência, buscamos explorar a linguagem de textos artístico-literários a partir de sua organização textual e discursiva, ou seja, em seus aspectos semânticos, sintáticos, sonoros e até visuais a fim de formarmos leitores que realizem uma leitura sustentada na relação entre língua e literatura para a compreensão do que o texto diz e as extensões para outros textos e discursos. Sendo assim, o objetivo é apresentar nossa abordagem de ensino de leitura que privilegia o diálogo entre língua e literatura. Para tanto, nosso referencial teórico-metodológico são as reflexões do Círculo de Mikhail Bakhtin sobre gêneros do discurso, tendo em vista que o estilo, compreendido como escolhas linguísticas juntamente com o conteúdo temático e a estrutura composicional contribuem para a constituição dos enunciados, sendo que, para a investigação em torno da estrutura composicional, utilizamos teorias da narrativa e da poesia que se adequem à análise em processo. Os resultados são verificados pelo desenvolvimento da leitura dos alunos e, principalmente, na formação de futuros professores que, por meio de atividades práticas, preparadas e discutidas por todos os envolvidos com o projeto, vivenciam efetivamente essa relação entre literatura e língua.

Palavras-chave: PIBID; Leitura de literatura; Língua; Literatura; Gêneros do discurso.

 

Minibiografias:

Autor 1 – Ana Lúcia Furquim Campos Toscano, docente de Linguística do Uni-FACEF Centro Universitário Municipal de Franca e coordenadora de área do subprojeto PIBID Letras – Uni-FACEF. É licenciada em Letras-Inglês (1988) pela Universidade de Franca, Mestre (2003) e Doutora (2008) em Linguística e Língua Portuguesa, todos os dois títulos obtidos pela UNESP-Araraquara. Tem experiência na área de Letras, com ênfase em Língua Portuguesa e Linguística, atuando principalmente na área de Análise de Discurso.

Autor 2 – Monica de Oliveira Faleiros, docente de Literaturas do Curso de Letras do Uni-FACEF Centro Universitário Municipal de Franca e coordenadora de área do subprojeto PIBID Letras – Uni-FACEF. É licenciada em Letras Português-Grego (1989), Mestre (2003) e Doutora (2007) em Estudos Literários, todos os títulos obtidos pela UNESP- Araraquara. Tem experiência na área de Letras, com ênfase em Literaturas de Língua Portuguesa, atuando, principalmente, na área de Teorias e crítica da narrativa.


Comunicação 6

Boca de Ouro: o trabalho com a recriação de textos literários

Autora:

Carla Cristina Fernandes Souto – Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo IFSP – carla.souto@ifsp.edu.br / carla.souto@gmail.com

 

Resumo:

Partindo das teorias de Angel Rama, que mostra como na América Latina a distância entre a rigidez da palavra escrita e a fluidez da palavra falada fez da “cidade letrada” uma cidade escriturária reservada a uma pequena minoria, criando um desencontro secular entre a minuciosidade prescritiva das leis e códigos e a confusão anárquica da sociedade sobre a qual legislam estes códigos, a presente comunicação se propõe a fazer uma leitura da peça Boca de Ouro, de Nelson Rodrigues, para analisar como como é construída a figura lendária de sua personagem principal, o banqueiro do jogo do bicho Boca de Ouro. Segundo Roberto Da Matta, o dilema brasileiro reside numa oscilação trágica entre um esqueleto nacional feito de leis universais cujo sujeito era o indivíduo, e situações onde cada qual se salvava e se despachava como podia, utilizando para tanto, o seu sistema de relações pessoais. Desta forma, haveria uma luta entre as leis que deveriam valer para todos e as relações, que evidentemente só valiam para quem as possuísse, como o bandido/herói Boca de Ouro. Sua figura é traçada, ao longo da peça, por uma mulher do subúrbio, D. Gugui, que representa por sua vez a voz do povo. Esta, com as suas versões cada vez mais elaboradas da história, vai transformando o bicheiro de personagem normal do cotidiano carioca em mito. Ela conta a história de um homem famoso e temido que conheceu de perto, mas, de acordo com o seu estado emocional, acrescenta novos pontos de vista para os mesmos fatos. Boca de Ouro traz à tona o mito do anti-herói urbano. A ideia é mostrar como a história é recriada a cada nova versão para, ao fim, trabalhar com os discentes a criação da sua própria versão da história.

Palavras-chave: Nelson Rodrigues; Recriação Literária; Reescrita; Dramaturgia.

 

Minibiografia:

A professora doutora Carla Cristina Fernandes Souto possui graduação em Letras pela UFRJ (1992), mestrado em Literatura Comparada pela UFRJ (1997) e doutorado em Teoria Literária pela UFRJ (2005). Desde 2010 é docente do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo – IFSP, desde 2013 ministra aulas no curso de Licenciatura em Letras, atuando também como Representante de SCL no Departamento de Humanidades.


Comunicação 7

Uma leitura sobre os ecos da poesia futurista na literatura ruffatiana

Autora:

Carolina Barbosa Lima e Santos – Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) – carolsartomen@gmail.com

 

Resumo:

Propõe-se, neste trabalho, um estudo sobre as maneiras pelas quais o escritor Luiz Ruffato – em Eles eram muitos cavalos – desafia, reinventa e traz à luz da contemporaneidade diversas poéticas que compõem a tradição literária ocidental. Analisarei, em especial, as afinidades estéticas desta obra brasileira com as propostas da vanguarda futurista italiana. Ao lermos Eles eram muitos cavalos (2001), coletânea de pequenas narrativas de Luiz Ruffato, podemos notar um possível diálogo entre a obra brasileira com a vanguarda italiana. Apresentando-se como uma literatura arquitetada sob uma poética fragmentada, rápida, imagística e multifacetada, Eles eram muitos cavalos propõe inúmeras reflexões a respeito do cenário urbano e contemporâneo brasileiro. Por meio de “recortes” que representam diversas histórias de uma caótica metrópole, Ruffato põe em cena um mosaico desequilibrado e sujo, composto por crimes, desestrutura familiar, doença, subempregos, vícios e tantas outras mazelas que permeiam essa sociedade moderna. Valendo-se de uma linguagem próxima à poética futurista, composta por palavras em liberdade em relação à ordem sintática e ao emprego formal de pontuação; bem como da utilização de recursos tipográficos e onomatopaicos; Ruffato propõe uma relação espaciotemporal que busca provocar no leitor uma sensação de dinamismo própria da cidade moderna. É por meio de sua “poética de restos” que a narração ruffatiana alcança a sua potência expressiva e promove reflexões acerca dos traumas que compõem o repertório do imaginário brasileiro. Vale destacar que a proposta deste trabalho é a de pensar o campo estético – objeto de estudo discutido – analogamente ao campo histórico e ético, por meio o apoio teórico de pensadores como Gilberto Mendonça Teles, Antonio Dimas, José Mendes Ferreira, Jaime Ginzburg, etc.

Palavras-chave: Luiz Ruffato; Literatura Brasileira; Literatura Comparada; Poesia Futurista.

 

Minibiografia:

Carolina Barbosa Lima e Santos é Graduada em Letras (UFMS), Mestre em Estudos de Linguagens (UFMS) e Acadêmica do Curso de Doutorado do Programa de Pós-Graduação em Letras (Estudos Literários) da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, Campus de Três Lagoas, Brasil.


Comunicação 8

A literatura na sala de aula como discurso

Autor:

Charles Borges Casemiro – IFSP- oprofcharles@gmail.com

 

Resumo:

A proposição da Literatura como um Discurso e, mais especialmente, como um Discurso Estético relacionado dialeticamente a outros Discursos estéticos de outras Artes, bem como a outros Discursos sociais não-estéticos dentro de um mesmo paradigma histórico e ideológico, abre caminho bastante promissor para se obter, em salas de aula de Ensino de nível Médio e Superior, uma leitura mais verticalizada, do ponto de vista da crítica literária, e, ao mesmo tempo, uma leitura de maior fruição estética dos objetos da arte literária, do ponto de vista do cultivo do “gosto” pelas Artes e por sua leitura. A título de exemplificação de tal perspectiva, gostaríamos de propor uma abordagem do discurso lírico-trovadoresco português, realçando os diálogos estabelecidos entre tais discursos estéticos e outros discursos estéticos não verbais e/ou não-estéticos medievais, estreitando, desse modo, o diálogo entre o tempo-espaço social da sala de aula e o tempo-espaço social medieval.

Palavras-chave: Discurso estético; Discurso literário; Lírica medieval; Sala de aula.

 

Minibiografia:

Mestre em Literatura (UPM-SP /Brasil)

Doutorando em Literatura Portuguesa (USP-SP/ Brasil)

Coordenador do Curso de Licenciatura em Letras – IFSP-SPO / Brasil

Docente do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo (IFSP-SPO). 


Comunicação 9

Refletindo sobre as experiências PIBID Letras-Português (IFSP, campus São Paulo)

Autora:

Cristina Lopomo Defendi – IFSP, campus São Paulo – crislopomo@hotmail.com

 

Resumo:

Nesta comunicação, pretende-se apresentar reflexões sobre um dos subprojetos do PIBID-IFSP (Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência –  um programa criado pela Ministério da Educação brasileiro e fomentado pela CAPES), o qual está acontecendo desde 2014 junto à Licenciatura em Letras-Português. O trabalho com bolsistas licenciandos e supervisora (professora de Língua Portuguesa da escola conveniada) ocorreu a partir de vários projetos que objetivaram a leitura de textos literários, o trabalho com os mecanismos linguísticos e a produção textual. Com base em Bakhtin (2003 e 2013), Voloshinov (2013), Dolz e Schnewly (2004) e Marcuschi (2001), além dos documentos oficiais: PCNEM (2000), PCN+ (2002) e OCN (2006), serão apresentados três projetos, a saber: (i) “Capitães da areia e as variedades linguísticas”, (ii) “As influências latinas no português” e (iii) “Diversidade cultural e Vidas secas”. Esses projetos serão analisados a partir da base teórica discursiva e dos resultados obtidos, além dos comentários realizados nas autoavaliações feitas com toda a equipe envolvida e com os alunos das escolas conveniadas. O subprojeto Pibid Letras-Português tem conseguido grande envolvimento por parte dos alunos, tanto da escola conveniada quanto da Licenciatura em Letras, bem como uma melhora no desempenho linguístico, oral e escrito, de todos os envolvidos, além de proporcionar uma formação docente calcada na prática pedagógica reflexiva, em que os planejamentos e as ações são debatidos antes e depois da realização das atividades. Esse método tem garantido uma formação mais completa, em que teoria e prática são realmente complementares.

Palavras-chave: PIBID; ensino de Língua Portuguesa; Formação de professores.

 

Minibiografia:

Doutora (2013) e Mestre (2008) em Filologia e Língua Portuguesa pela Universidade de São Paulo (2013). Bacharel e Licenciada em Letras – Português pela FFLCH/USP (1994). É professora do quadro permanente do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo, coordenadora do subprojeto PIBID Letras – campus São Paulo e é também coordenadora do curso de Pós-graduação Lato Sensu em Formação de Professores – Ênfase Ensino Superior. Atua como membro dos seguintes grupos de pesquisa: “Linguagem e cognição”; (USP-CNPq),”Descrição do Português do Brasil” (IFSP-CNPq) e “Grupo de Estudos da Linguagem do IFSP” (IFSP-CNPq). Tem experiência na área de Letras, com ênfase em Língua Portuguesa, atuando principalmente nos seguintes temas: Gramaticalização, Mudança Linguística, Livro didático de LP, Leitura e produção textual.


Comunicação 10

Abordagens linguísticas e literárias na formação do professor de língua portuguesa

 

Autoras:

Daniela Maria Segabinazi/Universidade Federal da Paraíba/UFPB  dani.segabinazi@gmail.com

Josete Marinho de Lucena/Universidade Federal da Paraíba/UFPB  lucenatoc@yahoo.com.br

 

Resumo:

A aula de língua portuguesa nas escolas do ensino básico, em particular do nível fundamental, apresenta-se dividida em aulas de gramática, de produção textual e de leitura (compreensão e interpretação); e, evidentemente, a aula de gramática se sobrepõe às demais atividades na sala de aula de Língua Portuguesa. Ainda, para completar o quadro que restringe esse ensino, constata-se o ofuscamento da educação literária em decorrência da priorização da gramática ou do estudo dos gêneros discursivos, entre os quais os gêneros literários são absorvidos indistintamente. Então, é com o olhar voltado para o ensino de Língua Portuguesa (e de literatura nesse contexto) e, sobretudo, para a formação do professor dessa área que este trabalho visa apresentar a experiência realizada nos componentes curriculares Estágios Supervisionados IV (abordagens linguísticas) e V (abordagens literárias) do Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas (DLCV) da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), em que a integração entre a língua e a literatura na elaboração dos projetos de ensino a serem desenvolvidos na sala de aula do ensino fundamental II. A presente proposta inclui estudos e concepções sobre a importância do estágio supervisionado na formação do professor; discussões teórico-metodológicas a respeito da articulação escolar no ensino de língua e literatura nos anos finais do ensino fundamental (6° ao 9° anos); e a descrição e análise dos resultados da experiência obtida com os estágios supracitados, especialmente, a partir dos relatórios e portfólios elaborados em 2015 e 2016. Os pressupostos teóricos pautam-se por estudos provenientes da Estética da Recepção, de Hans R. Jauss (1979) e das teorias sociointeracionistas da linguagem de M. Bakhtin (1982), bem como das perspectivas de projetos didáticos traçados por Hernandez e Ventura (2006).

Palavras-chave: Ensino básico; Estágio; Língua Portuguesa; Literatura; Projetos.

 

Minibiografias:

Autor 1 – DANIELA MARIA SEGABINAZI – Doutora em Letras pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Graduada em Letras e Direito, pela Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul (UNIJUÍ). Professora do Programa de Pós Graduação em Letras (PPGL/UFPB) e dos Cursos de Graduação em Letras (presencial e a distância) da UFPB. Líder do grupo de pesquisa “Estágio, ensino e formação docente”; integra o Grupo de Trabalho Literatura e Ensino da ANPOLL.

Autor 2  – JOSETE MARINHO DE LUCENA – Doutora em linguística pela Universidade Federal do Ceará (UFC). Graduada em Letras Português pela Universidade Estadual da Paraíba (UEPB) e mestre pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Professora do Mestrado Profissional em Linguística e Ensino (MPLE) da UFPB. Integra o Grupo de Pesquisa “Estágio, ensino e formação docente”.


Comunicação 11

O ensino de Língua Portuguesa como Língua Estrangeira no Brasil: desconstruindo uma realidade

Autora:

Elaine Cristina Silva Santos – DELI/UFS – crist.79@hotmail.com

 

Resumo:

O ensino de Língua Portuguesa (LP) nas instituições como um todo e a preocupação em enquadrar o ensino de LP como Língua Estrangeira (PLE) é o objetivo principal desse trabalho e deve ser a razão para o fortalecimento na formação do profissional que trabalha nessas áreas. O objetivo aqui é demonstrar que o ato de ensinar línguas deve ser visto como um ensino multiplural. A metodologia utilizada envolve aspectos sociais, políticos e geográficos de uma determinada comunidade na tentativa de buscar uma interface entre essas modalidades, suas culturas, sua identidade. O que é visto como prática pedagógica em sala de aula é que o PLE é uma modalidade específica, porém sua introdução nas grades curriculares e como prática de ensino nas universidades não tem sido efetuada com planejamento adequado. “A introdução da especialidade em cursos de Letras ou em programas de pós-graduação nem sempre é tranquila. Assim, quando houver o desejo de uma parte do corpo docente ou ainda o de uma outra parte alheia à instância, esse desejo de introdução do PLE será tratado por esse poder político no setor que puder chamá-lo a si, geralmente no bojo da grande área da Linguagem. Pode-se, portanto, encontrar o PLE atrelado a quem detiver os direitos de gestão da Língua Portuguesa, mesmo que essa unidade não possua atividades de pesquisa sobre a dimensão “ensino de língua estrangeira”, isso com óbvias perdas para a área de especialidade e para os alunos em si” (ALMEIDA FILHO, 2008). O que vimos como solução para tal é a manifestação por parte do professor de PLE, num ato de conjuntura dos conhecimentos sobre a multiplicidade de usos de um determinado idioma. Para tanto, é preciso uma conscientização do valor estratégico da especialidade de PLE.

Palavras-chave: língua portuguesa; língua estrangeira; multipluralidade; PLE.

 

Minibiografia:

Doutora e Mestre em Letras na área de Filologia e Língua Portuguesa pela USP e graduada em Letras Vernáculas pela UFS. Professora do Departamento de Letras Estrangeiras, da Universidade Federal de Sergipe, do curso de Letras-Libras. Dedica-se a pesquisas que vinculam a linguística histórica a fatores cognitivos e também ao desenvolvimento de projetos de português de herança. Líder do Grupo de Pesquisa LINPHES – Linguagem, Pesquisa em Herança e Semiose (UFS) e também membro dos Grupos de Pesquisa Linguagem e Cognição (FFLCH/USP) e PHPB – Projeto para a História do Português Brasileiro em Sergipe (UFS).


Comunicação 12

Mito e religiosidade em contos de Mia Couto e Bernardo Élis

Autor:

Marcos Vinícius Caetano da Silva – Universidade de Brasília (UnB) –  marcostata007@msn.com

 

Resumo:

Este trabalho volta-se a pensar nas relações entre o mito e a religiosidade tanto em Brasil quanto em Moçambique, principalmente no que tange aos contos do brasileiro Bernardo Élis e do moçambicano Mia Couto. O conto “Virgem santíssima do quarto de Joana” diz respeito a uma gravidez e a um casamento que não ocorrem aos moldes da virgem Maria, sendo que o sertão brasileiro apartado do centro é um fator determinante para pensar nas relações aqui evidenciadas desde a colonização até a manutenção do atraso em prol dos benefícios das elites que sustentam o coronelismo. Influenciado pela primeira geração modernista, Élis procura unir a tradição do conto em língua portuguesa com os falares, expressões e culturas do sertão goiano. Por outro lado, o conto “A velha engolida pela pedra” tem como centro a influência católica em Moçambique desde a colonização, cujo sincretismo é alvo desta investigação. Mia tem como base o hibridismo de maneira a unir não só o tradicional conto de matriz oral bantu à escrita de língua portuguesa, mas também de forma a criar uma expressão própria às condições de Moçambique enquanto ex-colônia sem desprezar a experiência colonial, traduzindo saberes e vivências.  Em ambos os casos, o processo colonizatório adquire importância para pensar não só no mito e na religiosidade, mas também no passado e no futuro das sociedades brasileira e moçambicana a partir da figuração de mitos cultuados refletidos na realidade, no caso do conto de Bernardo Élis; e também nas tensões entre a completude da tradição africana em relação ao civilizado catolicismo enquanto instrumento de dominação e aculturação por parte do império colonial português, no caso do conto de Mia Couto. Essas tensões temáticas também são propícias a uma melhor análise da forma conto, assim como da expressão que caracteriza o trabalho dos autores do corpus.

Palavras-chave: contos; Mia Couto; Bernardo Élis; mito; religiosidade.

 

Minibiografia:

Marcos Vinicius Caetano da Silva é mestrando do Programa de pósgraduação em Literatura da UnB. Sua pesquisa consiste em estabelecer relações dialéticas entre o campo e a cidade, o litoral e o sertão, o mito e a religiosidade e entre a razão e a loucura, com os contos do brasileiro Bernardo Élis e do moçambicano Mia Couto.


Comunicação 13

A intertextualidade na sala de aula: análise da encenação narrativa do conto “Adão e Eva”, de Machado de Assis, e do “Mito da Criação”, na Bíblia, sob o enfoque da Teoria Semiolinguística

 

Autores:

Aristóteles de Almeida Lacerda Neto – Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Maranhão (IFMA) – aristoteles@ifma.edu.br

Diana Sousa Silva Correa – Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Maranhão (IFMA) – diana.correa@ifma.edu.br

 

Resumo:

Um dos grandes desafios para o professor de Português, no que se refere ao processo de ensino e aprendizagem dos estudos de linguagem, é desenvolver a competência linguística e discursiva dos educandos. Para isso, as práticas de leitura e produção textual devem se revestir de significação, tendo em vista que essas duas capacidades são indispensáveis para a democratização do acesso à cultura letrada e às formas de socialização mais complexas da vida cidadã.  Neste sentido, o presente trabalho consiste numa proposta didática, que parte da Teoria Semiolinguística, de Patrick Charaudeau (2010), por meio da análise das relações intertextuais nas narrativas “Adão e Eva”, de Machado de Assis, e o “Mito da Criação”, plasmado na Bíblia. Considerando o caráter interlocutivo e polifônico do texto, recorremos, também, aos estudos de Bakhtin (1988) que compreende a língua como um processo de interação verbal. O objetivo deste trabalho é, portanto, a clarificação dos aspectos de intersecção (identificação do intertexto) do conto machadiano com a narrativa bíblica. Observamos que esta perspectiva analítica contribui não só para o reconhecimento do diálogo intertextual das narrativas em questão, mas também para a identificação da intencionalidade e da ideologia. Tais aspectos consubstanciam um mecanismo de potencialização das habilidades de leitura e escrita.

Palavras-chave: Teoria Semiolinguística; Narrativa; Leitura; Produção; Intertextualidade.

 

Minibiografias:

Autor 1 – Aristóteles de Almeida Lacerda Neto possui graduação em Letras pela Universidade Federal da Paraíba (2003), mestrado (2006) e doutorado (2012) em Letras pela referida Universidade. Atualmente é professor de ensino básico, técnico e tecnológico do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Maranhão. Atua na área de Literatura Comparada.

Autor 2 – Diana Sousa Silva Correa possui graduação em Letras e Respectivas Literaturas (2014) pela Universidade Estadual do Maranhão (UEMA) e especialização em Língua Portuguesa e Literatura (2015) pelo Instituto de Estudos Fundamentais e Avançados de Santa Inês (IEFA). É professora de ensino básico, técnico e tecnológico do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Maranhão. Tem experiência na área de Letras, com ênfase em Análise do Discurso.


Póster 1

A poesia de Florbela Espanca e sua percepção acerca da morte

Autora:

Nathalie Anne Conceição de Barros – Universidade do Estado do Amazonas –

nathalie.nacb.nacb@gmail.com

 

Resumo:

Este trabalho tem como objetivo analisar a percepção acerca da morte esboçada na poesia de Florbela Espanca. Os seus escritos, em forma de poesia e prosa, não revelam preocupações com questões sociais ou políticas, mas sim abordam temáticas referentes a estados da alma, como: amor, dor, paixões, vida, morte, dentre outras. Para tanto, o estudo realizado envolveu três poemas da poetisa: “A Vida e a Morte”, “Dizeres íntimos” e “A Morte”. Como fundamentação teórica, utilizou-se o estudo biográfico de Florbela Espanca realizado por Barros (2015) e Torres (2014), a fim de obter-se o conhecimento do contexto em que a escritora viveu, bem como os aspectos sócio-culturais e psicológicos quando escreveu cada um dos poemas; o estudo da história da morte no ocidente de Ariès (2012), para o entendimento a respeito do histórico do pensamento da morte refletido na sociedade ocidental em cada época. Os resultados dessa análise demonstram que ao referir-se à morte, Florbela Espanca aproxima-se da visão romântica, abordada pelo teórico Ariès, o qual explica que, a partir do século XIX, a morte torna-se a resolução de problemas, sendo retratada como algo desejável. Pode-se também inferir que a escritora retratava a si mesma no eu-lírico de seus poemas, pois ao conhecer sua biografia, percebe-se que foi uma mulher muito ativa que demonstrava insatisfação com a moral vigente da sociedade em que vivia, o que a levou a desejar a morte para o alcance da paz e tranquilidade. Pode-se utilizar este estudo em sala de aula para o desenvolvimento de trabalho pedagógico do componente curricular de literatura portuguesa, propiciando aos alunos a compreensão da percepção de Florbela Espanca especificamente a respeito da morte a partir da reconstituição da realidade social, histórica e cultural que influenciou a autora e suas impressões acerca da existência, as quais foram esboçadas em seus poemas.

Palavras-chave: Florbela Espanca; Poesia; Morte.

 

Minibiografia:

Nathalie Anne Conceição de Barros, Mestranda em Letras e Artes pela Universidade do Estado do Amazonas e pesquisadora do Projeto FAMAC (Fala Manauara Culta e Coloquial).