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Simpósio 18

SIMPÓSIO 18 – PROPOSTAS DE ENSINO DE LÍNGUA PORTUGUESA PARA NATIVOS E NÃO NATIVOS

 

Coordenadores:

Darcilia Simões | UERJ | darcilia.simoes@pq.cnpq.br

Paulo Osório | UBI | pjtrso@ubi.pt

 

Resumo:

Tomando por referência as pesquisas mais recentes sobre o ensino da língua portuguesa (como língua materna e não materna), observada a variação linguística, o pluricentrismo do português e a expansão atual da língua no mundo, convidamos os pesquisadores a apresentarem os seus projetos (em curso ou concluídos) que possam contribuir para uma melhoria das práticas pedagógicas perante um público de falantes nativos e não nativos do português. Optar-se-á, preferencialmente, por trabalhos que apresentem inovações teórico-metodológicas testadas e comprovadas e aceitar-se-ão os vários enfoques teóricos na descrição linguística para posteriores aplicações didáticas. O Seminário proposto integrar-se-á nas correntes epistémicas e metodológicas dos estudos de Linguística Aplicada que têm, aliás, sido alvo de muitos estudos em Portugal e no Brasil.

 

Palavras-chave: Língua portuguesa, Prática Pedagógica, Ensino a nativos e não nativos, Teorias e metodologias no ensino da língua portuguesa.

 

Minibiografias:

Darcilia Simões é Vice-presidente da Associação Internacional de Linguística do Português — AILP. Professora Associada de Língua Portuguesa do Instituto de Letras – UERJ. Pós-doutora em Linguística (UFC, 2009) e em Comunicação & Semiótica (PUC-SP, 2007); Doutora em Letras Vernáculas (UFRJ, 1994), Mestra em Letras (UFF, 1985). Coordª dos Projetos Labsem e Dialogarts. Líder do Grupo de Pesquisa SELEPROT e Coordª GT EAPLA (ANPOLL). URL: http://wwww.darciliasimoes.pro.br

Paulo Osório é Presidente da Associação Internacional de Linguística do Português — AILP; Mestre em Linguística Portuguesa pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra (1998) e Doutor em Letras (Linguística Portuguesa) pela Universidade da Beira Interior (2002). Atualmente, é Professor Associado com Agregação da Faculdade de Artes e Letras da Universidade da Beira Interior (Covilhã, Portugal) e Presidente do Departamento de Letras da mesma instituição.

 

 

Resumos dos trabalhos aprovados

Comunicação 1

Aprendendo português via Teletandem: um estudo sobre interações (tele)colaborativas entre brasileiros e estrangeiros

Autores:

Suelene Vaz da Silva – Instituto Federal de Goiás (IFG) – suelene.silva@ifg.edu.br

Francisco José Quaresma de Figueiredo – Universidade Federal de Goiás (UFG) – fquaresma@terra.com.br

 

Resumo:

Esta apresenta um recorte de minha tese de doutorado que trata das interações entre alunos brasileiros do Instituto Federal de Goiás (IFG), Brasil, nas quais eles auxiliaram seus parceiros, alunos estrangeiros da Universidade de Worms, Alemanha, a aprender português. O estudo qualitativo ocorreu em 2010 e teve por objetivo averiguar o processo de interação entre os participantes durante as sessões de aprendizagem de línguas em Teletandem – contexto de aprendizagem em que duas pessoas,falantes de línguas diferentes,auxiliam uma a outra na aprendizagem da língua em que são proficientes. Os dados foram gerados a partir de gravações das sessões de interação no próprio aplicativo computacional utilizado para as interações e de entrevistas com os participantes eforam analisados à luz da teoria sociocultural (VYGOTSKY, 1998), enfatizando a aprendizagem (tele)colaborativa de línguas (ARAÚJO, 2013; BELZ, 2002; FIGUEIREDO, 2006; NGUYEN, 2010; O’DOWD, 2010) e de teorias relativas ao contexto tandem/teletandem (BRAMMERTS, 1996, 2002; VASSALO; TELLES, 2009). Os resultados revelaram que o contexto Teletandem é um ambiente favorável ao ensino de português para estrangeiros, principalmente por propiciar aos pares de aprendizes recursos linguísticos verbais e não verbais (fala, escrita, gestos, fotografias, imagens, desenhos, gráficos etc.) no processo de compreensão da estrutura da língua e de seu uso pela comunidade brasileiro-goiana, da qual os alunos brasileiros são membros. Os resultados ainda revelaram que interações aluno-aluno motivam os membros do par a fazerem uso da língua-alvo e a questionaremcom mais liberdade os porquês de determinadas estruturas dessa língua. Tal postura aproxima a língua de seus usuários, mesmo estando geograficamente distantes, tornando, assim, o processo de aprendizagem mais natural e efetivo. Por outro lado, a autonomia dos aprendizes e a reciprocidade entre elestambém se constituíram como barreiras ao próprio processo de aprendizagem da língua-alvo, levando alguns pares de aprendizes a desistirem da parceria.

Palavras-chave: Aprendizagem de português, Teletandem; Interações; (Tele)colaboração.

 

Minibiografias:

Suelene Vaz da Silva é professora do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Goiás (IFG) desde 2007. É doutora em Letras e Linguística e pesquisa temáticas relativas ao ensino de línguas mediado por ferramentas tecnológicas, ensino de línguas estrangeiras para fins específicos e (tele)colaboração. É coordenadora de Relações Internacionais no IFG e tem desenvolvido projetos de parcerias internacionais envolvendo aprendizagem de português por falantes de outras línguas.

Francisco José Quaresma de Figueiredo é Doutor em Linguística Aplicada pela UFMG. É professor da Faculdade de Letras da UFG desde 1992, onde leciona Língua Inglesa, na Graduação, e Linguística Aplicada, na Pós-Graduação. Suas áreas de interesse em pesquisa incluem tópicos relacionados a erro e correção, ao processo de escrita, à aprendizagem colaborativa e questões interculturais na aprendizagem de línguas pelo regime de imersão. É autor e organizador de diversas livros sobre esses tópicos.


Comunicação 2

Ensino de Leitura em língua materna por meio de uma abordam (meta)cognitiva

Autora:

Maria Clara Maciel de Araújo Ribeiro – Universidade Estadual de Montes Claros – mclaramaciel@hotmail.com

 

Resumo:

Nas últimas décadas, assiste-se, no Brasil, a um importante crescimento da proficiência leitora dos alunos da rede pública de ensino. Contudo, programas nacionais e internacionais de Avaliação em Larga Escala, como o SAEB (Sistema de Avaliação da Educação Básica) e o PISA (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes), têm alardeado que os níveis alcançados ainda são considerados baixos e insatisfatórios, apesar de progressivos. Assim, pulamos de 396 pontos, no ano 2000, para 410, em 2012 (BRASIL, 2015), no ranking do PISA. Apesar disso, ainda estamos distantes da média do programa, que são 496 pontos, e ainda ocupamos a desconfortável 55ª posição, num conjunto composto por 65 nações. Embora as limitações da educação pública brasileira estejam relacionadas mais a questões de ordem político-econômica do que a questões de ordem didático-pedagógicas, neste estudo apresentamos uma perspectiva de ensino que pode contribuir, em alguma medida, para a superação desse cenário: a perspectiva da leitura como uma atividade (meta)cognitiva. Para tanto, objetivamos discorrer sobre os aspectos (meta)cognitivos que fundamentam e possibilitam a prática da leitura compreensiva, assim como apresentar os resultados de dois Projetos de Intervenção Educacional, desenvolvidos em turmas do Ensino Fundamental II, por meio de pesquisas-ações empreendidas por professores de português egressos do Programa de Mestrado Profissional em Letras da Universidade Estadual de Montes Claros. O primeiro projeto ensinou estratégias metacognitivas de leitura a estudantes do 9º ano, enquanto o segundo focalizou o ensino de inferências lógicas e pragmáticas a estudantes do 6º ano, ambos com resultados que apontam para a melhoria da competência leitora dos sujeitos envolvidos. Relacionando as contribuições teóricas da perspectiva (meta)cognitiva aos promissores resultados dos projetos supracitados, concluímos que tal abordagem mostra-se adequada e contributiva ao ensino de leitura na Educação Básica, mostrando-se como uma alternativa teórica capaz de elevar os índices de leitura da educação pública brasileira.

Palavras-chave: Ensino de português; perspectiva metacognitiva; ensino fundamental.

 

Minibiografia:

Maria Clara Maciel de Araújo Ribeiro é Doutora em Estudos Linguísticos pela Universidade Federal de Minas Gerais e professora do Departamento de Letras e do Programa de Mestrado Profissional em Letras da Universidade Estadual de Montes Claros. Realiza pesquisas na área de ensino de português, Analise do Discurso e surdez.


Comunicação 3

A prática da língua para desenvolver a autonomia e facilitar a aprendizagem do Português língua não materna por alunos franceses em três universidades francesas

 

Autora:

Carolina Nogueira-François – Universidade de Lille 3 – maria.nogueirafrancois@univ-lille3.fr

 

Resumo:

Desde 2014, temos colocado em prática um método de ensino do Português Língua Não Materna (PLNM) para iniciantes em três universidades francesas. O método consiste em, primeiramente, sensibilizar os alunos a respeito da proximidade entre as línguas romanas. Essa sensibilização é feita no intuito de despertar neles a percepção de que o português não é uma língua completamente estrangeira. Em um segundo momento, encorajamos os alunos a se comunicarem em português, na tentativa de que, após a sensibilização da primeira etapa, eles percam o medo de cometerem “erros” durante a prática da língua. Finalmente, num terceiro momento, estabelecemos uma atividade livre de expressão escrita, que passará a ser permanente, cujo tema e gênero são escolhidos pelos próprios alunos. Nesta atividade, eles se apropriam da língua portuguesa ao se expressarem livremente pela escrita. O texto é entregue ao professor que corrige apenas a gramática. Os alunos iniciantes se sentem mais motivados a participar dessa atividade ao se dar conta da proximidade tipológica entre as línguas romanas. A constância da atividade permite avaliar se a correção gramatical, devidamente compreendida pelos alunos, influencia em suas produções. Os resultados nos mostram um franco desenvolvimento da autonomia e da aprendizagem do PLNM (NOGUEIRA, 2016).

Palavras-chave: português língua não materna, prática da língua, autonomia, expressão escrita.

 

Minibiografia:

Carolina Nogueira-François é professora de Português na Universidade de Lille 3 (França), nas Escolas de Engenharia Mines de Douai e ICAM – Institut d’Art de de Métiers (ambas na França) e na Escola de Comércio EDHEC Business School (França). É mestre em Estudos Romanos percurso Português na Universidade de Lille 3. Está em período de pesquisa para o Doutorado. No Brasil, atuou como professora de inglês de 2003 a 2011. É graduada em Letras Português-Inglês, na UNAMA (Belém).


Comunicação 4

Português como língua estrangeira: uma abordagem comunicativa intercultural

Autora:

Adriana Célia Alves – UNESP (FAPESP) – c4.adriana@gmail.com

 

Resumo:

Esta pesquisa visa contribuir com o ensino-aprendizagem de Língua Portuguesa para estudantes estrangeiros, por meio da abordagem intercultural (VIANA, 2004; KRAMSCH & URYO, 2014). Compreende-se o ensino-aprendizagem de língua Portuguesa como língua estrangeira (PLE) a partir da inter-relação língua e cultura objetivando promover ações didáticas metodológicas. Para isso, observamos as principais relações linguísticas e culturais encontradas em aprendizes francófonos no ensino-aprendizagem de PLE. Essas relações são levantadas por análises de conversações em pares entre a pesquisadora e os aprendizes francófonos de PLE, na modalidade teletandem (TELLES, 2008). Esta pesquisa segue a metodologia qualitativa interpretativista com aspectos da pesquisa-ação, isto é, a partir de um problema usam-se instrumentos e técnicas de pesquisa para conhecer esse problema e delinear um plano de ação que traga benefícios para o grupo (ANDRÉ, 2001). Assim, após o levantamento e com bases nas análises das relações encontradas no processo de aprendizagem de PLE observado, serão elaboradas tarefas (SCARAMUCCI, 1996) de intervenção didática baseadas na abordagem comunicativa intercultural. Esta abordagem entende o ensino-aprendizagem de línguas pela interseção entre as culturas, portanto, compreende-se a língua e o social como indissociáveis (PAIVA; VIANA, 2004).  Assim, analisaremos a aplicação das tarefas didáticas propostas, discutindo os aspectos positivos e/ou negativos na aprendizagem de PLE, sob a perspectiva intercultural. Ressalta-se que a procura pelo ensino-aprendizagem de língua portuguesa como língua estrangeira tem aumentado a cada ano, devido, principalmente, ao sucesso econômico do Brasil no cenário mundial (ALMEIDA FILHO, 2011). Dessa forma, necessita-se promover e discutir abordagens, métodos e metodologias para se ensinar PLE. Logo, com este estudo, almeja-se que as dificuldades encontradas na aprendizagem de língua portuguesa como estrangeira a francófonos sejam amenizadas e possa propiciar uma estratégia de aprendizagem usando abordagem intercultural que promova o ensino-aprendizagem de PLE no atual contexto social e educativo.

Palavras-chave: PLE, intercultural, francófonos, tarefas, música.

 

Minibiografias:

Doutoranda em Estudos Linguísticos e Língua Portuguesa na Universidade Estadual Paulista (2015). Mestre em Estudos Linguísticos pela Universidade Federal de Uberlândia (2014) e Graduação em Letras Português/Francês pela mesma Universidade (2009). Tem experiência na área de Letras, com ênfase em Linguística Aplicada, atuando principalmente nos seguintes temas: avaliação, formação de professores, português como língua estrangeira.


Comunicação 5

Reescrita e textos catalisadores: Estrutura e segmentos transversais

Autor:

Luís Filipe Barbeiro – Instituto Politécnico de Leiria/ Escola Superior de Educação e Ciências Sociais – barbeiro@ipleiria.pt

 

Resumo:

A reescrita tem sido adotada enquanto estratégia de desenvolvimento da competência de escrita, quer em língua materna, quer em língua não materna. Pode entender-se por reescrita a retoma do processo de escrita, a fim de produzir uma nova versão de um texto ou um novo texto do mesmo género. No primeiro caso, mobilizando os conceitos da linguística sistémico-funcional, manter-se-ão os parâmetros do campo, das relações e do modo, para a produção da nova versão, enquanto no segundo caso, se procederá à alteração de um ou mais aspetos relativos a esses parâmetros do registo. Entre a escrita e a reescrita, com vista ao desenvolvimento da aprendizagem linguística e textual, o processo didático pode intervir introduzindo elementos catalisadores, ou seja, promotores dessa aprendizagem.

Nesta , apresenta-se um estudo que tem como objetivo caracterizar versões iniciais e versões resultantes de reescrita, produzidas por estudantes chineses aprendentes de língua portuguesa. Entre a escrita inicial e a reescrita, o elemento catalisador consistiu no trabalho sobre textos do mesmo género, os quais serviram de base à explicitação de características estruturais e ao contacto com construções linguísticas que constituem uma instanciação desse género. A análise procedeu à identificação de alterações estruturais e de ocorrências de reutilização de construções linguísticas encontradas no texto trabalhado. Os resultados revelam alterações, na reescrita, no domínio estrutural, a um nível textual global, mas também ao nível de unidades linguístico-textuais intermédias. Revelam também a retoma de estratégias discursivas encontradas no texto catalisador, por meio da reutilização de construções gramaticais e elementos discursivos, ou mesmo de segmentos que podem ser transversais dentro do género.

A consciência destes reflexos aponta para o potencial do texto catalisador, desencadeado por meio da evidenciação dos seus recursos e dos recursos revelados pelas relações paradigmáticas com as escolhas que apresenta.

Palavras-chave: escrita, reescrita, género textual, português língua não materna.

 

Minibiografia:

Doutorado em Educação (Metodologia do Ensino do Português) e agregado em Ciências da Educação, especialidade de Literacias e Ensino do Português; professor coordenador principal da Escola Superior de Educação e Ciências Sociais do Instituto Politécnico de Leiria; coordenador dos cursos de PLE: Língua Portuguesa Aplicada e Língua e Cultura Portuguesas. Tem desenvolvido a sua investigação sobretudo na área da didática da escrita, enquanto língua materna e língua não materna.


Comunicação 6

Por uma formação em devir: a pesquisa em linguagem como referencial no Curso de Letras

Autor:

Cláudio Luiz Abreu Fonseca – UFMT – clafonseca@hotmail.com

 

Resumo:

O presente trabalho tem como objetivo demonstrar que a investigação de caráter científico deve nortear a formação do futuro professor de língua portuguesa e de literaturas de expressão portuguesa desde o início da graduação/licenciatura do curso de Letras. A elaboração de projetos de pesquisa desde o início do curso tem como finalidade desencadear o processo de construção do sujeito pesquisador e futuro professor que seja capaz de lidar de maneira afetivo-criativa, responsável e ética, com diferentes manifestações de linguagem, reconhecendo-se como sujeito do seu fazer pedagógico em devir. Ao se considerar que a formação do futuro professor está inextricavelmente ligada à prática da pesquisa, deseja-se enfatizar a importância da investigação científica em Letras e Linguística na sistematização de dados concretos, escolhidos e recolhidos pelos acadêmicos, decorrentes de sua convivência real e concreta em comunidade, suas referências, manifestas nos signos de diferentes procedências sociossemióticas. Os dados demonstram que a formação por meio de projetos de pesquisa viabiliza a compreensão da relação entre teoria/prática, a mobilização de referenciais teóricos pertinentes à análise, bem como a consciência de que a perspectiva adotada é um discurso sobre a prática científica de investigação sobre as linguagens, sobre o que significa para a vida, para o sujeito no devir e sobre o que almeja. Nesse sentido, a formação em devir possibilita ao acadêmico e futuro professor de Língua e Literatura a percepção de que a linguagem se manifesta em diferentes realidades e é por elas afetadas, o reconhecimento de que a investigação em curso pode avançar por meio da ampliação do córpus e da análise e a compreensão de que a produção da pesquisa é uma ação significativa para o incremento de projetos de ensino na Educação Básica.

Palavras-chave: formação, professor, pesquisa, língua, literatura.

 

Minibiografias:

Doutoramento em Letras, Língua Portuguesa, pela UERJ. Professor Adjunto da UFMT, em processo de transferência para UNIFESSPA. Tem experiência na área de Linguística, com ênfase em Análise do Discurso e Linguística Aplicada ao ensino de língua portuguesa, atuando principalmente nos seguintes temas: discurso e ensino, formação do professor de língua e literatura e semiótica das culturas.


Comunicação 7

Relações entre a produção de texto e o ensino de gramática – um olhar para a prática em sala de aula

Autores:

Loide Leite Aragão Pinto – Universidade do Estado do Rio de Janeiro – loide_aragao@yahoo.com.br

Luiz Antonio Gomes Senna – Universidade do Estado do Rio de Janeiro  (orientador) – Senna@senna.pro.br

 

Resumo:

Este trabalho tem como objetivo apresentar a pesquisa intitulada “Relações entre a produção de texto e o ensino de gramática –um olhar para a prática em sala de aula”, desenvolvida no Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, cujo objetivo é caracterizar as propriedades linguísticas e pedagógicas das estratégias de ensino aprendizagem desenvolvidas no Instituto Politécnico da UFRJ em Cabo Frio, que favoreceram uma aprendizagem significativa de língua portuguesa a partir da produção de textos. A pesquisa busca identificar as propriedades que as diferentes estratégias aplicadas no momento de orientação da produção textual contribuiriam para o desenvolvimento do aluno no domínio da Língua Portuguesa. O trabalho descreve a experiência de trabalho desenvolvida com os alunos do nono ano do segundo segmento do ensino fundamental, durante os anos de 2008 e 2016, pelo grupo Interdisciplinar UFRJmar, cujas orientações basearam-se em contribuições de Vygotsky (2008, 2010) e Leontiev (2009, 2010), Marcuschi e Dionísio (2007) e KOCH (2003, 2011). Serão analisados os desafios vivenciados pelos professores de Língua Portuguesa do Instituto ao longo destes anos na busca por uma aprendizagem significativa de língua portuguesa, considerando-se, particularmente, as propriedades estruturais e semânticas presentes nos textos produzidos pelos alunos ao longo do processo de produção textual. Com base no modelo de trabalho pedagógico descrito, serão analisadas as consequências derivadas para o desenvolvimento das práticas de ensino de língua materna, baseadas no questionamento do fazer pedagógico e na procura por superação, tendo os alunos em posição de atividade, transformando-os em pesquisadores e os ajudando a entender o papel da cultura nas práticas da linguagem Senna (2002) e Bruner (2003).  Ao longo deste trabalhamos descreveremos a metodologia de pesquisa, seus pressupostos, os resultados obtidos, bem como nossas conclusões preliminares.

Palavras-chave: Produção textual; Letramento; Língua portuguesa; Ensino-aprendizagem.

 

Minibiografias:

Loide Leite Aragão Pinto possui graduação em Letras- habilitação Português-Inglês pela Universidade do Grande Rio (1998). Especialização em Literatura Infantil e Juvenil pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Atualmente é mestranda do curso de pós-graduação em Educação da UERJ, participando da linha de pesquisa Educação Inclusiva e Processos Educacionais.

Luiz Antonio Gomes Senna é Doutor em Linguística Aplicada à Língua Portuguesa pela PUC-Rio. Professor Associado do Departamento de Estudos Aplicados ao Ensino e membro do quadro permanente do Programa de Pós-Graduação em Educação da UERJ – Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Pesquisador da FAPERJ – Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro pelo Programa Cientistas do Nosso Estado. Dedica-se à produção de conhecimento na área de linguística teórica e aplicada ao letramento e à alfabetização em língua materna.


Comunicação 8

Políticas linguísticas e ensino da língua portuguesa no espaço da lusofonia

Autora:

Maria Elias Soares – Universidade Federal do Ceará (UFC) –  mariaelias.ufc@gmail.com

 

Resumo:

O objetivo da é evidenciar alguns aspectos da complexa relação estabelecida entre Políticas Linguísticas e ensino da Língua Portuguesa no espaço da lusofonia, que está profundamente orientada pelo caráter multilinguístico, multissocial e multicultural de cada país. O trabalho discutirá as noções de política linguística e de planejamento linguístico, fundamentando-se nos trabalhos de Calvet (2007), Ricento (2006), García e Menken (2010), que explicam como se dão as escolhas na relação entre língua e sociedade e como se faz a implementação prática dessas escolhas, que podem ser efetivadas pelo Estado, mas também por grupos e indivíduos. Com base nesses pressupostos teóricos, serão problematizados temas relacionados à política linguística para a língua portuguesa, seja no que diz respeito à questão da diversidade, seja no que se refere a questões vinculadas à norma e ao ensino da língua. Compreende-se que a relação entre política linguística e ensino da língua portuguesa se explica, por exemplo, pelo fato de que as políticas linguísticas, quer sejam explícitas ou implícitas, subsidiam o ensino, a produção de materiais didáticos, o processo de formação de professores e o uso da língua nos meios de de massa. Pretendemos demonstrar que, nesse sentido, só é possível criar uma efetiva política de ensino da Língua Portuguesa ancorada no estudo sistemático das diferentes variedades desta língua, sendo essas variedades profundamente atravessadas pelo quadro histórico, geográfico, político, econômico, social e cultural de cada país.

Palavras-chave: política linguística; diversidade linguística; ensino da língua portuguesa; lusofonia; multilinguismo.

 

Minibiografias:

Maria Elias Soares concluiu Doutorado em Linguística na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ). É Professora Titular da UFC, onde ocupou os cargos de Diretora do Centro de Humanidades e da Editora da UFC, e Coordenadora de Assuntos Internacionais. Participou da Comissão de Implantação da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (UNILAB), da qual foi Vice-Reitora. É Membro da Academia Cearense de Língua Portuguesa. Desenvolve pesquisas sobre argumentação, aquisição da linguagem e variação linguística.


Comunicação 9

Por uma análise do aproveitamento do humor verbal em livros didáticos de Língua Portuguesa

Autora:

Claudia Moura da Rocha – UERJ/FSBRJ/SME-RJ/SELEPROT – claudiamoura@infolink.com.br

 

Resumo:

O livro didático de Língua Portuguesa tem incorporado uma expressiva variedade de gêneros textuais, dentre eles, os humorísticos. Entretanto, a questão que se impõe a professores e pesquisadores é como a abordagem desses gêneros vem sendo realizada. Seriam os gêneros de humor e, consequentemente o humor verbal, aproveitados didaticamente de maneira adequada ou prestar-se-iam apenas como meros pretextos para um ensino gramatical descontextualizado, configurando-se mais um modismo pedagógico? Questões como essa motivaram a pesquisa que ora apresentamos. Como nosso objetivo foi verificar de que maneira o humor verbal vinha sendo explorado didaticamente nessas obras, selecionamos como corpus de análise 10 coleções de livros didáticos distribuídos pelo PNLD e empreendemos uma pesquisa de cunho descritivo-explicativo, de caráter sincrônico na discussão do exemplário. Em virtude de tais obras serem distribuídas gratuitamente a alunos da rede pública de todo o Brasil e de se constituírem o principal (e talvez o único) material escrito a que muitos desses alunos têm acesso, acreditamos ser a justificativa necessária para empreender tal investigação. Ademais, é relevante destacar que o humor (em especial o verbal) é um excelente atrativo para os alunos, despertando seu interesse pela aprendizagem do próprio idioma, uma vez que percebem que os recursos linguísticos são os responsáveis por promover o riso, tão bem-vindo em sala de aula. Como referenciais teóricos de nossa pesquisa, podemos citar as contribuições de Bergson (2001), Raskin (1985), Possenti (1998), Travaglia (1990) às pesquisas sobre humor verbal, e de Bezerra (2003; 2007), Bunzen e Rojo (2005), Soares (1998; 2001) e Pfromm Neto, Rosamilha e Dib (1974) aos estudos sobre os livros didáticos. Dentre os resultados obtidos, constatamos que os livros didáticos abordam o humor verbal ao empregarem os gêneros humorísticos, entretanto, alguns ainda os utilizam como pretexto para o ensino de conteúdos gramaticais ou apenas como exemplo de conteúdos ensinados.

Palavras-chave: Ensino; Língua Portuguesa; Livro didático; Humor verbal.

 

Minibiografias:

Claudia Moura da Rocha é doutora em Língua Portuguesa pela UERJ, além de atuar como Professora Adjunta do Instituto de Letras da UERJ, professora da Pós-graduação lato sensu em Língua Portuguesa da Faculdade de São Bento do Rio de Janeiro e professora do 2º segmento do Ensino Fundamental da rede municipal do Rio de Janeiro, tendo ainda lecionado no 1º segmento do Ensino Fundamental e no Ensino Médio. Desenvolve pesquisas sobre a relação entre humor e língua portuguesa, com ênfase em seu aproveitamento pedagógico.


Comunicação 10

A informatividade em redação escolar do tipo dissertativo-argumentativo

Autores:

Alexandre Batista da Silva – UFRJ –  ale-batista@ig.com.br

Ana Cristina dos Santos Malfacini – UERJ –  anamalfacini@hotmail.com

 

Resumo:

No que tange à avaliação da produção de textos, o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) se tornou o instrumento de avaliação mais importante hoje no Brasil, já que também determina a principal forma de acesso de um estudante ao nível superior. Nesta pesquisa, tomamos a informatividade, um dos elementos de textualidade centrado no usuário (cf. Beaugrande e Dressler, 1981), como fator determinante para esse estado de coisas. Segundo Fávero (1985), a informatividade cumpre um importante controle na triagem lexical e arranjo sintático-semântico dos textos. Assim, ao estudar textos que obtiveram nota máxima no exame, nossa hipótese é de que, quanto menor o nível de previsibilidade que apresentarem, melhor será a configuração final do texto no que tange não apenas aos aspectos discursivos, mas também aos aspectos linguísticos que o materializam no nível da expressão. Sob a perspectiva da argumentação, quanto maior o grau de informatividade, maior deverá ser a força argumentativa, no nível discursivo, pois o texto estará em pleno diálogo com a problemática maior em que se insere o assunto da redação. Cumpre salientar que escolhemos o tipo textual supracitado em virtude de ser este o que mais aparece nos processos de seleção para acesso ao nível superior. Entretanto, a estanqueidade do currículo escolar brasileiro parece fazer com que os alunos normalmente não articulem o conhecimento adquirido na sua formação escolar, como é exigido explicitamente na redação do ENEM. Dito isso, espera-se que o resultado desse estudo gere um material voltado para a formação docente, a qual necessita não só de um suporte teórico-metodológico para compreender as mudanças recentes ocorridas no âmbito, mas principalmente de um material de consulta sólido para conduzir suas aulas no ensino fundamental e no ensino médio.

Palavras-chave: Redação escolar, Informatividade; Ensino.

 

Minibiografias:

Alexandre Batista da Silva é Mestre em Língua Portuguesa pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e doutorando pelo mesmo programa. É professor e coordenador do curso de Letras do Centro Universitário Geraldo di Biase.

Ana Cristina dos Santos Malfacini é Professora Adjunta da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e professora de Ensino Médio das redes pública e particular. Doutora em Língua Portuguesa pela UERJ. Membro do grupo de pesquisa Seleprot. Recentemente, tem-se dedicado a estudar os fenômenos relativos à informatividade.


Comunicação 11

APRENDIZAGEM DE LIBRAS E PORTUGUÊS EM REGIME DE TANDEM FACE A FACE: UM ESTUDO REALIZADO COM ALUNOS SURDOS E OUVINTES DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO TOCANTINS

Autores:

Quintino Martins de OLIVEIRA – UFT/UFG – qmoliveira.neto@gmail.com

Francisco José Quaresma de Figueiredo – UFG – fquaresma@terra.com.br

 

Resumo:

A educação inclusiva no Brasil formatou um novo cenário de trocas linguísticas e culturais nas escolas, em que alunos surdos e ouvintes estudam juntos (QUADROS; KARNOPP, 2004). No entanto, alguns percalços dificultam o fluir natural dessas trocas, tanto pelos surdos que não dominam a língua portuguesa, quanto pelos ouvintes que não sabem Libras. Para atender às novas demandas trazidas pela lei 10.436/2002 e pelo decreto 5626/2005, inicia-se a promoção da acessibilidade comunicativa entre esses sujeitos surdos e ouvintes. Poucos estudos se referem ao uso da colaboração e às contribuições das interações em sala de aula na ressignificação no processo de aprendizagem da Libras pelos ouvintes e do Português como Segunda Língua para os surdos. Diversos estudos teóricos no contexto de ensino e aprendizagem de línguas orais salientam a relevância da interação colaborativa entre pares ou em grupos na construção de novos significados, ou reformulação de significados já estabelecidos no uso da língua que estão aprendendo (BRUFFEE, 1999; FIGUEIREDO, 2006, 2013). É nesse contexto que esta pesquisa surge, com o intuito de promover contato autêntico entre falantes adultos (surdos e ouvintes) iniciantes nas línguas em estudo, do curso de Letras: Libras da Universidade Federal do Tocantins, campus Porto Nacional, por meio de uma abordagem conhecida por aprendizagem em tandem face a face. Essa abordagem se constitui de encontros presenciais entre duas pessoas que interagem para aprender a língua do outro, em um mesmo espaço físico (BRAMMERTS, 20012). Os dados para esta pesquisa foram coletados por meio de gravações em vídeo das sessões de tandem, bem como pelo diário de campo do pesquisador, durante o ano de 2016. Os resultados indicam que a interação e a colaboração entre os sujeitos favoreceram o processo de aprendizado da libras e do português, bem como possibilitaram trocas culturais entre os participantes.

Palavras-chave: Libras; Tandem; Interação; Colaboração; Aprendizagem.

 

Minibiografias:

Quintino Martins de Oliveira é graduado em Pedagogia pela Universidade Salgado de Oliveira (2008) e Especialista em Psicopedagogia Inclusiva pela Universidade Estácio de Sá (2010) e atualmente cursa o Mestrado na área de Linguística na Universidade Federal de Goiás. É intérprete e professor de Libras há 17 anos. É professor de Libras na Universidade Federal do Tocantins.

Francisco José Quaresma de Figueiredo é Doutor em Linguística Aplicada pela Universidade Federal de Minas Gerais (2001). É professor de Língua Inglesa e de Linguística Aplicada na Faculdade de Letras da Universidade Federal de Goiás, onde leciona desde 1992. Suas áreas de interesse em pesquisa incluem tópicos relacionados a erro e correção, ao processo de escrita, à aprendizagem colaborativa, à telecolaboração, bem como a questões interculturais na aprendizagem de línguas pelo regime de imersão. É autor de vários livros, capítulos de livros e artigos em periódicos nacionais e internacionais.


Comunicação 12

Ensino de língua portuguesa: produção textual e recursos  semânticos de coesão

 

Autoras:

Tania Maria Nunes de Lima Camara – UERJ – taniamnlc@gmail.com

Denise Salim Santos – UERJ – d.salim@globo.com

 

Resumo:

O maior problema que o professor de Língua Portuguesa certamente enfrenta na Educação Básica diz respeito à produção textual, a qual, segundo os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN), deve constituir o início e o fim do processo de ensino e aprendizagem da língua materna. Tal problema surge como resultado de diversos fatores, alguns deles oriundos do próprio aluno e outros, da prática pedagógica do professor. No que diz respeito à metodologia, encontra-se o fato de não serem os conteúdos gramaticais apresentados como instrumentos da produção escrita, na medida em que, frequentemente, são estudados como assuntos estanques, sem qualquer relação morfossintático-semântica entre si, menos ainda com a produção de textos. Embora tal realidade venha apresentando mudanças significativas de procedimento, muito ainda precisa ser feito. A presente pesquisa tem como foco o segundo ciclo do Ensino Fundamental e visa à consecução de dois objetivos principais. O primeiro diz respeito a analisar a maneira como os livros didáticos mais adotados no município do Rio de Janeiro (RJ, Brasil) apresentam e desenvolvem o conteúdo referente a sinônimos, antônimos, hiperônimos e hipônimos, entre outros. O segundo envolve a apresentação de atividades que destaquem o papel desses recursos semânticos como proficientes elementos de coesão lexical, capazes de levar naturalmente o aluno a evitar a repetição gratuita de palavras, marca tão presente nos textos produzidos nesse nível de ensino.

Palavras-chave: ensino; língua portuguesa; produção textual; coesão lexical.

 

Minibiografias:

Tania Maria Nunes de Lima Camara é Professora Adjunta de Língua Portuguesa da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Desenvolve o projeto de pesquisa “Práticas Sociais da Expressão Linguística e Práticas Escolares: leitura, produção textual, ensino”. Coordenadora do curso Português para a Comunidade da UERJ. Autora do livro As Múltiplas Faces do Ser Machadiano: um olhar crítico sobre os nomes próprios e de diversos artigos publicados em livros e periódicos.

Denise Salim Santos é Professora Adjunta de Língua Portuguesa da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Participa do Projeto de elaboração do Dicionário de Português do Brasil para Estrangeiros. Atua no Programa de Pós-graduação em Língua Portuguesa (UERJ) e tem vários artigos publicados em livros e periódicos.


Comunicação 13

O Humanismo sob a ótica do Século XXI

Autora:

Marta Rodrigues  – IFE Colégio Pedro II / NUPELL (Núcleo de Pesquisa em Ensino de Língua e Literatura) – profmartacp2@gmail.com

 

Resumo:

O afastamento que existe entre o jovem leitor contemporâneo e a literatura que lhe é apresentada na escola vem sendo motivo de discussão entre estudiosos há algum tempo. Muito se tem refletido acerca das mudanças necessárias que façam com a leitura se integre ao universo discente. Um dos problemas diz respeito ao distanciamento temporal dos alunos em relação a grande parte da leitura escolar. O aspecto histórico-temporal implica outros afastamentos, culturais, sociais, contextuais de forma geral, e, especialmente, lexicais. O estranhamento gerado pelo vocabulário cria, antecipadamente, uma certa má vontade em relação à leitura, que parece nada dizer ao aluno. Tendo isso em mente, desenvolvi com alunos da 1a série do Ensino Médio do Colégio Pedro II um trabalho de reescritura e atualização da peça teatral “Auto da barca do inferno”, do dramaturgo português Gil Vicente, do período conhecido como Humanismo, que resultou em uma encenação do texto produzido. A intenção era a de que a leitura crítica do texto humanista, em que os valores de uma sociedade em transição são criticados, assim como da linguagem que o concretiza, possibilitassem uma reflexão sobre a atualidade. O tipo de trabalho proposto tanto deu espaço ao individual, às análises, às hipóteses geradas a partir do ato individual da leitura, quanto ao coletivo, com o confronto das várias visões que se fizerem presentes. A partir da apropriação do auto de Gil Vicente, os alunos produziram uma peça teatral própria, atualizando linguagem, personagens, enredo, cenário para os dias de hoje, e encenando o texto produzido. Dessa forma, tentou-se reabilitar a aproximação com o texto, tornando-o não só a muitas vezes desprestigiada “leitura obrigatória”, possibilitando que, a partir dele, se produzisse o texto do leitor. Deu-se voz ao aluno-leitor, que pode ler, interpretar, dialogar, trocar experiências e realizar uma produção individual e coletiva, tornando-se sujeito-leitor.

Palavras-chave: Gil Vicente; ensino; releitura; produção textual.

 

Minibiografia:

Mestre e Doutora em Letras Vernáculas, área de Literatura Brasileira, pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com a dissertação “Entre a crítica e paixão: os discursos do narrador e do protagonista em Triste fim de Policarpo Quaresma” (2007) e a tese “Lima Barreto, leitor de Balzac: as ilusões perdidas de Luciano e Isaías Caminha” (2012). Professora de Língua Portuguesa, Literatura e Redação do Colégio Pedro II, campus Humaitá II. Líder do Núcleo de Pesquisa em Ensino de Língua e Literatura (NUPELL). Pesquisa principalmente os temas: ensino de Língua e Literatura; a obra de Lima Barreto; o Rio de Janeiro do início do século.


Comunicação 14

Língua Portuguesa e Plurilinguismo: Intercompreensão nas aulas da Educação de Jovens e Adultos

Autora:

Talita Yosioka Collacio  – Universidade de São Paulo – talitayc@gmail.com

 

Resumo:

Este trabalho tem o objetivo de apresentar resultados de atividades plurilíngues realizadas nas aulas de Língua Portuguesa para alunos do Ensino Fundamental II da Educação de Jovens e Adultos integrada à formação inicial e continuada (EJA-FIC) do município de Santo André, SP, Brasil. A metodologia empregada na realização desta proposta é a Intercompreensão em Línguas Românicas (Araújo e Sá et al., 2010), que parte dos conhecimentos linguísticos do falante nativo para a atividade comunicativa em línguas românicas desconhecidas. Para a elaboração das atividades, colocou-se também em destaque a questão do letramento, isto é, os usos e as práticas socioculturais que envolvem a linguagem (Rojo, 2009), concretizado por meio de gêneros do discurso (Bakhtin/Voloshinov, 1995). O principal objetivo das atividades foi chamar a atenção dos alunos falantes de variantes estigmatizadas do português brasileiro, através das atividades plurilíngues, para seus saberes linguísticos. Por meio da sequência de atividades propostas, os alunos observaram que a língua portuguesa que dominam lhes dá acesso a conhecimentos plurilíngues e interculturais que vão além da decodificação lexical do texto. Os resultados da pesquisa apontam para a satisfatoriedade da metodologia não apenas no processo de letramento em português brasileiro, mas também na educação em línguas, visada pela metodologia em questão, e na elevação da autoestima dos alunos da EJA-FIC através da valorização dos conhecimentos adquiridos fora do ambiente formal de ensino-aprendizagem, passo fundamental para a autonomia e emancipação dos sujeitos (Freire, 2009).

Palavras-chave: EJA-FIC. Intercompreensão. Plurilinguismo. Letramento.

 

Minibiografia:

Talita Yosioka Collacio concluiu o mestrado no Programa de Culturas e Identidades Brasileiras da USP (2016). Bacharelou-se e licenciou-se em Letras (Português e Linguística) na mesma instituição. Atuou como professora voluntária de português para imigrantes e refugiados em ONGs e atualmente é professora de Língua Portuguesa na Educação de Jovens e Adultos da rede municipal de Santo André, SP, e em escola especializada no ensino de português para falantes de outras línguas em São Paulo, SP.


Comunicação 15

O ensino e a aprendizagem de língua Portuguesa para Surdos por meio dos gêneros textuais

Autora:

Silvana Zajac – UNIFESP – Universidade Federal de São Paulo – silzajac7@gmail.com

 

Resumo:

Este trabalho vem olhar para uma demanda emergente da situação educacional dos Surdos brasileiros, no que tange o aprendizado e o uso da língua portuguesa. A Libras – Língua brasileira de sinais foi reconhecida como um direito de e expressão das comunidades de surdos brasileiros, por meio da Lei 10.436/02. No entanto, esta mesma lei determina que a Língua Portuguesa, na sua modalidade escrita, não pode ser substituída pela Libras. Essa prerrogativa nos encaminha para o desafio de propor uma educação bilíngue para surdos, na qual o português é ensinado na perspectiva de segunda língua. Assim, o objetivo deste trabalho é mostrar a importância da proposta de oferecer um curso de leitura e escrita para surdos que, além de atender a uma prerrogativa legal e social, contribui para o desenvolvimento linguístico desse indivíduo e se torna um frutífero lócus de pesquisa de práticas metodológicas de ensino de língua portuguesa para surdos por meio dos gêneros textuais. Com base na pesquisa-ação é descrita e contextualizada a elaboração e a aplicação de uma metodologia de ensino de leitura e escrita da Língua Portuguesa para Surdos. Numa perspectiva interacionista sociodiscursiva esta pesquisa está amparada nas teorias abordadas por Dolz e Schneuwly (2004), que acreditam numa proposta de ensino e aprendizagem de línguas organizada a partir dos gêneros textuais. Assim, esse projeto vem ampliar a capacidade dos alunos no uso das práticas de linguagem, de modo que se tornem mais competentes nas habilidades de leitura, escrita e “oralidade”. Para isso, os alunos precisam se envolver em atividades que gerem certo estímulo para se dedicar ao aprendizado do que for proposto. Assim, a possibilidade de participar de contextos reais de produção textual é a alavanca para que os objetivos sejam alcançados.

Palavras-chave: Ensino. Aprendizagem. Metodologia. Surdos.

 

Minibiografia:

Doutora em Linguística Aplicada e Estudos da Linguagem (PUC/SP), professora adjunta da UNIFESP – Universidade Federal de São Paulo, Departamento de Ciências Exatas e da Terra, atualmente responsável pelas disciplinas de Estágio Supervisionado, Prática de Ensino e Libras, no Curso de Ciências – licenciatura. Professora no curso de extensão de Leitura e escrita para Surdos.


Comunicação 16

O ensino de Língua Portuguesa por meio de um procedimento didático com o gênero regras de jogo

Autora:

Leliane Regina Ortega Esteves – Universidade Estadual do Oeste do Paraná –

UNIOESTE –  leliortega@gmail.com

 

Resumo:

A Concepção Dialógica da Linguagem considera que os enunciados são produzidos em situações reais de interação verbal e pressupõe o trabalho com os gêneros discursivos como forma de possibilitar ao aluno construir seu discurso moldado por formas típicas estabelecidas historicamente, apropriadas para a esfera de na qual pretende atuar. O objetivo desse artigo é refletir criticamente sobre a elaboração e aplicação de um procedimento didático para o ensino de língua portuguesa com o gênero discursivo Regras de jogo destinado aos alunos do 6º ano do ensino fundamental. A escolha do gênero justifica-se por sua circulação na esfera lúdica, favorecendo ao aluno a associação do conteúdo escolar com situações reais de uso da linguagem. Para isso, o construto teórico mobilizado ampara-se nos estudos do Círculo de Bakhtin (2010[1979]; 2009[1929]); o desenvolvimento do procedimento metodológico sustenta-se nos estudos de Dolz e Schnewuly (2004) que estabelecem a sequência didática para o trabalho com os gêneros orais e escritos e nas adaptações propostas por Costa-Hübes (2008) para o trabalho com alunos do ensino fundamental. Esse estudo faz parte de uma pesquisa de mestrado que diagnosticou as deficiências no trabalho pedagógico com gêneros que exigem a capacidade de linguagem injuntiva e por meio de estudos teóricos busca elaborar, aplicar e avaliar uma sequência didática com o gênero Regras de Jogo para alunos do 6º ano do ensino fundamental, de modo a colaborar com o aperfeiçoamento da competência linguístico-discursiva desses alunos, uma vez que crianças nessa faixa etária já avançaram no contato com o mundo da escrita e podem compreender as regras prescritas e até mesmo elaborá-las.

Palavras-chave: Gênero discursivo, Regras de jogo, Sequência didática.

 

Minibiografia:

Mestre em Letras pelo programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Letras – Mestrado Profissional – área de Concentração: Linguagens e letramentos pela Universidade Estadual do Oeste do Paraná- UNIOESTE, campus de Cascavel. Professora da Rede Estadual de Educação do Estado do Paraná.


Comunicação 17

Projeto ENEM na PALMA da MÃO: avaliação das vídeo aulas no ensino presencial

Autora:

Denise Lino de Araújo – Universidade Federal da Paraíba – deniselinoaraujo@gmail.com

 

Resumo:

Materiais didáticos alternativos para o ensino de língua materna como vídeo aulas, chats, filmes e aplicativos têm sido incentivados pelas instâncias de formação docente. Todavia, nas escolas públicas brasileiras, observa-se escassa presença desses materiais, mais usados por professores recém-formados. Essa realidade tem sido influenciada também pela realização do ENEM (Exame Nacional de Ensino Médio) que tem a leitura como arquicompetência e se utiliza muito de fontes midiáticas e multimodais. Tendo em vista intervir nesse contexto, o projeto de ensino ENEM na PALMA da MÃO teve como objetivo roteirizar e gravar vídeo aulas sobre quatro temas abordados no ENEM – leitura multimodal, produção de texto do gênero dissertação escolar, norma padrão e variação linguística – a partir dos quais foram gerados módulos de ensino que subsidiam as vídeos aulas.  Esta apresenta análise das impressões de alunos de 3º ano de ensino médio de uma escola pública quanto à utilização do material didático referido em comparação com o livro didático adotado pelo professor. Do ponto de vista metodológico, a investigação se caracteriza como uma pesquisa exploratória conduzida em paralelo à experiência didática desenvolvida em trinta aulas que utilizou o material do projeto. Foi realizado um diagnóstico inicial, no formato questões do ENEM, sobre os temas focalizados para aferir o conhecimento dos alunos. Posteriormente, foi aplicado um novo teste diagnóstico, elaborado nos mesmos moldes. Os alunos responderam ainda a um questionário sobre suas impressões relativas à facilidade e a motivação (ou não) para uso de material em comparação com o livro didático.  O escopo teórico deste trabalho é o da Representação Social (Moscovci, 2013) e o da Didatização de Saberes (Lino de Araújo e Silva, 2015). Os resultados iniciais apontam para um discurso de valorização das vídeo aulas como instrumento de ensino, mas indiciam a pouca autonomia dos alunos para desenvolverem as propostas apresentadas no material.

Palavras-chave: Material Didático; Ensino Médio; Português Língua Materna; ENEM.

 

Minibiografias:

Denise Lino de Araújo é Professora do Programa de Pós-graduação em Linguagem e Ensino, da UFCG, onde também leciona na graduação em Licenciatura em Letras. Idealizou e Coordenou o Projeto de Ensino ENEM na PALMA da MÃO, realizado junto a uma equipe multidisciplinar formada por estagiários em Letras, técnicos em cinematografia, diretor de arte e designer gráfico.


Comunicação 18

Para o ensino eficaz de redação e produção de texto no ensino superior

 

Autoras:

Maria Suzett Biembengut Santade –  FIMI, FMPFM/SELEPROT – suzett.santade@gmail.com

Darcilia Simões – UERJ/SELEPROT – darciliasimoes@gmail.com

 

Resumo:

Este estudo objetiva-se aprimorar algumas etapas do ensino de redação e produção de texto a estudantes do ensino superior de diferentes cursos de uma IES no interior do estado de São Paulo, Brasil. Para tanto, nas bases metodológicas, buscam-se, a princípio, textos ficcionais e científicos para que os alunos possam (1) compreender palavras da morfologia variável na compreensão dos processos de concordância verbo-nominal e (2) fazer as correlações gramaticais entre narrativas subjetivas e objetivas. Nesta etapa, buscam-se as palavras acessórias àquelas mais subjacentes no aspecto semântico léxico-conceptual. Como os cursos apresentam na grade curricular somente dois ciclos semestrais da disciplina e Expressão com uma carga-horária restrita, seguem-se, respectivamente, quatro etapas de construção textual, assim: (i) temática e estrutura; (ii) coesão e coerência textuais; (iii) vocabulário e nova ortografia; (iv) aplicações gramaticais. Os resultados redacionais demonstram-se positivos no decorrer dos semestres pelos alunos no aprimoramento da leitura e produção de texto da área estudada.  Todo o trabalho ancora-se na multimídia e nos recursos tecnológicos para a produção das atividades no laboratório de informática da IES, colocando o corpo discente a crescer em sua prática escrita integrada à postura oral em evento acadêmico interno.

Palavras-chave: Ensino; Léxico; Redação; Produção textual.

 

Minibiografias:

Maria Suzett Biembengut Santade é Profª Titular de Linguística, Língua Portuguesa e Língua Latina e Coordª do Curso de Letras: Graduação e Pós-graduação (FIMI-Mogi Guaçu-SP); Profª Titular de , Língua e Linguagem (FMPFM-Mogi Guaçu-SP). Pós-doutora em Educação (UMINHO-PT, 2008). Pós-doutora em Letras (UERJ, 2006). Doutora em Educação (UNIMEP, 2002). Mestre em Educação: Formação de Professores (PUC-CAMP, 1998). Membro dos Grupos: SELEPROT e Crítica Textual e Edição de Textos (UERJ-RJ).

Darcilia Simões é Professora Associada de Língua Portuguesa do Instituto de Letras – UERJ. Pós-doutora: Linguística (UFC, 2009) e & Semiótica (PUC-SP, 2007); Doutora em Letras Vernáculas (UFRJ, 1994), Mestra em Letras (UFF, 1985). Vice-presidente da AILP (2014-2017). Coordena LABSEM-UERJ e Publicações Dialogarts. Lidera o GrPesq SELEPROT (CNPq). Membro de(o/a): GT–EAPLA (ANPOLL); AOTP; AFLIR; FELS; ALFAL; ASFAL;  SBPC; ABRALIN; ALAB; ABES.


Comunicação 19

Uso e apropriação da Libras por uma professora de Língua Portuguesa em contexto de escola pública

Autores:

Juscelino Francisco do Nascimento – Universidade de Brasília (UnB) – juscelinosampa@hotmail.com

Aucélia Vieira Ramos – Universidade Federal do Ceará (UFC) – auceliaramos@hotmail.com

 

Resumo:

A Língua Brasileira de Sinais (Libras), apesar se já ser usada há algum tempo pela comunidade surda, só foi reconhecida e oficializada como Língua em 2002, com a promulgação da Lei 10.436, a qual foi regulamentada, em 2005, nos termos do Decreto 5626, que torna obrigatória a oferta da Libras como disciplina das grades curriculares dos cursos de graduação em universidades e faculdades, sejam elas públicas ou privadas. Nesta proposta de oral, objetivamos apresentar nossas impressões e percepções acerca da apropriação (ou não) da Libras por uma professora de Língua Portuguesa da rede pública de ensino, em uma turma de Ensino Fundamental, tendo em vista que ela ensina Português para um falante de outra língua – um surdo, falante de Libras. Para tanto, buscamos sustentação teórica, entre outros, em autores como Fernandes (2012), Gesser (2009), Novaes (2010), Quadros (2006) e Santana (2007), bem como nas Diretrizes Nacionais para a educação especial na educação básica (MEC, 2001). Com vistas a investigarmos a atualização da professora quanto ao ensino de Português, foi feita uma pesquisa de campo, de natureza qualitativa, na qual foram feitas observações e gravações em áudio, além de entrevistas com a docente, tendo em vista que, durante as aulas, não havia interação entre ela e um aluno surdo, mas apenas deste com a intérprete de Libras. Como resultados da pesquisa, destacamos a necessidade de os docentes se atualizarem, por meio de formações continuadas, na Libras, a fim de que possam ensinar, com mais propriedade e segurança, a Língua Portuguesa para estudantes surdos.

Palavras-chave: Libras. Formação Docente. Língua Portuguesa.

 

Minibiografias:

Juscelino Francisco do Nascimento: Graduado e mestre em Letras pela Universidade Federal do Piauí (UFPI). Doutorando do Programa de Pós-graduação em Linguística da Universidade de Brasília (UnB), Professor e Tutor do Centro de Educação Aberta e a Distância da Universidade Federal do Piauí (CEAD/UFPI). Tem experiência na área de Linguística e Língua Inglesa, com ênfase em Sociolinguística, atuando principalmente nos seguintes temas: oralidade, letramento, etnografia, educação do campo, leitura e escrita, fonética e fonologia, Estágios Obrigatórios, Libras e ensino de língua inglesa instrumental.

Aucélia Vieira Ramos: Possui graduação em Letras/Português (2004) pela Universidade Estadual do Piauí e em Pedagogia (2008) pela mesma instituição; é especialista em Estudos Linguísticos (2005) pela FAESPI e Mestre em Letras (2014) pela Universidade Federal do Piauí. Atualmente, é coordenadora de disciplina do Curso de Letras/Inglês(CEAD-UFPI) ; professora classe E da Secretaria de Educação e Cultura do Piauí e aluna do Doutorado em Linguística da Universidade Federal do Ceará (UFC). Tem experiência em Pedagogia, com ênfase em Formação de Professores; e em Linguística, com ênfase em Gêneros Textuais.


Comunicação 20

A semiótica, as inteligências múltiplas e o ensino da língua

Autores:

Darcilia Simões – UERJ/SELEPROT – darciliasimoes@gmail.com

Maria Suzett Biembengut Santade – FIMI, FMPFM/SELEPROT – suzett.santade@gmail.com

 

Resumo:

Discussão das habilidades necessárias para aquisição de línguas, segundo a teoria das inteligências múltiplas (GARDNER, 1994; 1995) associadas à multimodalidade (SILVA, 2007; DIONÍSIO, 2008). Considerações acerca das inteligências múltiplas e as metodologias para ensino da leitura e da escrita. Serão consideradas as seguintes inteligências: a) espacial (de localização no tempo e no espaço); b) lógica (facilidade de cálculo e previsão, rapidez de raciocínio e produção de conclusão); c) musical (habilidade de percepção sonora, com que se distingue não só um latido e um tiro, como também são percebidos os fonemas das línguas, os sotaques, o canto etc.); d) intrapessoais (habilidade de autoconhecimento); e) interpessoais (facilidade de interação com os pares). Também se toma como subsídio teórico-metodológico a iconicidade da língua (SIMÕES, 2009) e da imagem (KRESS, VAN LEEUWEN, 2006; 2001). A relevância da pintura, da música, da dramatização, do desenho e da leitura oral expressiva na aquisição de línguas.

Palavras-chave: Inteligências múltiplas; Multimodalidade; Semiótica; Ensino de línguas.

 

Minibiografias:

Darcilia Simões: Professora Associada de Língua Portuguesa do Instituto de Letras – UERJ. Pós-doutora: Linguística (UFC, 2009) e & Semiótica (PUC-SP, 2007); Doutora em Letras Vernáculas (UFRJ, 1994), Mestra em Letras (UFF, 1985). Vice-presidente da AILP (2014-2017). Coordena LABSEM-UERJ e Publicações Dialogarts. Lidera o GrPesq SELEPROT (CNPq). Membro de(o/a): GT–EAPLA (ANPOLL); AOTP; AFLIR; FELS; ALFAL; ASFAL;  SBPC; ABRALIN; ALAB; ABES.

Maria Suzett Biembengut Santade: Profª Titular de Linguística, Língua Portuguesa e Língua Latina e Coordª do Curso de Letras: Graduação e Pós-graduação (FIMI-Mogi Guaçu-SP); Profª Titular de , Língua e Linguagem (FMPFM-Mogi Guaçu-SP). Pós-doutora em Educação (UMINHO-PT, 2008). Pós-doutora em Letras (UERJ, 2006). Doutora em Educação (UNIMEP, 2002). Mestre em Educação: Formação de Professores (PUC-CAMP, 1998). Membro dos Grupos: SELEPROT e Crítica Textual e Edição de Textos (UERJ-RJ).


Comunicação 21

A pluralidade dos aspectos da língua na letra de Samba com Dengo

Autora:

Luanda Silva de Araujo – Secretaria Municipal de Educação Cultura e Esporte de Seropédica (SMECE) /Secretaria Estadual de Educação do Rio de Janeiro (SEEDUC) – araujo.luanda@gmail.com

 

Resumo:

À luz de Nilce Sant’Anna Martins (2000), estilística é uma das disciplinas voltadas para os fenômenos da linguagem, tendo por objeto o estilo. Portanto, nosso objetivo, neste artigo, é demonstrar as várias vertentes de uma letra de samba que pode suscitar inúmeros recursos no que tange ao ensino de língua materna. Nesse sentido, sendo o samba de raiz, estilo surgido, no século passado, por volta da década de 20 e, por essa razão, não alcança grande parte dos jovens em idade escolar, encontramos, em “Samba com Dengo” (Paulo César Pinheiro), a possibilidade lúdica de intertextualidade entre esse estilo musical àqueles que são considerados populares entre os estudantes do Ensino Fundamental e do Médio. Estilo é a linguagem que transcende do plano intelectivo para carrear a emoção e a vontade (Mattoso Câmara), dessa forma, cremos no despertar de um interesse subjacente, por parte dos estudantes, quando houver a constatação da riqueza estilística, histórica e lexical que esses textos podem apresentar. Ressaltamos que, mesmo não sendo o texto ideal, para se trabalhar em aula, já que não apresenta um eu-lírico, um eu-poético, há uma riqueza expressional ímpar em seus elementos constitutivos, o que representa um farto material para análise nas aulas de Língua Portuguesa. Outro aspecto que muito se vem discutindo na prática pedagógica do ensino de língua é trabalhar-se com as variantes linguísticas. Esse texto musical faz exatamente isso, ao usar expressões populares, palavras incomuns, gírias, enfim, a possibilidade de se apresentar ao aluno os múltiplos aspectos da língua, além de explandir-lhe o conhecimento musical.

Palavras-chave: Estilística; Ensino de Língua; Semântica; Léxico; Samba.

 

Minibiografia:

Especialista em Língua Portuguesa pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) e graduada em Letras (Português e Espanhol) pela Universidade Castelo Branco. Lecionou ambas as disciplinas, na rede particular, de 2000 a 2014. Atualmente ministra aulas de Língua Portuguesa e Produção Textual para o Ensino Fundamental no município de Seropédica e para o Ensino Médio na Rede Estadual do Rio de Janeiro.


Comunicação 22

AÇÃO ESTRATÉGICA NO ENSINO DE PORTUGUÊS LÍNGUA ESTRANGEIRA EM CONTEXTO DE IMERSÃO

Autora:

Ana Rita Carrilho – Universidade da Beira Interior – rita.carrilho@gmail.com

 

Resumo:

São muitos os que optam por aprender uma nova língua em contexto de imersão, propondo-se a frequentar cursos nos países onde esta é veicular, permitindo um contacto direto com falantes nativos e com a sua cultura. Aprender uma língua num contexto como este não só implica uma prática ativa da mesma na sala de aula como também em diferentes situações comunicativas, nas quais os aprendentes têm, muitas vezes, de adotar um comportamento estratégico que lhes permita serem autónomos. Partindo do constructo de estratégia de aprendizagem, explorado na investigação a partir dos anos 70 do século passado, propõe-se o desenvolvimento de uma ação estratégica na sala de aula de Português Língua Estrangeira (PLE) em contexto intensivo de imersão, onde sejam conjugadas estratégias de ensino e de aprendizagem, cabendo ao professor torná-las explícitas e reconhecíveis, potenciando que os alunos as desenvolvam por si próprios. O presente trabalho expõe os resultados de um estudo realizado durante um curso intensivo de PLE lecionado em Portugal, procurando verificar se esta se trata de uma proposta didática bem acolhida pelos alunos.

Palavras-chave: aprendizagem, língua estrangeira, ação estratégica, didática da língua.

 

Minibiografia:

Ana Rita Carrilho é Doutora em Letras pela Universidade da Beira Interior (Covilhã – Portugal). É Professora Auxiliar do Departamento de Letras desta mesma instituição. Atualmente, é diretora do Curso de Português Língua Estrangeira, dos Cursos Livres de Línguas e Coordenadora do LAPE (Local de Aplicação e Promoção de Exames), uma parceria com o CAPLE. Desenvolve investigação na área da Linguística Aplicada ao ensino do Português como Língua Não Materna.


Comunicação 23

Reflexões sobre as metodologias para Ensino de Língua Portuguesa: Contribuições da Pedagogia de Projetos

Autores:

Heliandro Rosa de Jesus – UFVJM (Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri) – cerradinho@hotmail.com

Renato de Oliveira Dering – Uni-ANHANGUERA (Centro Universitário de Goiás) – renatodering@gmail.com

 

Resumo:

Freire (1996) defende que a escola deve ser um espaço que desenvolva a reflexão, o senso crítico; um lugar onde o diálogo entre alunos e professores ocorra de forma consciente na construção de saberes e que contribuam com o desenvolvimento da sociedade e de novas realidades sociais. Levando em consideração a formação de professores de Língua Portuguesa e sua atuação destes nas escolas-campo, encontramos algumas indagações sobre qual seria o papel destes futuros professores no processo de ensino-aprendizagem e na formação cidadã dos alunos do lugar. Além disso, percebemos outro ponto de extrema relevância: as práticas educacionais para o Ensino de Literatura parecem estar cada vez mais distantes das práticas de Leitura e Letramento, tratando-se de Brasil. Percebe-se, pois, uma mecanização da disciplina no currículo escolar brasileiro, apresentando-a a partir de uma perspectiva meramente histórica. Pretende-se, com essa discussão, um debruçar crítico mais atento às práticas dos professores de Língua Portuguesa na educação básica e o que a legislação prevê para o ensino da disciplina, com foco no ensino de Literatura. Para tanto, apresentaremos algumas reflexões acerca de uma pesquisa em desenvolvimento que tem como objetivos: 1) Refletir a respeito de como o emprego da Pedagogia de Projetos contribui para a formação prática dos futuros professores de Língua e Literatura em Língua Portuguesa; e 2) Analisar como o desenvolvimento de projetos de trabalho pelos professores em formação auxilia na construção do conhecimento prático-pedagógico. Acreditando que o aluno de licenciatura deve se aproximar, o máximo possível, das práticas em sala de aula e que, em seu trabalho de regência, deve manter o objetivo principal da Educação – formar cidadãos críticos e atuantes – o trabalho com a Pedagogia de Projetos nas aulas práticas do Estágio Supervisionado se mostra como uma ferramenta interessante por aproximar os professores em formação  da realidade escolar mediante o uso de práticas que incentivem o desenvolvimento da autonomia dos alunos da escola campo.

Palavras-chave: Ensino de Literatura. Letramento Literário. Pedagogia de Projetos.

 

Minibiografias:

Heliandro Rosa de Jesus – Professor Assistente na Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM). Mestre em Letras e Linguística pela Universidade Federal de Goiás (UFG) e Licenciado em Letras pela mesma instituição de ensino. Desenvolve pesquisas na área de Letras e Ensino, com foco na Pedagogia de Projetos. É líder do grupo FORPROLL/CNPq – Formação de Professores de Línguas e Literatura.

Renato de Oliveira Dering – Professor Assistente A2 no Centro Universitário de Goiás (Uni-ANHANGUERA). Mestre em Letras pela Universidade Federal de Viçosa (UFV) e Licenciado em Letras pela Universidade Federal de Goiás (UFG). Desenvolve pesquisas na área de Letras e Ensino, com foco no Ensino de Literatura e Letramento Literário. É líder do Grupo FORPROLL/CNPq – Formação de Professores de Línguas e Literatura e também pesquisador no grupo CNPq “INTERARTES: PROCESSOS E SISTEMAS INTERARTÍSTICOS E ESTUDOS DE PERFORMANCE”.


Comunicação 24

Ensino de leitura e escrita em ambiente digital

Autora:

Carmen Pimentel – Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro – UFRRJ – carmenpimentel.ufrrj@gmail.com

 

Resumo:

Esta pesquisa acredita que ensinar a ler, no sentido amplo do letramento, não se esgota nas séries iniciais do ensino. Para isso, busca em produções textuais de jovens publicadas na internet o disparador motivacional para a leitura de livros de literatura clássica e/ou contemporânea. Tais produções escritas emergem da internet aproveitando os recursos do ambiente digital, em especial a publicação, a divulgação e a participação do leitor por meio de comentários e críticas. Vem-se analisando a escrita de jovens, publicada em ambiente virtual, conhecida como fanfiction: sequências, paródias e versões alternativas de aventuras novas e velhas, com os heróis favoritos desses jovens, extraídos das literaturas clássica e contemporânea. A fanfiction mostra-se como uma possibilidade rica para o trabalho de produção textual, levando à reflexão da língua, e de desenvolvimento do hábito de leitura literária, uma vez que para se produzir uma nova sequência para uma história pré-existente é necessário conhecer a fundo seus personagens e suas tramas. A fanfiction torna-se, portanto, forte aliada do professor na (re)significação do trabalho com leitura e escrita na escola, bem como na reflexão sobre o uso da língua. Compactua-se, assim, com a teoria da enunciação de Bakhtin (2002, 2011), para quem o dialogismo se estabelece na relação de sentidos entre enunciados; e com Marcuschi (2005), Chartier (2002) e Paiva (2008) que apontam para novos caminhos de leitura e escrita no uso da internet: a hiperleitura e o hipertexto. A pesquisa encontra-se em desenvolvimento, já tendo passado pelas etapas de construção do embasamento teórico e do acompanhamento de fanfictions, com análise das produções escritas e das leituras literárias que seus autores fazem a priori. A etapa seguinte é de organização da primeiraoficina de produção de fanfictions com alunos de 8º e 9º anos do ensino Fundamental de escolas públicas da Baixada Fluminense – RJ.

Palavras-chave: leitura; escrita; internet; fanfiction; ensino.

 

Minibiografia:

Professora adjunta de Língua Portuguesa na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro e pesquisadora de textos produzidos em ambientes virtuais. Doutora em Língua Portuguesa pela Uerj, com pesquisa em textos autobiográficos de blogs; mestre em Informática pela UFRJ e graduada em Letras pela UERJ. Foi Coordenadora Nacional do PROLER e diretora da Casa da Leitura, da Biblioteca Nacional de 2011 a 2013. É autora do livro “Blog: da internet à sala de aula”, pela editora Appris, 2012.


Comunicação 25

A intertextualidade presente em diferentes gêneros textuais

 

Autor:

Claudio Artur O. REI – Universidade Estácio de Sá (UNESA) /Prefeitura do Rio de Janeiro (SME-RJ)/ SELEPROT (UERJ) – arturrei@uol.com.br

 

Resumo:

A expressão intertextualidade se refere, basicamente, à influência de um texto sobre outro. Na verdade, em diferentes graus, todo texto é um intertexto, pois, ao escrever, estabelecemos um diálogo — às vezes inconsciente, às vezes não — com tudo o que já foi escrito. Assim, cada texto é como um elo na corrente de produções verbais; cada texto retoma textos anteriores, reafirmando uns e contestando outros. A intertextualidade, tema estudado pela Linguística Textual, é um elemento recorrente na escrita de textos. Mesmo quando não temos a intenção de utilizá-la, o fazemos inconscientemente, resgatando modelos e parâmetros estabelecidos nos chamados textos fontes, considerados fundamentais em uma determinada cultura por fazerem parte da memória coletiva de uma sociedade (HUTCHEON). Percebe-se que as relações dialógicas entre textos é um conceito inerente à intertextualidade e que, quanto mais lemos e conhecemos os textos fontes, mais inferências, somos capazes de realizar. Um texto pode apresentar diversas vozes, para as quais damos o nome de polifonia (BLIKSTEIN), que nada mais é do que as referências presentes nas entrelinhas do texto. Muitos escritores e compositores utilizaram esse recurso na construção de paródias, paráfrases ou citações (SANT’ANNA). Como é um conceito amplo e passível de classificações, a intertextualidade pode ser classificada em dois tipos principais: intertextualidade explícita e intertextualidade implícita (VALENTE). Nesse sentido, a intertextualidade é um elemento muito importante para a constituição de sentidos do texto, colaborando em muito para a coerência textual ao reforçar a ideia de que a competência linguística não depende apenas do conhecimento do código linguístico, mas também do conhecimento das relações intertextuais.

Palavras-chave: Intertextualidade; Aulas de Língua Portuguesa; Gêneros textuais; Polifonia.

 

Minibiografia:

Doutor e Mestre em Língua Portuguesa pela UERJ, instituição na qual também cursou a graduação e a especialização. Membro do Grupo de Pesquisa Semiótica, Leitura e Produção de Textos – SELEPROT. Professor do Ensino Médio (1990), na rede particular; professor do Ensino Fundamental (1994), na rede pública municipal; professor adjunto da Universidade Estácio de Sá (2000), graduação Pós-graduação e eventualmente na Pós-graduação da Faculdade São Bento. Desenvolve pesquisa na área de Estilística, com subsídios em Semântica e Semiótica.


Comunicação 26

As expressões idiomáticas e o ensino de língua

Autora:

Aira Suzana Ribeiro MARTINS – Colégio Pedro II / SELEPROT/ LITESCOLA – airamartins@uol.com.br

 

Resumo:

O desconhecimento do léxico e o uso figurado da palavra  são  fatores que oferecem grande dificuldade para a compreensão de um texto, sobretudo entre leitores mais jovens. As expressões idiomáticas, comuns na oralidade e em textos escritos, muitas vezes, levam o leitor a equívocos de leitura e compreensão, sobretudo pelo emprego metafórico da palavra e também na aprendizagem de um segundo idioma. Essas frases são marcas de uma cultura e de um tempo. Desse modo, seu conhecimento é necessário, não só para o entendimento do texto escrito como também para as situações de interação social. Com base em obras de autores que se dedicam a pesquisas de fraseologia, léxico e  semântica, pretendemos apresentar relato de projeto sobre expressões idiomáticas, desenvolvido em  turmas do Ensino Fundamental, com abrangência em leitura, produção textual e ensino da língua.

Palavras-chave: Expressões idiomáticas; Leitura; Produção textual; Ensino de língua.

 

Minibiografia:

Aira Suzana Ribeiro Martins possui os cursos de Doutorado em Letras pela UERJ (2006), Mestrado em Letras pela UERJ (2000) e Especialização em Língua Portuguesa pela UERJ (1997). É professora do Mestrado Profissional em Práticas na Educação Básica e do Ensino Fundamental do Colégio Pedro II. É também supervisora do Programa de Residência Docente da mesma instituição. Faz parte dos Grupos de Pesquisa SELEPROT e LITESCOLA.


Comunicação 27

AS CONTRIBUIÇÕES DOS ATLAS LINGUÍSTICOS BRASILEIROS NOS ASPETOS SEMÂNTICO-LEXICAIS NO PROCESSO DE ENSINO-APRENDIZAGEM DA LÍNGUA PORTUGUESA PARA NATIVOS E NÃO NATIVOS

Autor:

Silvagne Vasconcelos Duarte – UnB/UNIFAP – ventrueic@bol.com.br /silvagne_duarte@unifap.br

 

Resumo:

A presente proposta de visa mostrar as contribuições dos atlas linguísticos brasileiros (CARDOSO, 2010) nos aspectos semântico-lexicais no processo de ensino-aprendizagem da língua portuguesa como língua materna (LM) (BORTONI-RICARDO, 2004) e língua estrangeira (LE), sendo que travar as discussões sobre variação linguística para falantes nativos, recai na seguinte reflexão: Por que ensinar português para indivíduos que a tem como LM? Ora, trabalhar como a diversidade linguística com esta clientela é ensinar como eles podem ser “poliglotas” em sua própria língua, mostrando que as concepções de “CERTO” X “ERRADO”/ “BONITO” X “FEIO” para as formas, estruturas e construções linguísticas não cabem mais em nossa sociedade contemporânea, e sim a perspectiva do binômio ADEQUADO X INADEQUADO, conforme a situação sociointeracional em que os interactantes estão inseridos (BAGNO, 2004). Para o aprendente estrangeiro, desenvolver essa prática seria, além daquela situação prevista para os nativos, também uma oportunidade de conhecer a pluralidade da cultura brasileira por intermédio da língua, uma vez que o sistema linguístico é um elemento cultural importante, pois ele não é a realidade em si, mas um processo de representação dela por intermédio da simbolização e que determina outros elementos culturais . Assim, os insumos dos aspectos semântico-lexicais foram coletados nos atlas linguísticos brasileiros e em artigos científicos que abordam o assunto, demonstrando que o conhecimento das variações (diastrática, diatópica, diafásica, diageracional, diamésica, diacrônica) é importante, tanto para o aprendente de LM (BASSO; ILARI, 2009) quanto para o de LE, ao que se refere ao conhecimento, segundo Antunes (2009), da identidade linguística cultural de um povo.

Palavras-chave: atlas linguísticos brasileiros; aspectos semântico-lexicais; variação linguística; ensino-aprendizagem; língua portuguesa.

 

Minibiografia:

Silvagne Vasconcelos DUARTE é mestrando em Linguística Aplicada pela UnB. Professor Auxiliar de Estudos da Linguagem na Unifap, atuando nas disciplinas: Língua Portuguesa, Introdução aos Estudos Linguísticos, Fonética e Fonologia, Morfologia, Sintaxe, Sociolinguística, Semântica e Pragmática, Psicolinguística. Coordenador do Curso de Licenciatura em Letras Português/Inglês na Unifap.


Comunicação 28

Níveis de proficiência, processamento e consciência entre aprendizes avançados de PLE

 

Autoras:

Cristiane Soares – Tufts University – soares.cristi@gmail.com

Gláucia Silva – University of Massachusetts Dartmouth – mail

 

Resumo:

A hipótese da percepção consciente (Noticing hypothesis; Schmidt, 1990) prevê que a internalização linguística (intake) depende de diferentes níveis de consciência (awareness). No entanto, poucos são os estudos que investigam o papel dos processos cognitivos nos diferentes estágios de proficiência linguística e a correlação entre esses estágios e os níveis de consciência. Dois estudos (Calderón, 2013; Leow, 1995) sugerem que pode haver uma conexão entre altos níveis de proficiência numa língua estrangeira e baixos níveis de processamento e atenção. O presente estudo contribui para esta discussão observando transcrições realizadas por aprendizes de português como língua estrangeira (PLE). As  passagens transcritas haviam sido enunciadas por falantes nativos de português e o objetivo era verificar se os participantes transcreveriam corretamente o gênero gramatical e os pretéritos perfeito e imperfeito do indicativo, estruturas em que ainda apresentavam dificuldades. Duas questões orientaram o estudo: (a) a transcrição do insumo de falantes nativos pode facilitar a percepção do uso apropriado destas estruturas desafiadoras? e (b) as transcrições podem levar a níveis mais profundos de processamento e de consciência linguística? Nove alunos universitários de um curso de PLE  de 4o semestre participaram do estudo. Os resultados sugerem que as estruturas que apresentam desafio para os aprendizes de PLE podem ser transcritas de forma agramatical, mesmo tendo sido produzidas gramaticalmente pelos falantes nativos. Estes resultados sugerem também baixos níveis de processamento e, subsequentemente, ausência de consciência no nível de entendimento. Os resultados condizem com pesquisas anteriores que sugerem que os níveis de consciência e atenção diminuem à medida que a proficiência na língua estrangeira aumenta. Estes dados parecem sustentar a hipótese de que baixos níveis de processamento entre aprendizes mais avançados levem à fossilização de estruturas, embora essa fossilização não cause necessariamente empecilhos à .

Palavras-chave: PLE, percepção consciente, processamento, proficiência.

 

Minibiografias:

Cristiane Soares é professora de Português há mais de 15 anos e coordena o programa de Português na Tufts University. Cristiane é formada em Letras (UFRGS), tem mestrado em Linguística Aplicada (University of Massachusetts Boston) e doutorado em Estudos Luso-Afro-Brasileiros (University of Massachusetts Dartmouth).

Gláucia Silva tem mestrado em Linguística e doutorado em Linguística Hispânica pela University of Iowa (EUA). É professora e atual diretora do Departmento de Português da University of Massachusetts Dartmouth (EUA), onde também coordena os cursos de níveis iniciante e intermediário. A sua pesquisa centra-se no aprendizado e no ensino de português como língua estrangeira e como língua de herança.


Comunicação 29

Ensinar Português para nativos e não nativos em uma das fronteiras Brasil/Bolívia

 

Autoras:

Maria do Socorro Pessoa – Universidade Federal de Rondônia-RO-Brasil /

CIDTFF/LEIP – Laboratório de Investigação em Educação em Português / Departamento de Educação e Psicologia / Universidade de Aveiro – Portugal – sopessoa@gmail.com

Maria Helena Ançã – CIDTFF/LEIP – Laboratório de Investigação em Educação em Português /Departamento de Educação e Psicologia /Universidade de Aveiro – Portugal – mariahelana@ua.pt

 

Resumo:

Este texto trata de investigação sobre diversidade e pluralidade da Língua Portuguesa em uma das fronteiras Brasil/Bolívia, (Guajará-Mirim/Guayaramérin), divididas geograficamente pelo Rio Mamoré. É um estudo na área da Sociolinguística Aplicada ao Ensino de Língua Portuguesa. O objetivo é promover reflexões sobre propostas de ensino dessa disciplina, quando direcionadas à diversidade populacional daquelas escolas, frequentadas por indígenas, bolivianos, ribeirinhos, migrantes, imigrantes e povos da floresta em geral. Moita Lopes (2013, p. 27), confirma que a Língua Portuguesa não é a única do Brasil. Em relação à Guajará-Mirim/Guayaramérin, a investigação justifica-se por pretender alcançar escolas isoladas, de difícil acesso, abandonadas pelas administrações governamentais, às margens dessa fronteira pluvial. Os rios Amazônicos transportam as pessoas e a sobrevivência das populações, bem como lendas, costumes, tradições, religiosidades, falares diversos, tais como o Castelhano da Bolívia, incontáveis línguas indígenas e pormenores sociolinguístico-culturais particularizadores e singulares. Em Guajará-Mirim, como num caldeirão em ebulição, fervilham culturas e linguagens, cuja pluralidade vai às escolas e aí estão todas as razões possíveis para que uma Proposta de Ensino de Língua Portuguesa seja um dos maiores recursos para que a Língua Portuguesa promova a aproximação (Ançã, 2007) daquelas populações. A metodologia de investigação orienta-se nas diretrizes e instrumentos sociolinguísticos que discutem Língua, Cultura e Sociedade, numa abordagem epistemológica no campo qualitativo, com técnicas de coleta de dados e interpretação dos resultados.

Palavras-chave: Língua Portuguesa, Proposta de Ensino, Sociolinguística Aplicada, Fronteiras Brasileiras.

 

Minibiografias:

Maria do Socorro Pessoa é Profª Associada da UNIR/RO, Brasil, especialista em LP pela UNIR/UFMG//Brasil, Mestre em Linguística, (UNICAMP/SP/Brasil) Doutora em Sociolinguística (UNICAMP/SP/Brasil), Pós-Doutora em Educação (UA/PT), Pós-Doutoranda em Pluralidade e Diversidade da Língua Portuguesa nas fronteiras do Brasil: uma perspectiva Didática (UA//Portugal), Líder do GEPS-Grupo de Estudos e Pesquisas Sócio-Etnolinguísticas,Vilhena/RO/Brasil, membro do LEIP,  (UA/PT).

Maria Helena Ançã é Profª. Associada com Agregação do Departamento de Educação e Psicologia (Universidade de Aveiro), Cocoordenadora do LEIP/Laboratório de Investigação em Educação em Português do CIDTF. Areas de investigação e publicação:  PLNM;  Políticas linguísticas para o Português; Consciência Metalinguística ; Migrações.


Comunicação 30

Por uma educação sociolinguística: investigando crenças linguísticas de alunos fluminenses

Autoras:

Edila Vianna da Silva – UFF – edilavianna@gmail.com

Gabriela Barreto de Oliveira – UFF (Doutoranda) – gabrielaboliveira@hotmail.com

 

Resumo:

A relação entre o falante e sua língua nunca é neutra. “Existe todo um conjunto de atitudes, de sentimentos dos falantes para com suas línguas, para com as variedades de línguas e para com aqueles que as utilizam” (Calvet, 2002, p. 65). Em consequência dessas atitudes e sentimentos, formam-se preconceitos e estereótipos que atingem as variedades linguísticas diatópicas, diastráticas e diacrônicas. De acordo com o senso comum, há variedades desagradáveis e outras que são harmoniosas, as que são prestigiadas pela sociedade e as que devem ser evitadas. Essa forma de pensar constitui um entrave ao ensino/aprendizagem de português como língua materna, uma vez que muitos alunos se sentem desmotivados para essa tarefa ao perceberem que as variedades que empregam são consideradas erradas e inadequadas à . Por mais que a sociolinguística procure desmitificar essa posição, mostrando que os grupos situados na base da pirâmide social não adquirem a língua de modo imperfeito e não deturpam a língua ‘comum’ (Alkmim, 2008, p. 42), as conclusões dos estudos sociolinguísticos não parecem chegar às salas de aula.  Partindo desses pressupostos, o presente trabalho objetiva investigar as crenças dos alunos do Ensino Fundamental de Quissamã e Duque de Caxias, municípios localizados no estado do Rio de Janeiro, em relação à língua portuguesa. Pretende-se averiguar as atitudes dos alunos com respeito à variedade que utilizam e como avaliam os diversos modos de falar a língua portuguesa em sua região. Os dados de Macaé foram recolhidos na escola com o maior quantitativo de alunos do município – CIEP Brizolão 465 Dr. Amílcar Pereira, com 1152 alunos e, em relação a Caxias, na Escola Municipal Roberto Weguelin de Abreu, com cerca de 1000 alunos. Os alunos de tais escolas são provenientes de famílias de baixa renda, o que não lhes permite acesso aos bens culturais e, em sua maioria, empregam variedades linguísticas que não gozam de prestígio na sociedade. Para execução da pesquisa, no início do ano letivo, realizou-se, nessas escolas, uma avaliação diagnóstica, por meio da qual os alunos responderam a um questionário com perguntas sobre o português, de modo que se obtivessem subsídios para a investigação de suas crenças sobre a língua materna. A análise das respostas aos questionários não foi ainda concluída, mas até agora os resultados mostram-se similares aos dos trabalhos de Barbosa e Cuba (2015) e Cyranka (2007). Os alunos creem na existência de modos de falar “mais bonitos do que outros”, além de manifestarem preconceito linguístico em relação à sua linguagem e à de seus colegas. Esta pesquisa pretende, então, oferecer contribuições para ações pedagógicas mais eficazes no sentido de anular falsas crenças e extinguir o preconceito que cerca o ensino de português como língua materna.

Palavras-chave: Crenças linguísticas. Variação linguística. Ensino.

 

Minibiografias:

Edila Vianna da Silva é Professora Associada de Língua Portuguesa da UFF. Docente em cursos de pós-graduação, stricto e lato sensu. Coordenadora do projeto  de pesquisa Variação linguística e práticas pedagógicas (Sociolinguística Educacional- UFF- 2015). Membro da Academia Brasileira de Filologia, da Associação Brasileira de Linguística e da ANPOLL- GT de Sociolinguística. É coautora de Dúvidas em português nunca mais (Lexikon, 3. ed., 2011), da Nova Gramática para Concursos (Lexikon, 2016) e possui várias publicações sobre descrição do Português.

Gabriela Barreto de Oliveira é Doutoranda em Linguística (UFF- 2015). Mestra em Linguística (Programa de Pós-Graduação em Estudos de Linguagem. IL-UFF- 2014). Pós-Graduação – MBA Gestão Empreendedora – com ênfase em educação (UFF-2016). Especialista em Língua Portuguesa (UFF-2012). Graduada em Letras (Português-Francês- UERJ -2007). Docente I de Língua Portuguesa (SEEDUC – Secretaria de Estado de Educação – 2007 em diante). Integrante do projeto  de pesquisa Variação linguística e práticas pedagógicas (Sociolinguística Educacional- UFF- 2015).


Comunicação 31

Ensinando os Tempos Verbais da Língua Portuguesa

Autor:

Afrânio da Silva Garcia – Universidade do Estado do Rio de Janeiro – UERJ / Academia Brasileira de Filologia – ABF / SELEPROT – Semiótica, leitura e produção de textos – afraniogarcia@gmail.com

 

Resumo:

Este texto tem por objetivo apresentar uma maneira de ensinar os tempos verbais do português baseada nas noções de tempo, aspecto e fase, permitindo ao estudante de Língua Portuguesa (principalmente como língua estrangeira) aprender com facilidade e rapidez os tempos verbais. Primeiro, distinguiremos a noção de tempo das noções de aspecto e fase, já que o tempo verbal é uma relação entre o tempo da situação descrita pelo verbo com o momento ou período da fala, sendo concomitante, presente; anterior, passado; ou posterior, futuro, consoante Lyons (1979: p. 677-690). Depois, apresentaremos a diferença entre os aspectos Perfectivo e Imperfectivo, conforme descritos por Comrie (1978: p. 16-32), como isso determina o Pretérito Perfeito e o Pretérito Imperfeito do português, e como essa distinção difere da oposição entre o Present Perfect e o Past Simple do inglês, de acordo com Comrie (1978: p. 52-61). Em seguida, ainda sobre aspecto, trataremos do aspecto Progressivo, como descrito por Comrie (1978: p, 32-40) e por Leech (1979: p. 14-29), o qual determina uma série de formas verbais no Português, usando o gerúndio ou a expressão A + Infinitivo, como nos exemplos: Estou comendo (português brasileiro). Estou a comer (português europeu). Finalmente, explicaremos a distinção entre as fases Retrospectiva e Prospectiva, conforme definidas em Palmer (1978: p. 49-55; 77-80), relacionadas ao tempo da situação, sendo a fase Retrospectiva anterior e a fase Prospectiva subsequente a ele,  as quais são responsáveis pelos tempos compostos do Português, pelo Pretérito Mais-que-Perfeito, pelo Futuro do Pretérito e pelas locuções verbais introduzidas pelos verbos auxiliares ter e ir, como nos exemplos: Ela tinha falado antes. Ela ia falar mais tarde.  Consideramos que esta abordagem, baseada nas três noções: tempo, aspecto e fase, pode explicar os tempos do modo Indicativo do verbo em Português, sendo bastante fácil para o estudante entender.

Palavras-chave: Verbo em Português, Sistema Temporal-Aspectual, Tempos Verbais, Aspecto, Fase.

 

Minibiografia:

Afrânio da Silva Garcia é Professor Associado da UERJ/RJ, Brasil, Mestre em Língua Portuguesa (UFRJ/RJ/Brasil), Doutor em Língua Portuguesa (UFRJ/RJ/Brasil), membro da Academia Brasileira de Filologia (ABF/RJ/Brasil) e do grupo de pesquisa SELEPROT. Áreas de Investigação e Publicação: Semântica, Retórica, Redação, Semiótica, Ensino. Participou de oito eventos internacionais e teve quatro trabalhos publicados nos Estados Unidos.


Póster 1

Análise linguística e empoderamento social podem dialogar nas aulas de língua portuguesa?

Autor:

Iran Ferreira de Melo – Universidade Federal Rural de Pernambuco – UFRPE – iranmelo@hotmail.com

 

Resumo:

De acordo com a Análise Crítica do Discurso (ACD), a linguagem se configura como um modo de ação social historicamente situado e as estruturas sociais são organizadoras da produção discursiva nas sociedades, bem como cada texto é responsável por construir uma ação individual sobre tais estruturas, podendo contribuir para a continuidade ou transformação de hegemonias. Em nosso trabalho, abordamos a função do professor de Língua Portuguesa no processo de conscientização dos alunos (FAIRCLOUGH, 1989) em face dessas propriedades do texto/discurso nas práticas que envolvam a aplicabilidade didática de três perguntas (MAURER, 2005): (1) Como os textos/discursos representam, em termos de conhecimentos e crenças, a realidade específica a que estão relacionados? (2) Que tipo de relações sociais determinados textos/discursos refletem ou estabelecem? (3) Quais as identidades ou os papéis sociais envolvidos em algumas práticas textuais/discursivas? A ACD permite aos professores encorajar seus alunos a observar como a linguagem põe em ação formas de ver o mundo, identidades, relações, maneiras de construir e distribuir textos, refletindo ideologias e formas de poder. Nossa abordagem tem cunho teórico-metodológico e apresenta, a partir da esteira teórica de Norman Fairclough (1989, 1999, 2001, 2003) as possíveis interfaces entre a Linguística Aplicada e a Teoria Social do Discurso preconizada por esse linguista.

Palavras-chave: língua portuguesa, Análise Crítica do Discurso, empoderamento.

 

Minibiografia:

Professor de Língua Portuguesa e Linguística, doutor em Letras /Filologia e Língua Portuguesa (Universidade de São Paulo – 2013), mestre em Letras / Linguística (Universidade Federal de Pernambuco – 2007) e licenciado em Letras / Língua Portuguesa (Universidade Federal de Pernambuco – 2004). Desenvolve pesquisas transdisciplinares sob os paradigmas da Análise Crítica do Discurso e da Linguística Aplicada ao ensino de língua portuguesa como idioma materno.