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Simpósio 19

SIMPÓSIO 19 – LÍNGUA DE HERANÇA E LÍNGUAS EM CONTATO: PESQUISANDO O CONVÍVIO ENTRE AS LÍNGUAS MINORITÁRIAS E LÍNGUA DOMINANTE

 

Coordenadoras:

Camila Lira | Europa-Universität Viadrina | milalira@gmail.com

Konstanze Jungbluth | Europa-Universität Viadrina | jungbluth@europa-uni.de

Layla C. I. Souto | Europa-Universität Viadrina | soutolayla@gmail.com

 

Resumo:

Esse simpósio objetiva acolher pesquisadores que lidem com a temática da Língua de Herança através de diferentes perspectivas (identidade, gramática, literatura, política, etc.). É intuito desse simpósio averiguar como se dá o contato entre a língua de herança (minoritária) e as línguas majoritárias, evidenciando, assim, os efeitos causados pelo contato entre estas e aquelas, ponderando a convivência, o sentimento de pertença, a influência em aspectos gramaticais, etc.

Relevante para esse simpósio é a discussão e interação entre os diferentes pesquisadores que se debruçam em pesquisas relacionadas à língua de herança e de contato, como professores, pedagogos, sociolinguistas, antropólogos, políticos, entre outros. Importante é observar e discutir como se dão as relações político-linguísticas da sociedade e de seus governantes com as políticas linguísticas familiares, e como a identidade linguística se espelha nestas políticas. Importante, também, é discutir quais consequências estas relações trazem para a vida em sociedade multilíngue.

Ao final desse simpósio, gostaríamos de propor uma discussão com o fim de colher ideias para uma convivência entre a língua de herança e a língua dominante que se baseie no apoio mútuo. Gostaríamos de discutir também possíveis soluções que contribuam para o desenvolvimento das línguas de herança, tanto no âmbito político e social quanto no âmbito familiar e individual, preservando-as. Nesse sentido, esse simpósio contribui para o tema “união na diversidade”, proposto pelo VI SIMELP.

Palavras-chave: língua de herança, língua de contato, multilinguismo, língua minoritária, língua dominante.

 

Minibiografias:

Camila Lira: Graduada em Letras com habilitação em português e alemão pela Universidade de São Paulo (USP); mestre em Alemão como Língua Estrangeira pela Universidade Ludwig Maximiliam de Munique (LMU); doutoranda em Linguística pela Europa Universität Viadrina desde Setembro/2015. Atua como pesquisadora e professora de Português como Língua de Herança em Munique, coordena a associação Linguarte e.V.; é idealizadora do SEPOLH – Simpósio Europeu de Português como Língua de Herança e professora de português na Universidade Técnica de Munique.

Konstanze Jungbluth: Decano da Faculdade de Estudos Culturais da Europa-Universität Viadrina [Frankfurt-Oder], é professora de Linguística [Pragmática] e de Linguística Comparada, com pesquisas, de abordagens diacrônica e sincrônica, de temáticas acerca da dêixis e das tradições discursivas; das descrições linguísticas comparativas entre línguas das Europa do Leste e Ocidental; de variedades linguísticas; e dos contatos linguísticos de línguas europeias e outras línguas fora da Europa, notadamente na América Latina, como o espanhol e o português do Brasil.

Layla C. I. Souto: Graduada em Letras com habilitação em português e literaturas de língua portuguesa pela Universidade Federal da Grande Dourados [UFGD], em 2011; mestre em Linguística Geral pela Universidade do Porto [UP – Portugal], em 2014; doutoranda em Linguística pela Europa-Universität Viadrina desde abril/2015. É professora de língua portuguesa para estrangeiros na Iberika Sprachschuler [Berlim] e, atualmente, pesquisa o contato entre o Português Brasileiro e o Alemão, na Alemanha.

 

Resumos dos trabalhos aprovados

Comunicação 1

Eu falo brasileiro e boliviano”: um estudo sobre a construção de identidade de crianças espanohablantes em uma escola da periferia brasileira

Autores:

Naiara Siqueira Silva – Universidade Estadual de Campinas – naiarasiqueirasilva@gmail.com

 

Resumo:

Esta comunicação tem como objetivo discutir: (i) a noção de bilinguismo e educação bilíngue a partir de uma visão heteroglóssica (BUSCH, 2012; GARCIA, 2009) de língua, (ii) a formação de identidades híbridas excludentes (GARCIA-CANCLINI, 2001), de sujeitos bilíngues bolivianos dentro de uma instituição pública de ensino/educação infantil no município de Carapicuíba, região metropolitana de São Paulo e (iii) a noção de educação para a interculturalidade (CANDAU, 2011; MAHER, 2007). Metodologicamente, utilizamos a narrativa autobiográfica (FERRAROTTI, 1998; LARROSA, 1994; WORTHAN, 2001) como suporte para entender como são as relações dessas crianças espanohablantes com seu repertório linguístico (BLOMMAERT, 2012; BUSCH, 2012) e como essas crianças, ao se narrarem, constroem imagens de si e do Outro (CUCHE, 1999; HALL, 2006; SILVA, 2000). Para tanto, os alunos bolivianos dessa instituição (alunos da pré escola), foram convidados a participarem de conversas, após o horário regular das aulas (com autorização prévia dos responsáveis da criança), com 30 minutos de duração, mais ou menos, por semana, durante 4 meses,  nas quais relataram suas vidas no Brasil e fizeram desenhos sobre suas línguas, em casa e na escola e na construção desse terceiro espaço (BHABHA, 1990), e sobre suas respectivas rotinas com suas famílias e no ambiente escolar. Além dessas entrevistas com as crianças, foram observados com cunho etnográfico de observação participante (MALINOWSKI, 1984; GARCEZ, SCHULZ, 2015) o cotidiano dessa instituição escolar por um semestre. Nesse sentido, as relações entre as instâncias hierárquica da escola – gestão x professores; professores x alunos; gestão x alunos – configuram o arcabouço de dados relatados nessa pesquisa. Os resultados apontam para a importância de ações da gestão escolar e ações pedagógicas para que não se formem identidades híbridas excludentes com esses alunos bolivianos e que seja possível uma educação pautada na interculturalidade (CANDAU, 2011; MAHER, 2007). Além disso, a educação do entorno (MAHER. 2006) deve ser contemplada nas políticas linguísticas (CANAGARAJAH, 2005; HORNBERGER, 2006; McCARTY, 2011; PENNYCOOK, 2006; RICENTO, 2006; TOLLEFSON, 2006) implantadas nesse contexto, pois a implantação e regularidade dessas ações políticas linguísticas afirmativas só serão possíveis com a junção de ações pedagógicas, ações da gestão escolar e ações com a comunidade escolar.

Palavras-chave: Educação Bilíngue; Multilinguismos; Identidade; Políticas Linguísticas.

 

Minibiografia:

Naiara Siqueira Silva, graduada em Ciências Sociais pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP) e mestranda em Linguística Aplicada pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Sua área de concentração em pesquisa sobre Estudos Culturais, Educação, Antropologia e Ensino de Línguas.


Comunicação 2

Imaginários, representações sociais e língua de herança na tríplice fronteira

Autora:

Francisca Paula Soares Maia – Universidade Federal da Integração Latino-Americana – paula.maia@unila.edu.br

 

Resumo:

Esta proposta de comunicação tem sua origem em resultados obtidos no primeiro momento investigativo de A Pesquisa Sociolinguística nas Escolas Públicas no Programa Escolas Interculturais De Fronteira (PEIF), convênio MEC/SEB/UNILA, o qual teve por objetivo  inicial verificar qual a situação de uso das línguas da região, bem como verificar quais línguas e em quais situações elas são usadas. Para isto foi utilizado embasamento interdisciplinar entre Sociolinguística (LABOV, 2001; SCHERRE & YACOVENCO, 2011), Antropologia (KLAUCK e SZEKYT, 2012; MOLANO, 2007) e Alteridade (HALL, 1999), e foram aplicados questionários com embasamento sociolinguístico em quatro turmas de estudantes de ensino básico, em uma escola municipal da tríplice fronteira Brasil-Paraguai-Argentina, localizada em Foz do Iguaçu, que recebe alunos da comunidade local e de famílias que migram inesperadamente para o município de Foz do Iguaçu. Após a análise dos dados, detectamos o uso do Guaraní, como língua de herança.  Nessa comunicação, apresentamos alguns  resultados quantitativos obtidos através dos questionários, e também reflexões em torno dos imaginários e das representações sociais dos estudantes envolvidos na investigação das línguas usadas neste rico espaço trifronteiriço, e de suas implicações na manutenção da língua de herança.

Palavras-chave: Sociolinguística; Língua de Herança; Tríplice Fronteira; Língua  Minoritária

 

Minibiografia:

Francisca Paula Soares Maia possui graduação em Letras, licenciatura em Língua Portuguesa (1990), Mestrado (2003) e Doutorado em Estudos Linguísticos (2012), com ênfase em Sociolinguística pela Universidade Federal de Minas Gerais. É membro-integrante dos Grupos de Pesquisa CNPq- (1)História Social do Português-FALE/UFMG- Teoria da Variação e Mudança Linguística; (2)Interculturalidade e Alteridades; (3)LEAL – Laboratório de Estudos Avançados de Linguagens. Coordena o grupo de pesquisa Estudos (Sócio)Linguísticos e de Culturas em Espanhol e Português Línguas Estrangeiras. Professora Adjunta Dedicação Exclusiva da Universidade Federal da Integração Latino-Americana.


Comunicação 3

Línguas de herança e línguas aprendidas na escola em um contexto bi/multilíngue: perspectivas de alunos do Ensino Médio

Autora:

Cleide Beatriz Tambosi Pisetta – Universidade Regional de Blumenau – cleybeatriz@hotmail.com

 

Resumo:

A colonização no Sul do Brasil no século XIX colaborou com a inserção de novos costumes, crenças e línguas dos imigrantes na constituição de cenários bi/multilíngues. Este trabalho visa apresentar dados parciais de uma pesquisa em um desses cenários, a partir das línguas que circulam em um município do Vale do Itajaí, SC, Brasil, também conhecido como “Vale dos Trentinos”, colonizado por imigrantes italianos em 1875. A pesquisa de cunho qualitativo ocorre dentro do ambiente escolar, onde é possível ampliar sentidos relacionando as línguas de imigração e as línguas ensinadas na escola, sob o ponto de vista de alunos do ensino médio. Como aporte teórico, usou-se a teoria do círculo bakhtiniano com relação à linguagem e a perspectiva da Linguística Aplicada relativa à escolarização em contextos plurilíngues e às políticas linguísticas. Como objetivo, pretende-se compreender sentidos construídos por alunos da educação básica, que convivem em um contexto bi/multilíngue, sobre as línguas que circulam neste local.

A geração de dados ocorreu com o levantamento do perfil linguístico desses alunos a partir de um questionário semiaberto. Com a análise preliminar dos dados é possível observar relações descritas pelos sujeitos entre o uso de línguas de imigração e línguas do currículo escolar. Percebeu-se o atual uso de línguas de herança no contexto pesquisado, como a língua italiana e a língua alemã. Os dados sinalizam que a aprendizagem da língua portuguesa e das línguas de herança na escola são importantes para o desenvolvimento pessoal, além de contribuir com um estudo mais aprofundado dessas línguas, proporcionando maior compreensão da diversidade no cenário em questão. Por fim, é importante que as políticas públicas valorizem línguas consideradas minoritárias, quebrando o mito de que o Brasil é uma nação monolíngue.

Palavras-chave: Línguas de Herança, Plurilinguismo, Ensino Médio, Vale do Itajaí – SC/Brasil.

 

Minibiografia:

Mestranda em Educação na linha de pesquisa Linguagem e Educação na Universidade Regional de Blumenau – FURB e bolsista FURB. Pós-graduada em Metodologia do Ensino de Língua Portuguesa e Literatura pela Uniasselvi (2013). Graduada em Letras – Português, Inglês e Literaturas pela Fundação Universidade Regional de Blumenau – FURB (2012). Atualmente é professora de Língua Inglesa.


 Comunicação 4

Um estudo sobre a variedade do português falado pelos guarani e pelos tikuna

Autoras:

Ligiane Pessoa dos Santos Bonifácio – UFRJ/UFAM/FAPEAM -professoraligiane@hotmail.com

Poliana Claudiano Calazans – UFRJ/CAPES – polianazans@hotmail.com

 

Resumo:

Dos milhões de índios que existiam no Brasil, estima-se que restam hoje cerca de 900 mil distribuídos em 305 etnias. Desses, aproximadamente 100 mil pertencem às etnias Guarani e Tikuna das quais se ocupa o presente trabalho. Considerando que essas etnias são bilíngues em formação, este estudo objetiva apresentar uma breve descrição das variedades do português que os Guarani do Espírito Santo e os Tikuna do Alto Solimões vêm adquirindo. Para tanto, selecionamos três fenômenos linguísticos que englobam aspectos fonológicos, gramaticais e discursivos dessas variedades, buscando analisar se os falantes dessas etnias replicam os condicionamentos dessas variáveis conforme os falantes nativos do Português Brasileiro ou se há transferência de L1 para L2 nesse processo de aquisição da segunda língua. Assim, tal descrição concentra-se, no nível fonológico, no travamento de consoante em posição de coda final; no nível gramatical, na concordância verbal de terceira pessoa do plural; e, no nível discursivo, nos aspectos concernentes ao marcador discursivo de memória coletiva. Em vista disso, foi formado um banco de dados por meio de entrevistas sociolinguísticas coletadas em aldeias de ambos os povos que versaram sobre relatos de experiências, tradições históricas e meio ambiente. A análise tomou por base os pressupostos da Sociolinguística para observar a aquisição de L2 em contexto de contato linguístico (Weinreich, 1970 [1953]; Romaine, 1995; Kerswill, 2006; Matras, 2011 entre outros). Entendeu-se, conforme o andamento da pesquisa, que o intenso e prolongado contato com falantes nativos de PB culminou em variedades do português que além de replicarem os condicionamentos de falantes nativos sofrem interferência da L1 nos três níveis estudados. Por fim, tal análise se faz pertinente uma vez que coopera com os estudos que traçam o perfil da diversidade linguística brasileira e serve como um aporte que favorece a preservação das línguas indígenas.

Palavras-chave: Contato Linguístico; Aquisição de L2; Português Étnico; Guarani; Tikuna.

 

Minibiografias:

Ligiane Pessoa dos Santos Bonifácio é licenciada em Letras – Língua e Literatura Portuguesa pela Universidade Federal do Amazonas (2004). Especializou-se em Língua Portuguesa com Ênfase em Produção Textual na Universidade Federal do Amazonas (2005). Cursou o mestrado em Ciências da Linguagem na Universidade do Sul de Santa Catarina (2011). Atualmente, cursa Doutorado em Linguística na Universidade Federal do Rio de Janeiro. É professora do curso de Letras da Universidade Federal do Amazonas.

Poliana Claudiano Calazans é licenciada em Língua Portuguesa e Literatura de Língua Portuguesa pela Universidade Federal do Espírito Santo (2007). Especializou-se em Letras – Português com Ênfase em Didática do Ensino Superior pela FIJ – Signorelli Instituto de Gestão Educacional (2010). Cursou o mestrado em Estudos Linguísticos na Universidade Federal do Espírito Santo (2014). Atualmente, cursa Doutorado em Linguística na Universidade Federal do Rio de Janeiro. É professora da educação básica no Espírito Santo.


Comunicação 5

Línguas em contato: português brasileiro, espanhol e língua tikuna no cotidiano da feira municipal em Benjamin Constant – AM/Brasil

Autores:

Jorge Luís de Freitas Lima – Universidade Federal do Amazonas –  silog5@hotmail.com

Rosemara Staub de Barros Zago – Universidade Federal do Amazonas –  rosemarastaub@gmail.com

 

Resumo:

Este artigo traz um recorte da dissertação Oralidade e Cotidiano: falares fronteiriços em Benjamin Constant-AM, cujo objetivo foi investigar as influências socioculturais no uso da oralidade pelos agentes envolvidos nas relações comerciais na feira municipal de Benjamin Constant-AM e a implicação disso para a compreensão de como se caracteriza o processo comunicativo numa região de fronteira. Fundamentamos essa pesquisa nos conceitos de habitus e de campo, de Bourdieu (2009), e no conceito de cultura, de Geertz (2009). Para compreender a multiplicidade de relações linguísticas e culturais num ambiente caracterizado pela diversidade de contatos, adotamos o conceito de semiosfera de Yuri Lotman (1996). Optamos pela abordagem etnográfica, pois esta permitiu uma visualização de plenas possibilidades do objeto pesquisado, possibilitando-nos fazer a pesquisa ‘de dentro’. Neste recorte, a finalidade é contextualizar historicamente e apresentar como se constitui o cotidiano da feira municipal, caracterizando-a como um espaço onde ocorrem diferentes situações de contato linguístico entre português brasileiro, espanhol e língua tikuna em decorrência de sua localização na fronteira. A Feira localiza-se na cidade de Benjamin Constant, ao oeste do Estado do Amazonas, no Brasil, a qual faz fronteira com a República do Peru. A fronteira é aberta e, por isso, permite maior circulação de pessoas das duas nacionalidades. A construção da feira foi resultante da implantação do terceiro ciclo de desenvolvimento proposto pelo Governo do Estado (1º Ciclo – da borracha; 2º Ciclo – instalação da Zona Franca de Manaus; 3º Ciclo – interiorização de ações de desenvolvimento rural) e supriu a necessidade de um local onde os produtores pudessem vender os seus produtos, uma vez que a maior fonte de renda na cidade era a agricultura familiar praticada por moradores de origem brasileira e peruana, incluindo-se os indígenas de ambas as nacionalidades. A área constitui-se de 18 boxes mais espaços externos disponibilizados aos produtores brasileiros, peruanos e indígenas. Sua criação estimulou a economia local e criou um espaço de contatos entre diferentes línguas. Apesar disso, não houve dificuldades no processo comunicativo local. Destacaram-se duas práticas observadas constantemente no uso das línguas: a substituição da oralidade por práticas corporais (gestos, mímica; uso multimodal) e a utilização de ‘palavras-coringa’.

Palavras-chave: Língua Portuguesa Brasileira; língua de contato; multilinguismo; oralidade; semiosfera; língua dominante; uso multimodal (gestos).

 

Minibiografias:

Jorge Luís de Freitas Lima – Mestre em Sociedade e Cultura na Amazônia pela Universidade Federal do Amazonas-UFAM; licenciado em Letras com habilitação em Língua Portuguesa e suas Respectivas Literaturas pela Universidade Federal de Rondônia-UNIR; bacharel em Direito pela Universidade Federal de Rondônia-UNIR. Discente do Programa de Pós-graduação (doutorado) Sociedade e Cultura na Amazônia; docente lotado na UFAM e membro da Academia de Letras de Cacoal – RO.

Rosemara Staub de Barros Zago – Professora Associada (Nível III) da Universidade Federal do Amazonas – UFAM, lotada desde 1990 no Departamento de Artes do Instituto de Ciências Humanas e Letras/ICHL; professora permanente do Programa de Pós-Graduação Sociedade e Cultura na Amazônia/PPGSCA-UFAM. Possui doutorado em Comunicação e Semiótica pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo-PUC/SP; mestrado em Artes (Música) pela Universidade Estadual Júlio de Mesquita Filho – UNESP/SP e graduação em Educação Artística (Música) pela Faculdade de Artes Santa Marcelina.


 Comunicação 6

Contato Negarotê-Português na Terra Indígena Lagoa dos Brincos – MT, Brasil: uma análise preliminar

Autoras:

Ana Gabriela M. Braga – Universidade Federal de Pernambuco (Brasil)/Vrije Universiteit Amsterdam (Holanda) – gabibraga88@gmail.com

Fernanda Maciel Ziober – Vrije Universiteit Amsterdam (Holanda) – fernandaziober@gmail.com

 

Resumo:

Embora considerado oficialmente como um país monolíngue, além do Português, são faladas no Brasil cerca de 180 línguas indígenas, a maior parte delas, na região amazônica (Seki, 2000). O grupo indígena Negarotê, faz parte da família linguística Nambikwára, ramo Nambikwára do Norte, que vive na Terra Indígena (TI) Lagoa dos Brincos, Reserva Vale do Guaporé, no estado do Mato Grosso. De acordo com dados da Funai, o grupo tem cerca de 140 pessoas vivendo nesta TI, todos ainda falantes da sua língua tradicional. Os primeiros contatos entre os Negarotê e os falantes de língua portuguesa datam do final dos anos 1940 e início de 1950. Desde então, o contato entre membros da comunidade e não índios foram intensificados. Atualmente, cerca de 90% da população Negarotê é bilíngue, tendo como língua materna o Negarotê e o Português como segunda língua. Neste trabalho, temos como objetivo apresentar uma análise preliminar das interferências, nos níveis fonológico e morfológico, da língua indígena no Português falado por índios da etnia Negarotê. A análise terá como base as categorias de contato elencadas em Matras (2009), por exemplo a convergência dos sistemas fonológicos que se dá pela substituição de fonemas do Português por fonemas do Negarotê. Os dados para análise foram coletados in loco no ano de 2013 junto a quatro falantes Negarotê com diferentes graus de escolarização e bilinguismo. O Negarotê possui características bastante distintas do Português. Trata-se de uma língua polissintética, em que uma palavra pode ser formada por vários morfemas com valor semântico. A ordem sintática básica é SOV para verbos transitivos e SV para verbos intransitivos. Quanto à fonologia, são características do Negarotê o maior número de vogais fonológicas (16) comparado ao número de consoantes (11) e a existência do tom operando junto com o acento.

Palavras-chave: Contato de Línguas; Línguas Indígenas; Negarotê; Português Indígena.

 

Minibiografias:

Ana Gabriela Braga é doutoranda em Linguística pelo Programa de Pós-Graduação em Letras da UFPE – UFPE e Vrije Universiteit Amsterdam – Países Baixos (co-tutela). Mestra em Letras/Linguística no Programa de Pós-Graduação em Letras da Universidade Federal de Pernambuco (2012). Graduada em Letras, Bacharelado (ênfase pesquisador), pela Universidade Federal de Pernambuco (2010). Interesse especialmente nas áreas de: Línguas Indígenas, Língua Portuguesa, Fonologia, Gramática, Descrição e Análise de Línguas e Tipologia Linguística. 

Fernanda Maciel Ziober é doutoranda pela Vrije Universiteit Amsterdam – Países Baixos. Mestre em Linguística pela Universidade Federal de Pernambuco – Brasil (2014). Bacharel em Letras-Português pela Universidade de Brasília (2010). Intercâmbio de um ano na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (2009-2010). Principais áreas de interesse: Contato de Línguas, Linguística Histórica, História Social da Linguagem, Tipologia Linguística e Linguística Comparada. 


Comunicação 7

Línguas oralizadas e sinalizadas: a diversidade linguística na vida e na escola

Autores:

Márcia de Moura Gonçalves-Penna – UFMT – mmgpenna@gmail.com

Marta Maria Covezzi – UFMT – martacovezzi@hotmail.com

 

Resumo:

A partir de uma visão ecológica dos fenômenos linguísticos, segundo propõe Couto (2007,2009), neste estudo discutiremos processos de inter-relações linguísticas de usuários de línguas em suas modalidades oralizadas e sinalizadas. Para tanto, nos apoiaremos em algumas das propriedades do ecossistema linguístico tais como interação, diversidade, contato de línguas e comunidade de fala destacando processos interativos relacionados à Língua Brasileira de Sinais (Libras), e ao seu uso por surdos (visuais) e ouvintes. Primeiramente, tomamos os processos de diálogo entre línguas oralizadas como o português e o francês (línguas dominantes), na constituição da Libras (língua de herança) e, em seguida, os de uso do inglês, português e da Libras em sala de aula de inglês como língua estrangeira (LE) para o visual. Os primeiros resultados dos estudos dos contatos entre línguas oralizadas portuguesa e francesa na constituição da Libras nos informam que muitos dos sinais herdados do francês pela Libras, empréstimos linguísticos de sinais e sinais formados a partir de palavras da língua francesa oral, mantiveram-se inalterados na ausência de contato, porém, seguiram o movimento natural da língua, no francês, acompanhando o fluxo da vida; quanto à língua portuguesa, como convive com a Libras no mesmo meio ambiente linguístico e sócio-histórico, tem influenciado sua constituição pela necessidade da nomeação de referentes que não existiam, pela datilologia, pelas regras da gramática, ou pela adoção de termos novos que surgem e, necessariamente, precisam passar a existir também na língua de sinais. Com relação à diversidade de línguas e aos seus usos em sala de aula de LE, os resultados apontam que, tomando a sala de aula como um ambiente social, mental e natural, em um contexto de inclusão com falantes ouvintes e visuais, a diversidade de línguas não interferiu negativamente na vitalidade do ecossistema. Nesse sentido, observou-se como fatores positivos o uso do inglês em sua modalidade escrita como objeto de ensino e em trocas interacionais nas atividades, o do português escrito como língua a ser visitada para reconhecimento de aspectos linguísticos relacionando português e inglês, e a Libras como mediadora entre as comunidades de fala de ouvintes e surdos como língua de instrução.

Palavras-chave: Ecolinguística; Ensino de inglês para surdos (visuais); contato de línguas; empréstimos linguísticos; língua oralizada/língua de sinais.

 

Minibiografias:

Márcia de Moura Gonçalves é doutoranda em Estudos de Linguagem pelo Programa de Pós-Graduação em Estudos Linguísticos da UFMT e Mestre em Estudos de Linguagem pela UFMT. Na pesquisa doutoral, seu objetivo é investigar o ensino e a aprendizagem de inglês em sala de aula mista com estudantes visuais (surdos) e ouvintes. Participa dos Grupos de Pesquisa Relendo Bakhtin – REBAK/UFMT/CNPq – e REBAK Sentidos/ UFMT/CNPq.

Marta Maria Covezzi é doutoranda em Estudos de Linguagem no PPGEL da UFMT. Docente do Curso de Letras Português-Francês – UFMT, dedica-se à formação de professores e estudos discursivos. Desenvolve pesquisa doutoral que visa desvelar o trajeto sócio-histórico dos empréstimos linguísticos da língua francesa na Libras, entrelaçando os estudos bakhtinianos à Ecolinguística. Participa dos Grupos de Pesquisa Relendo Bakhtin –  REBAK/UFMT/CNPq e REBAK Sentidos/ UFMT/CNPq.


Comunicação 8

Sobre o papel da língua dominante na aquisição de uma língua de herança: Evidência da investigação sobre o PLH

Autora:

Cristina Flores – Universidade do Minho – cflores@ilch.uminho.pt

 

Resumo:

Falantes de Herança são falantes bilingues que adquirem as suas línguas num contexto particular de emigração. Geralmente, a língua do país de acolhimento torna-se a língua dominante da criança imigrante a partir da sua escolarização. Por sua vez, o contacto com a língua de origem, a Língua de Herança (LH), é confinado à comunicação no seio da família. Uma das questões que ocupa a investigação em bilinguismo consiste em averiguar se o contacto mais limitado com a LH e a forte presença da língua maioritária influenciam o processo de aquisição da LH. Vários autores defendem que a quantidade de exposição à língua maioritária influencia fortemente o desenvolvimento da língua menos dominante (Gathercole & Thomas, 2009; Unsworth, 2013). No entanto, os resultados sobre o papel da língua dominante neste processo são contraditórios e carecem, ainda, de investigação mais profunda.

O presente trabalho pretende discutir esta questão com base nos resultados de uma série de estudos conduzidos nos últimos anos sobre a aquisição do Português como Língua de Herança em contacto com o Alemão e o Francês como línguas maioritárias.

Palavras-chave: Português Língua de Herança; aquisição bilingue; papel da língua dominante; quantidade de exposição.

 

Minibiografia:

Cristina Maria Moreira Flores é Professora Auxiliar do Departamento de Estudos Germanísticos e Eslavos da Universidade do Minho. Publicou vários artigos em revistas especializadas, nacionais e internacionais, capítulos de livros e livros. Desenvolve o seu trabalho de investigação na área da Linguística, nomeadamente do Bilinguismo, da Aquisição de Línguas e da Erosão Linguística. Coordenou e participa em vários projetos de investigação relacionados com a temática do Bilinguismo e das Línguas de Herança. Foi Diretora de Curso da Licenciatura em Línguas e Literaturas Europeias da Universidade do Minho de 2008 a 2012. É Diretora do Departamento de Estudos Germanísticos e Eslavos da UM desde julho de 2013 e diretora-adjunta do Centro de Estudos Humanísticos.


Comunicação 9

O (não) uso das normas padrões por aprendizes de Português como língua de herança: Evidências de uma interlíngua

Autora:

Gláucia Silva – Universidade de Massachusetts Dartmouth – gsilva@umassd.edu

 

Resumo:

Pesquisas recentes (resumidas em Silva, 2015) vêm evidenciando as propriedades linguísticas do Português como língua de herança (PLH). Embora o PLH se aproxime da forma utilizada por falantes nativos de Português em muitos aspectos, em outros se afasta dela e evidencia o contato com a língua majoritária. No entanto, o objetivo do ensino de línguas de herança não deve ser erradicar a variedade já conhecida pelo/a aprendiz. Valdés (1981, 2001) argumenta que a instrução em línguas de herança deve almejar o bidialetalismo: ao mesmo tempo em que se valoriza a variedade linguística utilizada pelo/a falante em seu ambiente familiar, parte-se dela para desenvolver a variedade padrão, que inclui registros e regras que podem ainda não estar presentes no dialeto desses aprendizes.

Partindo das propriedades já conhecidas do PLH, esta comunicação aborda o aprendizado da norma padrão do Português. Os participantes–aprendizes de PLH matriculados no 2o. e no 3o. semestres de instrução formal no nível universitário–completaram tarefas linguísticas contendo situações formais (em que se deveria priorizar a norma padrão) e informais (em que a variedade familiar seria aceita e possivelmente preferida). Os resultados evidenciam características de uma interlíngua em que os aprendizes ora privilegiam a norma padrão, ora as formas usadas em situações informais, sem que haja ainda consistência em relação a quais formas linguísticas devem ser utilizadas em que circunstâncias. O estudo discute também até que ponto a variedade familiar utilizada por esses aprendizes denuncia o contato com o inglês, a língua majoritária no seu contexto. A comunicação conclui com implicações pedagógicas dos resultados obtidos, incluindo algumas sugestões relativas ao ensino da norma padrão em PLH.

Palavras-chave: Norma padrão; interlíngua; contato linguístico.

 

Minibiografia:

Gláucia Silva tem mestrado em Linguística e doutorado em Linguística Hispânica pela Universidade de Iowa (EUA). É professora e atual diretora do Departmento de Português da Universidade de Massachusetts Dartmouth (EUA), onde também coordena os cursos de níveis iniciante e intermediário. A sua pesquisa centra-se no aprendizado e no ensino de português como língua de herança.


Comunicação 10

Português Brasileiro como Língua de Herança: o contato com o alemão em textos escritos por crianças

Autores:

Layla Souto – Europa-Universität Viadrina – soutolayla@gmail.com

 

Resumo:

A partir do século XXI, a Alemanha passou a receber um número crescente de imigrantes. Dados dos Consulados e Embaixadas Brasileiras na Alemanha apontam para mais de 100 mil brasileiros oficialmente registrados na Alemanha e, apesar do grande número de cidadãos brasileiros residentes na Alemanha, ainda são poucos os estudos sobre o contato linguístico entre o Português Brasileiro, como língua minoritária, e o Alemão. Para esse trabalho, selecionamos como objeto de pesquisa atividades e textos escritos por alunos de Português Brasileiro como Língua de Herança na Associação Bilingua (http://berlin-bilingua.de/), em Berlim. Nesses textos, buscamos levantar a influência da língua alemã nos textos escritos em português por crianças descendentes de brasileiros e aprendizes de Português Brasileiro como Língua de Herança.

Palavras-chave: línguas em contato; textos escritos; português brasileiro; língua de herança.

 

Minibiografia:

Graduada em Letras com habilitação em português e literaturas de língua portuguesa pela Universidade Federal da Grande Dourados [UFGD], em 2011; mestre em Linguística Geral pela Universidade do Porto [UP – Portugal], em 2014; doutoranda em Linguística pela Europa-Universität Viadrina desde abril/2015, onde pesquisa o contato entre o português brasileiro e o alemão, na Alemanha. É professora de língua portuguesa para estrangeiros na Iberika Sprachschuler [Berlim] e professora de português como língua de herança na Associação Bilíngua [Berlim].


Comunicação 11

Política Linguística e o Português como Língua de Herança na Itália

 

Autora:

Ana Luiza de Souza – Università di Pisa – analuiza.desouza@unipi.it

 

Resumo:

O Ministério da Educação italiano introduziu no ano de 2014 a Didática da Língua Portuguesa no curso de Formação de Professores de língua estrangeira, a fim de instituir o ensino desta língua nas escolas italianas. O motivo desta introdução deu-se a partir de dados estatísticos encontrados sobre os estudantes matriculados nas escolas: 10.167 estudantes estrangeiros de origem portuguesa (RUSSO, 2016), isto sem contar os alunos de origem brasileira, lusófonos africanos, além dos adotados de origem brasileira. Todos considerados falantes de herança.

O grande número de línguas estrangeiras extra-comunitárias, aprovada pelo Ministério da Educação para o ensino nas escolas, demonstra a preocupação nas políticas linguísticas no país. Faltam, ainda, programas que atribuam a estas línguas a tarefa de auxílio no desenvolvimento linguístico e identitário do imigrante, reconhecendo-as como língua de herança. No âmbito das políticas para imigrantes, as escolhas educacionais tem dado preferência à aprendizagem do italiano L2, não compreendendo a importância da manutenção das línguas de origem para o futuro dos novos italianos. Nessa conjuntura, as iniciativas que trabalham com o português como língua de herança estão crescendo e procurando seus espaços na sociedade, não obstante o descaso da política e suas escolhas.

Objetiva-se com esta comunicação apresentar questões quanto à política linguística italiana, descrevendo as iniciativas de POLH presentes na Itália, seus esforços em reunir as famílias brasileiras em prol de um objetivo: a manutenção e o ensino do português para as novas gerações. A partir deste enfoque, busca-se compreender as etapas percorridas por estas iniciativas para alcançar seus objetivos e como as leis relativas à política de imigração estão sendo utilizadas por esses grupos. Também serão levantadas questões sociológicas relevantes sobre a descoberta de uma identidade bi-cultural do falante de herança e de sua família na Itália, através do contato da língua e cultura brasileira com a italófona.

Palavras-chave: línguas de herança; identidade; políticas linguísticas; imigração; brasileiros.

 

Minibiografia:

Ana Luiza de Souza é licenciada em Letras (Português-Italiano) pela UFRJ no Rio de Janeiro, e possui Mestrado em Dramaturgia pela Università di Bologna, na Itália. No Brasil, foi professora de Português como língua materna (PLM) e Literatura Brasileira, atuando também na alfabetização de crianças e jovens. Atualmente, é professora no Leitorado de Língua Portuguesa Brasileira (PLE) na Università di Pisa, e está desenvolvendo um projeto de ensino do Português como Língua de Herança (POLH) na associação Casa do Brasil em Florença, desde 2014. Além de realizar comunicações em congressos sobre o ensino do PLE, já realizou comunicações sobre o POLH no Simpósio “II SEPOLH” em 2015 e “IV Seminário sobre Imigração Brasileira na Europa” em 2016.


Comunicação 12

The Discourses of Heritage Language Development among Brazilian mothers from the New York City region

Autora:

Fausta Boscacci – University of Massachusetts / Dartmouth – fboscacci@umassd.edu

 

Resumo:

The literature on heritage language (HL) contains abundant insights into a broad set of factors, such as societal, familial, and individual benefits of HL maintenance. More recently, studies on HL have begun to discuss discourses and ideologies among immigrant families (e.g. Guardado, 2008, 2014). However, the ethnolinguistic approach into the issues around linguistic awareness and ideological consciousness on mothers’ discursive constructions is less explored (but see DeCapua & Winterferst, 2009, Kondo 1998).

This research investigates the discourses that Brazilian mothers, from the New York City area, have produced, during interviews, regarding their role in the development and maintenance of their children’s heritage language (in the case, Brazilian Portuguese). The mothers’ age vary between early 20s to early 50s. They have all immigrated in the past decade. Their children are all first generation Brazilian-Americans.

Following Guardado (2008), this study draws attention to the diversity of meanings

among Brazilian mothers’ discursive constructions of heritage language development and maintenance, revealing their own practices, and ideological profiles. The qualitative data reveal contradictions between discourses and effective linguistic familial practice, even though some similarities could be linked to original background and current America neighborhood. This paper examines one aspect of the broader study of the Brazilian Portuguese’s prospects and vitality in specific American community.

Palavras-chave: Brazilian Portuguese; Familism; Heritage Language; Discourse Analysis.

 

Minibiografia:

Fausta Boscacci is a PhD student at UMass-Darmouth, Massachusetts, USA, since September 2014. She is graduated on Portuguese Language and Literatures from Universidade Federal do Rio de Janeiro, Brasil, and on Law from Universidade Estadual do Rio de Janeiro, Brasil. On her thesis she plans to analyze discursive utterances produced by Brazilian immigrated mothers, in USA, regarding the maintenance and development of their heritage language.


Comunicação 13

O letramento bilíngue português-espanhol em ambiente familiar: enfoque do Português como língua de herança

Autora:

Jael Correa Correa – Universidade de Málaga – UMA – jaelcorrea@uma.es / jaelccorrea@ugr.e/jaelcorrea57@gmail.com

 

Resumo:

As comunidades de emigrantes brasileiros na Espanha estão concentradas, principalmente nas grandes capitais como Barcelona e Madri, onde devido ao número de pessoas, é possível organizar reuniões e criar agrupações que representem o microcosmo social e cultural destes grupos e o que permite preservar a língua-cultura de herança. O presente trabalho tem como objetivo mostrar o resultado de uma pesquisa realizada com emigrantes brasileiros residentes em Granada, província andaluza, situada ao Sul da Espanha. Nessa pesquisa buscou-se traçar o perfil dos membros da comunidade para assim registrar quais as expectativas, as atitudes e as iniciativas desses cidadãos (pais) no que se refere à manutenção e preservação da língua-cultura de herança (o português e cultura brasileira) como patrimônio para seus filhos. Por meio de  questionário informativo e de entrevista semidirigida baseados em fundamentos sociolinguísticos foi traçado o perfil dos sujeitos da nossa pesquisa e coletado dados referentes à temática aqui apresentada.

Palavras-chave: língua-cultura;  língua de herança; atitude; perfil; português.

 

Minibiografia:

Doutoranda  na Universidade de Málaga. Licenciada em Linguística Geral e língua Portuguesa pela Universidade de São Paulo. Mestrado em Semiótica e Linguística Geral pela Universidade de São Paulo – Brasil. Exerceu cargo de professora Assistente em Língua Portuguesa na Universidade Federal de Goiás- Brasil. Professora de Língua Portuguesa na Universidade de Granada- Espanha. – Cônsul Honorária do Brasil em Granada.


Comunicação 14

Refugiados e línguas de herança: plurilinguismo e política de línguas

Autores:

Tania Conceição Clemente de Souza – Museu Nacional/UFRJ – taniacclemente@gmail.com

Jonathan Ribeiro Farias de Moura – EPSJV/FIOCRUZ – Jrfm_88@hotmail.com

 

Resumo:

Nosso trabalho tem por objetivo trazer à tona a constituição do universo de línguas que se desenha atualmente no Estado do Rio de Janeiro, buscando entender esse desenho a partir de uma política de línguas. O trajeto teórico que permeia as discussões está calcado na Análise de Discurso, fundada por Pêcheux, dentre outros.

Apesar de no Brasil serem faladas mais de 250 línguas, considerando-se  as línguas indígenas e as línguas de imigração, juridicamente, através de decretos e leis, somente duas são as línguas oficiais do país: o português e, bem recentemente, a língua de sinais brasileira, LIBRAS (lei n.º 10.436, de 24 de abril de 2002).

A postura do Estado nacional com relação a uma política linguística tem sido a de impor, historicamente, o monolinguismo. O que, de imediato, nosso trabalho busca focar, porém, é a questão em torno das várias e numerosas línguas de herança que vêm sendo faladas no Rio de Janeiro, a partir da presença não só de índios e imigrantes, mas também da presença de refugiados oriundos de vários continentes. O foco principal de nossa discussão é verificar até que ponto o Estado empreende projeto de atendimento com relação à comunicação linguística a esses que aqui chegam. Segundo dados divulgados na mídia, o Rio de Janeiro coloca em prática uma posição pioneira, quando  a Secretaria de Estado de Assistência Social e Direitos Humanos do Rio de Janeiro lançou, em 2014, um plano inédito em todo o país que permite formalizar políticas de atendimentos a refugiados.

Em que medida nesse plano se prevê uma política linguística? Em que medida o Estado ignora, ou não, todos os entraves oriundos de uma imposição de uma língua única, quando não se tem como meta uma integração – e não apenas um acolhimento – na e pelas línguas?  Essas são questões da ordem do discurso que buscamos responder ao longo do trabalho.

Palavras-chave: política linguística; plurilinguismo no Rio de Janeiro; acolhimento de refugiados.

 

Minibiografia:

Tania Conceição Clemente de Souza é professora lotada no Departamento de Antropologia do Museu Nacional e membro da Pós-graduação em Linguística da Faculdade de Letras/UFRJ. Desenvolve trabalhos, pelo viés da Análise do Discurso, tendo interesse no estudo de textos verbais e não verbais, além de pesquisas desenvolvidas junto a diferentes povos indígenas no Brasil.

Jonathan Ribeiro Farias de Moura é doutorando no programa de pós-graduação em Linguística pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Possui mestrado pelo mesmo programa (2015); licenciatura(2013) e bacharelado(2012) em Letras pela Universidade Federal do Rio de Janeiro na habilitação Português-Espanhol. Trabalha como professor-pesquisador de Língua Portuguesa na Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio/FIOCRUZ. É membro do Laboratório de Estudos do Discurso, Imagem e Som-LABEDIS- liderado pela professora Dra. Tania Clemente de Souza- no caráter de pesquisador. Possui experiência na área de Letras, atuando principalmente nos seguintes temas: Análise de Discurso (linha francesa), relação do verbal e não verbal em manchetes de jornais e análise linguística com ênfase no léxico.


 Comunicação 15

Português em um contexto de herança:  reconhecendo a multiplicidade das experiências linguísticas e culturais de seus aprendizes

Autora:

Ana Souza – Universidade Oxford Brookes – asouza@brookes.ac.uk

 

Resumo:

Ao tornar-se um país de emigração, o Brasil passou a testemunhar o aparecimento de novos contextos educacionais, tais como o ensino de Português como Língua de Herança (POLH) a filhos de emigrantes brasileiros que crescem no exterior. Reconheço que as questões pedagógicas e curriculares a cerca do ensino de POLH ainda estão em seus estágios iniciais. Consequentemente, esta apresentação tem o intuito de contribuir para uma reflexão sobre essas questões através de uma investigação sobre o perfil dos aprendizes na segunda maior escola de POLH em Londres. Inicio esta contribuição com uma discussão teórica sobre currículo com foco em três aspectos: conteúdo programático, princípios orientadores e questões identitárias. Em seguida, descrevo o estudo com uma apresentação histórica da formação da escola e sua situação atual. Essa contextualização é seguida de uma descrição do perfil de seus aprendizes, baseada em dados coletados através de questionários. As implicações curriculares do perfil desses aprendizes são consideradas e o desenvolvimento de currículos de POLH que reflitam as características locais de seus aprendizes é defendido. Com este fim, recorro a “teia de aranha curricular” idealizada por Van den Akker et al (2008) para visualizar os dez componentes de um currículo como por eles descritos: (1) princípios, (2) objetivos, (3) conteúdo, (4) atividades de aprendizado, (5) papel do professor, (6) recursos, (7) formação de grupos, (8) local, (9) tempo, (10) avaliação. Com embasamento no conceito de um currículo transversal (Downey et al, 2013) com princípios plurilinguísticos e pluriculturais (Coste et al, 2009), concluo que a multiplicidade das experiências linguísticas e culturais que as crianças vivenciam ao transitarem pelos contextos da família, da escola regular, da escola complementar e da sociedade hospedeira devem ser reconhecidas e valorizadas pelas escolas de POLH.

Palavras-chave: Português como Língua de Herança (POLH); currículo transversal; princípios plurilinguísticos e pluriculturais; escolas complementares.

 

Minibiografia:

Ana Souza é Professora Associada (Senior Lecturer) na Universidade Oxford Brookes, Inglaterra. Com especialidade em Linguística Aplicada e TESOL (Ensino de Inglês para Falantes de Outras Línguas), seus interesses de pesquisa incluem bilinguismo, língua e identidade, escolhas linguísticas, migração brasileira, planejamento linguístico (em contextos familiares e de igrejas imigrantes), escolas complementares (isto é, instituições voluntárias organizadas por grupos de imigrantes para transmissão e manutenção de suas heranças linguística e cultural), o ensino de Português como Língua de Herança (POLH), e o treinamento de professores de línguas. Seu trabalho foi publicado como capítulos de livros e artigos de revistas acadêmicas tais como Children & Society, Current Issues in Language Planning, International Journal of Multilingualism,Language Issues, Portuguese Studies, Revista Travessia, The Curriculum Journal, and Women’s Studies International Forum. Uma tradução para o português de seis de seus artigos podem ser lidos no livro Português como Língua de Herança em Londres: recortes em casa, na igreja e na escola publicado no Brasil em 2016 pela Pontes Editores.


Comunicação 16

Entre “no Brasil eu sou alemão” e “na Alemanha eu sou brasileiro”: a relação entre a construção da identidade de adolescentes teuto brasileiros na Alemanha e a política linguística familiar

Autora:

Camila de Lira Santos – Universität Viadrina – milalira@gmail.com

 

Resumo:

A relação entre língua e identidade mostra por si só características de pertencimento a um grupo específico, além de reforçar o vínculo afetivo com suas raízes linguísticas e culturais. Neste contexto, o Português como Língua de Herança procura manter os laços de afetividade e de pertença a uma cultura e sua língua como apresentados por Soares (2012), Lo-Phillip (2010) e He (2010), procurando criar uma política linguística familiar (King & Fogle 2008). Vivendo na Alemanha, famílias biculturais e bilíngues buscam, através de atividades comunitárias como festas, encontros de pais e filhos e cursos comunitários, aproximar seus filhos da língua portuguesa e da cultura brasileira.

O presente trabalho tem como objetivo apresentar e analisar a formação de identidade de adolescentes teuto-brasileiros através de entrevistas coletadas durante o período de 6 meses no ano de 2015 com adolescentes teuto brasileiros residentes em Munique, Alemanha. A análise deste material será feita sob perspectiva da narrativa autobiográfica (FERRAROTTI, 1998; WORTHAN, 2001) dos adolescentes sobre sua relação com a língua de herança e da construção do discurso (Maher 2007) dos pais em relação aos seus objetivos enquanto responsáveis por planejar a política linguística de sua família.

Palavras-chave: Identidade; Lingua de Herança; Política linguística familiar.

 

Minibiografia:

Camila de Lira Santos é doutoranda na Univerdade Viadrina e Mestre em Alemão como Língua Estrangeira com especialização em bilinguismo pela Universidade Ludwig Maximilian de Munique. Coordenadora da Linguarte e.V., tem como objetivo promover e investigar o Português como Língua de Herança em países de língua alemã. É co-fundadora do Simpósio Europeu de Português como Língua de Herança (SEPOLH). 


Comunicação 17

Português, francês e crioulo: identidade e contato linguístico no Rio de Janeiro

Autoras:

Débora Costa – UFF/ EUV/ CAPES – deboramaralcosta@hotmail.com

Telma Pereira  – UFF – tcaspereira@uol.com.br

Mônica Savedra – UFF/CNPq/FAPERJ – msavedra55@gmail.com

 

Resumo:

O contexto de migração para o Brasil apresenta significativas mudanças no início do século  XXI. Para atender ao novo contexto que se instala no país e também a situação de migração dos dois séculos anteriores, instauram-se políticas linguísticas de reconhecimento e de promoção de línguas de herança, ao lado de políticas linguísticas de promoção da língua portuguesa como língua de acolhimento. Neste quadro, investigamos, neste trabalho, a migração haitiana, em especial para o Rio de Janeiro, estado em que se encontram grande parte desses migrantes, principalmente devido à demanda de trabalho no setor da construcao civil, por ocasião dos Jogos Olímpicos de 2016. Tal fato possibilitou uma convivência entre brasileiros e haitianos, da qual resulta o contato linguístico entre o português, o francês e o crioulo haitiano. Nesse contexto, temos como objetivo analisar a dinâmica da construção e da negociação das identidades, tanto individuais como coletivas e nacionais, considerando a mobilidade internacional desses sujeitos e a sua influência na inserção desses imigrantes na comunidade local. A pesquisa tem como referencial teórico-metodológico os estudos sobre a relação entre língua e identidade, dentre os quais apontamos Verkuyten (2010), Tabouret-Keller (1996) e Brubaker (2002), além dos trabalhos sobre comunidade, dentre os quais destacamos Anderson (1983) e Bauman (2003). Para procedermos à análise, recorremos a entrevistas semiabertas com um grupo de haitianos residentes no Rio de Janeiro, a fim de demonstrar o sentimento de pertencimento à sociedade de acolhimento, através da interação interpessoal e por meio da linguagem.

Palavras-chave: imigração; identidade; inserção social; contato linguístico.

 

Minibiografia:

Doutora em Linguística pela UFRJ, Mestre em Educação pela PUC-Rio, possui Pós-doutorado em Política Linguística pela Universität Duiburg-Essen-Alemanha. Atualmente é Professora da Universidade Federal Fluminense (UFF) e coordenadora do PROBRAL II em parceria com a Europa-Universität Viadrina, onde desenvolve pesquisas e orienta na área de sociolinguística, com ênfase na área de contato linguístico, com especial atenção para línguas de imigrantes no Brasil, no âmbito da temática de plurilinguismo individual e social, línguas pluricêntricas e estudos transculturais. É cientista do nosso Estado da FAPERJ; bolsista de produtividade do CNPQ, nível 2,  e líder do grupo de pesquisa LABPEC (Laboratório de Pesquisas em Contato Linguístico).


Comunicação 18

Resistências, alteridades, identidades e reconhecimento político-cultural da língua pomerana na sociedade brasileira: Santa Maria de Jetibá, Espírito Santo, Brasil

Autor:

José Walter Nunes – UnB – nunesjw@gmail.com

 

Resumo:

Coloco para debate neste texto algumas questões em torno da língua pomerana no Brasil, no estado do Espírito Santo, na cidade de Santa Maria de Jetibá, a partir de uma pesquisa em desenvolvimento desde 2006.  Com uma perspectiva teórico-metodológica que articula cultura, memória, experiência , história e imagem, procuro compreender as tensões, conflitos e consensos entre as comunidades de falantes dessa língua com a sociedade brasileira, portanto com a língua portuguesa, e com as demais línguas de imigração como a alemã, a holandesa, a hunsrückisch e a talian. Conforme reflexões que tenho feito até o momento, a implantação do ensino da língua pomerana enquanto política pública nas escolas oficiais de Santa Maria e em outros municípios vizinhos, a partir de 2005,  acabou se colocando como um marco político-cultural divisor que altera as relações passado e presente na cultura pomerana  e faz emergir outro tempo, o atual. Esse desdobramento das definições e redefinições de alteridades e identidades diferenciadas nesse contexto intercultural gera um debate aberto entre todos os personagens que se envolvem com esta questão. Parte dessa discussão coloco aqui nas linguagens escrita e audiovisual, como resultado desta pesquisa em desenvolvimento.

Palavras-chave: Língua pomerana; memória; resistência; alteridade; ensino da língua pomerana.

 

Minibiografia:

José Walter Nunes, Pós-Doutor em Cinema e História pela Universidad de Buenos Aires, Doutor e Mestre em História Social pela Universidade de São Paulo, Graduado em Ciências Sociais(Sociologia) pela Universidade de Brasília e fez de modo paralelo sua formação no campo do cinema/vídeo documentário. Na Universidade de Brasília é  professor do Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento, Sociedade e Cooperação Internacional,  do Centro de Estudos Avançados Multidisciplinares. Neste centro, no Núcleo de Estudos da Cultura, Oralidade, Imagem e Memória, é pesquisador e docente na graduação. Seu campo de pesquisa e docência está voltado para os seguintes temas: história, história oral, memória, cultura, imagem, identidade, interculturalidade, patrimônio, com foco no estudo das relações entre história e audiovisual, cultura, saberes e desenvolvimento dos povos e comunidades tradicionais.


Comunicação 19

Bilinguismo e redes sociais

Autora:

Rosemari Lorenz Martins – FEEVALE – rosel@feevale.br

 

Resumo:

Este artigo tem como objetivo investigar por que a variedade do português falada em Morro Reuter/RS, que apresenta influências interlinguísticas do Hunsrückisch, ainda se mantém, mesmo sendo estigmatizada. Para tanto, foram analisados dados coletados por Martins (2013), com 45 informantes, entre avós, pais e crianças, tomando-se como pressupostos teórico-metodológicos a Teoria da Variação Linguística (LABOV, 1972) e a noção de rede social de Milroy (1980). A análise dos dados revelou que a variedade do português falada na região se mantém, porque os informantes constituem redes sociais densas e multiplexas, o que contribui para a manutenção de normas e valores, segundo Milroy (1980). As taxas de aplicação dos processos de dessonorização e neutralização das crianças sugerem, contudo, que pode haver uma mudança em progresso.

Palavras-chave: Línguas em contato; Bilinguismo; Dessonorização; Neutralização; Variação linguística.

 

Minibiografia:

Raosemari Lorenz Martins – Doutora em Letras pela PUC-RS, Mestre em Ciências da Comunicação, Especialista em Linguística do Texto e Graduada em Letras-Português/Alemão pela Unisinos/RS. Professora do Curso de Letras, professora e coordenadora do Mestrado Profissional em Letras, colaboradora do Programa de Pós-graduação em Diversidade Cultural e Inclusão Social e Assessora de Pós-graduação Stricto Sensu da Universidade Feevale/RS.


Comunicação 20

Entre a língua de Herança e o português na região colonial italiana do Rio Grande do Sul, Brasil: tensionamentos, proibições e interdições no Estado Novo getulista (1937 ; 1945)

Autoras:

Carmen Maria Faggion – Universidade de Caxias do Sul – carmenfaggion@gmail.com

Terciane Ângela Luchese – Universidade de Caxias do Sul – taluches@ucs.br

 

Resumo:

A Região Colonial Italiana (RCI) do Rio Grande do Sul, Brasil, corresponde a um conjunto de municípios que ao final do século XIX foram povoados por imigrantes da península itálica. De áreas rurais formaram-se municípios e sua organização sociocultural esteve vinculada a essa herança de tradições, reinventadas, inclusive com relação ao dialeto utilizado no cotidiano, um supradialeto como referem FROSI e MIORANZA (1983), hoje chamado talian. Através da análise de depoimentos de estudantes e professores da RCI, com base teórica na Sociolinguística e na História Cultural, este trabalho intenta verificar como o contato linguístico se dava na escola, na época em que ocorreu a campanha de nacionalização do governo de Getúlio Vargas, quando a comunidade rural era ítalo-falante. De que estratégias se serviam os professores para dar aulas em português, obrigatório a partir de 1937? Como se dava o convívio entre a língua minoritária e a língua dominante, de prestígio? Como era a escola antes da campanha de nacionalização?  A base documental da análise são entrevistas localizadas em dois acervos: o Banco de Memória do Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami e o banco de entrevistas do Instituto de Memória Histórica e Cultural da Universidade de Caxias do Sul (UCS). Os depoimentos, colhidos ao longo da década de 1980, permitem algumas conclusões. Uma delas é que os professores foram criativos na busca de soluções, e não meros executores de normas. Outra é a responsabilidade da escola no silenciamento da língua de herança. Ainda podemos citar o progressivo abandono da língua de herança, hoje revitalizada pela legalização do talian, mas que ainda sofre preconceito, principalmente pelas marcas de sotaque no português. Este texto é resultado do projeto de pesquisa institucional Ressonâncias da UCS.

Palavras-chave: Língua de herança. Nacionalização. Língua e culturas. Ensino de língua majoritária.

 

Minibiografias:

Carmen Maria Faggion é licenciada em Letras pela UCS, mestra em Estudos da Linguagem pela UFRGS e doutora em Letras pela UFRGS. Professora do Programa de Pós-Graduação em Letras, Cultura e Regionalidade da Universidade de Caxias do Sul até 2015. Pesquisadora independente.

Terciane Ângela Luchese é licenciada em História pela UCS, mestra em História pela PUC/RS e doutora em Educação pela UNISINOS. Atualmente é professora no Programa de Pós-Graduação em Educação e Programa de Pós-Graduação em História da Universidade de Caxias do Sul. Pesquisadora do CNPq.


Comunicação 21

A influência da L1, Vêneto, na L2, o Português: uma situação de contato

Autora:

Katiuscia Sartori Silva Cominotti – UFES – ksscominotti@gmail.com

 

Resumo:

Durante o século XIX o Espírito Santo recebeu milhares de imigrantes italianos, sobretudo do Vêneto, que colonizaram os vazios demográficos do interior do estado. E, devido às características dessa imigração, algumas famílias mantiveram contato estreito com brasileiros, o que fez com que, aos poucos, passassem a falar o português. Por outro lado, por muito tempo, nas zonas rurais, o isolamento das comunidades favoreceu a preservação de suas línguas maternas. Dessa forma, apesar de os descendentes constituírem grande parcela da população espírito-santense, os estudos com respeito à língua falada por eles, marcada pelo contato português/vêneto, são limitados. Assim, este estudo é uma amostra de uma pesquisa mais ampla que está sendo desenvolvida no Espírito Santo, com objetivo de descrever a influência da língua de imigração no português falado nessas regiões. Para atingir os objetivos deste estudo, formou-se um banco de dados de fala composto por entrevistas sociolinguísticas com moradores da comunidade de São Bento de Urânia e, considerando o gênero, a faixa etária e a escolaridade, foi analisado: 1) o que houve de transferência de L1 para L2 na oralidade; 2) consequências desse contato nas práticas discursivas dos falantes de nossa pesquisa. Usaremos pressupostos teóricos da Sociolinguística, Teoria da Variação e Mudança (LABOV, 1972, dentre outros), e do Contato Linguístico (WEINREICH, 1953, dentre outros). Os resultados evidenciam que dentre os nossos informantes, os mais idosos conservam traços da L1, bem como a utiliza em diferentes contextos, uma vez que estes tiveram o vêneto como L1. Entretanto, à medida que a idade dos informantes diminui, a utilização desta torna-se limitada ou nula. Nossos resultados apontam a importância dos fatores psicossociais para a manutenção de traços das línguas minoritárias visando a preservação da identidade dos grupos de imigrantes como um todo num país que por muito tempo excluiu a diversidade linguística.

Palavras-chave: Sociolinguística; Línguas em Contato; Imigração italiana.

 

Minibiografia:

Katiuscia Sartori Silva Cominotti atua como professora de Língua Portuguesa na instituição EEEFM Camila Motta no estado do ES. É formada em Letras Português/Inglês pela FAFIC e mestra em Linguística pela UFES. Membro do grupo de pesquisa sobre contato linguístico nesse mesmo estado, faz pesquisa sobre o contato das línguas minoritárias com foco nos dialetos referentes à imigração italiana, em especial o vêneto, língua trazida pelos imigrantes do norte da Itália.


Comunicação 22

Uso das Línguas em Contexto de Migração

Autora:

Konstanze Jungbluth – Europa-Universität Viadrina – jungbluth@europa-uni.de

 

Resumo:

A minha contribuição enfoca o uso das línguas de herança europeias ao lado da(s) outra(s) língua(s) no contexto do território brasileiro. Os falantes das primeiras, segundas e seguintes gerações experimentam um uso distinto e formas diferentes de aquisição da(s) língua(s) faladas no seu entorno. Assim, as competências e preferências pelo uso dessas línguas são desiguais entre os falantes que formam uma comunidade de prática plurilingue. Algumas etnicidades em movimento exigem o reconhecimento do uso de suas línguas como autóctones (Tacke 2015) e pretendem estabelecer o ensino da sua língua de herança ao lado do Português brasileiro para todos os habitantes de sua respectiva área, como é o caso do Pomerano no Rio Grande do Sul, do Hunsrückisch m Santa Catarina e Rio Grande do Sul, e do Talian no Rio Grande do Sul. Será esse um modelo para formar parte da ʻinvenção da brasilidadeʼ (Lesser 2014) de uma futura sociedade brasileira plurilíngue? Para discutir essa questão, trago para essa comunicação alguns pensamentos sobre “territorialidade” discutidos no livro pentalingue de Junyent (2016),  La Territorialitat Lingüística, que nos mostra que “é possível viver sem renunciar a diversidade”.  

Palavras-chave: Língua de herança; língua de imigração europeia; contato das línguas; comunidade de prática plurilíngue; etnicidade em movimento.

 

Minibiografia:

Decano da Faculdade de Estudos Culturais da Europa-Universität Viadrina [Frankfurt-Oder], é professora de Linguística [Pragmática] e de Linguística Comparada, com pesquisas, de abordagens diacrônica e sincrônica, de temáticas acerca da dêixis e das tradições discursivas; das descrições linguísticas comparativas entre línguas das Europa do Leste e Ocidental; de variedades linguísticas; e dos contatos linguísticos de línguas europeias e outras línguas fora da Europa, notadamente na América Latina, como o espanhol e o português do Brasil.