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Simpósio 17

 SIMPÓSIO 17 – PORTUGUÊS PARA ESTRANGEIROS: DA PESQUISA AO ENSINO

Coordenadoras:

Adriana Albuquerque | PUC-Rio | albuquerqueafs@gmail.com

Livia Assunção | Università di Bologna / Johns Hopkins University | livia.assuncao@unibo.it

 

Resumo:

A crescente demanda por profissionais qualificados na área de ensino de Português como língua estrangeira e segunda língua (doravante, PLE e PL2), tanto em cursos de idiomas quanto nos Departamentos de Letras das Universidades, tem sido acompanhada pelo também crescente aumento do número de estudos científicos desenvolvidos em diversas partes do mundo. O olhar estrangeiro do pesquisador sobre a sua própria língua e cultura faz com que cresça, cada vez mais, o interesse pelo universo que envolve todo o trabalho fundamentado no processo de ensino e aprendizagem de PLE/PL2, seja no âmbito da produção de material didático, seja da elaboração de atividades para a sala de aula.

A proposta deste simpósio, portanto, é tecer considerações pertinentes ao ensino de Português direcionado ao público estrangeiro que busca embasamento teórico e prático para questões relativas à aprendizagem de conteúdos gramaticais e interculturais. Ou seja, o fato de ser falante nativo de Português e/ou de ser formado em Letras não são condições suficientes para se estar efetivamente bem preparado para realizar um trabalho competente na área de ensino de PLE/PL2.

Sendo assim, nosso objetivo principal neste VI SIMELP é contar com o maior número possível de trabalhos que apresentem resultados já obtidos em pesquisas acadêmicas em nível de pós-graduação lato ou strictu sensu nos últimos anos. Pretendemos, assim, discutir a importância e a relevância dos estudos teóricos no processo de formação de profissionais que atuam nessa área ainda pouco investigada na Academia, sobretudo, de uma perspectiva funcionalista.

Palavras-chave: Pesquisa, Ensino, Português como segunda língua, Português como língua estrangeira.

 

Minibiografias:

Adriana Ferreira de Sousa de Albuquerque é doutora e mestre em Letras pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (Brasil). Atualmente é co-coordenadora dos cursos de Graduação de Português para Estrangeiros e do curso de Especialização em Formação de Professores Português para Estrangeiros da PUC-Rio.

Livia Assunção Cecilio é doutora em Letras pela Università di Bologna (Itália) e especialista em Português para Estrangeiros pela PUC-Rio (Brasil). Atualmente é professora de Português na Università di Bologna e responsável pelo programa de Língua Portuguesa na Johns Hopkins UniversitySAIS Europe (Itália).

 

 

Resumos dos trabalhos aprovados

Comunicação 1

O ENSINO DE LÍNGUA PORTUGUESA PARA ESTRANGEIROS:UMA PROPOSTA COM BASENA CONCEPÇÃO BAKHTINIANA DE GÊNEROS DO DISCURSO

 

Maristela Juchum– UNIVATES/RS –  maristela-j@hotmail.com

 

A vinda de um número expressivo de haitianos para a cidade de Lajeado/RS/Brasil, originou o Projeto de extensão a aprendizagem da Língua Portuguesa como língua adicional: investigação, formação e ensino, desenvolvido pelo Centro universitário UNIVATES, cuja finalidade é o ensino de língua portuguesa aos imigrantes. Tomando a concepção sociointeracionista de linguagem, que dá ênfase ao uso e não às formas da língua, entende-se que a língua é um meio para a comunicação e para a ação entre os participantes inseridos em determinada esfera de atividade humana. Desde essa perspectiva, acredita-se que a elaboração de tarefas pedagógicas para o ensino de Língua Portuguesa como língua adicional deve considerar a interlocução estabelecida e o propósito da ação em foco.  Bakhtin, ao definir “gêneros do discurso como tipos relativamente estáveis de enunciados elaborados em cada campo de utilização da língua” (BAKHTIN, 2003, p. 262), enfatiza o uso da língua nos diferentes campos da atividade humana, entendendo o uso e seu contexto, como fundamentais para a definição dos gêneros. Este trabalho tem por objetivo analisar algumas tarefas de leitura e escrita desenvolvidas ao longo de aulas de Língua Portuguesa ministradas para um grupo de imigrantes haitianos, a fim de discutir se essas tarefas pedagógicas auxiliam o aluno a mobilizar repertórios linguísticos para a compreensão e a produção de texto, atendendo à visão de uso da linguagem. As tarefas foram elaboradas e aplicadas no primeiro semestre de 2016, por um grupo de professores voluntários que participam do Fórum de formação de professores de Língua Portuguesa como língua adicional,ação que integra o referido projeto de extensão. Os resultados do estudo apontam que as tarefas de leitura e escrita podem ser consideradas como um convite para o aluno usar a linguagem com um propósito social, o que parece apontar para uma aprendizagem mais eficaz da língua.

Palavras-chave: Língua Portuguesa; Língua adicional; Tarefas de leitura e escrita.

 

Minibiografia:

Maristela Juchum: é doutora em Letras, especialidade Linguística Aplicada, pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul/UFRGS. Atualmente é professora de Português da UNIVATES/RS.


Comunicação 2

VOCATIVOS E FORMAS DE TRATAMENTO :  UMA QUESTÃO CULTURAL

 

Rosane Mavignier Guedes, PUC-Rio, rosane.rosane.m.g@gmail.com.br

 

Este trabalho trata do ensino do uso adequado das formas de tratamento e dos vocativos em PLE/PL2 no contexto do português brasileiro. Considerando que esses elementos linguísticos contribuem com a construção, confirmação ou desconstrução da imagem do locutor, e que o sucesso ou fracasso de um ato de comunicação, de um processo argumentativo, é resultado da integração locutor/interlocutor num ambiente intercultural, compreendemos que o ensino de PLE/PL2 deve preocupar-se com esses elementos linguísticos, cuja abordagem impõe dificuldades ante o pluriculturalismo linguístico existente no interior da própria sociedade brasileira. Neste campo, encontramos o reflexo do caráter dinâmico da linguagem, pois a língua é a manifestação maior da cultura de um povo, propagando os valores e a lógica dos grupos sociais. É neste campo minado que se encontra o professor de língua estrangeira (PLE/PL2), tendo o desafio de mediar o interculturalismo que sustenta a relação aluno-língua/cultura estrangeiras. Essa realidade se manifesta no cruzamento do ensino da língua normativa e da língua funcional. Na interseção entre a estrutura e a função da língua inscreve-se a “cultura”. Assim, pretendemos mostrar que o uso da língua como ferramenta de comunicação é traçado pela cultura subjetiva. Para tanto, desenvolvemos nosso estudo pela perspectiva sócio-interacional do interculturalismo em PLE/PL2, tendo como fundamento teórico os conceitos de sociedade de DaMatta e Holanda, de interacionismo de Goffman e de ensino/aprendizagem de Meyer Exemplificaremos nossa análise com o uso das formas de tratamento e dos vocativos empregados com registros diferentes num mesmo contexto situacional, a partir de extratos das falas do personagem Coronel Nascimento no filme Tropa de Elite 2. Objetivamos mostrar que o uso adequado da língua, normativamente correto, se não estiver de acordo com o contexto sociocultural não terá sucesso, pois não produzirá o efeito desejado por seus interlocutores. Isso é determinante na imersão sociolinguística do aluno estrangeiro.

Palavras-chave: Contexto; Língua; Lógica; (Inter)Cultura; PLE/PL2.

 

Minibiografia:

Rosane Mavignier Guedes é mestre em Estudos Linguísticos Neolatinos pela UFRJ (2011), professora de língua estrangeira – PLE/PL2 e FLE. Tem Pós-graduação lato sensu em Formação de Professor de Português para Estrangeiros pela PUC-Rio (2015) e em tradução de francês-português pela UERJ (2007). Atualmente, é professora de Língua Estrangeira – Francês – pelo IPEL, PUC-Rio.


Comunicação 3

PROPOSTAS DIDÁTICAS PARA O ENSINO DO LÉXICO EM PORTUGUÊS LE

 

Rui Abel Pereira; CPCLP – Instituto Politécnico de Macau – ruiabelp@ipm.edu.mo

 

A investigação que tem vindo a ser feita nos últimos anos sobre o conjunto de palavras da língua portuguesa, nomeadamente no domínio da Morfologia, tem revelado que as unidades lexicais não são necessariamente blocos rígidos inscritos e solidificados na memória. A sua atualização pode decorrer de um processo de montagem online que, tomando por base os componentes morfolexicais, os estrutura e organiza de acordo com os padrões do português.

Nesta comunicação, procuraremos mostrar que as regularidades observáveis ao nível da estrutura interna das palavras podem ser operacionalizadas de forma eficaz não apenas no domínio da produção lexical, mas também ao nível da compreensão de palavras já existentes. Paralelamente, propomo-nos apresentar algumas abordagens didáticas direcionadas a aprendentes do Português LE que lhes permitirão ter maior agilidade no processamento lexical, tanto ao nível da interpretação como na produção de novos enunciados.

Palavras-chave: léxico; afixo; morfologia.

 

Minibiografia:

Rui Abel Pereira é doutorado em Línguas e Literaturas Modernas, na especialidade de Linguística. Docente durante vários anos na Faculdade de Letras da U.C.P. e da Universidade de Coimbra, é atualmente professor adjunto do Centro Pedagógico e Científico da Língua Portuguesa, do Instituto Politécnico de Macau.É também membro integrado do CELGA-ILTEC, fazendo investigação nas áreas do Léxico, Formação de Palavras e Ensino do Português como Língua Estrangeira.


Comunicação 4

DO COMUNICATIVISMO AO SOCIOINTERACIONISMO: UM RITUAL DE PASSAGEM NO ENSINO DE PORTUGUÊS COMO LÍNGUAESTRANGEIRA– PLE

 

Cibele Brandão (Universidade de Brasília-UnB) cibelebo@uol.com.br cibelesocio@gmail.com

Ana Adelina Lôpo Ramos (Universidade de Brasília – UnB) anadeli@unb.br ramos.anadeli@gmail.com

 

Embora ainda perdure a ideia de similaridade identitária entre as abordagens comunicativa e sociointeracional em contexto de letramento de PLE, e, algumas vezes, nem se reconheça a existência da segunda, é inconteste a distinção entre ambas, desde os seus fundamentos linguístico-cognitivos às práticas pedagógicas, etapa em que se depreende a concepção de língua que se tem, revelada nas técnicas de ensino e de aprendizagem adotadas. Nesta comunicação, apresentamos estudo teórico sobre diferenças entre a abordagem comunicativa e a abordagem sociointeracional, ilustrado com exemplos extraídos de livros de grande circulação e de outros materiais didáticos de PLE. Partimos da premissa básica de que o ato de interagir vai além do de comunicar, atos esses construídos sob a égide de teorias distintas e que, portanto, acarretam desdobramentos de ordem prática. As ideias aqui defendidas têm como ponto de partida uma revisitação ao conceito de falante competente, de Dell Hymes (1972), que influenciou o surgimento de vários modelos de competência linguística na efervescência do comunicativismo no século passado, como os exponenciais de Canale&Swain (1980) e de Celce-Murcia (1995), referências na crítica à abordagem estruturalista. Cotejaremos esses estudos com os de base sociointeracionais, particularmente o de Young (2008) e os reunidos na coletânea de Hall & Doehler (2011), que ecoam ideias do sociocognitivismo vigotskiano, tanto no campo teórico como no pedagógico. Outros estudos e pesquisa também serão contemplados, como o de Johnson (2003), Brandão & Brandão (2013) e Ramos (2008, 2015). A metodologia adotada consiste de análise documental de materiais didáticos de PLE, observando-se como a língua é tratada nas atividades propostas nesses materiais, como estrutura, como simulacro de situações reais ou como construção social nas instâncias da interação. Os resultados deste estudo levam ao entendimento da configuração da abordagem comunicativa como “um ritual de passagem” entre o estruturalismo e o sociointeracionismo.

Palavras-chave: Português para estrangeiro; Abordagem comunicativa; Abordagem sociointeracional.

 

Minibiografias:

Cibele Brandão é professora na Universidade de Brasília, com atuação no curso de Licenciatura em Português como segunda língua e na Pós-graduação em Linguística. Especialista em Língua Portuguesa e em Língua Inglesa (Universidade Federal do Piauí). Mestrado (1997) e doutorado (2005) em Linguística (Universidade de Brasília). Pós-doutorado (Universidade Estadual de Campinas, 2012). Principais áreas de atuação: sociolinguística, pragmática, estudos interacionais e ensino de português como LA/LE.

Ana Adelina Lôpo Ramos é professora na Universidade de Brasília, com atuação no curso de Licenciatura em Português como segunda língua. É graduada em Licenciatura Plena em Letras e especialista em Linguística, pela Universidade Federal da Paraíba. É mestre e doutora pelo Curso de Pós-Graduação em linguística da Universidade de Brasília, programa em que atua como membro permanente orientando e desenvolvendo pesquisa na área de Português L2 e LE/LA.


Comunicação 5

COMPETÊNCIA INTERCULTURAL: CONHECIMENTO E PRÁTICA

 

Célia Bianconi – Boston University – cbianc@bu.edu

AdelFauzetdinova – Boston University – afaitan@bu.edu

 

Num mundo cada vez mais globalizado e multicultural, a competência intercultural tornou-se uma habilidade essencial não só para decifrar outras culturas de forma significativa, justa dos estereótipos, mas também para navegar a própria cultura e participar com sucesso nas interações diárias. A abordagem intercultural no ensino de língua estrangeira através do conhecimento verbal e não-verbal é essencial para o aprendiz compreender outras culturas e refletir sobre sua própria. De acordo com Byram (1997) a maneira de abordar competência intercultural pode variar desde uma simples consciência cultural, conhecimento, e motivação, assim como competência comunicativa e comportamento. Sabendo da importância de promover competência cultural no ensino de Português como língua estrangeira (PLE) vamos destacar critérios úteis que permitem ao aprendiz compreender e comunicar-se com pessoas de diferentes culturas e ajudá-los a desenvolver uma visão crítica da sua própria cultura. Apresentaremos uma variedade de atividades para trabalhar com materiais autênticos e demonstrar como usá-los em vários níveis de proficiência. O objetivo das atividades é facilitar os alunos a se tornarem aprendizes independentes conectando as suas experiências anteriores com o conhecimento linguístico e intercultural recém-adquirido ou expandido, através de um engajamento pessoal linguístico e cultural.

Palavras chave: Intercultural Competência; cultura; multiculturalismo; Português língua estrangeira.

 

Minibiografias:

Célia Bianconi é professora e coordenadora do programa de Português como Língua Estrangeira (PLE) na Universidade de Boston (MA). Ph.D. em Estudos Educacionais, Lesley University (Cambridge,MA). Dr. Bianconi tem publicado na área de ensino de PLE nos Estados Unidos. Experiente em treinamento de Professores de PLE financiado pelo Startalk, desenvolvimento profissional para professores de línguas críticas. Coautora de Crônicas Brasileiras: a reader, 3a. Edição.

Adel Fauzetdinova é doutoranda em Língua e Literatura Hispânicas na Universidade de Boston nas áreas de Tradução e Literatura Comparada, com o foco adicional na Literatura e Cultura Brasileiras. Adel ensina Espanhol, Português e Russo como língua estrangeira. É assistente do Programa da Universidade de Boston de Estudos Culturais na Argentina e foi assistente do programa de STARTALK — treinamento de Professores de Português. Adel também pratica tradução literária de Inglês, Espanhol e Português para Russo.


Comunicação 6

MÍDIAS DIGITAIS NO ENSINO DE PORTUGUÊS COMO LÍNGUA ESTRANGEIRA

 

Tuany Lima de Holanda – Universidade de Brasília – tuany61@gmail.com

João Paulo Peregrino Pereira – Universidade de Brasília – peregrino.joaopaulo@gmail.com

 

A presente pesquisa “Mídias Digitais no Ensino de Português Como Língua Estrangeira” teve como objetivo investigar a inserção das novas mídias (análogicas e digitais) nas salas de aula no ensino de Português do Brasil como Segunda Língua (PBSL). O português está entre as línguas mais faladas no mundo e há grande demanda de público que não têm o português como primeira língua (L1), daí a importância de pesquisa que investigue o uso de mídias, no intuito de analisar sob à luz da Teoria da Multimolidade o processo ensino-aprendizagem de PBSL. Desta forma, a pesquisa está guiada por estudos pertecentes a Análise de Discurso Crítica (FAIRCLOUGH, 2001). Este estudo nos permitiu elaborar análise com base qualitativa conforme (Neves,1996). Atualmente, as mídias estão presentes na vida de muitas pessoas em diversos contextos, principalmente dos aprendizes de PBSL em contexto formal, o que nos possibilita ambiente controlado para observação. O foco de análise é fazer um levantamento sobre o uso de mídias digitais e análogicas no contexto formal de ensino de PBSL, no intuito de compreender como os sujeitos envolvidos no processo percebem a necessidade ou não deste suporte em sala de aula. O uso de mídias requer dos alunos letramento multimodal. Segundo (Ferraz, 2011), ter o enfoque multimodal em sala de aula pode ser guia para uso e elaboração de mídias favorecendo multiletramentos em segunda língua. Os resultados apontam para grandes dificuldades na implementação de mídias em sala de aula de PBSL que englobam desde infraestrutura precária até falta de familiaridade com o gama diversa de recursos existentes. Torna-se assim preemente o conhecimento multimodal, para alinhar os conteúdos à logica da língua em uso na chamada era do argumento visual.

Palavras-chave: Mídias; Multimodalidade; Segunda língua.

 

Minibiografias:

Tuany Lima De Holanda tem graduação em andamento no curso Letras Português do Brasil como Segunda Língua pela Universidade de Brasília, voluntária em AFS Intercultural Programs, organização não governamental internacional, sem fins lucrativos, atuando no suporte para estrangeiro. Ministra aulas particulares de português para estrangeiros.

João Paulo Peregrino Pereira possui ensino-médio pelo Centro de Ensino Médio 01 (Sobradinho – DF) (2014). Tem experiência na área de Letras, com ênfase em Língua Portuguesa e graduação em andamento no curso Letras Português do Brasil como Segunda Língua pela Universidade de Brasília.


Comunicação 7

ESTUDO DAS IMAGENS ASSOCIADAS À LÍNGUA PORTUGUESA EM AULAS MULTILINGUES EM BARCELONA

Sandra Moura da Cruz – Escola Oficial d’IdiomesDrassanes -smmoura@eoibd.cat

Danielli Neves – Universidad de Barcelona- dani.neves78@gmail.com

 

Adotando uma perspectiva sociolinguística, o objetivo geral do nosso trabalho é apresentar os primeiros resultados de uma pesquisa doutoral. A pesquisade doutorado estuda as imagens associadas com o idioma Português por estudantes adultos multilingues, na cidade de Barcelona, a partir de uma abordagem etnográfica. A proposta está dividida em três fases – a primeira com utilização de várias ferramentas metodológicas para analisar como, durante todo o processo de aprendizagem, são geradas e recolhidas as referidas imagens; a segunda trata da análise das amostras identificadas na fase anterior, indicando o que determina as características das imagens observadas; a terceira e última é a comparação do impacto dessas imagens nas diferentes fases da aprendizagem de línguas. A proposta da pesquisa doutoral visa não só identificar o que os alunos pensam sobre a língua que estão aprendendo, mas, principalmente, entender como essas imagens podem interferir com o processo de aprendizagem do Português, a fim de proporcionar reflexão e adaptação metodológica na prática de ensino.

Palavras-chave: imagens; cultura; ensino e aprendizagem de PLE.

 

Minibiografias:

Sandra Moura Da Cruz é  licenciada em Língua e Cultura Portuguesas, LE (Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, 2000). Foileitora do Instituto Camões no Instituto Superior de Educação da Cidade da Praia, Cabo Verde (2000-2001) e na Faculdade de Filologia da Universidade de Barcelona (2001-2003). Entre 2003 e 2011 foi professora associada de português na mesmaFaculdade. Exerceufunções de professora associada no Departamento de Românicas da Faculdade de Letras da Universidade de Girona (2006-2011). Coordenou e ministrou os cursos de língua portuguesa do Instituto Camões de Barcelona (2003-2013). Desde 2011 é professora do departamento de português da EOI Drassanes ondedesempenha o cargo de chefe de departamento.

Danielli Neves é licenciada em Letras Português Espanhol pela Universidade Federal fluminense do Rio de Janeiro em 1998, é professora de Português em Barcelona em LSB Portuguese, trabalhou como professora em Barcelona Escuela de EstudiosInternacionales de 2003 a 2011. Atualmente, desenvolve odoutorado na Universidad de Barcelona no Programa em Didactica de lesCiencies, lesLlengües, lesArts i lesHumanitats, na linha de pesquisa em Didáctica da Língua e Literatura.Emcolaboraçao com a professora Sandra Cruz trabalha na observaçao e recolhidas das imagens dos estudantes na EOID.


Comunicação 8

DESAFIOS E CONSIDERAÇÕES PARA APRENDER PORTUGUÊS EM HISPANOFALANTES

 

Arturo Ramírez Hernández – Centro de Enseñanza de Lenguas Extranjeras – Universidad Nacional Autónoma de México – cuarejhy@hotmail.com

 

Este trabalho tem como objectivo reflectir sobre aqueles itens que maior desafio podem ter os aprendentes de portugués língua estrangeira quando existe o componente da proxémica linguística, levando em conta que os participantes da pesquisa são candidatos à Certificação CAPLE em uma universidade do México. O propósito desta reflexão está enquadrado dentro dos trabalhos desenvolvidos durante quatro anos no Centro de Enseñanza de Lenguas Extranjeras da UNAM com tais candidatos, os quais inicialmente tencionavam certificar-se na língua portuguesa, tendo aparentemente níveis B1 e B2. O propósito da pesquisa era establecer um diagnóstico sobre as fraquezas que os alunos apresentavam para incorporar a língua portuguesa como língua de comunicação; e, com base a estas fraquezas, desenvolver abordagens pertinentes, pilotando um total de 5 unidades didáticas e apresentando uma proposta de gramática pedagógica, que permitam incorporação de quatro competências comunicativas que são pertinentes quando se comunica em português: a Competência Linguística, a Competência Sociolinguística, a Competência Discursiva e a Competência Sociopragmática. Como base teórica desta análise incorporamos ao desenvolvimento da pesquisa  como eixo os autores Ferreira (2000), Moriondo &Maia (1996) e Herrera et.al. (2015), os quais trabalham como problemática a aquisição de português/español com o componente da proximidade linguística. A apresentação de resultados corresponderá a três momentos chave, onde o primeiro será reconhecer o desafio que tivemos com os alunos quando emprendemos o curso preparatório para apresentar a certificação; posteriormente como segundo momento as estratégias que se analisaram para poder desenvolver e capitalizar as fraquezas; e, finalmente, o terceiro momento que corresponde às lições aprendidas derivadas da implementação do projecto, esta reflexão servirá como elemento de conclusão e discussão para o desenvolvimento de novos materiais e novas abordagens que serão testadas no futuro, levando em conta que o projecto continua ainda operando.

Palavras-chave: Português; Ensino; Aquisição; Certificação; Materiais.

 

Minibiografia:

Arturo Ramírez Hernández é  professor de português no Centro de Enseñanza de Lenguas Extranjeras da UNAM e professor de Semântica e Pragmática no curso de Formação de Professores Línguas- Cultura no mesmo centro. É um dos autores do programa de estudos de português do CELE e autor dos exames de nivelamento que serão implementados en tal centro a partir de 2016. Também é participante do projecto de Gramática Pedagógica em Português.


Comunicação 9

QUESTÕES INTERACIONAIS E CULTURAIS DE MARCADORES CONVERSACIONAIS EM FALANTES DO PORTUGUÊS DO BRASIL E EM FALANTES DE ESPANHOL APRENDIZES DE PORTUGUÊS L2

 

Viviane Bousada Caetano da Silva – PUC-Rio – vivianebcs@hotmail.com

 

Este trabalho tem como principal objetivo descrever marcadores conversacionais verbais em língua portuguesa utilizados por falantes de português do Brasil em contraposição aos utilizados por falantes de espanhol aprendizes de português como segunda língua em situações de interação dialogada com seus aspectos interacionais e culturais subjacentes. Para tal, a fundamentação teórica deste trabalho se concentra em conceitos da Análise da Conversação de Marcuschi (2003), em interface com Sociolinguística Interacional de Goffman (1971) e Brown e Levinson (1987), além do Funcionalismo de base Pragmática de Halliday (1973) e do Interculturalismo de Bennett (1998). A análise de dados incide sobre um corpus de gravações em áudio de três situações dialogadas em dois grupos de informantes: brasileiros e falantes de espanhol aprendizes de português L2. Por meio dessa análise, procura-se confrontar nesses dois grupos tanto os elementos estruturais e linguísticos usados pelo falante para orientar o ouvinte como os elementos usados pelo ouvinte para orientar o falante na organização da conversação. Os resultados apontam para um reduzido emprego dessas expressões no discurso dos aprendizes de português em comparação ao uso exacerbado dos brasileiros. Portanto, este trabalho propõe subsídios para que o professor de português para estrangeiros leve ao conhecimento de seus alunos essas fórmulas de sinais conversacionais, pois ao usarem estes marcadores naturalmente, os alunos estrangeiros correspondem às expectativas conversacionais da sociedade brasileira, além de passarem a entender seu significado linguístico, interacional e cultural.

Palavras-chave: Ensino de Português L2; Marcadores conversacionais; Falantes de espanhol.

 

Minibiografia:

Viviane Bousada Caetano da Silva possui mestrado e doutorado em Estudos da Linguagem pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro – PUC-Rio e curso especialização Lato Sensu em Formação de Professores de Português para Estrangeiros também pela PUC-Rio. É graduada em Letras Português – Espanhol pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro – UERJ. Atualmente é professora de espanhol do Exército Brasileiro; professora de português L2 e do curso de especialização Lato Sensu em Formação de professores de português para estrangeiros da PUC-Rio.


Comunicação 10

ORGANIZAR UMA CAMPANHA, UMA TAREFA PARA ALÉM DO CONHECIMENTO LINGUÍSTICO DE PLE

Leonardo Herrera González – Centro de Enseñanza de Lenguas Extranjeras Da Universidad Nacional Autónoma de México, leoher7_mx@yahoo.com.mx

 

O desenho de atividades comunicativas para a sala de aula de PLE constitui também uma oportunidade para a recaracterização do trabalho dos sujeitos que interagem nesse âmbito social. Esta comunicação visa apresentar as pautas seguidas na organização, elaboração, apresentação e avaliação do trabalho de um grupo de estudantes de PLE a partir das propostas teóricas e metodológicas da abordagem por tarefas numa universidade pública no México. Esta abordagem didática é orientada para a construção da competência comunicativa (Canale e Swain, 1980) em todas as suas dimensões: linguística, sociolinguística, discursiva e estratégica; centra-se na ação e na capacidade dos alunos para fazerem ações concretas pelo uso da língua. O modelo organiza o processo de ensino-aprendizagem de tal maneira que permite acompanhar o ensino com os processos psicolinguísticos de aprendizagem dos alunos; recorre a tarefas de comunicação como unidades de organização da aprendizagem. Por outra parte, no desenho e posta em prática das atividades comunicativas assumimos um posicionamento interativista (Long, 1983b; Pica, 1987) na maneira de entender a comunicação na sala de aula, o qual pondera o caráter social do discurso aí gerado, bem como o grande valor das oportunidades que o aluno deve ter para participar em interações significativas, nas quais ele tenha possibilidade de agir de maneira estratégica na construção do seu conhecimento (formal e funcional) sobre o uso da língua-avo: negociação de sentido, modificação de insumos (input) solicitações de esclarecimento, domínio do tópico, entre outros. Apresentamos, como exemplo, uma tarefa desenvolvida, como parte do curso, tanto na sala de aula quanto em outros espaços nos que se procura fazer com que a língua estrangeira responda favoravelmente às necessidades do aluno.   

Palavras-chave: abordagem por tarefas; trabalho colaborativo .

 

Minibiografia:

Leonardo Herrera González é formado em literatura dramática e teatro e Mestre em Linguística Aplicada pela Universidad Nacional Autónoma de México, onde trabalha como professor de tempo integral. Egresso do Curso de Formação de Professores de Línguas-Culturas (Português) e do Curso Anual de Língua e Cultura Portuguesa da Universidade de Lisboa (1980-1990). É professor no Programa de Mestrado em Linguística Aplicada da UNAM e autor de diversos artigos sobre Pesquisa-ação e o estudo da interação em sala de aula de língua estrangeira.


Comunicação 11

A ABORDAGEM CENTRADA NA TAREFA: UMA EXPERIÊNCIA DE PORTUGUÊS COMO LÍNGUA ESTRANGEIRA (PLE)

María Noemí Alfaro Mejía – Centro de Enseñanza de Lenguas Extranjeras, Universidad Nacional Autónoma de México – nalfaroactopan@gmail.com

 

Esta comunicação visa mostrar uma experiência desenvolvida com alunos de PLE do Centro de Enseñanza de Lenguas Extranjeras da Universidad Nacional Autónoma de México sob os preceitos da abordagem por tarefas.

No ensino de línguas, a tarefa aparece como parte central da aprendizagem ao final dos anos 80. Atualmente observamos que a mesma se difunde tanto no âmbito teórico como no prático.

Em 2015, o Departamento de Português do CELE publicou os novos programas de PLE, baseados na abordagem por tarefas e em fundamentos de linguistas aplicados tais como Brown (1994:77-82), quem assinala o fato de que a profissão do educador em língua estrangeira finalmente alcançou o ponto de maturidade onde reconhecemos que a complexidade dos aprendentes de língua em numerosos contextos mundiais requer uma mistura eclética de tarefas, especialmente elaboradas para um grupo de aprendentes, um lugar, um propósito e um tempo; e Nunan (1989: 133-138) que define a tarefa como “(…) uma parte do trabalho de aula que faz com que os alunos compreendam, manipulem, produzam e se comuniquem com a língua alvo centrando sua atenção mais no significado do que na forma”.

O objetivo central da experiência desenvolvida foi aproximar os alunos à língua alvo através de uma abordagem de aprendizagem que lhes permitisse desenvolver as competências inerentes à competência comunicativa (linguística, sociolinguística, discursiva, estratégica, metacognitiva e metalinguística).

Os programas do curso geral de PLE do CELE incluem47 macro-tarefas; no caso do primeiro nível, trabalham-se oito delas.

Nesta comunicação apresentaremos as etapas de desenvolvimento da macro-tarefa “Expor sobre uma personagem do mundo lusófono”, desenvolvida em duas turmas de primeiro nível; alguns fragmentos dos alunos e as nossas conclusões.

Palavras-chave: tarefa; macro-tarefa; competência; voz do aluno.

 

Minibiografia:

María Noemí Alfaro Mejía formou-se no Curso de Formação de Professores de Línguas, CELE-UNAM.  Estudou no Curso de Língua e Cultura da Universidade Clássica de Lisboa; professora de português como língua estrangeira (PLE) e de espanhol na Universidade de Brasília (Brasil); participou no Diplomado de Atualização em Linguística Aplicada e nos cursos do mestrado em linguística aplicada. É professora de PLE, formadora de professores de português e de nahuatl; é responsável pela Área de Náhuatl do CELE-UNAM.  


Comunicação 12

AVALIAÇÃO DO LIVRO TERRA BRASIL – CURSO DE LÍNGUA E CULTURA / ENSINO DE PORTUGUÊS COMO LINGUA ESTRANGEIRA

Irith F. Levy – Universidade de Tel Aviv/ Faculdade de Educação – Programa Multilingue – levy4@mail.tau.ac.il

 

A monografia de conclusão da disciplina “Avaliação de Programas” no âmbito do curso de mestrado do Programa de Educação multilingue, foca a avaliação do livro didático Terra Brasil (TB) utilizado como instrumento de transmissão da lingua e cultura brasileira inserido no curso e estratégia metodológica do Centro de Cultura Brasileiro em Telavive (CCB). O objetivo deste estudo foi analisar o curso do CCB e o papel do TB enquanto veículo de formação de um imaginário coletivo condutor à realidade brasileira em termos culturais e linguísticos, relevante no contexto sociolinguistico particularmente heterogéneo de Israel. Considerando alunos de faixas etárias díspares e provenientes culturas distintas, procedi a uma análise pormenorizada da experiencia intercultural oferecida pelo espaço comum e a prática do ensino do português como lingua de herança,L2, L3 ou L4. A metodologia incluiu entrevistas e discussões com a equipa pedagógica, feedback dos utilizadores referente ao material didático, avaliações de diretora/coordenadora /alunos, observação da dinâmica das aulas e a utilização do TB. Referente à parte teórica, este estudo é baseado, dentre outros, nos autores R.Wilson 2013, R. Krause 2014, C. Kramsch 1995., J.T. Roberts 1996, que conduziram a uma análise abrangente focando prática de ensino, abordagem multifacetada de culturas, incluindo o aspeto humor relevante no livro. Foi possível verificar que o programa ministrado pelo CCB proporciona um espaço fisico, cultural e linguístico propicio a uma experiência intercultural e que o TB estimula a prática pro ativa de ensino. O livro TB convida a um desafio e singulariza-se por oferecer, para além do ensino da lingua portuguesa variante brasileira e cultura, um fio condutor a um processo de reflexão e autoquestionamento referente a questões de identidade e sentimento de pertença conjugados ao desenvolvimento de uma visão crítica da cultura brasileira.

Palavras-chave: Livro Terra Brasil; Centro cultural brasileiro; diversidade sociolinguistica; Israel-Brasil .

 

Minibiografia:

Irith F. Levy é bacharel e Licenciada em Antropologia e Sociologia pela Universidade de Campinas, Unicamp, SP-Brasil, atualmente cursa Mestrado – Programa de educação multilingue na Faculdade de Educação da Universidade de Telavive; profissionalmente ativa como Adida Económica da Embaixada de Portugal em Telavive.


Comunicação 13

DO LEXEMA AO TEXTO: O ENSINO DO VOCABULÁRIO PARA APRENDIZES DE PORTUGUÊS LÍNGUA ESTRANGEIRA

Lêda Pires Corrêa – Universidade Federal de Sergipe-UFS/Brasil – ledapc36@gmail.com

 

A correspondência entre propriedades semânticas de um lexema, entidade nitidamente semiótica, e as propriedades não semânticas do referente, de modo a que este último assuma o aspecto de uma entidade semioticamente apreensível, não é tarefa fácil no ensino-aprendizagem de Português Língua Estrangeira (PLE).O processo semântico de designação das coisas do mundo pode denotar ou conotar vários sememas que se perfilam como percursos de sentido distintos e mutuamente exclusivos que, não raro,geram incompatibilidades semânticas. A designação de um lexema e a seletividade lexical, em situações de uso pelo aprendiz de PLE, implicam não só o conhecimento definicional do lexema, como também o conhecimento enciclopédico ou cultural e seu funcionamento no universo textual-discursivo. Para tanto, este estudo fundamenta-se no Modelo Semântico Reformulado, proposto por Eco (1976), que possibilita compreender os sememas de um dado lexema como enciclopédias ou percursos de leitura, pelo encaixe de cada representação semântica em seleções contextuais mais ocorrentes na enciclopédia. Nesse modelo teórico, as seleções contextuais registram os casos gerais em que um determinado lexema pode aparecer em concomitância com outros lexemas. Em situações de uso comunicativo, o aprendiz de PLE, com auxílio das seleções contextuais dos principais lexemas ocorrentes em um texto específico, pode construir percursos de leitura e expandir seu repertório vocabular pela análise dos semas que compõem o semema e interpretar o lexema como uma rede complexa de unidades culturais e de cadeias intertextuais, num processo de semiose ilimitada. Nessa perspectiva, objetiva-se propor estratégias teórico-metodológicas para o estudo do vocabulário da língua portuguesa em processos comunicativos e interculturais no contexto de ensino-aprendizagem de PLE, de modo a que o aprendiz de outra língua desenvolva competências léxicas e enciclopédicas, que maximizem sua performance como leitor em língua portuguesa.

Palavras-chave: Ensino-aprendizagem de PLE; Vocabulário; Semântica; Texto.

 

Minibiografia:

Lêda Pires Corrêa é Doutora em Língua Portuguesa pela PUC-SP, onde atuou como professora por dez anos. Atualmente, é professora associada do Departamento de Letras Vernáculas e do Programa de Pós-Graduação em Letras da Universidade Federal de Sergipe (UFS). É líder do Grupo Interinstitucional de Pesquisa em Lexicologia (GIPLEX/CNPq).


Comunicação 14

EXPRESSÕES DE ORIGEM CATÓLICA NA FALA DOS BRASILEIROS: UM ESTUDO COM APLICABILIDADE EM PL2E

Cíntia Azevedo – PUC-Rio – cintiac2@gmail.com

 

O Brasil é um estado laico em que o cristianismo ainda exerce grande influência cultural. Isto se reflete no discurso oral de brasileiros de crenças variadas ou sem religião, em que se encontram termos de estruturas diversas originados na Igreja Católica, embora muitos deles não apresentem mais ligação semântica com a religião. Contudo, se um estudante de PL2E acatólico desconhece ou não compreende este fenômeno, pode se sentir constrangido ou provocado ao ouvir um destes termos. Considerando-se que as locuções de origem religiosa são parte da língua enquanto ferramenta de comunicação, em que há um constante encontro de culturas, a compreensão plena destas locuções é uma preocupação presente em diversas áreas.

Esta comunicação foi desenvolvida a fim de se comprovar o uso de expressões de origem católica dissociadas da religião por parte dos brasileiros para tornar seu ensino mais eficaz entre alunos de PL2E. Extraído de monografia de curso de pós-graduação lato sensu, o trabalho baseou-se no Interculturalismo, na Antropologia Cultural e nos conceitos de língua, linguagem, cultura e identidade. Foram pesquisadas declarações de brasileiros ateus, agnósticos e acatólicos em que figurassem locuções de origem católica. Suas declarações são o corpus da pesquisa, de onde se pretendia confirmar os significados das expressões conforme o contexto além de encontrar outras. A avaliação seguiu a metodologia qualitativa, que diz respeito a uma análise descritiva de seus dados.

Constatou-se que os professores precisam conhecer a identidade do brasileiro enquanto detentor de uma herança de prática social católica transmitida entre gerações desde o descobrimento do Brasil, que determina o uso destas locuções entre falantes de maneira geral, as quais muito raramente causam algum ruído nas diversas esferas de comunicação do país. Desta forma, estarão contribuindo para a construção da identidade dos alunos como falantes da língua e para o desenvolvimento da sua inteligência intercultural.

Palavras-chave: Interculturalismo; Antropologia Cultural; identidade; pesquisa; ensino.

 

Minibiografia:

Cíntia Azevedo é graduada em Letras (Português-Inglês) pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e pós-graduada (lato sensu) em Formação de Professores de Português para Estrangeiros pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. Participou do programa Foreign Language Teaching Assistant nos Estados Unidos pela Fulbright Commission (2015-2016).


Comunicação 15

PORTUGUÊS PARA FINS ESPECÍFICOS: UM INVESTIMENTONO DESENVOLVIMENTO DE COMPETÊNCIAS PLURILINGUES NO MUNDO GLOBALIZADO

Susana Duarte Martins – Centro de Linguística da Universidade Nova de Lisboa (CLUNL) – FCSH-NOVA, susanaduartemartins@gmail.com

 

O interesse pelas questões do multilinguismo e da educação plurilingue tem impulsionado novas abordagens e métodos de ensino-aprendizagem veiculados por documentos orientadores e projetos no contexto das mais recentes Políticas Linguísticas.

A diversidade linguística e cultural é um dos maiores obstáculos à integração dos indivíduos na sociedade e no seu ambiente de estudo e de trabalho. Os constrangimentos em termos comunicativos e de entendimento da legislação podem ter um impacto negativo sobre o investimento económico num país estrangeiro, comprovando-se a importância da contemplação das questões culturais nas práticas empresariais como motor para o sucesso das relações entre países. Por conseguinte, a inclusão do Português para Fins Específicos no ensino de língua vem responder às necessidades concretas de estudantes e profissionais estrangeiros.

Relativamente à representatividade da língua para fins específicos e académicos nas publicações especializadas, o português encontra-se pouco presente nas publicações destinadas ao ensino superior, sobretudo, nas obras dirigidas ao público estrangeiro, aspeto já visível nos documentos orientadores para o ensino de línguas estrangeiras, cujas abordagens se direcionam para a língua corrente. Os documentos de referência em português seguem semelhante tendência. Também as publicações resultantes dos trabalhos de investigação em linguísticase orientam, essencialmente, para questões do ensino-aprendizagem da língua corrente, dos desvios linguísticos e da produção de materiais didáticos.

Neste sentido, os documentos orientadores para o ensino de línguas deverão dar maior relevância à língua para fins específicos, valorizando o desenvolvimento de competências plurilingues entre aprendentes estrangeiros, sendo necessário investir na criação de materiais neste domínio.

Esta investigação insere-se no projeto «Terminologia e Ensino de Língua para Fins Específicos», passando pela análise dos documentos de referência para o ensino-aprendizagem de línguas estrangeiras e, especificamente, do Português Língua Não Materna, a fim de identificar as necessidades a suprirfaceaos desafios enfrentados por estudantes e profissionais estrangeiros residentes em Portugal.

Palavras-chave: competências multilingues e plurilingues; diversidade linguística e cultural; políticas linguísticas; Português para Fins Específicos.

 

Minibiografia:

Susana Duarte Martins é doutorada em Linguística, com especialização em Lexicologia, Lexicografia, Terminologia, e investigadora integrada do Centro de Linguística da Universidade Nova de Lisboa (CLUNL). É docente de Língua e Cultura Portuguesas para Estrangeiros na NOVA, com pós-graduação em Português Língua Materna e não Materna, incluindo componente formativa em Estudos Portugueses. Além da revisão linguística, possui experiência e formação em escrita criativa, guionismo e jornalismo. Foi docente de Português Língua Materna e não Materna nos ensinos básico e secundáriono Ministério da Educação.


Comunicação 16

ASPECTOS INTERCULTURAIS EM CELEBRAÇÕES DE RITUAL DE PASSAGEM MORTE, ENVOLVENDO BRASIL, CANADÁ E NORUEGA

Fátima Marinho Fabrício Monteiro – Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) – fatimafabricio2007@gmail.com

 

Nesta análise comparativa, revelam-se comportamentos, sentimentos, celebrações e o como se expressam os falantes nativos no que se refere ao ritual de passagem morte, no Brasil, Canadá e Noruega, considerando-se o uso da linguagem humana, verbal e não verbal, como veículo de expressão de valores culturais e hábitos comportamentais, e de exteriorização de sentimentos pessoais. O corpus foi coletado de duas séries de entrevista online realizadas com informantes nascidos nesses países, testemunhas desses ritos. A fundamentação teórica básica deste trabalho concentra-se na área do Interculturalismo, aliada à área da Linguística. Os principais autores que nortearam a investigação foram Lewis (2006), DaMatta (2004; 1997; 1993; 1987; 1984), Tagnin (2013; 1989) e Perini (2010; 2003; 1999). Nossos resultados revelam, entre outros achados, que os rituais observados corroboram a classificação de Lewis (2006) quanto aos países multiculturais, enquanto aqueles classificados como de cultura ativo-linear sofrem algumas variações regionais, aproximando-se por vezes da categoria de cultura multiativa.

Palavras-chave: Português para estrangeiros; interculturalismo; ritual de passagem funeral; espaço ambíguo; linguagens verbal e não verbal específicas.

 

Minibiografia:

Fátima Marinho Fabrício Monteiro é Mestre em Estudos da Linguagem pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), especializada em Português para Estrangeiros e em Linguística Aplicada ao Ensino de Línguas pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e licenciada em Letras (Português/Grego) pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Tem experiência na área de Letras, em especial, em Linguística Aplicada, Língua Portuguesa e Produção Textual. Atuou como professora de Português como Segunda Língua para Estrangeiros na UFRJ e em cursos de atualização em empresas no Rio e em São Paulo. Recentemente, desenvolveu e concluiu pesquisa na área de Português como Segunda Língua para Estrangeiros (PL2E), com ênfase em Interculturalismo. Leciona Língua Portuguesa e atua em bancas de correção de concursos.


Comunicação 17

OS SENTIDOS DA LÍNGUA PORTUGUESA PARA OS IMIGRANTES HAITIANOS: CONTEXTO NORTE MATO-GROSSENSE – BRASIL

Kelly Pellizari – UFMT/Puc-Minas – kypl_pl@hotmail.com

Henrique Roriz Aarestrup Alves – UNEMAT- hralvess@hotmail.com

 

O presente trabalho propõe uma reflexão sobre os sentidos da aprendizagem da língua portuguesa para falantes de outras línguas, a partir das relações e trabalho que se estabelecem entre empregadores e imigrantes haitianos no contexto do norte do Mato Grosso – Brasil. Compreende-se que a interação entre os atores evidenciam os modos e as condições de produção, quais sejam, sociais, econômicas visualizadas nas relações de poder (Foucault, 1979), e que interferem significativamente na questão de língua e na construção da identidade dos imigrantes. Desta forma, a proposta justifica-se devido ao fluxo migratório de haitianos para várias regiões do Brasil a partir de 2011, intensificada para a região pesquisada e, pela busca da inserção social desses imigrantes, que muitas vezes se veem pressionados a apreender/adquirir o português como língua adicional (Amado, 2016), para conseguirem se inserir no mercado de trabalho. Neste sentido, questiona-se: a) Qual(is) sentido(s) emergem na relação empregador e empregado? b) como se dá a interação linguística entre os autores sociais pesquisados? Se se considera que há implicações sociais, históricas e linguísticas que merecem atenção não apenas do governo brasileiro, mas da sociedade de maneira geral, e que a presença e busca pela inserção social desses imigrantes acaba impactando a vida de muitos conforme Moraes, Andrade, Mattos (2013); Pimentel, Cotinguiba, (2014); Zeni, Filippim (2014), Sá (2016), para constar alguns, espera-se que tal empreendimento visualize os efeitos de sentido do processo migratório. Optamos pelos caminhos metodológicos de perspectiva qualitativa interpretativista pautados em Bauer e Gaskell (2002) e como instrumento, entrevistas semiestruturadas com 02 empregadores e 10 imigrantes haitianos que residem e trabalham no locus de pesquisa. Espera-se contribuir para os estudos linguísticos e revozear os atores sociais envolvidos neste processo.

Palavras-chave: Língua portuguesa; Línguaadicional; Processo migratório; Relação de trabalho.

 

Minibiografia:

Henrique Roriz Aarestrup Alves possui graduação em Letras pela Universidade Federal de Minas Gerais (1995) e Doutorado e Mestrado pelo Programa de Pós Graduação em Letras da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (2008). Atualmente está realizando o Pós- doutorado no POSLIT, na Universidade Federal de Minas Gerais. Atua também como professor adjunto da Universidade do Estado de Mato Grosso. Tem experiência na área de Letras, com ênfase em Literaturas de Língua Portuguesa, atuando principalmente nos seguintes temas: nação e identidade, intelectuais e minorias; corpo, cidade, sexualidade e erotismo, literatura produzida em Mato Grosso e suas relações com a Amazônia.

Kelly Pellizari é doutoranda em Administração pela Puc- Minas. Possui Mestrado acadêmico em Administração, pelo Programa de Pós-graduação em Administração da PUC-Minas (Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais). Graduação em administração (2009) e Letras (2012), especialização em Língua Portuguesa e Literaturas, ambos pela Universidade do Estado de Mato Grosso (2011). Atualmente é professora no curso de Administração da Universidade Federal de Mato Grosso e atua nos seguintes temas: relação de trabalho e imigração, linguagem e sua relação com o trabalho e português para falantes de outras línguas.


Comunicação 18

A FORMAÇÃO DE PROFESSORES DE PORTUGUÊS PARA ESTRANGEIROS: A PRODUÇÃO ACADÊMICA BRASILEIRA COMO SINTOMA

Alexandre do Amaral Ribeiro, UERJ, alexandreribeiro@nupples.pro.br

 

Não é recente o interesse pelo português do Brasil nem as iniciativas de pesquisa e de atuação nessa área. Contudo, no âmbito do ensino de línguas e da formação de professores, nem sempre se deu relevo ao ensino específico de português em perspectiva não materna e à formação de professores para efetiva atuação na área. Da mesma forma, apesar de as pesquisas e discussões no Brasil terem crescido vertiginosamente nas últimas décadas e abordarem assuntos da área de Português para Estrangeiros (produção de materiais didáticos, uso de ferramentas tecnológicas, descrição adequada de fenômenos linguísticos para fins pedagógico, políticas de língua e educacionais etc.), nem sempre contemplam a questão da formação de professores.  Este trabalho parte de inquietações sobre formação de professores, provocadas pelos desafios impostos tanto pelas demandas por formação específica na área quanto pelas determinações oficiais que normatizam a formação do profissional de Letras (BRASIL, 2001; BRASIL, 2015). Tomando como fonte de referência o catálogo de teses e dissertações disponível no Portal da CAPES, o trabalho verifica a recorrência da “formação de professores de português para estrangeiros” como objeto de estudo na produção acadêmica brasileira do período de 2000 a 2015. Discute tal recorrência e suas implicações, baseado em princípios que orientam as abordagens qualitativas da pesquisa (LÜDKE; ANDRÉ, 1986) e “as pesquisas denominadas “estado da arte” (FERREIRA, 2002). Os dados revelam que, nesse período, somente 01 (um) trabalho aponta de forma explícita para a formação de professores de português para estrangeiros. Esse resultado, quando visto de forma ampla, chama a atenção para a necessidade de se discutir efetivamente a formação específica de professores de português para estrangeiros, incluindo-se aí seus conteúdos e suas estratégias, pautada em sólidos conhecimentos teóricos e em eficientes formas de desenvolver competências e habilidades pedagógicas e didático-metodológicas que redimensionem os conhecimentos técnicos sem excluí-los.

Palavras-chave:  Formação de Professores; Estado da Arte; Português para Estrangeiros; Competências e Habilidades.

 

Minibiografia:

Alexandre Do Amaral Ribeiro é graduado em Letras – Português/Alemão (UERJ); especialista em Psicopedagogia Diferencial: diferenças na aprendizagem (PUC-Rio); mestre em Letras (PUC-Rio); doutor em Linguística (UNICAMP). Possui Pós-doutorado na área de Português como Segunda Língua (PUC-Rio). Atualmente é professor de Língua Portuguesa na UERJ (graduação e pós-graduação) e coordenador do Núcleo de Pesquisa e Ensino de Português como Língua Estrangeira/Segunda Língua (NUPPLES).


Comunicação 19

NORMAS PLURICÊNTRICAS E ENSINO DE PLE – APROXIMAÇÃO AO CASO DO PROCESSO DE ENSINO, APRENDIZAGEM E AVALIAÇÃO DE PLE NA GALIZA

Xurxo Fernández Carballido, Centro de Línguas Modernas – Universidade de Santiago de Compostela – xurxo.fernandez@usc.es

 

A língua portuguesa como língua estrangeira é apresentada como uma língua falada por mais de 200 milhões de pessoas e língua oficial em vários países dos cinco continentes. A promoção da língua portuguesa no estrangeiro também está ligado ao conceito da Lusofonia. Face a esta projeção da unidade da língua, constatamos que os próprios sistemas académicos (CAPLE / CELPE-BRAS), os materiais e métodos de aprendizagem, e os docentes oferecem uma visão da língua portuguesa baseada em dois modelos pluricêntricos: o brasileiro e o português. Assim, existência de duas normas linguísticas autónomas da língua portuguesa também é transladada à prática académica da língua portuguesa como língua estrangeira.

Este trabalho não se centra em questões de política linguística mas alveja ser um contributo para a reflexão sobre a melhor aproximação a esta contradição: apresentar a língua portuguesa como global mas oferecer simplesmente uma variedade linguística e cultural. Fá-lo-emos desde a perspetiva galega, espaço geográfico de dobradiça entre o mundo hispânico e o lusófono, para oferecer algumas possibilidades que alicercem a realidade plural mas interligada da língua portuguesa.

Palavras-chave: português língua estrangeira; normas pluricêntricas; ensino do português língua estrangeira na Galiza.

 

Minibiografia:

Xurxo Fernández Carballido é lincenciado em Filologia Galega e Filologia Portuguesa pela Universidade de Santiago de Compostela., Mestre em Filologia Galega e Portuguesa pela Universidade de Santiago de Compostela e em Português Língua Estrangeira pela Universidade do Minho. Atualmente é docente de língua portuguesa no Centro de Línguas Modernas da Universidade de Santiago de Compostela.


Comunicação 20

O EMBATE ENTRE NORMA(S) URBANA(S) CULTA(S) E NORMA-PADRÃO NO ENSINO DO PORTUGUÊS-BRASILEIRO COMO LÍNGUA ESTRANGEIRA

Miley Antonia Almeida Guimarães – Universidade de Salamanca – miley@usal.es

 

A aula de PLE/PL2 é um espaço privilegiado para que se note o embate entre normas. Por um lado, há os avanços em descrições e análises da língua falada por brasileiros cultos (entendendo-se por “cultos” os falantes com ensino superior completo); por outro, a norma-padrão. Nesta apresentação, propõe-se fazer uma reflexão sobre os efeitos da diglossia do português-brasileiro no ensino de PLE/PL2. Para isso, parte-se de uma análise das formas de apresentação dos recursos de retomada de objeto direto de 3ª pessoa em materiais didáticos de PLE/PL2. Nesses materiais, nota-se que, após algumas oscilações dos autores, a norma-padrão, expressa pelo uso dos clíticos acusativos, vem a sobrepor-se às variantes mais frequentemente adotadas por brasileiros cultos, p. ex., a variante objeto nulo, o que se contrapõe à literatura sobre o assunto (cf. Duarte, 1989; Cyrino, 1996; Bagno, 2001; Castilho, 2010). Nesse quadro das diferenças, como tratar a união na diversidade, considerando sobretudo as peculiaridades do contexto de ensino de PLE/PL2 em relação ao do português como língua materna? Para a reflexão sobre essa temática, serão considerados estudos de sócio-história do português-brasileiro (Mattos e Silva, 2004), de políticas da norma (Bagno& Lagares, 2011) e de pedagogia da variação linguística (Zilles& Faraco, 2015).

Palavras-chave: Ensino de PLE/PL2; Norma-padrão; Variação linguística; Objeto direto.

 

Minibiografia:

Miley Antonia Almeida Guimarães é doutoranda em Filologia Portuguesa na Universidade de Salamanca (USAL), Espanha, e professora de português no Centro de Estudos Brasileiros da Universidade. Possui graduação em Letras, com habilitação em português e inglês, e mestrado em Filologia e Língua Portuguesa, ambos pela Universidade de São Paulo (USP), Brasil. Tem ensinado PLE/PL2 em escolas de idiomas, empresas e universidades.


Comunicação 21

A MULTIMODALIDADE EM LIVROS DIDÁTICO DE PORTUGUÊS BRASILEIRO PARA HISPANOFALANTES

Larisse L. S. Pinheiro – Universidade de Brasília – larisselazaro@hotmail.com

 

Os estudos e as pesquisas de português como LE têm aumentado cada vez mais e destaca-se no processo de globalização. Seu ensino tem sido debatido em relação aos livros didáticos (LD) que ainda são muito centrados em estruturas gramaticais. A pesquisa de Diniz (et al., 2009) evidenciou a carência de materiais específicos para o ensino de português para hispanofalantes, em que devido essa lacuna os professores elaboram o material didático, muitas vezes de forma intuitiva. Diante dessa perspectiva, o estudo proposto busca analisar dois LD de Português para hispanofalantes, tendo como objetivo investigar como os textos multimodais podem contribuir para o ensino-aprendizagem de PBLE. Com base nas análises, proponho um guia de elaboração de material didático para hispanofalantes com referencial multimodal em uma perspectiva discursiva, de acordo com as demandas do público alvo. A metodologia é de natureza qualitativa em que se privilegia a (re)interpretação de dados, caracterizando-se como estudo de caso, por meio de análise documental.A seleção do corpus de pesquisa foca em LD de português para hispanofalantes, constantes em Com licença! BrazilianPortuguese for Spanish Speakers (SIMÕES, 1995) e Sempre Amigos (COUDRY et al., 2000). A análise desse corpus guiar-se-á pelas seguintes perguntas de pesquisa: Como a formação discursiva em textos multimodais inseridos nos livros didáticos de português para hispanofalantes está estruturada? Como materiais didáticos com uma abordagem discursiva e multimodal podem contribuir para o ensino de português para hispanofalantes?A pesquisa é centrada na Teoria da Multimodalidade (KRESS & van LEEUWEN, 2006) e Análise de Discurso Crítica (FAIRCLOUGH, 2001, 2003, 2006). As análises permitem reflexão sobre a composição dos textos multimodais nesses LD. A potencialidade de significação de diferentes semioses em língua estrangeira é ponto de grande importância para desenvolvimento de pesquisas sobre o LD de PBLE no âmbito de ensino voltado ao multiletramento.

Palavras-chave: PBLE; Livro didático; Multimodalidade.

 

Minibiografia:

Larisse L. S. Pinheiro é Mestre em Linguística Aplicada pela Universidade de Brasília, professora de português L1/L2 e língua espanhola. Engajada com as novas tendências de ensino-aprendizagem de línguas. Desenvolve projeto na UnB na linha pesquisa Multimodalidade e ensino de línguas. É pesquisadora da área de Análise de Discurso Crítica com ênfase em Multimodalidade.


Comunicação 22

O ENSINO DE PORTUGUÊS LÍNGUA ESTRANGEIRA (PLE) ATRAVÉS DOS TEXTOS LITERÁRIOS

Andressa Macena Maia – Consulado dos Estados Unidos no Rio de Janeiro –andressa.m.maia.ple@gmail.com

 

O presente trabalho tem como objetivo analisar o uso do gênero literário no processo de ensino-aprendizagem de Português Língua Estrangeira (PLE) e de que forma os textos literários são explorados nos materiais didáticos direcionados a esse público.

Através de pesquisas realizadas com alunos de PLE, percebeu-se a necessidade de oferecer-lhes uma aprendizagem da língua que fosse, ao mesmo tempo, rápida e eficaz, evidenciando a necessidade de materiais e programas específicos. Busca-se entender de que forma os textos literários podem contribuir para o desenvolvimento dessa comunicação, através de sua autenticidade e integração aos fatores culturais, essenciais para o aprendizado de uma língua estrangeira.

As teorias que fundamentam e alicerçam esse estudo são os fundamentos teóricos da abordagem comunicativa, considerando o ensino comunicativo como aquele que organiza as experiências de aprender em termos de atividades relevantes e tarefas de real interesse eou necessidade do aluno para que ele se capacite a usar a língua-alvo para realizar ações de verdade na interação com outros falantes-usuários dessa língua (ALMEIDA FILHO, 1993). E também do Interculturalismo, pois entender as motivações culturais dos grupos sociais pode facilitar o cruzamento cultural, minimizando uma série de conflitos que, muitas vezes, ocorrem pela falta de tolerância com as diferenças uns dos outros (BENNETT, 1991).

A partir da análise do emprego dos textos literários em 3 materiais didáticos, espera-se que o presente estudo possa evidenciar de que forma os mesmos, considerando suas representações linguísticas e apropriação de elementos culturais, podem auxiliar a desenvolver as habilidades linguísticas e ampliar a visão de mundo do aprendente de português.

Palavras-chave: Interculturalismo; abordagem comunicativa; gênero literário; textos literários: livro didático.

 

Minibiografia:

Andressa Macena Maia possui graduação em Letras: Português-Latim pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e especialização em Formação de Professores de Português para Estrangeiros pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. Possui experiência na área de PLE, já tendo lecionado para estrangeiros de diversas nacionalidades. Atualmente  trabalha no consulado americano e no consulado britânico, ambos no Rio de Janeiro, além de ter sua própria consultoria de idiomas, oferecendo aulas privadas para estrangeiros residentes na mesma cidade.


Comunicação 23

IMPLICAÇÕES PEDAGÓGICAS DOS CONCEITOS DE CANÇÃO COMO CONSTELAÇÃO DE GÊNEROS E DE LETRAMENTO LITEROMUSICAL PARA O ENSINO DE PORTUGUÊS PARA ESTRANGEIROS

José Peixoto Coelho de Souza – Universityof Manchester – jose.coelhodesouza@manchester.ac.uk

 

Esta comunicação, baseada nos achados da nossa pesquisa de doutorado, pretende discutir as implicações pedagógicas dos conceitos de canção como constelação de gêneros (COELHO DE SOUZA, 2010, 2014) e de letramento literomusical (COELHO DE SOUZA, 2015) para o ensino de português para estrangeiros através de uma proposta de objetivos e orientações pedagógicas para a abordagem do gênero canção em aulas de línguas. Entendemos que, numa ótica bakhtiniana, a canção pode ser vista por uma constelação de gêneros – formada por tantos gêneros discursivos canção de gênero musical, como canção de bossa nova e canção de funk carioca) quanto os gêneros musicais existentes – cada qual com características distintas no que diz respeito aos seus elementos constitutivos (conteúdo temático, estilo e construção composiocional) e aos seus contextos de produção, circulação e recepção. Da mesma forma, partindo do pressuposto de que a canção é um gênero discursivo formado por letra e música, e de que, consequentemente, os sentidos de uma canção decorrem da articulação entre as duas materialidades, defendemos que a construção dos seus sentidos e uma participação mais efetiva nas práticas sociais nas quais a canção media as (inter)ações dos participantes envolve um letramento específico, o qual denominamos letramento literomusical. Em vista disso, a proposta pedagógica interdisciplinar a ser aqui apresentada busca fornecer recursos para que os aprendentes possam participar de modo mais efetivo, crítico, qualificado e autoral nas práticas sociais e nos discursos nos quais suas inter(ações) são mediadas por canções. Essa proposta ancora-se numa perspectiva de educação linguística mais ampla, que tem como objeto de estudo textos que atualizam diferentes gêneros discursivos a fim de desenvolver as práticas de leitura e escrita dos educandos e ampliar sua participação em diferentes esferas da sociedade (BRASIL, 1998; BAGNO; RANGEL, 2005; SCHLATTER; GARCEZ, 2012; SIMÕES et al, 2012).

Palavras-chave: Ensino de Português como Língua Adicional; Letramento literomusical; Canção como gênero discursivo.

 

Minibiografia:

José Peixoto Coelho de Souza atua como professor de português na University of Manchester, na Inglaterra. Possui doutorado em Linguística Aplicada pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul e licenciatura em Língua Inglesa pela mesma universidade. Seus interesses de pesquisa incluem a formação de professores, a elaboração de material didático e o uso de canção no ensino de línguas adicionais na perspectiva do letramento literomusical, tendo ministrado oficinas e minicursos sobre o tema em eventos de formação inicial e continuada de professores de línguas adicionais.


Comunicação 24

O GÊNERO NOMINAL NA INTERLÍNGUA DE APRENDENTES CHINESES DE PORTUGUÊS COMO LÍNGUA ESTRANGEIRA

Fleide Daniel Santos de Albuquerque – UFRN – fleidedaniel@hotmail.com

 

Neste trabalho, investigam-se os padrões de aquisição do gênero nominal presentes na interlíngua de aprendentes chineses de português como língua estrangeira. O gênero nominal é uma categoria que, em português, apresenta alto grau de arbitrariedade e opacidade e, não raro, só pode ser explicitado por recurso à concordância. Partindo da ideia assente de que as divergências entre os sistemas da língua materna e da língua alvo acarretam relativa dificuldade na aquisição das estruturas presentes no input, analisam-se produções orais e escritas de aprendentes chineses de português quando da realização das tarefas orais e escritas do exame Celpe-Bras. O objetivo da pesquisa consiste em estabelecer descrições das interlínguas dos aprendentes chineses que auxiliem professores e autores de materiais didáticos na compreensão dos estágios de aquisição da referida categoria gramatical. Adicionalmente,a pesquisa poderá sugerir, partindo de um critério de desvio/erro, meios de intervir na interlíngua do aprendente nas diferentes fases de construção do conhecimento linguístico, bem como apontar caminhos para a produção de recursos didáticos que auxiliem os atores do processo ensino/aprendizagem.

Palavras-chave: Gênero nominal; interlíngua; aprendentes chineses.

 

Minibiografia:

Fleide Daniel Santos de Albuquerque é doutorando em Didática das Línguas / Português Língua Estrangeira pela Universidade Nova de Lisboa; Mestre em Língua Portuguesa (2004) e Bacharel em Língua Inglesa e Respectivas Literaturas (2001) pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro – UERJ. Desde 2014 atua na Universidade Federal do Rio Grande do Norte – UFRN – como professor assistente de Português Língua Estrangeira.


Comunicação 25

PORTUGUÊS LÍNGUA ESTRANGEIRA: ESTUDO SOBRE A SELEÇÃO DO GÉNERO GRAMATICAL NA PRODUÇÃO ESCRITA DE FALANTES DE ESPANHOL (NÍVEIS DE INICIAÇÃO E INTERMÉDIO)

Sofia Oliveira Dias – Universidade de Salamanca – sofiadias@usal.es

 

Na última década, o interesse pela investigação no âmbito do ensino-aprendizagem de português língua estrangeira para falantes de espanhol (PLE-FE) tem sido cada vez maior e mais diversificado. Como professores de PLE-FE, constatamos a necessidade de uma metodologia específica e concreta para este público, de forma a resolver as suas dificuldades e a responder às suas necessidades com maior eficácia e precisão. Neste sentido, é nosso objetivo estudar, desde uma perspetiva psicolinguística, os mecanismos de seleção do género gramatical presentes em produções escritas de falantes de espanhol dos níveis de iniciação e intermédio, com o fim de melhor compreender o processo de aprendizagem destes alunos e contribuir com propostas didáticas para o trabalho e solução desses mesmos erros. A metodologia adotada recorre à análise de erros como instrumento de análise, sem se perder de vista a produção global dos aprendentes.

Palavras-chave: português língua estrangeira; ensino-aprendizagem; género gramatical.

 

Minibiografia:

Sofia Oliveira Dias é licenciada em Língua e Cultura Portuguesa (Língua Estrangeira) pela Universidade de Lisboa e doutora em Filologia Portuguesa pela Universidade de Salamanca. Atualmente é leitora de português na Faculdade de Filologia – Área de Galego e Português da Universidade de Salamanca, onde leciona e desenvolve trabalhos de investigação no âmbito da Aquisição do Português por falantes de espanhol e da Didática do Português Língua Estrangeira.


Comunicação 26

REPRESENTAÇÕES DO BRASIL EM LIVROS DIDÁTICOS DE PORTUGUÊS PARA ESTRANGEIROS: IMAGENS CONSTRUÍDAS E SEUS IMPACTOS PARA O ENSINO

Jefferson Evaristo do Nascimento Silva – UERJ/IFF – jeffersonpn@yahoo.com.br

 

Desde 2012, atuamos como professor de português língua estrangeira (PLE) no Rio de Janeiro, trabalhando com diversos livros didáticos (CRISTOVÃO e DIAS, 2009; TILIO, 2008, 2014), elaborados por autores e editoras diferentes. Nessa prática, ao utilizar os livros, persistia um “elemento de inquietação”: a representação que é feita do Brasil e dos brasileiros (MEYER, 2013) nesses materiais didáticos. Assim, os livros didáticos “vendem” uma imagem do Brasil e dos brasileiros para estrangeiros que talvez nunca tenham tido uma experiência com o país, limitando-se às informações dos livros com os quais estudam. E, a julgar que os livros didáticos sejam elaborados por brasileiros, essa seria a imagem de país e de povo que os brasileiros possuem (AMOSSY, 2005)? E se sim, seria apenas uma única imagem, homogênea e reducionista? Se não, por que apenas uma imagem? Que imagem(ns) e cultura(s) do Brasil e dos brasileiros “são vendidas” para outros países e povos? Quais discursos são criados e difundidos (CHARAUDEAU, 2008)? Essas foram algumas das inquietações iniciais que tivemos ao usar esses materiais. Certos de não termos esgotado as inquietações concernentes à temática, identificamos nela mesma a motivação para a realização de tal pesquisa. Interessa-nos, portanto, investigar e buscar compreender as representações que são feitas do Brasil e dos brasileiros em alguns livros didáticos de português como língua estrangeira utilizados no país – especialmente os livros Novo Avenida Brasil 1, Novo Avenida Brasil 2 e Novo Avenida Brasil 3 –,discutindo seu impacto no ensino (RIBEIRO, 2015). Para tanto, nos valemos de pesquisas sobre PLE, interculturalidade e análise do discurso francesa, de forma a possibilitar que nossas perguntas iniciais sejam respondidas. Essa discussão é parte de uma pesquisa que se ocupa das construções de silenciamentos, estereótipos, simplificações e reducionismos no âmbito do ensino de língua estrangeiras.

Palavras-chave: Português Língua Estrangeira; Livro didático; Representações; Análise do discurso; Ensino.

 

Minibiografia:

Jefferson Evaristo Do Nascimento Silva é graduado em Português-Italiano e especialista em Tradução pela UERJ, mestre em Letras Neolatinas pela UFRJ. Atualmente, cursa doutorado em Língua Portuguesa na UERJ e em Letras Neolatinas na UFRJ. Professor do Instituto Federal Fluminense (IFF), atuando no ensino médio e na licenciatura em Letras.


Comunicação 27

COMO AS ESCOLHAS DOS GÊNEROS TEXTUAIS/ DISCURSIVOS PODEM CONTRIBUIR NO DESENVOLVIMENTO DA COMPETÊNCIA COMUNICATIVA DE ALUNOS DE PLA

Rosângela Medeiros da Luz – UFG/IFG- Romeluz@yahoo.com

 

O objetivo deste trabalho é analisar um livro didático para ensino de português como língua estrangeira (PLE), o livro em questão é Bem-vindo: o português brasileiro no mundo da comunicação, utilizado na disciplina ‘Português e Cultura Brasileira’ criada para atender um grupo de alunas intercambistas do Instituto Federal de Goiás (IFG). Essa disciplina tem como objetivo desenvolver a competência comunicativa (CANALE, M. & SWAIN, M. 1980; HYMES, D. 1972) das alunas. Nosso objetivo principal é verificar se esse livro apresenta variados e relevantes gêneros textuais em sua constituição e quais atividades o livro propõe para estes textos. Utilizamos as teorias de gênero textual (MARCUSCHI, L. 2008; ROJO, R. 2005) e de gênero discursivo (BAKHTIN, M. BRAIT, B. 2000) para analisar como estes gêneros textuais/ discursivos, seus respectivos domínios discursivos e as atividades propostas contribuem com o desenvolvimento da competência comunicativa dos alunos. Concluímos que o livro didático não deve ser o único recurso disponível na sala de aula de LE/LA. O professor deve buscar gêneros textuais de domínios discursivos que sejam relevantes para o aluno e acima de tudo, propostas de atividades para estes gêneros textuais que fomentem a interação e que possibilitem aos alunos vivenciar situações cotidianas de forma significativa.

Palavras-chave: Gênero textual; competência comunicativa; ensino de português como língua estrangeira.

 

Minibiografia:

Rosângela Medeiros Da Luz é professora de português/ inglês no Instituto Federal de Goiás (IFG) e aluna de pós-graduação nível doutorado na universidade Federal de Goiás (UFG) com pesquisa sobre ensino e aprendizagem de português como língua estrangeira.


Comunicação 28

A FORMAÇÃO DE PROFESSORES DE PORTUGUÊS PARA FALANTES DE OUTRAS LÍNGUAS: DESAFIOS POLÍTICO-LINGUÍSTICOS

Elias Ribeiro da Silva – Universidade Federal de Alfenas (UNIFAL-MG) – ribeirodasilva.elias@gmail.com

 

Em publicações e intervenções anteriores (RIBEIRO DA SILVA, 2014, 2015, entre outros), venho argumentando que o crescimento recente da demanda nacional e internacional pela aprendizagem de português como língua adicional (PLA) e/ou como língua estrangeria (PLE) configura-se como um desafio para os centros brasileiros de formação de professores. De forma mais específica, tenho salientadoque esse desafio envolve a necessidade de dotar o futuro profissional da área de uma formação político-linguística. Por fim, venho argumentando que a superação desse desafio é complexa, tendo em vista o modelo de formação de professores de PLA/PLE que vem sendo adotado em grande parte das instituições formadores, qual seja, a inclusão de uma ou duas disciplinas da área nos currículos tradicionais de Letras Português, Português/Inglês etc. Como formador de professores de línguas, entendo que se trata de um “modelo precário” de formação de professores de PLA/PLE.A partir do exposto, meu objetivo, nesta comunicação, é aprofundar essa discussão e demonstrar, por meio do relato de minha experiência recente com a formação de professores de PLA/PLE em um contexto de ensino do “tipo precário”, como é possível superar minimamente esse desafio e formar profissionais aptos a posicionarem-se de forma informada relativamente aos aspectos político-linguísticos envolvidos no ensino de PLA/PLE, tanto no Brasil quanto no exterior.Trata-se, do ponto de vista metodológico, de um relato de experiência no qual mobilizo procedimentos característicos da pesquisa qualitativa (FLICK, 2009), notadamente a análise documental e de entrevistas semiestruturas realizadas com formandos de Letras matriculados em uma disciplina de metodologia de ensino de PLA/PLE.

Palavras-chave: Política Linguística; Formação de Professores de Línguas; Ensino de Português como Língua Adicional/Estrangeira; Relato de Experiência.

 

Minibiografia:

Elias Ribeiro Da Silva é graduado em Letras (Português/Inglês) e mestre em Estudos Linguísticos pela UNESP e doutor em Linguística Aplicada: Língua Estrangeira pela UNICAMP. Atualmente, é Professor Adjunto, nível I, da Universidade Federal de Alfenas (UNIFAL-MG), atuando na área de Metodologia de Ensino de Português como língua materna e estrangeira/adicional. Interessa-se pelas práticas de política linguística em vigor no Brasil relativamente às línguas estrangeiras e ao português como língua materna e estrangeira.


Comunicação 29

UMA GRAMÁTICA DO PORTUGUÊS DO BRASIL COMO L2: O QUEBRA-CABEÇA MONTADO PELA PESQUISA DESENVOLVIDA NA PUC-RIO

Rosa Marina de Brito Meyer –PUC-Rio – rosameyer@puc-rio.br

 

Criada em 1997, a linha de pesquisa então intitulada “Português para Estrangeiros: descrição e ensino” estabeleceu-se como a primeira, no Brasil, dedicada exclusivamente ao português como segunda língua. Menos de 2 décadas depois, produziram-se já cerca de 80 dissertações e teses, o que demonstra a grande produtividade de um setor que continua atraindo cada vez mais alunos para a pós-graduação Stricto Sensu (mestrado e doutorado). Hoje intitulado “Aspectos interculturais do português como segunda língua para estrangeiros (PL2E)”, o percurso da linha de pesquisa “Descrição do português, ensino e tecnologia” continua atraindo alunos de todos os níveis de pós-graduação, incluindo pós-doutorandos, assim como professores visitantes e palestrantes nacionais e internacionais e desenvolvendo, assim, um volume consistente de conhecimento na área.

Essa comunicação apresenta a compilação das pesquisas desenvolvidas ao longo desses quase 20 anos, demonstrando como, combinadas entre si como peças de um quebra-cabeça, compõem o arcabouço do que se poderia chamar “Uma gramática do português do Brasil como L2”. O fato de o setor adotar uma combinação de bases teórico-metodológicas que permite absorver temas dos níveis morfossintático, semântico, discursivo-pragmático e cultural faz com que essa obra em construção possa ser antevista como de grande complexidade e abrangência e, portanto, de acentuada relevância e utilidade para os estudantes e profissionais da área.

Palavras-chave: Português como Segunda Língua ou como Língua não Materna; Pesquisa de pós-graduação; Funcionalismo; Interculturalismo.

 

Minibiografia:

Rosa Marina de Brito Meyer é professora Associada do Departamento de Letras da PUC-Rio, é coordenadora acadêmica da área de Português como Segunda Língua, desenvolvendo projeto específico no Programa de Pós-Graduação em Estudos da Linguagem. Nessa área, apresentou palestras em comunicações em 32 eventos nacionais e internacionais; orientou 2 pesquisas pós-doutorais, 20 teses de doutorado e 41 dissertações de mestrado; publicou 8 livros em co-organização e 41 capítulos em livros científicos. 


Comunicação 30

MANUAL PARA QUE? CRÍTICAS E OBSERVAÇÕES DE MATERIAIS DIDÁTICOS PARA UMA APRENDIZAGEM DA LÍNGUA AUTENTICA

Irma Caputo – PUC-Rio – irma.caputo@gmail.com

 

O presente trabalho nasce da necessidade de aprimoramento dos materiais didáticos em uso para o ensino do português L2. Esta reflexão é fruto de anos de aprendizado da língua portuguesa — visto que venho estudando o idioma desde a graduação — e da minha experiência de ensino em didática de L2, dividida entre o português e o italiano. Portanto, há aqui o olhar do aprendiz de língua portuguesa como língua segunda e o olhar como docente L2.

Uma breve análise de manuais para o ensino de Português L2 (PL2) demonstrou que estes requerem poucas habilidades dos aprendizes, além de apresentarem atividades pragmaticamente dissonantes dos usos autênticos dessa língua. Houve melhora ao longo do tempo, mas não suficiente para que um bom professor L2 possa considerar tais materiais adequados ao desenvolvimento de uma competência intercultural. A partir dos conceitos de cultura subjetiva e interação intercultural, serão avaliados três manuais de português brasileiro L2 presentes no mercado, considerando uma unidade didática especifica. A unidade didática analisada nos dois livros será o “pedido de informações”, unidade esta que envolve os conceitos de diretividade (Searle, 1984), indiretividade (Brown e Lewinson 1987), polidez (Brow e Lewinson,  1987), distanciamento e proximidade.  A partir desta análise serão feitas observações em grades comparativas, averiguando limites e elementos positivos em uma abordagem sociolinguística. Com base nos elementos críticos, serão elaboradas algumas sugestões que constituirão uma reflexão de base para a necessidade de integração de materiais no momento de se preparar aulas e apontam para a importância de um olhar crítico sobre os materiais propostos pelos manuais. Esta reflexão pode também resultar numa proposta editorial de aprimoramento dos manuais já existentes.

Palavras chaves: manuais de PL2; competência intercultural; unidade didática.

 

Minibiografia:

Irma Caputo doutoranda no PPEL da Puc-Rio com um projeto de doutorado em tradução. Licenciatura e mestrado na área de letras comparadas (português e alemão) e com formação para didática do italiano como língua segunda e ensino de português, a primeira na Universidade para estrangeiros de Siena e a segunda na Universidade do Porto, onde realizou o o seu intercâmbio universitário para além da UFF (Universidade Federal Fluminense). Além da pesquisa na área de tradução, atua no campo do ensino do italiano e do português como L2 e como tradutora, tendo trabalhado em Portugal, na Alemanha, na Itália, na Argentina e no Brasil.


Comunicação 31

A SELEÇÃO LEXICAL NO PROCESSO DE ENSINO DA INTENSIFICAÇÃO DO ADJETIVO EM PL2E/PLE

Adriana Albuquerque – PUC-Rio – albuquerqueafs@gmail.com

 

Este trabalho apresenta parte dos resultados de uma pesquisa sobre o processo de intensificação linguística que ocorre no português falado no Brasil, mais especificamente na cidade do Rio de Janeiro.  Pretendemos identificar, descrever, analisar e categorizar as estratégias envolvidas no modo de construção das estruturas que intensificam o adjetivo propriamente realizado ou substituído por alguma outra forma linguística. Nosso objetivo é desenvolver um estudo descritivo em português como língua materna (PLM) para que possamos obter diretrizes que norteiem de modo mais eficiente o processo de ensino e aprendizagem do português como segunda língua (PLE2) ou como língua estrangeira (PLE) no que diz respeito ao funcionamento do léxico de intensificação.

Os pressupostos teóricos dessa pesquisa estão inseridos nos estudos desenvolvidos pela Gramática Funcional do Discurso (Hengeveld, 2004), pela Teoria Semântica Lexical (Nattinger&DeCarrico, 1992; Carter-McCarthy, 1988) e pelo Interculturalismo(Hall, 1986, Bennett, 1998 e Singer, 2000).Esta abordagem interdisciplinar se revelou adequada aos nossos objetivos uma vez que os conceitos utilizados pelas referidas áreas abrangem aspectos relacionados ao ensino de gramática e do léxico, do ponto de vista discursivo, e à aquisição de segunda cultura, conceitos estes fundamentais para a identificação dos modos de realização dos intensificadores em português.

O procedimento metodológico, de base qualitativa, foi realizado com dados coletados em um programa de televisão, veiculado por uma das emissoras mais assistidas no país e que abrange, em geral, o público jovem. Este programa, intitulado Malhação, é transmitido durante a semana e apresenta um expressivo conjunto de unidades lexicais recorrente na modalidade oral utilizada por moradores da zona sul do Rio de Janeiro.

Palavras-chave: português para estrangeiros; adjetivo; intensificação.

 

Minibiografia:

Adriana Albuquerque é  mestre e doutora em Estudos da Linguagem, na área de Descrição e Ensino de Português como Segunda Língua para Estrangeiros, pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. Atualmente é co-coordenadora das disciplinas de graduação de Português para Estrangeiros e do curso de Especialização lato sensu em Formação de Professores de Português para Estrangeiros da PUC-Rio, professora agregada nas disciplinas de Português para Estrangeiros oferecidas para alunos intercambistas e colaboradora do programa de pós-graduação strictu sensu. Participa, ainda, do projeto de pesquisa Descrição do Português como Segunda Língua para Estrangeiros, tendo orientado inúmeras dissertações e monografias e participado de  diversas bancas de mestrado e de doutorado. Possui publicações no Brasil e no exterior e ministra cursos de aperfeiçoamento para professores de português para estrangeiros que atuam em outros países.


Comunicação 32

ENSINO-APRENDIZAGEM DE LÍNGUA PORTUGUESA COMO INTERAÇÃO E CULTURA

Edimara Sales Cordeiro – UEMA – maradellano@gmail.com

Maria José Nélo – UEMA – marianelo@uol.com.br

 

Esta comunicação trata da elaboração de estratégias para a prática pedagógica do ensino de língua portuguesa para estrangeiros como interação e cultura. O processo de ensino-aprendizagem de Língua Portuguesa propõe o ensino formal do português brasileiro e busca atender falantes estrangeiros que precisam aprender o português brasileiro para se “desestrangeirizarem”, no que se refere, por exemplo, à pronúncia, a explicitação de implícitos culturais, etc. O Brasil tem sido alvo de atenção de muitos estrangeiros por estar entre um dos países emergentes nas áreas político-econômica, tecnológica e pela sua produção artístico-cultural. Nesse contexto, muitos estrangeiros atuam no Brasil de formas diversificadas, como profissionais liberais ou não, estagiários e/ou intercambistas e isso os fazem ter interesse na língua. Assim, objetiva-se promover e discutir o ensino e a pesquisa do Português brasileiro, realizando oficinas pedagógicas na perspectiva de gêneros textuais de Português brasileiro na comunidade acadêmica para nativos e não- nativos. A metodologia fundamenta-se nos resultados de pesquisa desenvolvida pelos membros do PLE, consoantes às práticas de ensino e às mudanças, no espaço social, de modo a relacionar às questões exploradas nas aulas de língua portuguesa com enfoque interculturalista às ações ativas. Buscar-se atender às reais necessidades dos alunos, por meio de análises de necessidades, elaboração e seleção de material autêntico que complemente os manuais didáticos adotados: aulas expositivas e práticas, para o ensino do oral e do escrito; diários gravados e transcritos pelo aluno; relatórios de leituras e reescritas de textos em diferentes modalidades; atividades complementares planejadas. Diante do exposto, valida-se o estudo acerca do ensino de língua portuguesa como língua estrangeira, buscando as diferenças éticas e culturais que permeiam as diferentes culturas, para que a interação entre as pessoas ocorram em clima de respeito, entendimento e aprendizagem em direção à alteridade e à revitalização da própria cultura brasileira.

Palavras- chave: ensino do PLE; gêneros textuais. domínio da língua. Intercultura; Oficinas.

 

Minibiografias:

Edimara Sales Cordeiro é graduanda do curso de Letras/ inglês e respectivas literaturas na Universidade Estadual do Maranhão, em São Luís, MA; bolsista de iniciação científica via PIBEX, com experiência em Linguística Aplicada por meio de projetos que tratam da elaboração de estratégias de ensino para professores de Língua Portuguesa nas escolas estaduais de ensino médio e outro voltado ao ensino de língua português apara estrangeiros. Atualmente é assistente de sala na MapleBearCanadianSchool.

Maria José Nélo tem graduação em Letras pela Universidade Estadual da Paraíba (1985), mestrado em Língua Portuguesa pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo- PUC(2001) e doutorado em Língua Portuguesa pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo- PUC(2011). Atuo na área de Linguística ensino-aprendizagem de Língua Portuguesa para brasileiros e estrangeiros, tendo por reflexão à intersecção de ensino de língua, cultura e pesquisa na formação educacional.


Comunicação 33

PESQUISA E ENSINO DO ASPECTO FONÉTICO-FONOLÓGICO EM PLE: UM DESAFIO À (TRANS)FORMAÇÃO DOCENTE

Davidson Martins Viana Alves – Universidade Federal Fluminense (UFF) – Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) – Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) – alves.dmv@gmail.com

Kleber Aparecido da SilvaUniversidade de Brasília (UnB)  – kleberaparecidodasilva@gmail.com / kleberunicamp@yahoo.com.br

 

Este trabalho está vinculado ao projeto de pesquisa “Aquisição Fonético-fonológica de Línguas Não Maternas e Ensino de Pronúncia”, da UFRJ, ao “Núcleo de Pesquisa em Fonética e Fonologia Aplicadas à Língua Estrangeira”, da UFSC, e ao “Grupo de Estudos Críticos e Avançados em Linguagem”, da UnB. Objetiva-se expor, historiograficamente, um levantamento das pesquisas sobre o componente fônico da linguagem na descrição e no ensino de Português como Língua Estrangeira (PLE). Ademais, busca-se analisar dados da produção oral de hispanofalantes de PLE, visando à caracterização acústica e às múltiplas representações fonológicas dos sons que pertencem ao inventário sonoro da interfonologia espanhol-português. Baseia-se principalmente nos pressupostos teóricos: (1) Bybee (1994, 2001a), que apresenta, para a fonologia, em uma perspectiva cognitivo-funcional, os modelos baseados no uso, e que tratam a linguagem como um sistema variável e remoldado continuamente pelo uso e experiência dos falantes, e (2) Almeida Filho (1993, 2009), que investiga o processo de ensino-aprendizagem de LE e os conceitos de interlíngua e transferência linguística entre línguas “próximas” tipologicamente. Propõe-se que para ser um bom professor de PLE o profissional docente brasileiro precisa sair de seu lugar-comum de falante nativo de português. É necessário que se estude, que se atualize e, sobretudo, que dialogue com outras áreas de conhecimento, a fim de construir com seu aluno um saber transcultural, multifacetado e híbrido. Como resultados de pesquisa, este estudo pôde observar que o grau do input variável e de outras formas de exposição ao português contribui efetivamente à compreensibilidade dos sons (compreensão/produção oral) em contraste entre LM e LE. Conclui-se que, embora o falante-aprendiz tenha características próprias, o ensino explícito da fonética-fonologia, através da variação e da heterogeneidade linguística, mostra-se produtivo. Isso se dá pelo fato de serem construídas múltiplas representações de pronúncias e, deste modo, constituir-se uma identidade transcultural, fluida e “camaleônica”.

Palavras-chave: Português como língua estrangeira; Interfonologia; (Trans)formação docente; Ensino e pesquisa.

 

Minibiografias:

Davidson Martins Viana Alves é mestrando em Estudos de Linguagem da Universidade Federal Fluminense, bolsista CNPq, licenciando em Letras: Português/Francês e licenciado em Letras: Português/Espanhol pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (2014), onde foi bolsista de Iniciação Científica da FAPERJ. Dedica-se à pesquisa sobre ensino-aprendizagem, aquisição, política e contato entre línguas e/ou variedades linguísticas.

Kleber Aparecido Da Silva é Pós-Doutor em Linguística Aplicada pela UNICAMP. Professor Adjunto III do Departamento de Linguística, Português e Línguas Clássicas (LIP) e orientador/pesquisador da PPG em Linguística da UnB e do PPG em Letras: Cultura, Educação e Linguagens da UESB. É o líder do Grupo de Pesquisa “Estudos Críticos e Avançados em Linguagem“. É o vice-presidente do GELCO.  É o representante oficial do DF nas Olimpíadas de LP (MEC/Itaú Cultural e SENPEC).


Comunicação 34

ENSINO DO PORTUGUÊS NA ITÁLIA: CONSIDERAÇÕES SOBRE MATERIAIS DIDÁTICOS DISPONÍVEIS NO YOUTUBE

Cecília Santanché – Leitora de PLE Università G. D’Annunzio Chieti-Pescara / Doutoranda de linguística na Universidade de Évora– cecisantanche71@gmail.com

 

O presente trabalho parte das observações feitas durante o doutorado, que tem sido realizada pela autora na Universidade de Évora, sobre o ensino e a aprendizagem do Português nas universidades e principais instituições de ensino na Itália.

Tal pesquisa insere-se no âmbito da linguística funcional e têm como referência os estudos de GUTIÉRREZ  ORDOÑEZ,  S.  (2002)  e de MARÇALO, M. J.  (2009), além de estudos sobre o português contemporâneo como Castilho, A. (2010), Moura Neves, M. H.  (2000), MATEUS, M.H.M. (2002).

Para um melhor aprofundamento sobre o ensino do PLE em ambiente acadêmico italiano são relevantes os estudos de RUSSO, M. (2008) e CECILIO, L. A.  (2013). Tem-se realizado um levantamento das ofertas formativas publicados online, além de artigos e teses publicados sobre ese assunto. Tem sido feita também uma pesquisa sobre os material utilizado nas instituições em estudo, além de inquéritos sobre materiais autênticos, materiais obtidos com a ajuda da internet e outras formas de autoaprendizagem.

Durante essa pesquisa, observou-se que muitos estudantes, principalmente os que não frequenta mas aulas, estudam por meio de cursos de portugués acessíveis pelo youtube.

Depois de uma análise dos cursos referidos pelos estudantes durante inquéritos, foram feitas algunas observações relativas aos aspectos linguísticos mais relevantes os quais pretende-se apresentar nesse trabalho. Geralmente, tais cursos são bastante informais e se limitam à variedade do português usada pelo apresentador do programa e portanto a segunda pessoal verbal tu muitas vezes não é considerada, não há diferença entre imperfeito e condicional, a fala, vista como a língua “realmente usada”, torna-se fundamental sem referências, nem mesmo para reflexão gramatical, da norma culta.

Palavras-chave: Autoaprendizagem; youtube; reflexão gramatical.

 

Minibiografia:

Cecília Santanché é graduada em Italiano na Faculdade de Línguas da Universidade Federal da Bahia, com pós-graduação em didática do italiano como língua estrangeira pela Universidade Ca’ Foscari de Veneza, mestrado em estudo Linguísticos e Literários da Universidade “La Sapienza” de Roma e atualmente frequenta o doutoramento de linguística na Universidade de Évora, ensinou português para estrangeiros na Universidade Federal da Bahia e há 13 anos é leitora de PLE na Universidade de Chieti – Pescara, ensinou também na pós-graduação de italiano para estrangeiros na Universidade de Chieti e português para estudantes do projeto Erasmus na Itália.


Comunicação 35

CLUBE DE LEITURA: UMA JANELA AO MUNDO DA EXPRESSÃO PORTUGUESA

 

Sandra Moura da Cruz – Escola Oficial d’Idiomes Drassanes – smmoura@eoibd.cat

 

O objetivo deste trabalho é partilhar a experiência do clube de leitura em português, que se tem vindo a realizar nos últimos 4 anos na Escola Oficial de Idiomas de Drassanes, Barcelona (Espanha).

Um clube de leitura pode ser definido como um grupo de pessoas, adultas neste caso, que se encontram uma vez por mês para lerem todos o mesmo livro. Este encontro é presencial, onde expressam as suas próprias opiniões, construindo um espaço de partilha, a partir dos livros.

Trata-se de um simples exemplo da promoção da leitura em língua portuguesa (literatura portuguesa, brasileira, africana de expressão portuguesa), fora do contexto da aula, com alunos de nível avançado que se enfrentam a textos originais de autores em língua portuguesa.

Todos os clubes de leitura que se realizam na EOI estão enquadrados dentro dos objetivos curriculares das Escolas Oficiais de Idiomas. Por isso, de todos os objetivos cabe destacar o de potenciar e aperfeiçoar a expressão e a compreensão escrita e oral, melhorando desta forma a sua proficiência linguística. Através de inquéritos passados ao final de cada edição aos participantes, pode-se concluir que se trata de uma atividade que os ajuda a melhorar a sua proficiência linguística.

Os clubes de leitura proporcionam o ambiente ideal para a aprendizagem e consolidação de uma língua estrangeira: comunicação real, motivação e afetividade positiva entre os participantes. Além de proporcionarem as ferramentas de “savoi-fair” e “savoir-etre”. Quer seja num centro escolar ou numa biblioteca pública, o clube de leitura deverá converter-se num espaço de liberdade de expressãom de cumplicidade leitora, que passe a ser um ponto de encontro e que ajude à criação do tecido social, expressão e fomação literária e cultural. Por isso, e muito particularmente pelo prazer que proporciona aos participantes, o clube de leitura é sempre uma iniciativa positiva.

Palavras-chave: clube de leitura; leitura; livro; leitores; cultura.

 

Minibiografia:

Sandra Moura Da Cruz é licenciada em Língua e Cultura Portuguesas, LE (Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, 2000). Foi leitora do Instituto Camões no Instituto Superior de Educação da Cidade da Praia, Cabo Verde (2000-2001) e na Faculdade de Filologia da Universidade de Barcelona (2001-2003). Entre 2003 e 2011 foi professora associada de português na mesma Faculdade. Exerceu funções de professora associada no Departamento de Românicas da Faculdade de Letras da Universidade de Girona (2006-2011). Coordenou e ministrou os cursos de língua portuguesa do Instituto Camões de Barcelona (2003-2013). Desde 2011 é professora do departamento de português da EOI Drassanes onde desempenha o cargo de chefe de departamento.