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Simpósio 14

SIMPÓSIO 14 – O LITERÁRIO, O LINGUÍSTICO E O POLÍTICO EM DISCURSO

 

Coordenadoras:

Vanise Medeiros | UFF | vanisegm@yahoo.com.br

Lucília Maria Sousa Abrahão | USP-Ribeirão Preto | luciliamasousa@gmail.com

 

Resumo:

Com este simpósio objetiva-se acolher estudos, pesquisas e reflexões que tenham por norte analisar o funcionamento da linguagem em diferentes materialidades que toquem algum dos seguintes eixos: literário, linguístico, político. Compreendemos que trabalhar com o discurso é analisar a movência e o jogo entre essas fronteiras, que não são rígidas, mas indiciárias do modo como língua e história vêm se articulando contemporaneamente. Pretendemos com este simpósio reunir pesquisadores de diferentes campos, como os da literatura, da análise do discurso, da história, da arte, da psicanálise, da filosofia, das ciências sociais e da comunicação, em um diálogo de entremeios e de interface para pensar as relações entre esses campos.

 

Palavras-chave: Literatura, linguística, político, língua, história.

 

Minibiografias:

Vanise Medeiros possui graduação, mestrado e doutorado em Letras, e pós-doutorado também na Université Sorbonne Nouvelle III. É professora adjunta da UFF, com dedicação exclusiva, bolsista Produtividade CNPq (nível 2). Lançou livros em parceria com outros autores; organizou revistas e publicou inúmeros artigos. Integra e coordena, com Bethania Mariani e Silmara Dela Silva, o Laboratório Arquivos do Sujeito (LAS/ UFF), com parcerias com os laboratórios Corpus (UFSM) e EL@ DIS (USP-Ribeirão Preto).

Lucília Maria Sousa Romão possui graduação em Letras (1988), doutorado direto (2002) em Psicologia e Livre Docência (2009) em Ciência da Informação. Docente com dedicação exclusiva da Universidade de São Paulo, onde dá aulas e orienta alunos de graduação, mestrado e doutorado, além de supervisionar pós-doutorados. Coordena o Grupo de Pesquisa Discurso e memória: movimentos do sujeito, cadastrado junto ao Diretório de Grupos do CNPQ. É membro do Fórum do Campo Lacaniano de São Paulo.

 

 

Resumos dos trabalhos aprovados

Comunicação 1

Por que (não) dizer da língua?

 

Fernanda Lunkes (UFSB) – Universidade Federal do Sul da Bahia – flunkes@gmail.com

Silmara Dela Silva (UFF/FAPERJ) – Universidade Federal Fluminense/FAPERJ – silmaradela@gmail.com

 

Resumo:

Neste trabalho, dirigimos nosso olhar aos discursos em circulação na rede eletrônica que buscam dizer sobre a cena política brasileira, com foco na relação que estabelecem entre língua e sujeito. Em consonância às pesquisas que vimos desenvolvendo recentemente, voltadas à análise dos processos de produção de sentidos para o sujeito na atualidade da perspectiva teórico-metodológica da análise de discurso proposta por Michel Pêcheux, objetivamos analisar o modo como os dizeres sobre a língua e os sujeitos que nela se inscrevem funcionam em diferentes espaços da rede eletrônica, e o que (não) dizem em debates acerca da política e de suas práticas no Brasil, nas últimas duas décadas. Para isso, constituímos o corpus de análise por materialidades significantes em dispersão, que reúnem crônicas de especialistas em questões de linguagem, memes e comentários postados na rede social Facebook. Tais materialidades circularam em diferentes momentos, mas têm em comum o fato de, ao tratar de questões relacionadas às práticas políticas, voltarem-se à língua e aos seus empregos. Com isso, buscamos contribuir para as discussões propostas neste simpósio aos nos voltarmos aos discursos sobre o(s) político(s) e a língua e ao modo como nesses dizeres imaginariamente direcionados à língua produzem-se sentidos para os sujeitos que nela se constituem, relacionados às suas posições ideológicas.

Palavras-chave: Análise de discurso; língua; sujeito; política; rede social.

 

Minibiografias:

Fernanda Lunkes, professora adjunta da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB), possui doutorado em Estudos de Linguagem (UFF-CNPq) e integra os seguintes Grupos de Pesquisa/CNPq: “Humano, Desumano, Pós-Humano: desdobramentos da invenção do comum nas sociedades, na saúde e nas artes”/UFSB, “Grupo de Teoria do Discurso”/UFF, “Núcleo de Estudos em Práticas de Linguagem e Espaço Virtual”/UFPE.

Silmara Dela Silva possui graduação em Comunicação Social,  Jornalismo, pela UNESP-Bauru (1998), mestrado em Estudos Linguísticos pela UNESP-São José do Rio Preto (2004) e doutorado em Linguística pela UNICAMP (2008). Fez estágio de pós-doutorado no Departamento de Ciências da Linguagem, na UFF, com bolsa FAPERJ [Programa de Apoio ao Pós-Doutorado no Estado do Rio CAPES/FAPERJ] (2009-2010). Atualmente é Professora Adjunta da UFF e pesquisadora do Laboratório Arquivos do Sujeito (LAS), o qual coordena em conjunto com as professoras Bethania Mariani e Vanise Medeiros. É vice-coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Estudos de Linguagem, do Instituto de Letras da UFF e Jovem Cientista FAPERJ (2015/2017). Foi coordenadora do GT de Análise do Discurso da ANPOLL (biênio 2014/2016). Tem experiência como jornalista e docente nas áreas de Linguística e Comunicação Social, e os seus estudos têm como foco a análise dos discursos da/sobre a mídia.


Comunicação 2

O EFEITO METAFÓRICO DA VIOLÊNCIA: quando o gênero é causa mortis

 

Dantielli Assumpção Garcia – PNPD/CAPES-UNIOESTE – dantielligarcia@gmail.com

 

Resumo:

Neste trabalho, da perspectiva teórica da Análise de Discurso, mobilizando as noções de efeito metafórico (PÊCHEUX, [1969] 1997) e gênero (BUTLER, 2003; SAFFIOTTI, 2001), analisaremos um conjunto de notícias jornalísticas acerca do caso de feminicídio de Lucía Pérez, adolescente argentina de 16 anos que foi, no dia 15 de outubro de 2016, drogada, estuprada e empalada em um dos episódios mais brutais de violência contra a mulher na/da Argentina. Entendendo o efeito metafórico como um fenômeno semântico produzido por uma substituição contextual e marcado pelo deslizamento entre formações discursivas, pretendemos analisar como as diferentes notícias dizem sobre esse assassinato e produzem metáforas para falar sobre o feminicídio. Nesses textos jornalísticos, a palavra feminicídio, no processo de transferência, desliza para violência machista, violência de gênero, violência contra as mulheres, terrorismo machista, crime hediondo. Ao analisarmos essas notícias, pretendemos, portanto, discutir como as diferentes metáforas funcionam para indicarem ser o gênero a causa mortis de mulheres nas sociedades patriarcais do século XXI.

Palavras-chave: Análise de Discurso; violência; gênero; efeito metafórico.

 

Minibiografia:

Graduação em Licenciatura em Letras: Português/Espanhol pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (2005), mestrado em Estudos Linguísticos (2008) e doutorado em Estudos Linguísticos também pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (2011). Realizei uma pesquisa de Pós-Doutorado (A Marcha das Vadias nas redes sociais: efeitos de feminismo e mulher, Apoio Fapesp) na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (USP) sob a supervisão da Profa. Dra. Lucília Maria Abrahão e Sousa (2013-2015). Atualmente, realizo junto ao Programa de Pós-Graduação em Letras da Universidade Estadual do Oeste do Paraná uma pesquisa de Pós-Doutorado (A manualização do saber linguístico e a constituição de uma linguagem não sexista) com apoio CAPES sob a orientação do Prof. Dr. Alexandre Sebastião Ferrari Soares.


Comunicação 3

A ficção romanesca de Machado de Assis e a cena da escritura: uma perspectiva do nascimento da literatura moderna brasileira

Jacob dos Santos Biziak – IFPR, campus Palmas – jacob.biziak@ifpr.edu.br

 

Resumo:

Derrida, em “Freud e a cena da escritura”, abre os textos do psicanalista, com destaque a “Notas sobre o bloco mágico”, para um série de deslocamentos que podem revelar interessantes operadores de leitura. A escrita psíquica se realizaria por um jogo de adiamento, em que presente e sentido são marcados pelo jogo de repetições entre aparição e desaparição, vida e morte, legibilidade e ilegibilidade. Logo, qualquer significado é sempre um “mais tarde”, e a escritura, uma abertura violenta que só expressa sentido pela diferença e não pela presença. O pensamento do traço proposto por Derrida coloca entre aspas, sob rasura, os conceitos construídos sobre uma base logo-fono‑falocêntrica, na qual o masculino, identificado ao poder, é comumente associado ao neutro, ao racional, ao universal. Nesse sentido, segundo Carla Rodrigues, estaríamos diante de um “pensamento do feminino”, no qual o desejo de apropriação do sentido se deslocaria para ideias de responsabilidade infinita e hospitalidade incondicional, abrindo a escritura para um sentido impossível, sempre “por vir”. Analogamente, podemos pensar as ideias derridianas de representação da realidade com o surgimento de uma literatura moderna. Nela, a mimesis deixa de ser pensada topologicamente, e, portanto, a ficção narrativa não tem compromisso com concepções pré-existentes sobre o real, encenando seu próprio processo de constituição de sentido. Sendo assim, pensamos que, no Brasil, a obra machadiana constitui uma nova ficção narrativa. Tomando, especialmente, neste estudo, Dom Casmurro, pensamos a representação da cena da escritura derridiana, em que a elaboração da diegese é possibilitada pela recuperação de uma memória cuja estrutura aponta para um sentido não pela presença metafísica deste, mas pela inscrição de traços de leitura interminável, responsável pela escritura das realidades humanas, pela redefinição da ficção e da mimesis na literatura brasileira, e, talvez, para o início do surgimento de uma “literatura brasileira do pensamento feminino”.

Palavras-chave: escritura; literatura brasileira moderna; pensamento do feminino; Machado de Assis.

 

Minibiografia:

Possui graduação em Letras (bacharelado e licenciatura) pela Universidade Estadual Paulista ‑ Campus de Araraquara (2006), mestrado em Estudos Literários pela Universidade Estadual Paulista ‑ Campus de Araraquara (2009) e doutorado pela mesma instituição. Atualmente, é professor do Instituto Federal do Paraná (Colegiado e curso de Letras), campus Palmas, tendo já atuado como docente também no curso de Letras da Universidade Estadual Paulista ‑ Campus de Araraquara. Tem experiência na área de Letras, com ênfase em Literatura e Produção Textual. Atualmente, realiza pesquisa de pós‑doutorado sobre angústia e gêneros sexuais na literatura contemporânea, com ênfase em Saramago; trabalhando com mais detalhes em psicanálise e filosofia como instrumentos de análise transversal do texto literário. Coordena o grupo de estudos “Gêneros sexuais e discursos”, na FFLCH da USP de Ribeirão Preto, e o G.E.Di (“Grupo de Estudos do Discurso”), no IFPR do campus Palmas. Integra, também, o Grupo de Pesquisa GEDISME (Discurso e memória: nos movimentos do sujeito), da Universidade de São Paulo, coordenado pela Professora Doutora Lucília Maria Abrahão e Sousa.


 Comunicação 4

Mídias independentes e internet: das relações entre discurso, ideologia e tecnologia

 

Daiana de Oliveira Faria – USP – daiafariad@gmail.com

 

Resumo:

Nesta pesquisa de pós-doutorado, partimos da perspectiva teórico-metodológica da Análise do Discurso de linha francesa (PÊCHEUX, 1997) para analisar as mídias independentes e alternativas na Internet. Com isso, pretendemos elaborar análises sobre o papel da tecnologia no que tange a efetividade das propostas peculiares desse tipo de mídia, que se coloca na contramão do sistema vigente, decorrendo assim teorizações sobre discurso, ideologia e tecnologia. Para atingir grande número de leitores, tais mídias se valem dos recursos das redes sociais na Internet, que dominam grande parte do funcionamento e conteúdos nesse espaço. Nesse cenário, o Facebook destaca-se enquanto a rede social de maior número de usuários e, por isso, o grande investimento das mídias alternativas nessa rede. Isso posto, selecionamos para análise as propostas de 5 (cinco) veículos midiáticos que se apresentam na rede social supracitada enquanto mídias independentes ou alternativas, quais sejam: Jornalistas Livres; O Cafezinho; Mídia Independente Coletiva – MIC; Mídia Ninja; Outras Palavras.  A partir dessas propostas, pretendemos analisar se e como a Internet como um todo, e as redes sociais em particular, corroboram e efetivam os objetivos de tais mídias. Com isso, pretendemos contribuir com reflexões sobre o papel das tecnologias no que tange ao fazer jornalístico na conjuntura política e ideológica de um país, em particular o Brasil.

Palavras-chave: Mídias Independentes; Redes Sociais; Discurso; Ideologia.

 

Minibiografia:

Pós-doutoranda; Dra. e Ms. em Ciências: subjetivação – processos culturais, linguagem e história; Bacharel em Ciências da Informação e Documentação; FFCLRP – USP, Linha de pesquisa: Análise do Discurso.


Comunicação 5

A VALORAÇÃO EM MANCHETES JORNALÍSTICAS:  O QUE SE ENUNCIA? COMO SE ENUNCIA?

Maria de Fátima Almeida – PROLING/UFPB – falmed@uol.com.br

Manassés Morais Xavier – PROLING/UFPB/UFCG – manassesmxavier@yahoo.com.br

 

Resumo:

O presente trabalho contempla um estudo dialógico de manchetes jornalísticas, entendendo-as como enunciados concretos orientados pelo social e ideologicamente situados. Partimos da concepção de Voloshinov (1976, p. 01) de que “todo enunciado da vida quotidiana comporta – nós o veremos mais adiante –, junto à sua parte expressa verbalmente, uma parte extra-verbal, não exprimida, mas sub-entendida, formada pela situação e pelo auditório. Se não se leva em conta este último elemento, o enunciado ele mesmo não pode ser compreendido. Ora, o enunciado, considerado como unidade de comunicação e totalidade semântica, se constitui e se completa exatamente numa interação verbal determinada e engendrada por uma certa relação de comunicação social”.  Sendo assim, os objetivos do trabalho são: a) discutir a relação entre língua, discurso político e mídia e b) analisar enunciados de manchetes publicadas em portais de notícias nacionais com temática política. A análise se dará a partir de duas concepções teóricas da Análise Dialógica do Discurso (BAKHTIN e o Círculo), a saber: a noção de enunciado concreto e de tom valorativo. Para tanto, selecionamos um corpus de manchetes que exploraram o tema política. Sobre os resultados destacamos que os enunciados analisados são construídos por tons valorativos que, por se situarem historicamente e por, concretamente, convocarem sentidos, possibilitam a compreensão dialógica dos posicionamentos ideológicos dos veículos de comunicação a que se filiam.

Palavras-chave: Análise Dialógica do Discurso; Enunciado Concreto; Valoração; Manchetes.

 

Minibiografias:

Maria de Fátima Almeida: Possui graduações em Letras e em Ciências Jurídicas e Sociais, Mestrado em Letras pela UFPB e doutorado em Letras pela UFPE. É professora associada do Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas da UFPB e professora e orientadora do Programa de Linguística (PROLING/UFPB), atuando na linha Discurso e Sociedade, participando, principalmente, no campo da linguagem, discurso e leitura. Atualmente, integra o grupo de Estudos Bakhtinianos da ANPOLL, é líder do GPLEI/UFPB e desenvolve pesquisas na perspectiva da concepção dialógica da linguagem.

Manassés Morais Xavier: Doutorando em Linguística pela UFPB. Mestre em Linguagem e Ensino pela UFCG. Bacharel em Comunicação Social – Jornalismo – e Licenciado em Letras – Língua Portuguesa, ambas graduações pela UEPB. Professor Assistente de Língua Portuguesa e Linguística da UFCG. Desenvolve pesquisas tendo como referências teórico-metodológicas estudos da Análise Dialógica do Discurso, da Educomunicação, da Linguística Aplicada e das Teorias do Jornalismo.


Comunicação 6

O que será do Amanhã? Discurso e arquivo em jogo no museu

 

Lucília Maria Abrahão e Sousa – FFCLRP/ USP – luciliamasousa@gmail.com

 

Resumo:

Com esse texto, objetivamos analisar, à luz da teoria discursiva proposta por Michel Pêcheux e seus sucessores, recortes de uma exposição do Museu do Amanhã (doravante MA), inaugurado recentemente e tornado ponto turístico na cidade do Rio de Janeiro. Mobilizando os conceitos de sujeito, arquivo, memória e acontecimento discursivos, intentamos estudar alguns pontos que nos instigaram logo de saída em relação a este espaço discursivo: i. os efeitos da escolha desse nome – do Amanhã – para o referido museu e o modo como a voz institucional do MA – cujo arquivo é construído muito pela tecnologia – instala (ou não) efeitos de entretenimento, interatividade ou espetáculo junto aos sujeitos leitores. Intenta-se refletir sobre os desdobramentos do arquivo discursivo, o funcionamento da memória e a constituição da voz institucional nesse espaço museológico como já vimos pesquisando em relação ao Museu da Língua Portuguesa, tendo agora uma outra espessura de objeto em jogo – o museu que se nomeia pelo tempo futuro.

Palavras-chave: Museu do Amanhã; arquivo; memória; acontecimento; Análise do Discurso.

 

Minibiografia:

Lucília Maria Abrahão e Sousa: Formada em Letras, doutora em Psicologia e Livre- Docente em Ciência da Informação. Publicou livros, além de artigos em revistas científicas e capítulos de livros. Coordena o Grupo de Pesquisa “Discurso e memória: movimentos do sujeito”, cadastrado junto ao Diretório de Grupos do CNPQ. É membro do Fórum do Campo Lacaniano de São Paulo.


Comunicação 7

Dicionários Online: o político e o linguístico em discurso

 

Ronaldo Adriano de Freitas – IFFluminense/UFF/CAPES – ronaldofreitas.tec@gmail.com

 

Resumo:

Proponho neste trabalho uma análise da discursividade sobre a língua que circula nos dicionários disponibilizados na WEB, considerando nesses dispositivos novas formas de dizer sobre a língua que afetam seu funcionamento, preceito fundamental da História das Ideias Linguísticas (Auroux/Orlandi) em interlocução com a Análise do Discurso (Pêcheux/Orlandi). Tomando o funcionamento da internet como materialidade discursiva marcada por “condições constitutivas de acontecimentos enunciativos, e constitutivas de acontecimentos discursivos” (Leda Gallo, 2011) e a partir de questionamentos elencados por Horta Nunes (2010) acerca das novas formas de produção de dicionários proponho a análise do funcionamento discursivo dos dicionários online, e do próprio sistema de buscas do Google como um dicionário eletrônico objeto de estudo de minha pesquisa de doutorado, da qual apresento, nesse simpósio, os resultados da primeira fase, destacando os seguintes movimentos: a) o gesto simples e cada vez mais comumente repetido de se procurar pelos sentidos e possibilidades de uso de uma palavra nos buscadores da internet (em especial o serviço do Google); b) a produção de dicionários e outros instrumentos linguísticos especificamente para internet, o que se dá, muitas vezes, de forma colaborativa, ensejando novas formas de efeitos de autoria; e c) os efeitos que essas mudanças tem produzido mesmo na forma tradicional de se produzir e consumir dicionários. Na análise em tela, propõe-se acentuar como tais formas de produção e circulação de saberes permitem a inscrição do político na formulação de um dizer sobre a língua.

Palavras-chave: História das ideias linguísticas; instrumentos linguísticos; discurso; dicionários; internet.

 

Minibiografia:

Mestrado em Estudos de Linguagem pela Universidade Federal Fluminense – UFF (2015). Graduação em Letras – Português-Inglês, pela Universidade do Estado de Minas Gerais – UEMG (2001). Doutorando em Estudos de Linguagem, também pela UFF, realizo pesquisas em História das Ideias Linguísticas em articulação com a Análise do Discurso. Sou professor do Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia Fluminense, ministrando no curso de Letras as disciplinas: Introdução à Análise do Discurso, Leitura e Produção Textual IV, e Organização de Ambientes de Aprendizagem em Língua Portuguesa e Literatura Brasileira, além de atuar no ensino médio e em outros cursos superiores, em disciplinas de leitura e produção de textos. Tenho interesse em questões relacionadas ao ensino de língua portuguesa, à circulação de saberes e produção de instrumentos linguísticos na internet, e ao desenvolvimento teórico da Análise do Discurso Francesa.


Comunicação 8

A REVISTA DO ENSINO E A PRODUÇÃO DO IMAGINÁRIO SOBRE SER DOCENTE

 

Thaís Reis de Assis – IFSMG/UFF – thassisr@hotmail.com

 

Resumo:

O seguinte trabalho consiste em um recorte realizado em uma pesquisa de doutorado, em andamento, acerca da construção do imaginário sobre ser docente  da educação primária em Minas Gerais durante a I República. Com o fim do Império pretendia-se que os então súditos se tornassem cidadãos em uma sociedade em que novos sentidos se construíam em torno de valores urbano industriais. A escola pública e seus sujeitos foram objetos de  um projeto que consolidava a  nova política social da burguesia através dos Grupos Escolares. Esta apresentação objetiva analisar a construção do imaginário e os efeitos de sentido sobre o ser e o fazer docente nos grupos escolares de Minas Gerais através de um impresso pedagógico oficial, no caso a Revista do Ensino. Considera-se o impresso um dispositivo modelador de práticas, estratégia de difusão de modelos pedagógicos e de formação professores.  A análise toma como corpus as edições da Revista do Ensino produzidas entre  1925 – publicação inicial deste periódico-  e 1930 – fim da I República. Busca-se compreender as formações imaginárias e discursivas construídas e instituídas junto aos docentes dos Grupos Escolares de Minas Gerais. Vislumbra-se ainda analisar o processo de identificação e contra identificação do sujeito docente com o discurso produzido pela Revista do Ensino.  A pesquisa utiliza como suporte teórico a Análise de Discurso (autores como Pêcheux,e Orlandi) e para compreensão das condições de produção busca subsídio na história da Educação (Faria Filho e Biccas).  Concluiu-se, até o momento, que a Revista do Ensino foi parte de uma política republicana e um importante mecanismo de formação de professores em exercício capaz de instituir práticas, inculcar valores, modelar a docência sobre o que e como ensinar permeado por um discurso republicano e religioso.

Palavras-chave:  análise do discurso;  imaginário; sujeito; docência; Revista do Ensino.

 

Minibiografia:

Graduada em Pedagogia, Mestre em Arquitetura e Urbanismo, Doutoranda em Estudos da Linguagem pela Universidade Federal Fluminense. Atua como pedagoga do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Sudeste de Minas Gerais – Campus Rio Pomba.


Comunicação 9

O DISCURSO POLÍTICO NA OBRA ANIMAL FARM  DE GEORGE ORWELL E NA ESQUERDA BRASILEIRA DA ÚLTIMA DÉCADA

 

Josane Daniela Freitas Pinto – USP/UEPA – josanedaniela@hotmail.com

 

Resumo:

O escritor George Orwell conta a história do Comunismo Soviético por meio do gênero fábula. Cada uma das personagens representa uma figura pública, como Stalin, Trotsky, etc. Dessa forma, surgiu o interesse de verificar se a crítica feita pelo autor na década de 40 aos partidos de esquerda seria considerada adequada para o discurso apresentado pela esquerda brasileira na atualidade. Usando a Análise Crítica do Discurso (ACD), pretende-se, neste estudo, fazer uma identificação das marcas linguístico-discursivas presentes no discurso das principais personagens do livro Animal Farm, Napoleão e Snowball, e no discurso de dois políticos de esquerda representativos no cenário brasileiro, Lula e Dilma Rousseff, a fim de compreender o papel político que cada um representa; descrever as estratégias de manipulação usadas pelas personagens e políticos estudados. Esta pesquisa terá como referencial teórico: Ash (2012), Orwell (1981) (2016), Perissé (2002), van Dijk (2010), Fairclough, Mulderrig e Wodak (2011), entre outros. A coleta de dados foi feita através da seleção de trechos das falas dos personagens Napoleão e Snowball, bem como a seleção de dois discursos realizados por Lula e Dilma Rousseff. Utilizamos a análise linguística-discursiva para atingir os objetivos estabelecidos para esse estudo. Ressaltamos a importância desta pesquisa para o reconhecimento da atualidade das discussões feitas pelo Orwell nos seus textos literários e ensaios, principalmente, se considerarmos a crise política que está instalada no Brasil.

Palavras-chave: Discurso Político; Análise Crítica do Discurso; Texto Literário.

 

Minibiografia:

Possui graduação em Letras com Inglês pela Universidade Católica do Salvador (1992), mestrado em Letras e Linguística pela Universidade Federal da Bahia (2000) e especialização em Língua Inglesa pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (1996) e especialização em Planejamento de Ensino pela Faculdade de Educação (1993). É doutoranda do DINTER USP/UEPA em Filologia e Língua Portuguesa. É professora assistente da Universidade do Estado do Pará. É coordenadora do curso de Licenciatura plena em Letras- Língua Inglesa/ PARFOR/UEPA. É coordenadora adjunta do curso de Letras/Inglês – UEPA. Participa do Grupo de Estudos em Linguagens e Práticas Educacionais da Amazônia (GELPEA).


Comunicação 10

ENTRE ALENCAR E ROSA

 

Beatriz  Bastos – Escola Parque; UFF – bebatriz@gmail.com

Vanise Medeiros – UFF; CNPq – vanisegm@yahoo.com.br

 

Resumo:

Pensando com Mia Couto “que nenhum escritor tem a seu dispor uma língua já feita” (2011) e tendo como hipótese a contrapartida, isto é, que aquilo que o escritor diz afeta o imaginário de língua – neste sentido estamos pensando a noção de hiperlíngua não apenas no âmbito dos dicionários e gramáticas, como propõe Auroux (1997, p. 247), mas ampliando para os dizeres sobre a língua e os fazeres com ela –, nesta apresentação nos interessa considerar e confrontar os escritos em que José de Alencar e de Guimaraes Rosa se dedicam a comentar sobre a língua; no caso, focalizaremos glossários de ambos. Alencar e Rosa são dois autores que se inscrevem momentos distintos na história da literatura brasileira e da língua; ambos se debruçaram sobre a palavra produzindo glossários. Em José de Alencar os glossários mostram o trabalho do escritor no processo de legitimação de um português do Brasil, surgem como respostas aos seus críticos e trazem à luz uma prática oitocentista do escritor, qual seja, a de desdobrar-se em posição outra em nota de rodapé em seus romances. Em Guimaraes Rosa domina uma preocupação em fazer estranhar a língua já aqui denominada portuguesa e vários dos seus glossários surgem da necessidade de explicar aos tradutores os sentidos e a formação de certas palavras.  Tomando os glossários por escritores como instrumentos linguísticos que se fazem em relação ao dicionário, em relação ao que não coube ou ainda não existe como verbete oficial, ao mesmo tempo como signos de incompletude, de algo que escapa aos sentidos, vamos investigar os diferentes saberes e imaginários sobre língua que comparecem nestes textos. Queremos pensar, a partir dos dois, a historicidade de língua em solo brasileiro.

Palavras-chave: glossários por escritores, língua, Alencar, Guimarães Rosa.

 

Minibiografias:

Vanise Medeiros: Professora adjunta da UFF e bolsista 2 do CNPq. Organizou livros em parceria com Bethania Mariani, Silmara Dela Silva, Lucília M. de Sousa e Alexandre Soares; revistas da pós-graduação com Del Carmem, Bethania Mariani e Verli Petri; publicou artigos em periódicos e capítulos de livro. É uma das coordenadoras do Laboratório Arquivos do Sujeito (LAS) da UFF, com parcerias com os laboratórios Corpus (UFSM) e EL@ DIS (USP-Ribeirão Preto)

Beatriz Bastos: Bacharel com licenciatura em Português e Literaturas de Língua Portuguesa (PUC-Rio). Foi bolsista PIBIC e bolsista PET. Bolsista CAPES durante o mestrado e o doutorado. Concluiu sua dissertação de mestrado, em 2010, e tese de doutorado, em 2014, ambas na PUC-Rio. Atualmente em pós-doc na UFF. Atuação na educação básica e como tradutora.


Comunicação 11

O luto entre a linguagem, o político… e o ato

 

Lauro José Siqueira Baldini – IEL – UNICAMP – BRASIL – ljsbaldini@gmail.com

 

Resumo:

Este trabalho parte de duas premissas: uma, a de que, como diz Lacan, é todo o sistema significante que é convocado quando se constitui uma experiência de luto, por menor que seja; a outra é a de que o luto não é uma operação individual e intrapsíquica, mas sim um ato constituído pela história em suas formas de possibilidade (como coloca Allouch em Erótica do luto). Nesse sentido, não seria importante para nós levar em conta como se constituem, se formulam e circulam discursos de luto? Não poderíamos, seguindo Allouch, nos perguntarmos por versões do luto, tais como as que poderíamos encontrar, por exemplo, em narrativas indígenas, na literatura brasileira, no modo como se narra o sofrimento das mortes cotidianas nas favelas, nas mulheres que abortam clandestinamente, nos milhares de mortos de nossa batalha diária, e que neste momento se torna ainda mais acirrada? Pensar o luto como acontecimento, a partir da psicanálise, implica trazer a questão da memória, da temporalidade e do ato. Em que isso se relaciona com o trabalho do negativo, do absurdo e da metáfora de que nos falou Pêcheux?  Mostraremos que tais questões iluminam nossa compreensão das relações entre masculinidade e feminilidade, da constituição do desejo e, sobretudo, da experiência do luto como algo da ordem de um ato em que uma parte de si é perdida para que se funde o desejo. Neste ato, estão em jogo relações com a memória, com a língua, e com a morte e o erotismo, na medida em que as condições de possibilidade dessas relações se orientam pelo modo como a história possibilita formas linguajeiras da subjetivação de uma perda. E apostar, com Freud e com Lacan, que há um ponto de chegada possível, pois um luto é algo que tem, por essência, um fim.

Palavras-chave: Luto; Psicanálise; Análise de Discurso; Erotismo.

 

Minibiografia:

Lauro José Siqueira Baldini é professor do Departamento de Linguística do Instituto de Estudos da Linguagem (IEL) da UNICAMP. Tem experiência na área de Linguística, com ênfase em Análise de Discurso, trabalhando na articulação entre esta disciplina e os campos do materialismo histórico e da psicanálise. É membro fundador do Centro de Pesquisa PoEHMaS (Política, Enunciação, História, Materialidades, Sexualidades).


Comunicação 12

CRISE CAPITALISTA, REPRESSÃO/RESISTÊNCIA:  SUJEITO, DISCURSO, MUDANÇA

 

Belmira Magalhães – UFAL – brcmagalhaes@gmail.com

 

Resumo:

Após a crise econômica de 2008, que se desenvolve primeiramente nos EUA, país líder do mundo contemporâneo, nada, aparentemente, parece se solidificar; há uma desestabilização efetiva de valores no mundo do trabalho que afeta diretamente as conquistas realizadas pela democracia burguesa em todo o mundo. Essa percepção empírica, que atinge as garantias trabalhistas, promove uma reestruturação no imaginário social, no sentido de obstar perspectivas duradoras para a subjetividade. Embora a crise constitua um fenômeno mundial, a absorção pelos países periféricos, como o Brasil, ocorre de maneira peculiar. As diferentes posições das subjetividades, determinadas pelas contradições de classes, multiplicam-se afetadas pelas novas formas de inserção no mundo dos jovens, das mulheres, dos idosos, em especial. No entanto, nas contradições engendradas pelas relações capitalistas de exploração, nada é fluido, pois tudo ocorre para a acumulação do capital, principalmente em tempo de crise estrutural. Para que a reprodução dessa lógica aconteça, há a necessidade de mudanças no comportamento dos indivíduos, que promovam uma sensação de que só a novidade importa: o último modelo lançado em qualquer área, a nova educação, a nova relação afetiva etc. Muda-se para que o determinante (relações de produção capitalistas) permaneça o mesmo. No Brasil, após destituição da presidenta, vem ocorrendo uma onda conservadora que afeta diretamente a Educação. Através de uma argumentação que exalta a tecnologia, medidas legais vêm transformando o ensino básico, propondo a retirada de qualquer discussão, por exemplo, sobre gênero e tornando disciplinas como artes, educação física, sociologia e filosofia como eletivas. Os estudantes resistem, ocupam as escolas e constroem argumentos para o enfrentamento. As condições históricas e o poder da ideologia feita linguagem chamam ao embate. Sobre esses discursos se voltarão nossas análises, nesse monto, sob a perspectiva da análise do discurso de Pêcheux.

Palavras-chave: capitalismo; mudança; repressão/resistência; discurso; estudantes.

 

Minibiografia:

Belmira Magalhães, Professora titular do Programa de Pós-graduação em Letras e Linguística, da UFAL. Líder dos grupos de pesquisas, do CNPQ,   Discurso e ontologia marxiana – GEDOM. E Gênero e Emancipação Humana.  Publicações na área do discurso, com enfoque em Pêcheux, em revistas nacionais e internacionais, publicação de livros na área. Atualmente realiza pesquisa privilegiando o sujeito do discurso, classes/política e ideologia.


Comunicação 13

Palavras catrumanas em Grande Sertão: Veredas

 

Helena Martins – PUC-Rio/CNPq – lena@puc-rio.br

 

Resumo:

Em uma passagem da famosa entrevista que deu a Gunter Lorenz em 1964, Guimarães Rosa afirma não ser um romancista, mas antes um “contista de contos críticos” – insiste que seus “romances e ciclos de romances são na verdade contos nos quais se unem a ficção poética e a realidade”. Para contribuir com o debate que anima este simpósio, reflito sobre as forças crítico-políticas da ficção poética roseana. A reflexão proposta, que dá relevo à dimensão da linguagem, centra-se no exame de um episódio particular de Grande Sertão : Veredas – o encontro entre Riobaldo e os catrumanos do Pubo, um coletivo de miseráveis que vivem em uma região especialmente remota e isolada do sertão. Trata-se de um episódio que fabula de um modo singular a tensão entre barbárie e civilização, sentido e absurdo, palavra e silêncio. Sustento que se franqueia ali um ponto de vista fértil sob o qual aferir a potência crítico-transformadora da escrita roseana, sobretudo pelo modo como dá a ver e a pensar os nexos entre arte e vida selvagem. Em conexão com a análise proposta, exploram-se criticamente algumas visões teóricas relevantes, em especial a ideia da arte como “reserva ecológica” do pensamento selvagem (Lévi-Strauss) e as relações entre arte, política e devir (Deleuze e Guattari).

Palavras-chave: Literatura; linguagem; selvagem; política.

 

Minibiografia:

Helena Martins é professora do Departamento de Letras da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro e pesquisadora bolsista de produtividade do CNPq, nível 2. Sua pesquisa frequenta a interface entre a filosofia e os estudos da linguagem e da literatura, com interesse especial pelos pensamentos de orientação perspectivista, tomados como ocasiões favoráveis para repensar temas clássicos como a tradução; a metáfora; a tensão entre dizer e fazer; o devir das línguas/formas de vida; as potências da literatura e da arte; os limites da linguagem.


Comunicação 14

SEM CORPO, SEM LÍNGUA, NUM ENTRE-LUGAR: SOBRE OS SUJEITOS TRANSEXUAIS NA MÍDIA

Alexandre S. Ferrari Soares – Unioeste – asferraris@globo.com

 

Resumo:

Neste trabalho, a partir da teoria francesa de análise de discurso fundamentada por Michel Pêcheux, proponho analisar os discursos sobre os sujeitos transexuais, analisando a relação entre a língua, o corpo e a posição-sujeito na constituição de um discurso possível: um (não) lugar fora da língua e fora do corpo para os corpos transexuais. Esses corpos não correspondem aos sentidos estabilizados pelos significantes “homem” e “mulher” e nos leva a questionar a constituição de um sujeito que situa seu corpo em um entre-lugar: entre as posições binárias de gênero legitimadas em nossa sociedade. Analiso um corpus constituído por discursos sobre os sujeitos transexuais produzidos pelo portal G1 (Globo.com) dos últimos 5 anos (2011-2016). A partir dessa análise, surgem pelo menos duas questões: 1. De que forma ao se situar fora daquela binaridade, o corpo transexual (discursivizado, sobretudo, pelo discurso médico-científico) é construído, nas matérias analisadas, a partir de uma relação possível entre o que a língua comporta e o que seu corpo permite? 2. Como os movimentos de constituição do discurso sobre o sujeito-transexual podem ser analisados a partir das relações entre as posições-sujeito, uma vez que tais corpos se inscrevem em um discurso de resistência ao binarismo produzido pelo discurso social de forma a escapar da lógica instituída e dominante?

Palavras-Chave: Discurso; mídia; sujeito; transexualidade; binariedade.

 

Minibiografia:

Alexandre S. Ferrari Soares é professor de linguística da Universidade Estadual do Oeste do Paraná, Campus Cascavel. Doutorado pela UFF e Pós-doutorado pela Universidade de Coimbra.  A partir da teoria francesa de análise do discurso, pesquisa as sexualidades nos meios de comunicação.


Comunicação 15

MATERIALIDADES DE A CARTOMANTE: ATMOSFERAS LITERÁRIAS NO CONTO MACHADIANO

 

Wagner Trindade – Universidade Federal Fluminense – Colégio Pedro II – wagnertrindade@uol.com.br

 

Resumo:

A proposta deste trabalho é analisar a obra machadiana sob a perspectiva das materialidades na literatura.  Nesse sentido, a partir da recuperação da textualidade do conto A cartomante, observaremos como Machado de Assis insere, de modo intencional, uma série de recursos literários já conhecidos pelos leitores de seu tempo para produzir uma atmosfera romântica no conto e, assim, gerar uma expectativa narrativa no público.  O estudo se concentrará na apresentação dessas ambiências presentes no texto machadiano, levando em conta as materialidades do texto e os efeitos da leitura do conto nos leitores, que acabam envolvidos num clima engendrado pelo narrador, mas duramente desiludidos pela quebra de expectativa após um desfecho inesperado das ações narrativas. Para tanto, além da devida análise das partes constitutivas do texto machadiano, apresentaremos aspectos importantes acerca dos estudos envolvendo as atmosferas na literatura, a partir da obra de Hans Ulrich Gumbrecht e seus trabalhos sobre Stimmung, ambiência e atmosfera nas obras literárias.  Inês Gil e Heidrun Krieger também oferecerão um relevante suporte teórico por meio de suas pesquisas envolvendo as atmosferas em outras perspectivas artísticas e na relação entre Stimmung e afetos. Todos esses estudos se mostram consonantes com o viés teórico desse trabalho, que é a reflexão acerca dos efeitos objetivos das atmosferas nas obras literárias.

Palavras-chave: Atmosfera; Stimmung; materialidades.

 

Minibiografia:

Wagner Trindade é doutorando em Estudos de Literatura, subárea de Literatura Comparada, da Universidade Federal Fluminense, sob orientação do Prof. Dr. José Luís Jobim. Professor Efetivo de Língua Portuguesa e Literatura do Colégio Pedro II em regime de Dedicação Exclusiva. Mestre em Estudos Literários pela UFF e integrante do grupo de pesquisa do CNPq intitulado “As trocas e transferência literárias e culturais e a circulação literária e cultural em perspectiva história”.


Comunicação 16

FUNCIONAMENTO E EFEITOS DE SENTIDO: UMA ANÁLISE EM DISCURSOS PRODUZIDOS POR INDÍGENAS TUPINIQUINS

 

Adriana Recla – Faculdades Integradas de Aracruz (FAACZ) – arecla@gmail.com

 

Resumo:

Em contribuição aos estudos propostos pela Análise do Discurso de linha francesa, temos a proposta de analisar o discurso A mulher e a cobra, produzido por indígenas tupiniquins, localizados em Aracruz, estado do Espírito Santo-Brasil e editado na coletânea Os tupinikim e guarani contam..., organizada por Edivanda Mugrabi (2005).  Buscamos nas propostas de Maingueneau (2005, 2006, 2008, 2015) os processos metodológicos para a análise do texto selecionado. Nosso objetivo é verificar como as relações interdiscursivas, as representações de tradição e os traços históricos e socioculturais materializados linguisticamente no corpus constroem um lugar social de indígena. Partimos do pressuposto de que os modos de dizer dos discursos indígenas estão submetidos a um sistema de restrições semânticas que orquestra todas as dimensões do discurso e, ao mesmo tempo, organiza tanto a produção quanto a circulação desses discursos. Elegemos as categorias de interdiscurso, semântica global, cenas de enunciação e de ethos discursivo por entendermos que operam no funcionamento das práticas culturais do cotidiano vivenciadas pelos sujeitos da população indígena tupiniquim e desvelam os efeitos de sentido ali presentificados.  Verificamos que o discurso produzido pelo indígena tupiniquim é revelador de componentes significativos do contexto histórico-social, na medida em que por meio dele é possível reconstruir aspectos da língua, do homem e da sociedade, e ao mesmo tempo desvelar o mundo que envolve, explica e compreende seu próprio contexto, registrando o estado atual dos aspectos culturais dessa população.

Palavras-chave:  Análise do Discurso;  Práticas Discursivas Tupiniquins; Efeitos de Sentido.

 

Minibiografia:

Doutora em Língua Portuguesa pela PUC-SP e mestre em Língua Portuguesa pela PUC-SP. É professora das Faculdades Integradas de Aracruz-FAACZ-ES. É membro do Grupo de Pesquisa ‘Memória e Cultura na Língua Portuguesa escrita no Brasil’ (PUC-SP). Já participou da coletânea editorial CAELE (Coletânea Acadêmica de Estudos em Letras e Educação) com artigos publicados em edições anteriores.


Comunicação 17

Configuração linguística em A rainha Ginga de José Eduardo Agualusa: movimentos deíticos e construção textual

 

Cheyenne Carla da Silva Ribeiro – Université Paris 8 Vincennes – Saint-Denis e Universidade de São Paulo – cheyenneribeiro@hotmail.com

 

Resumo:

O presente trabalho consiste em um recorte, uma focalização específica de nossa pesquisa principal, que pretende discutir a questão do cômico na obra romanesca A Rainha Ginga, do autor angolano José Eduardo Agualusa. Tendo em vista que os discursos se constroem a partir dos domínios de pessoa, espaço, tempo, noção e modo, e interligam-se em movimentos de aproximação e distanciamento do EU, elemento primordial do discurso, nosso objetivo é caracterizar através dos mecanismos gramaticais deíticos a configuração do risível na expressão discursiva do romance. Desse modo nosso percurso metodológico compreende uma análise comparativa da articulação desses enunciados – produto irrepetível – embasados na teoria semântica de Pottier, nas considerações sobre o implícito de Kebrat-Orecchioni e no “não-dito” de Ducrot. Nossa investigação nos possibilita concluir, até o momento, a heterogeneidade com que o cômico é abordado na obra levando-se em consideração os movimentos deíticos sob uma perspectiva textual.

Palavras-chave: cômico; discurso; dêixis, semântica; implícito.

 

Minibiografia:

Cheyenne Carla da Silva Ribeiro possui graduação em Letras e respectivas literaturas, mestre em Études Lusophones pela Universidade Paris 8 Vincennes-Saint-Denis e doutoranda em Études Lusophones (Linguística e Literatura) também pela Universidade Paris 8 Vincennes Saint-Denis, orientada pela Professora Doutora Maria Helena Araújo Carreira em cotutela com a Universidade de São Paulo, orientada pela Professora Doutora Sandra Margarida Nitrini.


Comunicação 18

A DELEGAÇÃO DE PODER DO POVO POR MEIO DO DISCURSO POLÍTICO

 

Karina Klinke – UFU – karina.klinke@ufu.br

 

Resumo:

Esta comunicação tem por objetivo refletir sobre o funcionamento da linguagem no discurso político elaborado em favor da proposta de Emenda à Constituição do Brasil, que altera o Ato das Disposições Constitucionais Transitórias para instituir o Novo Regime Fiscal em 2016. Para tanto, utiliza como fonte os discursos contidos nas propagandas do governo federal veiculadas na mídia de massa: televisão e imprensa. A análise das fontes se fundamenta no conceito de “delegação” de Pierre Bourdieu (1984), por meio do qual a sociedade civil (mandante) transfere poder aos políticos (mandatários) como seus representantes, de modo a autoriza-los “a assinar em seu lugar, a agir em seu lugar, a falar em seu lugar”. Interpreta, a partir desse pressuposto, o fetichismo político produzido na deturpação das necessidades do mandante por parte do mandatário, que assume uma postura de usurpador de seu papel de porta-voz da sociedade. Verifica, assim, como os políticos, por meio do discurso, dissimulam a usurpação do poder do povo ao criar uma tecnologia social específica em favor do aparelho estatal. Assumem, desta feita, o papel de delegados do aparelho por meio da inversão do quadro de valores sociais, de modo que a alienação política deixe de ser percebida e o Estado tenha sempre razão.

Palavras-chave: discurso; política; Bourdieu; delegação; Brasil.

 

Minibiografia:

Karina Klinke – possui graduação em Pedagogia (UFG), mestrado e doutorado em Educação (UFMG) e pós-doutorado em História Moderna e Contemporânea pela Unicamp. É professora associada na UFU, onde coordena a Linha de Pesquisa Estado, Políticas e Gestão da Educação do Programa de Pós-Graduação em Educação, é editora da Revista Educação e Políticas em Debates e líder do Grupo de Pesquisas em Política de Leitura, Escrita, Livros e Linguagens.


Comunicação 19

O que pode a poesia nesse mundo de coisas-a-saber? Versões do feminino na poética contemporânea

Tyara Veriato Chaves, IEL – UNICAMP – BRASIL – tyaraveriatoc@gmail.com

 

Resumo:

Pêcheux, em Estrutura ou Acontecimento (1983), diz que ao lado de objetos discursivos de talhe estável, existem aqueles outros sobre os quais ninguém pode estar certo do que está falando, justamente porque a sua existência é regida pela maneira como se fala deles. E fala-se de gênero, de sexo e desejo, nos corpos que militam, nos textos acadêmicos, nas artes, nas esquinas, na poesia, dentre tantos outros lugares. Ao mesmo tempo, Pêcheux nos alertou sobre a ‘evidente’ divisão entre o científico, o sério e o racional, de um lado, e o poético, o jogo das palavras e a loucura, de outro, ao colocar que a poesia não é o ‘domingo do pensamento’, mas uma arma quente. Barthes (1966), por outra via nos fala de uma escritura que é intransitiva: não se escreve por, nem para que algo aconteça, a escrita é o acontecimento que abala o mundo. Neste sentido, a partir do diálogo entre saberes do campo do discurso e da literatura, proponho um olhar sobre a produção de poetas contemporâneas (de início, Angélica Freitas e Ana Martins Marques) com o intuito de perceber como se produzem versões do feminino e das mulheres em suas obras. Como disse Orlandi (1996), o que há são versões e isto nos coloca diante de uma relação entre língua, memória e acontecimento, em que são produzidas coisas-a-saber (a mulher é isso ou aquilo, x ou y…) frente a um real que é impiedoso e que resiste ao sentido: “o poema aprende com o mar/ a colocar os corpos em perigo”, é o que escreve Ana Martins Marques, justamente nos apontando para esse lugar em que a ligação entre coisas e palavras está sempre sob o risco de navegar no equívoco.

Palavras-chave: Poético; Mulheres; Feminino; Análise do Discurso.

 

Minibiografia:

Tyara Veriato Chaves é doutoranda em Análise do Discurso no Instituto de Estudos da Linguagem (IEL) da UNICAMP sob a orientação da Profa. Dra. Mónica Zoppi Fontana. É bolsista CNPq e integra o grupo de Pesquisa Mulheres em Discurso – Lugares de Enunciação e Processos de Subjetivação.


Comunicação 20

O linguístico e o político em discurso: reflexões sobre a educação de adultos no Brasil e a criação dos Centros de Estudos Supletivos no Rio de Janeiro

 

Luziana de Magalhães Catta Preta –  Colégio Pedro II – RJ – luzianamcp@gmail.com

 

Resumo:

Esta comunicação objetiva discorrer sobre a educação de adultos com base em um estudo realizado nos Centros de Educação de Jovens e Adultos (CEJA), escolas estaduais em exercício no Estado do Rio de Janeiro, Brasil. A pesquisa fundamenta-se na análise de discurso de base enunciativa (MAINGUENEAU, 2010). Discorre, ainda, sobre a noção de fórmulas discursivas (KRIEG-PLANQUE, 2010) e enunciação aforizante (MAINGUENEAU, 2010), como consequência de enunciados oriundos desse segmento escolar. Para a realização do trabalho, aponta-se, por meio das leis de base de educação nacional, o período histórico no Brasil em que se deu a criação dos centros de estudos supletivos – assim designados inicialmente –e ressalta-se que as referidas instituições têm como característica principal o estudo semipresencial efetivado por meio de módulos didáticos. Desse modo, entrevistamos professores que haviam atuado/atuavam nessas escolas, buscando perceber como desenvolviam sua atividade docente e sua visão sobre a instituição e sobre o corpo discente. Em seguida, investigamos como os alunos se percebiam dentro desse contexto educacional. Evidenciam-se, neste momento do trabalho, os efeitos de sentido produzidos por esses discursos e o papel que desempenham na constituição da identidade dos aprendizes adultos, uma vez que podem contribuir para reforçar o estigma atribuído aos sujeitos constituintes dessa modalidade de ensino. Em um primeiro momento, nos foi possível perceber, por exemplo, que o termo “supletivo” foi incorporado às políticas de educação de adultos e que o mesmo apresenta características de “fórmula discursiva”. A partir do corpus de entrevistas realizadas com os professores e alunos, observa-se, igualmente, que concepções designadas aos aprendizes em períodos educacionais anteriores ainda perpassam o discurso de alguns professores. Além disso, percebe-se o lugar central que o discurso ocupa na compreensão das identidades dos adultos que retornam aos bancos escolares.

Palavras-chave: Educação de adultos; análise do discurso; alunos e professores.

 

Minibiografia:

Luziana de Magalhães Catta Preta possui graduação em Letras pela UFRJ (1988), especialização em Língua Espanhola-Instrumental para Leitura pela UERJ (2004), mestrado (2008) e doutorado (2013) em Letras pela UFF, onde desenvolveu pesquisa sobre o ensino de espanhol, com ênfase em Leitura e na Educação de Jovens e Adultos. É professora de espanhol do Colégio Pedro II, atuando no Ensino Médio e na pós-graduação, e professora aposentada da Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro.


Comunicação 21

Reflexões sobre discurso político: interfaces enunciativas

 

Lúcia Helena Martins Gouvêa – UFRJ

Maria Aparecida Lino Pauliukonis – UFRJ – aparecidalino@gmail.com

Rosane Santos Monnerat – UFF

 

Resumo:

Estudar a língua implica levar em conta a enunciação, que se manifesta como acontecimento histórico de produção do enunciado, imprimindo nele as marcas indiciais de sua realização. Todo enunciado, porém, só pode ser interpretado  em referência à situação de comunicação em que é produzido, e analisá- lo é reconhecer que operações enunciativas o realizam.  A partir de um dos  eixos temáticos deste Simpósio – o político – , nossa pesquisa objetiva apresentar  uma análise  de discursos midiáticos sobre candidatos das eleições de 2016, para as prefeituras das cidades do Rio de Janeiro e de São Paulo. Apresenta, como proposta,  um estudo contrastivo de marcas de operações linguístico-discursivo presentes em  corpora de textos coletados em 2016,  em dois periódicos, um do Rio de Janeiro e outro de São Paulo. No que concerne ao referencial teórico, é um trabalho de interfaces, que se baseia nos princípios da transdisciplinaridade, uma vez que pretende analisar como se articulam de um lado princípios da teoria  Semiolinguística do Discurso, de Patrick Charaudeau (1992),      que estuda a ação dos sujeitos sociais e enunciadores, regidos por um “contrato de comunicação” – e de outro,  os  conceitos mais gerais ligados  às Teorias da Enunciação, propostos  por Benveniste (1976) e por  Ducrot (1988).  Também se levará em conta a visão pioneira de Bakhtin (1929), para quem a situação discursiva determina as práticas culturais do leitor e do escritor, ambos ideologicamente constituídos e sócio-historicamente determinados.

Palavras-chave: enunciação; discurso midiático; marcas indiciais.

 

Minibiografias:

Lúcia Helena Martins Gouvêa: Fez graduação em Letras pela Fundação Universidade Federal do Rio Grande (1980), mestrado em Letras pela Universidade Federal Fluminense (1990), doutorado em Letras (Letras Vernáculas) pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (2002) e pós-doutorado em Estudos da Linguagem pela Universidade Federal Fluminense (2016). Atualmente é Professor Associado I da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Tem experiência na área de Letras, com ênfase em Língua Portuguesa, atuando principalmente nos seguintes temas: pathos, ethos, subjetividade, enunciação, argumentação, modos de organização do discurso, teoria semiolinguística do discurso e textos midiáticos.

Maria Aparecida Lino Pauliukonis: Titular de Língua Portuguesa do Departamento de Letras Vernáculas da  UFRJ. Mestre em Literatura pela USP, Doutora em Língua Portuguesa pela UFRJ, com Pós- Doutorado em Análise do Discurso pela Universidade Paris 13. Coordena o Grupo de pesquisa CIAD-Rio e atua nas áreas de Linguística do texto e língua, discurso e ensino. Tem publicações em estudos semânticos,  textuais e discursivos.

Rosane Santos Mauro Monnerat: Professora Titular da Carreira do Magistério Superior, da Universidade Federal Fluminense. É Doutora em Letras Vernáculas – Língua Portuguesa – pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, com Pós-Doutorado em Estudos Linguísticos pela Universidade Federal de Minas Gerais. Atua nas áreas de Análise do Discurso, Linguística do texto, Língua / Ensino, com publicações nessas áreas.


Comunicação 22

LULA: uma voz do Estado e do Partido dos Trabalhadores no The New York Times?

 

Carla Carvalho Silva – Faculdade Pereira de Freitas/Rede Doctum – carla.carsil@gmail.com

 

Resumo:

Em meados de junho de 2013, teve início um processo de manifestações no Brasil que se configurou como um dos maiores movimentos das duas últimas décadas da história desse país. O evento, que contou com repressão da polícia e ampla divulgação pela mídia, acabou se tornando uma manifestação de âmbito nacional, estendendo-se para outras capitais e cidades do país e, rapidamente, o movimento alcançou a mídia internacional. Diante desses acontecimentos, chamou-nos a atenção o artigo assinado pelo ex-presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, veiculado no jornal norte-americano The New York Times, no dia 16 de julho de 2013. Com o título de The Message of Brazil’s, o texto abordava as referidas manifestações a partir da perspectiva singular do ex-presidente.  Sabendo da significativa representatividade de Luiz Inácio no cenário internacional e da situação contextual da produção desse discurso, buscamos com esta pesquisa investigar como o cenário político-social brasileiro fora divulgado em um jornal de ampla circulação mundial a partir análise do ex-presidente. Para tal, avaliamos o artigo à luz das proposições de Michel Pêcheux (1997) sobre as condições de produção de um discurso; Louis Althusser (1998) sobre os Aparelhos Ideológicos de Estados; e Marilena Chauí (1993) a respeito da Ideologia. Partimos do pressuposto de que, no seu discurso, Luiz Inácio valida a ideologia de uma classe dominante e, para além disso, evidencia como um Aparelho Ideológico de Estado (AIE) está a serviço dessa classe. O resultado aponta para uma prática discursiva que legitima junto à opinião internacional a permanência de um grupo específico no exercício do poder de Estado, mesmo diante de uma crise político-social iminente.

Palavras-chave: Discurso; Poder; Ideologia.

 

Minibiografia:

Carla Carvalho Silva é mestre em Letras – Discurso e Representação Social – pela Universidade Federal de São João del-Rei (2014). Possui graduação em Letras – Língua Portuguesa – e Bacharelado em Estudos Linguísticos pela Universidade Federal de Ouro Preto (2009). Atualmente, é docente do curso de Letras na Faculdade Pereira de Freitas/Rede Doctum, em Ipatinga, Minas Gerais, Brasil. Também é professora de Língua Portuguesa do Ensino Fundamental em rede privada de ensino na referida cidade.


Comunicação 23

Roma é anagrama de Amor; Saussure é anagrama de…

 

Ana Paula G. El-Jaick – UFJF – anapaulaeljaick@gmail.com

 

Resumo:

Este é um trabalho que investiga a ideia dos anagramas, de Ferdinand de Saussure. O objetivo maior aqui é retomar a contribuição que tal pesquisa do mestre genebrino, em geral ignorada pelos estudos da linguagem, traz para pensarmos o literário e o linguístico (advogando pela impossibilidade de tal separação abstrata). Mais especificamente, nosso objetivo é retomar as análises de Saussure não como norma poética, mas como uma possibilidade interessante de leitura literária. Este trabalho se justifica não apenas pela notória importância da perspectiva linguística saussuriana para os estudos da linguagem, mas, também, como uma pesquisa que pretende sublinhar a indissociabilidade do poético e do linguístico. Como esta investigação é essencialmente conceitual, nossa metodologia consistiu basicamente de pesquisa bibliográfica; ou seja, investigamos tanto a fonte primária quanto fontes secundárias. Nosso pressuposto teórico é a História das Ideias Linguísticas não teleológica tal como formulada por Sylvain Auroux. Nossa hipótese é que o tropeço de Saussure tenha sido acreditar na descoberta de um Princípio Maior que regesse a criação de todos os poemas por ele analisados. Resgatamos a ideia linguística saussuriana como uma possível chave de leitura para alguns poemas – de algumas escolas poéticas.

Palavras-chave: Ferdinand de Saussure; As palavras sob as palavras; Jean Starobinski; Linguagem; Literatura.

 

Minibiografia:

Ana Paula G. El-Jaick: Professora Adjunta da Faculdade de Letras da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). Pós-doutora pela Universidade Federal Fluminense (UFF). Doutora em Estudos da Linguagem pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (2009), tendo desenvolvido estágio doutoral na École Normale Supérieure (Paris). Tem experiência na área de Linguística, com ênfase em Filosofia da Linguagem. Atualmente coordena o Grupo de Pesquisa TRAÇO, cujas pesquisas estão no entremeio da Linguística, Literatura e Filosofia da Linguagem.


Comunicação 24

Narrativas Infantis às avessas: uma análise linguístico-discursiva dos personagens do mundo encantado na publicidade contemporânea

Simone Dália De Gusmão Aranha – Universidade Estadual da Paraíba (UEPB) –  simone.dalia@yahoo.com.br

 

Resumo:

Na publicidade contemporânea, a recorrência a personagens do mundo encantado das narrativas infantis (reis, rainhas, bruxas, lobos e outros), configura-se como uma estratégia mercadológica bastante eficaz. Isso porque os contos de fada atenuam o intuito comercial do discurso publicitário, e, consequentemente, envolve o seu público alvo para o consumo. Considerando essa estratégia, o presente estudo tem o propósito de analisar os discursos ativados em publicidades que utilizam a figura desse tipo de personagens na sua composição. Adotamos uma perspectiva de análise de cunho qualitativo-interpretativo e os princípios teóricos e metodológicos da Análise de Discurso de base francesa, que considera o discurso como efeito de sentidos entre os sujeitos, e da Teoria Bakhtiniana de Gêneros, que associa os gêneros discursivos às diversas esferas da sociedade. Considerando que a publicidade é um gênero discursivo híbrido (utiliza-se de textos verbais, não verbais e multimodais), também será explorada a relação palavra/imagem, articulando os elementos da narrativa, os aspectos multimodais e o discurso publicitário. A análise das publicidades revelam que várias formações discursivas são postas em evidência e que, ao “transgredir” a tradição dos contos de fadas, os discursos mobilizados se consolidam como uma forte manobra persuasiva, pelo seu poder de interpelar vontades nos sujeitos consumidores, e, de impulsionar, radicalmente, novos papeis sociais.

Palavras-chave: Contos de Fadas; Discurso Literário; Discurso Publicitário; Multimodalidade.

 

Minibiografia:

Simone Dália de Gusmão Aranha: Doutora   em   Letras   pela   Universidade   Federal   da   Paraíba.   Professora do Departamento   de   Letras   e   Artes   e  Coordenadora   da   Pós-Graduação   em   Formação   de   Professores,  da Universidade Estadual da Paraíba. Tem experiência na área de Letras, com ênfase na relação entre discursos, mídias e tecnologias digitais. Interessa-se por estudos de gêneros discursivos na interface com linguagens (verbais, não verbais e multimodais), bem como de fenômenos linguísticos – da Língua Portuguesa – com enfoque enunciativo e discursivo em gêneros diversos.


Comunicação 25

Gestão dos espaços canônico e associado nas plataformas de leitura Wattpad e Widbook

 

Amanda Chieregatti, Universidade Federal de São Carlos – UFSCar – amandachieregatti@yahoo.com.br

 

Resumo:

Em um período em que ainda se diz que o livro vai acabar, dada a facilidade proporcionada pelas novas plataformas de leitura, tanto e-readers quanto comunidades na internet que disponibilizam textos para leitura livre, que propõem um novo suporte para a cultura escrita, escritores independentes que publicam inicialmente por meio dessas plataformas ainda precisam da consagração oferecida pelo “objeto livro”, no formato impresso. Assim, tendo em mente a história do livro, isto é, considerando sua produção antes da invenção de Gutenberg e daí à sua substituição pelos microfilmes nas grandes bibliotecas (CHARTIER, 1997; DARNTON, 2010), nota-se uma tendência atual para o percurso inverso: o livro precisa sair da tela para o papel para ser legitimado. Com essa hipótese de trabalho, buscamos explorar o conceito de livro (como, por exemplo, em RIBEIRO, 2011), bem como livro eletrônico e livro on-line, frequentemente tidos como sinônimos, delimitando como objeto de estudo duas plataformas de leitura online: Wattpad e Widbook. Procuramos observar como cada uma das comunidades discursivas que suscitam se relaciona com os textos que disponibilizam, bem como o modo de apresentá-los e denominá-los. Buscamos, portanto, compreender a influência do mídium (MAINGUENEAU, 2008) no modo como o material é recebido pelos leitores e como isso afeta o trabalho dos escritores. É pertinente mencionar, ainda, como essa forma de mediação editorial põe em relevo a relação do espaço canônico com a decorrente gestão do espaço associado (MAINGUENEAU, 2012): essas plataformas de leitura permitem – e mesmo obrigam – que o escritor seja responsável pela gestão do que produz, uma vez que seus textos não passam por qualquer tipo de tratamento editorial institucionalizado, e, também, do que se diz sobre o que produz, já que é o responsável por fazer sua obra circular, na maioria das vezes por meio de redes sociais.

Palavras-chave: Espaços canônico e associado; Mídium; Discurso literário; Leitura; Livro.

 

Minibiografia:

Graduada em Bacharelado em Linguística pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar); mestranda no Programa de Pós-graduação em Linguística (PPGL-UFSCar), pesquisa intitulada “Mídium e gestão dos espaços canônico e associado nas plataformas de leitura Wattpad e Widbook” (Fapesp – Processo: 2016/02301-6). Desenvolveu um projeto de iniciação científica intitulado “Jane Austen: uma autora feminista?” (Fapesp – Processo: 2013/07897-6).


Comunicação 26

A cidade e seus habitantes: trânsito de sentidos

 

Maria do Socorro Pereira Leal – Universidade Federal de Roraima (UFRR) – socorropleal2010@hotmail.com

 

Resumo:

Com o propósito de tematizar o modo pelo qual língua e história se articulam na atualidade, traremos um dos aspectos investigados em um projeto, em andamento, em que são analisadas discursividades acerca da capital de Roraima, Boa Vista, e seus habitantes. À luz da teoria discursiva (conforme proposta por Pêcheux (1997) e Orlandi (2001)), nesta apresentação, nos voltamos sobre a língua observando seu jogo incessante com o político, processo de redivisão e disputa de determinados sentidos sobre um imaginário de cidade e dos que nela habitam. Que trajetos vão delineando sentidos e posições discursivas ao dizer de si e do espaço em que se vive? Interessa-nos provocar aquilo que se impõe como evidência e explicitar possíveis (e necessárias) relações com sentidos que poderiam, mas não fluem na linearidade do dizer. Com isso, almejamos promover uma reflexão sobre o que se cerca e o que não se deixa limitar pelo perímetro dos sentidos óbvios.

Palavras-chave: Político; língua; história; Boa Vista; cidade.

 

Minibiografia:

Maria do Socorro Pereira Leal possui graduação em Letras pela UFPI (1988), mestrado (2006) e doutorado (2011) em Letras, pela Universidade Federal Fluminense (UFF). Desde 1993, é professora adjunta, com dedicação exclusiva, da Universidade Federal de Roraima (UFRR). Publicou e organizou livros; publicou artigos em revistas e livros.


Comunicação 27

Funcionamento discursivo do sistema editorial e da produção de livros no Brasil contemporâneo

Thiago Mattos de Oliveira – Universidade de São Paulo, USP, e Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, FAPESP – thiagomattos.lit@gmail.com

Phellipe Marcel da Silva Esteves – Universidade do Estado do Rio de Janeiro, UERJ – phellipemarcel@gmail.com

 

Resumo:

Neste trabalho, escrito das perspectivas da História do Livro (Lefevere e Wolikow) e da Análise do Discurso (Pêcheux e Orlandi), pretendemos investigar de que modo o sistema editorial brasileiro, por meio da base material linguística e também das condições materiais de produção/existência de seus trabalhadores e livros, faz circular sentidos sobre literatura, tradução, trabalho e ciência. Partimos analiticamente de um gesto editorial supostamente mínimo (a explicitação impressa ou não da identidade dos trabalhadores envolvidos na produção de enciclopédias, na página de créditos ou no colofão) e chegamos a uma análise de como as editoras operam na escolha e manipulação (no sentido proposto por Lefevere) de títulos, autores, tradutores etc. Recentemente, ao se inscreverem numa prática de esvaziamento de determinadas editorias, as grandes casas de edição privilegiam outras editorias — e outras línguas —, não coincidentemente preferindo publicar, de modo geral, livros traduzidos provenientes de língua inglesa ou livros como “histórias politicamente incorretas”, provocando efeitos de sentido conservadores e reforçam o discurso dominante. Finalmente, pretendemos também nos questionar se há espaço (e como se daria) para resistência nesses discursos em circulação no sistema e na prática editoriais.

Palavras-chave: Edição e tradução; História do livro; Análise do discurso.

 

Minibiografias:

Thiago Mattos de Oliveira atualmente é doutorando do Programa de Estudos Linguísticos, Literários e Tradutológicos do Francês, na USP, sob orientação de Álvaro Faleiros. Em 2015, concluiu o Mestrado em tradução literária na mesma universidade. Foi professor de língua francesa no Programa de Letras Estrangeiras Modernas (UFF) e dos Cursos Extracurriculares de Francês (USP). Tem dois livros de poemas publicados: Teu pai com uma pistola e Casa devastada. Entre seus interesses teóricos, elencam-se os estudos de tradução e teoria literária.

Phellipe Marcel da Silva Esteves é professor do Departamento de Estudos da Linguagem do Instituto de Letras da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Doutor em Estudos de Linguagem (UFF), mestre em Letras: Língua Portuguesa (Uerj) e graduado em Comunicação Social: Jornalismo (UFRJ), tem se dedicado, duma perspectiva discursiva-materialista, a estudar a história do livro no Brasil. Também tem como áreas de interesse os discurso sobre comida e alimentação, epistemologia e transformação social.


Comunicação 28

Laços que se estranham na discursividade do afeto

 

Nicole Corte Lagazzi – UFPB-PB – nicolelagazzi@gmail.com

Suzy Maria Lagazzi – UNICAMP-SP – slagazzi@gmail.com

 

Resumo:

Esta comunicação apresenta a análise do conto Feliz Aniversário, que integra o livro Laços de Família, obra de 1960, de Clarice Lispector. Na intersecção entre a literatura, a psicanálise e a análise do discurso, discutimos o sujeito na relação entre o familiar e o estranho, prestando especial atenção à repetição presente no texto de Clarice, assim como à relação entre desconhecimento e reconhecimento, que compõe o processo de identificação do sujeito. Uma de nossas afirmações é a de que na falha constitutiva da identificação do sujeito está posto o estranhamento. Pensamos a falha estruturando o ritual da interpelação, um ritual simbólico, materializado na incompletude da linguagem e na contradição da história. A análise de Feliz Aniversário nos permitiu transitar no entrecruzamento de questões densas, um espaço de contradição que fala do sujeito na sua impossibilidade de ser um.

Palavras-chave: Discurso, Sujeito, Estranhamento, Contradição, Literatura e Psicanálise.

 

Minibiografia:

Autora 1 – Mestranda em Letras (Literatura e Psicanálise) pela UFPB. Especialista em Teoria Psicanalítica pela UFMG e em Processos Criativos em Palavras e Imagens pela PUC-MG. Atualmente é membro do corpo clínico do Espaço Psicanalítico (EPSI) e integra o Núcleo de Pesquisa e Produção em Clínica Psicanalítica (NEPSI).

Autora 2 – Professora Doutora do Departamento de Linguística do IEL/Unicamp desde 1999, integra o Centro de Pesquisa PoEHMaS (IEL/Unicamp) e lidera, no CNPq, os grupos de pesquisa: O discurso nas fronteiras do social: diferentes materialidades significantes na história, e Linguagem e cinema: o gesto em foco. É pesquisadora associada do Labeurb (Nudecri/Unicamp).


Comunicação 29

O enlace entre língua e sujeito-feminino na/pela poesia

 

Eliana de Almeida – Unemat – tofinho@yahoo.com.br

 

Resumo:

Perguntamos ainda pelo sujeito sob as vendas da poesia na língua; pelo sujeito que (se) diz e se confunde no como (se) diz, e que, conforme Pêcheux (1988, p. 300), em sua retificação teórica no Anexo 3, referindo-se a Lacan, se marca enquanto causa daquilo que falha. Supomos os estudos da poesia como espaço da relação língua/sujeito, o que, pela Análise do Discurso, a partir de Pêcheux (1988; 2004), Milner (2012), Orlandi (2007), Lemos (2009), Mariani (2007), dentre outros, buscaremos melhor compreender. A poesia se marca, para nós, pelo/no jogo significante da língua, ao mobilizar do repetível das formulações o seu impossível, o que não cabe nas combinações entre fonemas, palavras, sintaxes, etc. Para Lemos, esse funcionamento da/na língua é o indício da relação mesma entre aquele que formula e suas formulações – o poeta e seu texto, nos termos de Nazar (2009). Nessa direção, buscaremos compreender os modos pelos quais o sujeito-poeta se circunscreve na língua, pela/na poesia que produz, a partir das produções poéticas de Hilda Hilst (1930 – 2004), numa relação com a poesia de Marilza Ribeiro (1934), uma poetiza mato-grossense. Há na poesia as marcas linguísticas que enlaçam e definem o sujeito feminino enquanto seu formulador? como se materializam essas Marcas?

Palavras-chave:  Língua; linguagem; sujeito.

 

Minibiografia:

Possui Mestrado (2000) e Doutorado (2006) em Lingüística, pela Universidade Estadual de Campinas – UNICAMP. Atua como professora no Curso de Letras – Campus de Pontes e Lacerda, da Universidade do Estado de Mato Grosso – UNEMAT e no Programa de Pós-graduação em Linguística da UNEMAT – Cáceres. Tem experiência nas disciplinas de Lingüística, Produção de Textos, Semântica e Análise do Discurso e é pesquisadora do Grupo de Pesquisa Cartografias da Linguagem (CNPq/UNEMAT) e do Grupo Teoria do Discurso (CNPq/UFF/LAS). Nos estudos da linguagem, desenvolve atualmente suas pesquisas sobre os processos de subjetivação e identificação na língua/discurso, problematizando, pela Análise do Discurso, o lugar/os modos da poesia na língua, pelo pressuposto discursivo da relação Língua/Sujeito.


Comunicação 30

A linguagem e sua produção de temporalidades

 

Maria Claudia Gonçalves Maia Americano do Brasil – Instituto de Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro/ Universidade Cândido Mendes – mariacgmaia@gmail.com

 

Resumo:

Entendendo a literatura como uma prática de linguagem que coloca em movimento a relação entre língua e história, este trabalho propõe-se a investigar a questão da construção da memória como temporalidade através das reminiscências de Proust, em Em busca do tempo perdido, e as epifanias de James Joyce, no conto Os mortos. Para o desenvolvimento desse tema, a psicanálise será o principal campo teórico de apoio, em especial a contribuição freudiana do conceito de a posteriori, isto é, de um tempo paradoxal – tempo do inconsciente – que traz à cena o non sense articulado na causa do Real. Uma pergunta servirá como mote: como o passado, tendo perdido sua condição de ser, pode agir sobre o presente, em sua condição afirmativa? Para encaminhar a pergunta, trataremos essa dupla temporalidade – passado e presente – não exatamente como tempos cronológicos sucessivos, mas como tempos contemporâneos, que funcionariam como ressonância e efeitos – de sentido? – formadores de uma ilusão cronológica quanto a existência de uma origem e seus desdobramentos. O que estaria em jogo, por exemplo, na reminiscência involuntária do narrador proustiano quando leva à boca as famosas madeleines? Existe o presente da criança dado em um certo tempo; existe o presente do narrador em sua lembrança e existe o encontro, podemos assim dizer?, epifânico dessas duas temporalidades referidas a um determinado espaço: Combray. Esse encontro de temporalidades, de dois supostos presentes, instituiriam um ponto de fuga de sentido ou ponto de real a engendrar uma borda ou um litoral? Proust e Joyce levam o significante ao seu limite, isto é, a um princípio de literalidade, fazendo emergir das palavras um real que interrompe a produção de sentido para lançá-lo, reparti-lo e retomá-lo em outro ponto da cadeia num movimento infinito. Nesse movimento engajo este trabalho de e sobre a linguagem em sua produção de temporalidades.

Palavras-chave: língua; literatura; memória; temporalidade; real.

 

Minibiografia:

Professora na área de Letras e Educação, é também psicanalista, fazendo parte da Escola Brasileira de Psicanálise Movimento Freudiano (EBPMF) desde 1993, possui mestrado em Literatura pela Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Rio de Janeiro (1997), doutorado em Letras/Análise do Discurso pela Universidade Federal Fluminense (2006) e pós-doutorado em Letras pela PUC-Rio. Desde 2010 coordena o curso de Letras do Instituto de Humanidades, Universidade Candido Mendes atual IUPERJ. Tem experiência na área de Lingüística, Literatura, Psicanálise e Educação, atuando principalmente nos seguintes temas: psicanálise, linguagem, sujeito, discurso, lingüística, filosofia da linguagem e literatura. Desde 2012, como coordenadora das licenciaturas, no IUPERJ, instituiu um grupo de pesquisa com professores e psicanalistas sobre a relação entre Educação e Psicanálise.


Comunicação 31

REVOLUÇÕES LEMBRADAS, REVOLUÇÕES ESQUECIDAS: MEMÓRIAS QUE RETORNAM

Flavio da Rocha Benayon – UNICAMP – IEL – benayon@globomail.com

 

Resumo:

A história estabilizada sempre está aberta à possibilidade de se estilhaçar, pois ela não se constitui enquanto evidência logicamente estável, mas a partir de disputas que significam diferentemente o acontecimento. A reconfiguração das condições de produção pode provocar uma transformação na história institucionalizada, tornando o passado e o presente tempos aproximados, lugares onde forças em disputa se confrontam por fixar sentidos outros. Sobre o ano de 1930, no Brasil, o discurso oficial constituiu uma memória sobre o acontecimento cuja estabilização produziu o apagamento de outras memórias. O movimento revolucionário, que promoveu a ascensão de Getúlio Vargas ao governo provisório da República, mobilizou sentidos que silenciaram posições que disputavam pelo futuro político de 30. Outros movimentos, constituídos na duração da década de 20, também foram apagados em sequências enunciadas a partir da discursividade aliancista, como a Coluna Prestes, também designada por Coluna revolucionária. Apesar dos esquecimentos provocados sobre memórias e sentidos constituídos a partir de discursividades antagônicas à dominante, configurou-se o retorno de uma memória de revolução no acontecimento de 1930. A partir de minha inscrição na Análise Materialista do Discurso, proponho analisar o processo no qual esquecimentos são produzidos a partir da história institucionalizada de 1930. Também pretendo colocar em análise os efeitos do retorno de uma memória, através do deslocamento de Coluna revolucionária para movimento revolucionário. Por fim, direciono meu gesto de leitura para trabalhar com os efeitos da regularização da memória que impediu a inscrição das designações Coluna revolucionária e movimento revolucionário no memorável, fazendo circular como discurso institucional Coluna Prestes e Era Vargas. Assim, busco compreender a história não enquanto resultado constatável de fatos que já aconteceram, mas enquanto espaço de disputa entre diferentes formações discursivas, que, dessa forma, tornam a história de ontem e hoje semelhantes, pois se trata da mesma, a das lutas de classes.

Palavras-chave: movimento revolucionário; Coluna Prestes; acontecimento de 1930; memória; análise materialista do discurso.

 

Minibiografia:

Graduado em Letras pela UFF. Mestrando em Linguística pela UNICAMP, com pesquisas em Análise Materialista do Discurso. Possui especial interesse em trabalhos sobre movimentos sociais.


Comunicação 32

Um olhar discursivo sobre a linguagem da poesia crítico-inventiva

 

Heder Rangel – Universidade Federal de Alagoas – hederrangel@uol.com.br

Maria Rachel Fiúza Moreira – Universidade Federal de Alagoas – fiuzamoreira@uol.com.br

 

Resumo:

Sabemos que refletir sobre a linguagem requer uma postura plural para verificarmos também sua abrangência social. Entendemos que é possível pensar como Pêcheux (2009) que a língua tem certa autonomia, não é fechada, porém, nela há uma abertura para o simbólico. Assim, compreendemos que não se pode considerar que o sentido da/na linguagem é um conteúdo depositado em algum lugar e que alguém vai procurá-lo. O sentido está na materialidade discursiva, no fato de que a língua para significar tem que se inscrever na história. A partir dessa reflexão, este trabalho pretende investigar a influência da produção literária do século XX, representada por uma trilha poética de contemporaneidade que convive com a tradição literária produzida pelos poetas de 30, refletindo sobre esse tipo de linguagem e sua sociabilidade discursiva. Trazemos nesse estudo os poetas alagoanos Otávio Cabral e Fernando Fiúza, que assumem esteticamente uma poesia crítico-inventiva, apresentando-a de cujo lugar é possível abrir uma discussão, na mesma poesia, como meta-poema, a nosso ver, com um entendimento que chamamos de ressignificação do signo poético pela convocação das categorias de memória discursiva, condições de produção e formação discursiva. Ancoramo-nos, teoricamente, em Gama [et al.]; Indusrsky (1997); Indursky & Ferreira – org. – (2005); Orlandi (2012); Pêcheux (2002).

Palavras-chave: Discurso; Poesia; Condições de Produção; Formação Discursiva .

 

Minibiografias:

Autor 01: Possui Doutorado em Linguística, linha de pesquisa em Análise do Discurso & Especialização em Língua Portuguesa pela Universidade Federal de Alagoas; Graduação em Comunicação Social pela Universidade Federal de Pernambuco (habilitação em Publicidade e Propaganda); Atualmente é Professor Adjunto II da UFAL/CAMPUS DO SERTÃO e Professor Pesquisador ligado ao GEDOM – Grupo de Pesquisa e Estudo Discurso e Ontologia (UFAL-MACEIÓ); Coordenador do GEDD – Grupo de Estudos Diálogos Discursivos (UFAL-CAMPUS DO SERTÃO); Possui experiências profissionais em Comunicação, Publicidade e Propaganda e Marketing.

Autora 02: Possui Mestrado em Linguística, linha de pesquisa em Análise de Discurso pela UFAL e é Doutoranda em Linguística pela UFAL. Especialização em Marketing pela FGV e em Docência do Ensino Superior pelo CESMAC. Graduação em Jornalismo pela Universidade Federal de Alagoas. Atualmente é professora do Centro Universitário Tiradentes nas disciplinas Radio jornalismo I e II e Oficina de Rádio para Publicidade, também é professora substituta na Universidade Federal de Alagoas. Tem experiência na área de Comunicação, com ênfase em Rádio e Televisão.


Comunicação 33

AS FORÇAS ARMADAS NO PÓDIO: A IMAGEM DO “PODER ARMADO” RESSIGNIFICADO PELA MÍDIA

 

Maria Rachel Fiuza Moreira –UFAL – fiuzamoreira@uol.com.br

Simone Valéria de Araújo – UFAL –Simone.letras.ufal@gmail.com

 

Resumo:

Este trabalho se inscreve no campo teórico-metodológico da Análise do Discurso de vertente Pecheuxtiana e tem por objetivo discutir o papel da mídia na ressignificação da imagem das Forças Armadas na sociedade brasileira, a partir do acontecimento histórico: a realização das Olimpíadas no Brasil, que teve como destaque a participação de um grande contingente de militares atuando como atletas nos jogos. Desta forma,buscamos destacar as contradições e silenciamentos que constituem os discursos que objetivam ressignificar a imagem do Poder armado em nossa sociedade, pondo em evidência o papel do Estado enquanto instrumento para a repressão dos trabalhadores e para a reprodução da sociedade de classes. E o lugar da mídia (jornalística) como um lugar de poder e autoridade que legitima e certifica um efeito ilusório de estabilidade e exatidão dos fatos. Através das análises, compreendemos que o vínculo estabelecido ao longo da história entre o Estado e as suas forças repressivas, com vistas à preservação do modo de produção de classes, é legitimada pela grande mídia. No caso em estudo, que envolve a participação de atletas das Forças Armadas nas Olímpiadas 2016, observamos a ressignificação de sua imagem em sites de notícias, apagando a sua representação como força repressora, vinculada a acontecimentos como o Golpe de 1964, a uma memória ligada à forte repressão, à censura, torturas e assassinatos.

Palavras-chave: Discurso; Mídia: Forças Armadas.

 

Minibiografias:

Maria Rachel Fiuza Moreira –Possui Mestrado em Linguística, linha de pesquisa em Análise do Discurso pela UFAL e é Doutoranda em Linguística pela UFAL. Especialização em Marketing pela FGV e em Docência do Ensino Superior pelo CESMAC. Graduação em Jornalismo pela Universidade Federal de Alagoas. Atualmente é professora do Centro Universitário Tiradentes na disciplinas Radiojornalismo I e II e Oficina de rádio para Publicidade, também é professora substituta na Universidade Federal de Alagoas. Tem experiência na área de Comunicação, com ênfase em Rádio e Televisão.

Simone Valéria de Araújo – Mestranda no Programa de Pós-Graduação em Letras e Linguística da Universidade Federal de Alagoas PPGLL/UFAL. Possui graduação em Letras – Língua Portuguesa pela Universidade Federal de Alagoas (2014). Graduanda em Letras Espanhol/ UFAL. Foi bolsista PIBID e PIBIC. Integrante do GEDON/ Grupo de estudos em Discurso e Ontologia, na linha de pesquisa Discurso: sujeito, história e ideologia da Universidade Federal de Alagoas.


Comunicação 34

A constituição da autoria na comunicação científica: um estudo dos ritos genéticos editoriais em periódicos

 

Letícia Moreira Clares – Universidade Federal de São Carlos – UFSCar – leticia.clares@gmail.com

 

Resumo:

Considerando as discussões desenvolvidas na pesquisa de mestrado Ritos genéticos editoriais na comunicação científica: a atividade de revisão em periódicos, propomos um estudo sobre a constituição da autoria na comunicação científica. Para isso, selecionamos como corpus as revistas do Instituto de Estudos Brasileiros, Rieb, do Programa de Pós-Graduação em Geografia da FFLCH-USP, Geousp: espaço e tempo, do Departamento de Engenharia de Materiais da UFSCar, Materials Research, e da Associação Brasileira de Cerâmica, Cerâmica Industrial. Com base na Análise do Discurso de linha francesa, nosso objetivo é refletir acerca da constituição da autoria em artigos científicos destinados à publicação, levando em conta a relação autor-coenunciador editorial proposta por Salgado (2011), bem como as noções de ritos genéticos editoriais (SALGADO, 2011) e paratopia (MAINGUENEAU, 2006).

Palavras-chave: ritos genéticos editoriais; autoria; comunicação científica; paratopia; mediação editorial.

 

Minibiografia:

Letícia Moreira Clares é bacharela e mestra em Linguística pela UFSCar e doutoranda no Programa de Pós-Graduação em Linguística (PPGL) da mesma universidade. Atua na área de tratamento editorial de textos com foco em assessoria linguística e participa do Grupo de Pesquisa Comunica – inscrições linguísticas na comunicação (UFSCar), no qual desenvolve pesquisa sob a rubrica Escritas Profissionais e Processos de Edição.


Comunicação 35

O discurso dos prefácios de Antologias Escolares oitocentistas: o literário, o linguístico e o político em tensão socioideológica

 

Agildo Santos S. de Oliveira – USP – agildo.oliveira@usp.br

 

Resumo:

Na segunda metade do século XIX, mais precisamente a partir de 1856, as coletâneas de excertos de textos literários, de autores brasileiros e portugueses considerados canônicos, ou seja, antologias escolares, como também ficaram conhecidos, foram convocadas como um dos materiais didáticos para as aulas de Português. A convocação desse gênero se deu num momento de intenso movimento histórico do nacionalismo e as seletas reuniam dois dos elementos de afirmação cultural mais simbólicos nesse tipo de contexto: a língua e a literatura. A partir de então, as seletas figurariam, até meados do século xx, como um dos materiais didáticos mais duradouros da referida disciplina na escola secundária brasileira. Entretanto, notamos que o contexto de recepção brasileiro foi tenso, uma vez que muitas dessas antologias eram ideologicamente portuguesas, num momento de construção identitária nacional. Nelas se estudavam o linguístico pelo viés do literário, seus prefácios constituíam-se em verdadeiras arenas políticas. Por essa razão, entendemos que essas obras guardam um importante pedaço da história constitutiva da disciplina de Português. Assim sendo, nesta comunicação, temos como objetivo analisar, pela perspectiva dialógica de Bakhtin e o Círculo, como o discurso dos prefácios de antologias escolares do século xix apontam para um contexto de recepção socioideológico de tensão entre o literário, o linguístico e o político.

Palavras-chave: Prefácio; Antologia Escolar; Socioideológico.

 

Minibiografia:

Doutorando em Letras, com bolsa Capes, no PPG de Filologia e Língua Portuguesa da USP. Orientado pela professora doutora Maria Inês Batista Campo, cuja linha de pesquisa é a Linguística Aplicada do Português. Desenvolve estudos com Antologias Escolares dos Séculos XIX e XX, tendo como referência teórica a filosofia da linguagem de Bakhtin e o Círculo, em específico as noções de gêneros discursivos, enunciado concreto, relações dialógicas, grande diálogo e grande temporalidade.


Comunicação 36

LEITURA ENCARCERADA: DA “FLOR DE LÓTUS” AO “MANDACARU” NA APRENDIZAGEM SOCIAL E EDUCATIVA

 

Karin Ferreira Borges – UFU – karin.borges@hotmail.com

Mical de Melo Marcelin – UFU – micalmm@gmail.com

 

Resumo:

Este trabalho apresenta os resultados de uma pesquisa desenvolvida no campo da leitura em espaço prisional. A pesquisa foi desenvolvida na APAC – Associação de Proteção e Assistência aos Condenados, da cidade de Ituiutaba- Minas Gerais- Brasil. Surgindo com o intuito de desenvolver e acompanhar atos de leitura com os detentos mantidos na instituição penal, levando em consideração a sua função social e educativa aos detentos. Inspirada nos moldes da pesquisa-ação (o que acabou agregando à pesquisa, aspectos mais relacionados ao ensino e à extensão) tal pesquisa tem como principal objetivo refletir sobre as atuais práticas de leitura entre jovens e adultos detentos do sistema prisional e discutir as condições de leitura e de aprendizagem da mesma nesses espaços. A pesquisa procurou investigar quais os efeitos da prática da leitura numa perspectiva global e discursiva, que inclui a leitura da palavra e, sobretudo, a leitura do mundo, como possíveis formas de conduzir um sujeito a reflexão e (novas) tomadas de posição. O percurso de realização da mesma e os episódios registrados em diário de campo, no entanto, mostraram múltiplos aspectos de diversas naturezas que transversalizam e enviesam a mediação de leitura na prisão, o que se pretende apontar nesse relato, ensaiando sobre os mesmos algumas reflexões. A vivência como mediadora de leitura, seja ela de mundo ou literária, e o desenvolvimento da pesquisa nessa instituição penal mostraram, ainda que por meio de indícios, que a leitura pode incidir sobre a formação do sujeito e sobre seus anseios, podendo ser uma forte aliada na educação de jovens e adultos, sobretudo, de jovens e adultos privados de liberdade.

Palavras-chave: Leitura; Linguística; Literatura; Educação prisional.

 

Minibiografias:

Karin Ferreira Borges graduada em Pedagogia pela Universidade Federal de Uberlândia (2015). É membro do Grupo de Estudos e Pesquisa sobre Leitura, Escrita, Livros e Linguagens (GEPLELL) desde 2009.

Mical de Melo Marcelino possui graduação em Letras – Linguística e Português pela Universidade de São Paulo (2002), mestrado (2007) e doutorado (2015) em Educação (Linguagem e Educação), pela Universidade de São Paulo. Atualmente é professora da Universidade Federal de Uberlândia (campus Pontal). É membro do Grupo de Estudos e Pesquisa Produção Escrita e Psicanálise (GEPPEP) e do Grupo de Estudos e Pesquisa sobre Leitura, Escrita, Livros e Linguagens (GEPLELL), no interior dos quais desenvolve pesquisa nos seguintes temas: escrita, leitura, ensino de leitura e escrita, escrita acadêmica e formação de pesquisadores.


Comunicação 37

História e circulação de entremezes no período inquisitorial português

 

Elizângela Gonçalves Pinheiro – Universidade do Porto – eliangelus@gmail.com

 

Resumo: 

Este ensaio tem o objetivo de encetar uma discussão acerca das configurações históricas e definições do género entremez, tido como representação teatral burlesca ou jocosa, tomado como farsa ou coisa ridícula. Pretende-se entender como a Real Mesa Censória estabeleceu critérios para deliberar a favor ou contra as vendas de folhetos impressos, tudo indica que a decisão dos censores dependia do grau de interesse público e da manutenção da ordem sob o controlo do Estado e da Igreja. Apresentar-se-á a noção de que a liberdade de pensamento e o discurso encontravam-se vigiados por um aparelho censório que proibia e punia, porém, por essas mesmas razões, vários escritores durante séculos sentiam-se seduzidos a enfrentar o mercado paralelo  para imprimir seus folhetos, a demonstrar combates discursivos pela ironia como foi o caso de Voltaire que preocupava-se em driblar o poder económico e defender a ideologia de liberdade de expressão. Na reforma pombalina não só as publicações teatrais portuguesas estavam sujeitas à censura, mas também as estrangeiras que chegavam ao país, por isso houve uma redução do número de teatros para as apresentações. Desde o reinado de D. Afonso Henriques até o fim da Inquisição em 1821  a repressão, o rigor e a imponderação tornaram os tempos dificeis de viver e não impediram de fato que houvesse enfrentamentos e produções artísticas.  Laureano Carreira (1988), ao escrever sobre o Teatro e Censura em Portugal explica que “nenhum mercador de livros, impressor, livreiro, ou vendedor etc, ouse vender, imprimir e encadernar sem aprovação, e licença da sobredita Mesa”.

Palavras-chave: Entremezes; Inquisição; Real Mesa Censória.

 

Minibiografia:

Elizângela Gonçalves Pinheiro, Doutoranda do DELCI da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, Portugal. Investigadora com bolsa CAPES-Brasil, possui graduação e Mestrado em Letras e Linguística pela Universidade Federal de Goiás, foi professora convidada de Língua Portuguesa na Puc-Go; professora substituta de Literaturas de Língua Portuguesa e Ensino na UFG; publicou a Dissertação do Mestrado pela editora Cegraf/UFG: Cantares e Cantadores: Castro Alves, João Cabral de Melo Neto e Elomar Figueira Mello.


Comunicação 38

A construção de uma identidade nacional: os discursos de tomada de posse dos Presidentes da República

 

Ana Clara Birrento – Universidade de Évora, CEL-UE – birrento@uevora.pt

Maria Helena Saianda – Universidade de Évora, CEL-UE – mhrs@uevora.pt

Olga Baptista Gonçalves – Universidade de Évora, CEL-UE – obg@uevora.pt

 

Resumo:

Tendo cada Presidente da República Portuguesa eleito características pessoais e políticas que os individualizam, em enquadramentos histórico-sociais diferentes, é nosso objectivo verificar, pela análise de um corpus constituído pelos discursos de tomada de posse, como semelhanças e diferenças os posicionam face ao compromisso que assumem perante os portugueses e a um tempo a vir. Considerando que se escreve e se fala a partir de um lugar e tempo particulares, de uma história e de uma cultura que é específica, que o se diz é sempre contextualizado e posicionado, a análise do corpus desta comunicação, submetido a um programa de hipertexto, e assente na combinação de duas abordagens complementares – lexicométrica e semio-linguística – possibilitará a revelação de duas identidades: a do Homem e a do País que cada um projecta.

Palavras-chave: político; construção; identidade; história; discurso.

 

Minibiografias:

Ana Clara Birrento – doutorada em Literatura Inglesa pela Universidade de Évora, é Professora Auxiliar de Literatura Inglesa  e de Cultura Inglesa no Departamento de Linguística e Literaturas da mesma Universidade, e membro do Centro de Estudos em Letras (CEL-UÉ). Lecciona também no âmbito dos cursos de Mestrado, Literatura e Estudos Culturais e Cultura e Tradução. Investiga sobre Literatura e Cultura Inglesa do século XIX, estudos de identidade e de género, autobiografia, questões de representação e comunidades ficcionais. Tem orientado dissertações de mestrado e publicado capítulos de livro, livro e artigos vários.

Maria Helena Saianda –  doutorada em Linguística Portuguesa pela Universidade de Évora, é Professora Auxiliar aposentada da Universidade de Évora e membro do Centro de Estudos em Letras (CEL-UÉ). Investiga Análise do Discurso Político e Autobiográfico, oral e escrito e tem orientado teses de doutoramento nesta área. Tem, igualmente, publicado vários artigos sobre a matéria.

Olga Baptista Gonçalves – doutorada em Linguística pela Universidade de Évora e Professora Auxiliar no Departamento de Linguística e Literaturas. Lecciona Língua Inglesa para Fins Académicos e Específicos e Linguística Inglesa a cursos de 1º Ciclo, bem como Discurso e Tradução ao curso de Mestrado em Línguas e Linguística: Tradução e Ciências da Linguagem.  É membro do Centro de Estudos em Letras  (CEL-UÈ) onde tem desenvolvido investigação em Análise do Discurso oral e escrito, nomeadamente em análise do discurso político e autobiográfico.  Tem orientado dissertações de mestrado e de doutoramento.


Comunicação 39

O OLHAR DO OUTRO SOBRE A CIDADE E OS SUJEITOS: NARRATIVIDADES NO/DO SÉCULO XIX

 

Olimpia Maluf-Souza – UNEMAT – olimpiamaluf@gmail.com

Wellington Marques da Silveira – UNEMAT – wellingtonmarkis@gmail.com

 

Resumo:

Tomamos a noção de território, enquanto linguagem/discurso, logo, como espaço possível de projeção de desejos inconscientes do europeu em viagens ao Brasil, buscando compreender, na materialidade discursiva do relato de viagem do século XIX, modos de dizer a cidade de Cáceres-MT, como um discurso que faz movimentar a imagem que o viajante faz de si e do habitante local. Trata-se de compreender, a partir do lugar de interlocução teórica entre o discursivo – iniciado por Michel Pêcheux, na França, e redimensionado por Eni Orlandi, no Brasil – e pela releitura de Freud por Lacan. Os gestos de leitura do viajante à cidade serão tomados como formulações que textualizam funcionamentos transferenciais, tanto entre as posições dos sujeitos em jogo quanto dos lugares os quais estes representam: eu, (O)outro, , aqui. Dessa maneira, recortamos a Expedição do Barão Langsdorff em Mato Grosso, em 1827, cujo objetivo foi o de realizar novas descobertas científicas, geográficas, estatísticas, descrevendo novos produtos ainda não documentados pela história natural. O diário da viagem (Viagem fluvial do Tietê ao Amazonas), de 1825 a 1829, foi produzido pelo francês Hércules Florence – pintor e desenhista da Expedição – e traduzido por Visconde de Taunay. Dos trajetos percorridos por Florence, elegemos aquele em que o viajante narra suas impressões sobre o Rio Paraguai, produzindo uma crônica da cidade, cujos efeitos de sentido confrontam, pelas relações (ora de afeto ora de distanciamento) do viajante com a terra, memórias de sentidos e posições discursivas historicamente estabelecidas. No relato, o discurso sobre o Rio move a posição do viajante como o “(O)outro”, o estranho-familiar, inscrevendo-o, também, como membro do processo de produção de um nós nacional (FEDATTO, 2011). A cidade, tomada enquanto espaço de ressignificações entre o eu – viajante – e o (O)outro – habitante-nativo –, figura, na narrativa, rupturas e emaranhamentos de laços sociais: processos que fundam/deslocam/desatam determinados lugares de representatividade social.

Palavras-chave: Análise de Discurso; Psicanálise, Rio Paraguai; Relatos de viagem; Hércules Florence.

 

Minibiografias:

Autor 01: Professora da graduação e do Programa de pós-graduação em Linguística da Universidade do Estado de Mato Grosso/UNEMAT. Coordena o projeto de pesquisa Processos de autonomia, de produção e de identificação intelectual: a Análise de Discurso no Centro-Oeste. Coordena os grupos de pesquisa: Vozes da Cidade e A AD no Centro-Oeste: redes de colaboração. É pesquisadora em grupos de pesquisa da UFF e da UNEMAT, atuando nos temas: Análise de Discurso, Psicanálise, Cidade, Sujeito da Ideologia e do Inconsciente.

Autor 02: Graduado em Letras pela Universidade do Estado de Mato Grosso UNEMAT/Cáceres (2016/1). Aprovado no Programa de pós-graduação em Letras, em nível de Mestrado. Integra o Grupo de pesquisa Vozes da Cidade e A AD no Centro-Oeste: redes de colaboração, bem como do projeto de extensão Grupo de Estudos em Análise de Discurso (GEAD), atuando principalmente nos seguintes temas: Análise de Discurso, Literatura Brasileira do século XIX, Psicanálise, Narrativas de Viagem, Cidade e Memória.


Comunicação 40

A mulher no entrecruzamento dos discursos de ontem e hoje

 

Elaine Pereira Daróz – Universidade Federal Fluminense – lainedaroz@gmail.com

 

Resumo:

Neste trabalho de investigação se realiza sob a luz dos pressupostos da Análise de discurso de linha francesa, buscamos uma análise dos efeitos de sentidos dos discursos em circulação sobre a mulher ontem e hoje. Para tanto, nos movimentamos a partir de diferentes materialidades, para um gesto analítico a partir de discursividades que se materializam tanto no discurso midiático, nos dizeres que se presentificam em atos/manifestações de rua, como no discurso literário, tendo em vista as imagens sobre a mulher que se marcam no romance medieval, A dama do pé de cabra, de Alexandre Herculano. A posição da mulher na sociedade é discutida desde tempos remotos. Figuras emblemáticas da literatura, assim como inúmeros dizeres da e sobre a mulher no discurso midiático, remetem-nos a uma memória sobre o seu lugar na formação social.  Compreendemos que os discursos se regularizam no/pelo embate de forças que se estabelece na língua, numa relação intrínseca entre atualidade/memória. Ao sermos tomados em nosso gesto analítico por diferentes espaços de enunciação (GUIMARÃES, 2000), buscamos uma melhor compreensão do imaginário da/sobre a mulher em nossa formação social, tendo em vista as repetições e/ou deslizamentos dos sentidos que se materializam nesses dizeres. Tomamos em consideração, ainda, as distintas condições sócio-histórico-ideológicas em que estes discursos foram produzidos, uma vez que, a nosso pensar, reverberam determinados sentidos sobre a mulher a serem regularizados em nossa formação social.

Palavras-chave: análise de discurso; mulher; memória; mídia; literatura.

 

Minibiografia:

Doutoranda em Estudos da linguagem pela Universidade Federal Fluminense, sob a orientação da Profa. Dra. Silmara Dela Silva.


Comunicação 41

As meninas: um relato sobre a tortura

 

Thales de Medeiros Ribeiro – UNICAMP/CNPq-Brasil – thalesmedeirosribeiro@hotmail.com

Karine de Medeiros Ribeiro – UNICAMP/CNPq-Brasil – maharetrice@hotmail.com

 

Resumo:

Nas últimas décadas, não faltaram tentativas de simbolizar os efeitos da política repressiva da ditadura civil-militar brasileira (KEHL, 2010). Diante desse imenso arquivo de leitura, empreendemos um gesto de interpretação sobre os diferentes modos de significar a tortura, tomando como base a relação entre a materialidade da produção estética (FERNANDES, 2016; PÊCHEUX, 2014) e a questão da memória/esquecimento (PÊCHEUX, 1999; ROBIN, 2016). Para tanto, partimos de uma cena do romance As meninas (TELLES, 1973, 2009) e de sua releitura fílmica (RIBEIRO, 1995) em que é “relatada” uma sessão de tortura. Inseridos no quadro da Análise de Discurso, consideramos impossível conceber a literatura e o cinema como um “domingo do pensamento”, pois essas práticas simbólicas dispõem de uma “inteligência política e teórica” (PÊCHEUX, 2008, p. 53) constituída pelas relações de forças que se dão em outros discursos, anteriores e independentes. Buscamos problematizar como a cena em questão materializa esse jogo de forças tenso e contraditório entre a regularização dos “implícitos” sobre a tortura (que surgem como o efeito de uma série) preexistentes na memória e a desregulação que perturba tais “implícitos” (PÊCHEUX, 1999).

Palavras-chave: Análise de Discurso; História; Literatura; Cinema; Memória discursiva.

 

Minibiografias:

Thales de Medeiros Ribeiro é graduado em Letras pelo Centro Universitário de Itajubá (FEPI). Mestrado em Linguística (UNICAMP), com ênfase em Análise do discurso. Atualmente, é doutorando pela mesma instituição. Participa dos grupos de pesquisa Linguagem e cinema: o gesto em foco, coordenado pela Profa. Dra. Suzy Lagazzi; e PHIM — Projeto História, Inconsciente, Materialidades, coordenado pelo Prof. Dr. Lauro Baldini.

Karine de Medeiros Ribeiro é graduada em Letras pelo Centro Universitário de Itajubá (FEPI). Mestrado em Linguística (UNICAMP), com ênfase em Análise do discurso. Atualmente, é doutoranda pela mesma instituição. Participa dos grupos de pesquisa Linguagem e cinema: o gesto em foco, coordenado pela Profa. Dra. Suzy Lagazzi; e PHIM — Projeto História, Inconsciente, Materialidades, coordenado pelo Prof. Dr. Lauro Baldini.


Comunicação 42

OS SUJEITOS E AS LÍNGUAS NO ACONTECIMENTO DE LINGUAGEM NA COMUNIDADE DO “QUILOMBO DA FAZENDA”

 

Jocyare Souza – UNICAMP – jocyol5@hotmail.com

 

Resumo:

Este trabalho de pesquisa apresenta, considerando a perspectiva teórica da Semântica do Acontecimento de Eduardo Guimarães (2005), os efeitos de sentido da nomeação tomada como um fenômeno histórico. Propõe-se, portanto, uma análise dos processos de linguagem de trocas culturais, considerando o desenvolvimento constitutivo que marca o espaço de enunciação das designações de nomes que denotam a relação que a comunidade de remanescentes quilombolas do Quilombo da Fazenda, localizada na Serra do Mar – Sertão do Núcleo Picinguaba – Ubatuba/SP, estabelece com outras línguas de contato, enfocando o acontecimento enunciativo em sua historicidade. Considerando o funcionamento semântico-enunciativo dos nomes que constituem nosso corpus (Domínios Semânticos de Determinação  – DSD), procuramos, por meio de análise dos processos de linguagem que evidenciam marcas culturais, enfocar o acontecimento enunciativo em sua historicidade, buscando evidenciar em que segmentos  dessa comunidade quilombola, cuja língua oficial é a Língua Portuguesa, os nomes africanos se mantêm. Há, dentro dessa perspectiva, uma relação da língua com um falante que se apresenta como sujeito político e social da enunciação; assim, ao decidir compreender como a circularidade com que nomes que remetem à ancestralidade africana se dá entre os habitantes dessa comunidade quilombola, procuramos compreender o processo designativo revelado por uma história que buscamos ler e interpretar, não de qualquer lugar, como um simples relato factual, mas como um processo de enunciação, cuja interpretação far-se-á considerando a constituição do próprio corpus que traz em sua essência princípios fundamentais: a história que, sendo memória, constitui os sujeitos e as línguas no acontecimento de linguagem; o saber e o político que se constituem marcas de um tempo em que os nomes se revelam como processo de uma narrativa que é, antes de tudo, uma prática política em que a construção do espaço enunciativo se dá pelo confronto de sujeitos, saberes, políticas, identidades, silenciamentos, esquecimentos.

Palavras-chave: Semântica do Acontecimento; Domínios Semânticos de Determinação;  Designação; Cultura Afro-brasileira.

 

Minibiografia:

Possui Graduação em Letras – Português/Inglês pela UninCor Três Corações (1989); Especialização em Linguística Textual pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (1994); Mestrado (2005), Doutorado (2009) e Pós-Doutorado I (2016) em Linguística pela Universidade Estadual de Campinas, Atualmente, sob orientação do Dr. Eduardo Guimarães, integra o grupo de pesquisa Semântica do Acontecimento – IEL – UNICAMP. e em nível de pós-doutoramento (Pós-Doutorado II) dá continuidade aos seus estudos sobre designação, abordando questões que englobam a temática afro-indigenista.


Comunicação 43

O SENTIDO DE ÍNDIO E A CONSTITUIÇÃO DA ANTONÍMIA ENTRE O LESTE E O OESTE BRASILEIROS

 

Rosimar Regina Rodrigues de Oliveira – UEMS/FUNDECT/CNPq – rosiregio@gmail.com

 

Resumo:

Propomos apresentar como em Mato Grosso/Mato Grosso do Sul, no momento da marcha para Oeste, que ocorreu do final da década de 1930 a meados de 1940, os sentidos de “índio” se constituem na relação com a história e com a sociedade. Consideramos que naquele momento foram constituídos alguns modos de significação em relação ao indígena que são parte de um funcionamento imaginário que se mantém em nossa sociedade até hoje, e que afeta os índios atribuindo-lhes alguns lugares de significação e negando outros. Desse modo, tomamos os sentidos das palavras como não evidentes, e que se constituem nas relações que as palavras estabelecem com outras palavras no acontecimento enunciativo (GUIMARÃES, 2002, 2004, 2007, 2008, 2009, 2011). Para compreendermos esses sentidos analisamos o funcionamento enunciativo do nome “índio”, na relação com a expressão marcha para Oeste, em textos jornalísticos publicados no Estado de Mato Grosso/Mato Grosso do Sul. Observamos como a palavra “índio” é significada na relação com a expressão marcha para Oeste. Não se trata então de observar o conceito de “índio”, por exemplo, mas de analisar como essa palavra significa em textos da imprensa de Mato Grosso/Mato Grosso do Sul. Nessas relações, observamos que o “índio” que habita o Oeste e é incivilizado é apontado como “brasileiro”, mas se opõe ao povo civilizado, sendo que o Brasil que “marcha para Oeste” é o “Brasil civilizado” (Leste), é como se existissem dois Brasis. Para essas análises desenvolvemos o Domínio Semântico de Determinação (DSD) (GUIMARÃES, 2002, 2004a) da palavra “índio”, estabelecido a partir da observação das relações de articulação e reescrituração apresentadas nos textos. Analisamos também como os sentidos se constituem nas cenas enunciativas (GUIMARÃES, 2009), que são os lugares de constituição do sujeito (enunciador, locutor-x), sendo os locutores agenciados a partir de diferentes discursos (PÊCHEUX, 1997; ORLANDI, 2005).

Palavras-Chave: Designação; acontecimento; mídia; índio, marcha para Oeste.

 

Minibiografia:

É graduada em Licenciatura Plena em Letras pela Universidade do Estado de Mato Grosso (2002), tem mestrado (2007) e doutorado em Linguística pela Universidade Estadual de Campinas (2013). É coordenadora do projeto “O sentido de índio na marcha para Oeste” em que atua com financiamento da FUNDECT/MS e com bolsa do CNPq. Tem vínculo com a UEMS como Pesquisadora e Professora Colaboradora; e com a UNEMAT, também como Professora Colaboradora.


Comunicação 44

A dimensão do erótico e do poder em Raduan Nassar, a partir de uma teoria barthesiana do discurso

 

Marcela Vieira – Université Paris 8 Vincennes – Saint-Denis e Universidade de São Paulo – marcela.mv.vieira@gmail.com

 

Resumo:

Esta proposta parte de uma pesquisa mais ampla sobre o erótico e do poder na novela de Raduan Nassar Um copo de cólera, escrita em 1970, ou seja, em pleno período ditatorial brasileiro. Recusando a literalidade, ou “a muleta duma frase feita”, o narrador, embebido em extrema e repentina fúria contra a mulher – e, como vemos, contra a humanidade como um todo, incluindo aí a família, a religião e, principalmente, toda intenção de ordem, seja ela social ou discursiva –, permite-se uma busca que aparenemtente se distancia de referências e indício históricos e políticos, a fim de evocar um debate amplo por meio da exploração de variadas figuras de linguagem, tais como a hipérbole, a aliteração, a metáfora, a paráfrase e o recurso às imagens. Assim, a título de exemplo, a crise (aparentemente banal) que irrompe no momento fulgural da narrativa – a descoberta de um ataque de saúvas a uma cerca-viva de sua propriedade – esconde e mascara os motivos de um colapso conjugal cujo intento notório é o controle do poder discursivo e, consequentemente, o domínio sexual dos protagonistas. Para presente ocasião, trata-se de dar ênfase à investigação da análise do discurso segundo uma teoria barthesiana, bem como à observação de representações e formas discursivas do poder e do tema erótico na literatura.

 

Palavras-chave: erótico; poder; análise do discurso discurso; Raduan Nassar; Roland Barthes.

 

Minibiografia:

Marcela Vieira (Poços de Caldas – 1982) formou-se em Letras pela Universidade de São Paulo, com habilitação em português e francês. Entre os anos 2007 e 2011, estudou na Universidade Paris 8, em Paris, onde concluiu dois mestrados com ênfase em tradução literária e em estudos semióticos. Ao longo de seu percurso acadêmico, Marcela vem trabalhando na área de edição, sobretudo como tradutora de textos de literatura, filosofia e artes. Desde 2010, compõe o núcleo editorial da revista fevereiro, enfoque em política, filosofia e artes. Atualmente, Marcela é doutoranda pela Universidade Paris 8, em cotutela com a Universidade de São Paulo. No doutorado, pretende estudar as figuras de linguagem presentes em obras do Marquês de Sade.


Comunicação 45

DISCURSOS E ARGUMENTOS EM DOCUMENTOS QUE DEFENDEM A CRIAÇÃO DA VILA DE “PAU DOS FERROS” NO BRASIL IMPERIAL

 

Gilton Sampaio de Souza – Universidade do Estado do Rio Grande do Norte – giltonssouza@gmail.com

Rosa Leite da Costa – Universidade do Estado do Rio Grande do Norte – rs_leitejc@hotmail.com

 

Resumo:

Neste trabalho analisa-se como se dá a construção dos discursos de moradores e autoridades em torno da independência de um povoado (freguesia), no interior da província do Rio Grande Norte, Brasil, durante o Império, na perspectiva de torná-lo uma Vila. Para tanto, observa-se a proposta de acordo inicial dos discursos, a hierarquização de valores, as técnicas argumentativas centrais e os argumentos utilizados, aspectos do processo argumentativo entre os solicitantes da criação da Vila de Pau dos Ferros, os apoiadores da causa e as autoridades políticas na cidade de Natal, sede da província. O corpus é constituído por Abaixo-Assinado dos moradores de Pau dos Ferros, por Correspondência da Câmara da Município/Vila de Portalegre, ao qual era vinculado o povoado, e pelo Parecer da Assembleia Legislativa da Província do RN, todos de ano 1841, transcritos e publicados em 1956, por uma revista comemorativa do Bi-centenário Igreja e Centenário do Município de Pau dos Ferros. Fundamenta-se teoricamente na Nova Retórica (PERELMAN, 1993; PERELMAN E OLBRECHTS-TYTECA) e em estudiosos da área (REBOUL, 2002; MEYER, 2007; FIORIN, 2015; dentre outros). Trata-se de trabalho descritivo-interpretativista que se vincula também à pesquisa maior que investiga discursos em documentos sobre gênese e evolução de Pau dos Ferros (COSTA, 2015). Os resultados apontam que, nos documentos que compõem o corpus, os discursos dos moradores e dos representantes da Câmara propõem acordos iniciais baseados em argumentos de autoridade, hierarquizados, e que o discurso da Assembleia Legislativa recorre, inicialmente, ao valor da quantidade. A tese da independência do povoado e criação da Vila se dá, sobretudo, pela técnica da argumentação baseada na estrutura do real, por meio de diferentes argumentos, e pela recorrência a hierarquização de valores políticos que colocavam o povoado em condição comparativa de superioridade a outros que buscavam os mesmos direitos.

Palavras-chave: Argumentação em documentos oficiais; Pau dos Ferros; Discurso político.

 

Minibiografias:

Gilton Sampaio de Souza: Prof. Adjunto 4, na área de Linguística, da Universidade do Estado do Rio Grande no Norte (UERN), Campus de Pau dos Ferros. Doutor em Linguística e Língua Portuguesa pela UNESP/Araraquara. Pós-Doutorado em Estudos Comparados pela Université Paris 8 (França). Pesquisa e orienta (graduação, mestrado e doutorado) na área de argumentação e discurso. Líder do Grupo de Pesquisa em Produção e Ensino de Texto (GPET), da UERN/CNPq, atuando na Linha de Pesquisa em “Estudos de Processos Argumentativos”.

Rosa Leite da Costa: Graduada em Letras pela Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (2003), cursou especialização em Linguística Aplicada (2005) e Mestrado em Letras(2010). É professora da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte e aluna do Curso de Doutorado (PPGL/UERN), desenvolvendo a pesquisa “Discursos e processos argumentativos que constituem o município de Pau dos Ferros/RN: da gênese à atualidade”. É membro efetivo do Grupo de Pesquisa em Produção e Ensino de Texto (GPET).


Comunicação 46

O Projeto de Língua Nacional em “Urupês” de Monteiro Lobato

 

Simone de Brito Corrêa – UFF – simonebrco@hotmail.com

 

Resumo:

Este trabalho, que tem como aporte teórico-metodológico a Análise do Discurso (Pêcheux, 1983, 1988; Orlandi, 1990, 2001, 2003, 2007; Mariani, 1996, 2001, 2004) na articulação com a História das Ideias Linguísticas (Auroux, 1992; Guimarães, 1993, 1994), debruçou-se sobre o projeto de língua nacional em “Urupês”, de Monteiro Lobato. A análise do corpus –  uma nota dos editores de “Urupês” (edições de 1964 e 1994), além de cartas pessoais e artigos em revistas e jornais escritos por Monteiro Lobato – revelou traços linguístico-histórico-discursivos de polêmicas sobre a língua nacional no/do Brasil, em especial, aquelas concernentes a reformas ortográficas do início do século XX. Assim, este trabalho visa depreender o funcionamento discursivo do corpus em questão e significá-lo no conjunto de gestos de gramatização (Auroux, 1992) brasileira do Português nas primeiras décadas do século XX, gestos estes alinhados a um movimento que defende a especificidade do Português brasileiro (Guimarães, 1994). Através da materialidade discursiva, pôde-se perceber um embate entre língua institucional, imposta pela Academia Brasileira de Letras em seu papel institucional unificador da língua (Mariani, 2001), diante da diversidade de ortografias em circulação no Brasil no início do século XX, e língua ‘natural’, enquanto fenômeno que obedece às leis da natureza (e não, dos homens). Além disso, os conceitos de língua e nação aparecem como indissociáveis, sendo atrelado o desenvolvimento de várias nações europeias à adoção ou não de acentuação gráfica.  Neste sentido, o implícito e o não-dito quanto à língua e nação portuguesas refletem um período em que, conforme Guimarães (1994), o movimento das ideias no Brasil buscava fontes outras que não a portuguesa.

Palavras-chave: gramatização brasileira; disputas ortográficas.

 

Minibiografia:

Doutorado em andamento em Análise do Discurso de linha francesa (Universidade Federal Fluminense). Mestre e Especialista em Linguística Aplicada ao Ensino do Inglês como Língua Estrangeira (Universidade Federal Fluminense, 2007 e 2004). Docente das redes municipais de ensino do Rio de Janeiro (Sala de Leitura) e de Niterói (Língua Inglesa).


 Comunicação 47

O Insulto – forma de desconstrução do Outro no Discurso Parlamentar

 

Maria Raquel Pinheiro de Carvalho Ribeiro – Escola Secundária Maria Amália Vaz de Carvalho – raquelribeiro75@gmail.com

Simone Valéria de Araújo – Universidade Federal de Alagoas – simone.letras.ufal@gmail.com

 

Resumo:

Composto por fações políticas opostas, o Parlamento é, efetivamente, um espaço no qual cada debate dá origem à tensão, à discórdia e ao desentendimento, e onde cada uma das partes, segundo normas e critérios escrupulosamente estabelecidos, faz uso de uma das “armas” mais poderosas: a palavra. Por ela e com ela se desconstrói e anula o adversário. Por ela e com ela se atingem ou não os objetivos visados. Recorrendo a esta poderosa “arma”, as partes em confronto cumprem aí, um papel socialmente determinado, estabelecendo-se uma interação dialógica, em que cada intervenção toma muitas vezes sentido em ecos e memórias de palavras anteriores e em que cada turno de fala faz, ele próprio, eco de uma situação de comunicação essencialmente discordante. Assim se constitui no hemiciclo uma evidente polifonia enunciativa na qual e para a qual assumem particular importância alguns meios linguísticos que nos parecem preponderantes no quadro traçado. Com efeito, o caráter agonal da comunicação conduz a que raramente o princípio da cooperação seja plenamente cumprido. Em prol do descrédito do adversário, os locutores insultam, interrompem, negam, contradizem, apoderam-se do discurso do Outro, modelando-o e desconstruindo-o para o voltar a usar contra o seu primeiro enunciador, conferindo-lhe – pensam – mais ênfase, mais veracidade e mais credibilidade. A partir do corpus constituído – conjunto dos discursos relativos à discussão ocorrida entre 1996-1998 e 2005-2007 sobre a realização do referendo à despenalização da interrupção voluntária da gravidez – refletiremos, consequentemente, sobre os meios linguísticos usados para insultar o adversário, com o propósito último e simultâneo de glorificação própria e de diabolização do Outro.

Palavras-chave: insulto; Parlamento; discurso; discordância.

 

Minibiografias:

Maria Raquel Pinheiro de Carvalho Ribeiro: Desde o início da minha formação em Coimbra, foi crescente a minha curiosidade pelo estudo dos fenómenos da Língua Portuguesa, o que me levou a querer aprofundar alguns. Depois do Mestrado, em Linguística, na Universidade Nova de Lisboa, onde estudei um fenómeno recorrente numa das variedades dialetais do português, o gerúndio flexionado, inscrevi-me no curso de doutoramento em Linguística, na Universidade de Évora, para, através do estudo contrastivo de dois sub-corpora representativos do discurso parlamentar, perceber se o registo escrito é o testemunho fiel do que foi realmente verbalizado nas sessões plenárias.

Simone Valéria de Araújo: Mestranda no Programa de Pós-Graduação em Letras e Linguística da Universidade Federal de Alagoas PPGLL/UFAL. Possui graduação em Letras – Língua Portuguesa pela Universidade Federal de Alagoas (2014). Graduanda em Letras Espanhol/ UFAL. Foi bolsista PIBID e PIBIC. Integrante do GEDON/ Grupo de estudos em Discurso e Ontologia, na linha de pesquisa Discurso: sujeito, história e ideologia da Universidade Federal de Alagoas.


Comunicação 48

Relação parodística e deslocamento na escrita do modernismo brasileiro

 

Leonardo Paiva Fernandes – UNICAMP – leop_fernandes@yahoo.com.br

 

Resumo:

Neste trabalho, temos como objetivo analisar o funcionamento discursivo das figuras imaginárias de língua e da relação parodística nas obras Memórias sentimentais de João Miramar e Macunaíma, o herói sem nenhum caráter, dos escritores Oswald de Andrade e Mário de Andrade. Em determinadas passagens, as obras tomam para si o discurso dito “passadista” (o discurso dos colonizadores e das academias, por exemplo) e instauram algo que escapa à ordem do repetível, trazendo à luz as marcas do processo histórico e político na materialidade da língua. A partir do viés discursivo, debruçamo-nos sobre uma materialidade que está perpassada pelo simbólico e constituída na relação do sujeito com a linguagem. O gesto de parodiar aponta para a contradição no jogo de forças que ocorre na memória, fazendo-nos interrogar o modo como se dão os efeitos materiais da paródia no modernismo brasileiro a partir de dois modos de escrita: a escrita de encaixe e de desligamento.

Palavras-chave: Análise do Discurso; Figura Imaginária de Língua; Literatura Brasileira; Modernismo Brasileiro; Paródia.

 

Minibiografia:

Graduado em Letras pela Fundação de Ensino e Pesquisa de Itajubá (FEPI). Mestrado em Linguística (UNICAMP), com ênfase em Análise do discurso. Atualmente, participa de dois grupos de pesquisa: 1) Linguagem e cinema: o gesto em foco, coordenado pela Profa. Dra. Suzy Lagazzi; e 2) PHIM — Projeto História, Inconsciente, Materialidades, coordenado pelo Prof. Dr. Lauro Baldini.


Comunicação 49

Amar sem abismos – Reflexões sobre o sujeito amoroso na obra de Valter Hugo Mãe

 

Cleilton Silva Santos – Universidade Estadual de Feira de Santana/Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia – cleilton.silva@hotmail.com.br

Alessandra Leila Borges Gomes – Universidade Estadual de Feira de Santana – allexleilla@gmail.com

 

Resumo:

Toma-se como objeto de estudo os romances a máquina de fazer espanhóis (2011) e O filho de mil homens (2012), do escritor português contemporâneo Valter Hugo Mãe. Procura-se refletir, através do mapeamento em torno da constituição do sujeito, as experiências dos personagens que sofrem uma significativa mudança em sua subjetividade pela distensão ou pelo encontro com o Outro, sobretudo no sentido de compreender os operadores narrativos de uma escritura (confessada pelo autor) da redenção, forma de restituir as fissuras abertas pelo negativismo e rebaixamento do homem. Nesse sentido, teorias sobre as noções de sujeito (Foucault, 2010; Deleuze, 2012), o mito do amor (Rougemont, 1988; Ferreira, 2012; Borges, 2004, Sponville, 2016; Platão, 2009; Bauman, 2003) serão levantadas a fim de entendermos o tratamento dado por Mãe às modulações dos afetos, que à primeira vista evocam outra perspectiva (em construção) discursiva-político-cultural para heróis potencialmente marginais.

Palavras-chave: Amor; Sujeito; Valter Hugo Mãe.

 

Minibiografias:

Cleiton Santos – Mestrando em Estudos Literários (2016) pela Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), possui graduação em Letras – Língua Portuguesa e Literaturas de Língua Portuguesa (2011) pela Universidade do Estado da Bahia. Atualmente é bolsista da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (FAPESB) e desenvolve pesquisas em torno da obra de Valter Hugo Mãe.

Alessandra Gomes – Doutora em Estudos Literários pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), professora de Tópicos da Narrativa no Programa de Pós-graduação em Estudos Literários da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), coordenadora do Núcleo de Estudos Portugueses (NEP) da UEFS.


Comunicação 50

Memórias do Império em disputa: sentidos no espaço urbano a partir da análise da estátua equestre de D. Pedro I

Stanis David Lacowicz – UFPR – stanislac@gmail.com

Mirielly Ferraça – UNICAMP – miriellyferraca@gmail.com

 

Resumo:

No ano de 1862, foi inaugurada a Estátua equestre de D. Pedro I, no Rio de Janeiro, na praça que viria a se chamar Tiradentes. Tido como o primeiro monumento cívico da cidade, apresenta o primeiro imperador montado em seu cavalo, um dos braços erguidos com a carta constitucional de 1824. Dentre outras marcas, o lado principal apresenta os dizeres: “a. d. Pedro Primeiro gratidão dos brasileiros”. Fruto de uma iniciativa política, o projeto foi proposto pela Câmara Municipal em 1825, autorizado pelo próprio D. Pedro I, e posteriormente inaugurado por D. Pedro II numa cerimônia pomposa ao som do Hino da Independência, seguida por discursos políticos, um ato religioso e uma marcha militar acompanhada pelo Hino Nacional. Neste trabalho, a partir de estudos sobre discurso, história e memória, buscaremos a analisar o monumento ao Imperador, considerando as condições de produção que (ins)escrevem esse monumento como um ponto de referência e ao mesmo tempo como um ponto de silêncio (FEDATTO, 2011) na história nacional. Numa disputa por uma territorialidade na memória, elege-se, ao erigir um monumento, a imagem de um herói nacional que deve ser, a partir daquele momento, lembrado, comemorado, apagando-se e silenciando discursos dissonantes, que poderiam afetar essa memória. Trata-se da materialização no urbano de um discurso oficial idolatrado que se tem do Império colonizador em terras colonizadas, um gesto que determina o poder da coroa portuguesa sobre o espaço, sujeitos e saberes. Para pensar nos efeitos de sentidos em tensão, trataremos de confrontar a memória institucional ligada à escultura com a forma pela qual D. Pedro é apresentado em outras materialidades, como os romances O Chalaça (1994), de José Roberto Torero, e As maluquices do Imperador (1926-2008). Como aporte teórico, destacamos Robin (2015), Pêcheux (1999), Orlandi (2011) e Ricoeur (2007).

Palavras-chave: D. Pedro I; monumento; discurso; memória; história.

 

Minibiografias:

Mirielly Ferraça: Formada em Comunicação Social com ênfase em Jornalismo pela Universidade Paranaense (UNIPAR). Graduação e mestrado em Letras pela Universidade Estadual do Oeste Paranaense (UNIOESTE). Doutoranda em Linguística pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), sob orientação da professora Dra. Suzy Lagazzi. Bolsista Capes.

Stanis David Lacowicz: Graduação em Letras Português-Inglês (2009) e Letras Português-Espanhol (2016), pela UNIOESTE/campus de Cascavel/PR. Mestre em Letras (2012) pela UNESP/Campus de Assis/SP, área de “Literatura e vida social”.


Comunicação 51

A linguagem em funcionamento nos discursos sobre a mulher na/da fronteira Brasil-Paraguai

 

Ana Carolina Vilela-Ardenghi – UFMS/CPPP/FEsTA – vilela.ardenghi@gmail.com

Bilmar Saldanha – UFMS/CPPP – bilmarsaldanha@gmail.com

 

Resumo:

A cidade de Ponta Porã (MS) situa-se na fronteira com o Paraguai, tendo a cidade de Pedro Juan Cabalero (PY) como sua cidade-irmã. Trata-se, na verdade, de uma conurbação, de modo que o trânsito entre os dois países é ali pouco ou nada controlado. O mapa da violência de 2012 colocava Ponta Porã como a 12ª cidade mais violenta do país em relação à mulher, a primeira do estado de Mato Grosso do Sul. Esse dado impactante chamou a atenção para os discursos que circulam sobre a mulher naquela região. Nesse contexto, foi possível observar que a cultura machista é ainda bastante presente em ambas as cidades e contribuem para que os números dessa violência sejam crescentes. O presente trabalho pretende analisar os discursos que circulam nas cidades e que são responsáveis pela construção/legitimação (por meio da linguagem) de determinados estereótipos do feminino: é comum, por exemplo, apresentar a mulher paraguaia (ou mesmo “a fronteira”) como sendo modelo de mãe, trabalhadora e abnegada, que cuida do lar e da família em primeiro lugar. O corpus reunido para as análises engloba notícias publicadas em jornais de circulação local (é preciso lembrar que “local” aqui envolve os dois países), propagandas do comércio local e discursos de políticos em eventos públicos (dentre os quais a “Conferência dos Direitos da Mulher”).

Palavras-chave: Mulher; Fronteira; Estereótipo; Discurso.

 

Minibiografias:

Ana Carolina Vilela-Ardenghi é doutora em Linguística. Atualmente, é professora do Curso de Pedagogia do campus de Ponta Porã (CPPP) da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS). É ainda membro do FEsTA (Fórmulas e esterótipos: teoria e análise), um centro de pesquisa interinstitucional. Coordena um Grupo de Estudos e Pesquisa em AD (na UFMS/CPPP), que conta com a participação de acadêmicos de graduação e professores da instituição.

Bilmar Saldanha é acadêmico do Curso de Matemática da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, campus de Ponta Porã (UFMS/CPPP) e membro do GEPAD (Grupo de Estudos e Pesquisas em Análise do Discurso). Interessa-se particularmente por discussões em torno da questão de gênero na região de fronteira e, por isso, faz parte de projetos de pesquisa coordenados pela prof.ª Ana Carolina.


Comunicação 52

BAKHTIN E CINEMA: O MÉTODO SOCIOLÓGICO EM CENA

 

José Luciano Marculino Leal – PROLING/UFPB – luciano-leal@hotmail.com

 

Resumo:

Este artigo se orienta pelas contribuições da Análise Dialógica do Discurso (ADD) e se debruça sob a concepção de que a linguagem humana, compreendida como atividade social, é um meio pelo qual os indivíduos interagem uns com os outros, já que “os signos só podem aparecer em um terreno interindividual” (BAKHTIN/VOLOCHÍNOV, 2009, p. 35). Desse modo, este trabalho visa promover, pela dialogicidade, um estudo teórico que traz à cena da discussão a relevância dos conceitos mobilizados por Bakhtin para a análise do cinema. Neste sentido, refletiremos sobre as contribuições da ADD, sobretudo seu método sociológico, para a abordagem do cinema. Nestes termos, lendo a Sétima Arte como um campo de comunicação discursiva, o método sociológico procura integrar a obra artística a uma situação extraverbal ideológica e susceptível a valorações, a pontos de vista. No que tange ao cinema, encontramos nessa linguagem, em consonância com o pressuposto bakhtiniano de caráter da interação autor – personagens, contido em Estética da Criação Verbal (BAKHTIN, 2010, p. 159), a concepção de que todos os envolvidos na produção cinematográfica, desde iluminação, direção, atuação e o estilo visual, são contadores do verdadeiro protagonista cinematográfico, a história, captada na narrativa fílmica. Do ponto de vista dos resultados, destacamos que este trabalho cumpre com a função de fomentar discussões que legitimem a ADD como uma proposta teórico-metodológica eficaz na abordagem de textos cinematográficos.

Palavras-chaves: Análise Dialógica do Discurso; Cinema; Dialogicidade; Método sociológico.

Minibiografia:

José Luciano Marculino Leal – Mestrando em Linguística pela Universidade Federal da Paraíba (2015-2017). Especialista em Tecnologias Digitais na Educação (2015). Graduado em Letras – Língua Inglesa pela Universidade Estadual da Paraíba (2012). Desenvolve pesquisas sobre cinema dentro da perspectiva do letramento cinematográfico em contexto de formação de professores de Língua Inglesa e da Análise Dialógica do Discurso. Tem interesse pelos seguintes temas: estudos e práticas de letramentos, letramento docente, ensino-aprendizagem de Língua Inglesa, dialogismo, ciências da religião, cinema e educação.


Comunicação 53

DISCURSO HISTÓRICO OU FICCIONAL?

 

Michele Barbosa Cruz – Universidade Federal do Pará (UFPA) – michele.cristal@yahoo.com.br

 

Resumo:

Este trabalho traz algumas reflexões sobre o livro Estado, Bandidos e Heróis: Utopia e Luta na Amazônia, a partir da perspectiva dos estudos narratológicos. O livro é resultado da tese de doutorado da escritora Violeta Refkalefsky Loureiro. Ele narra a história de luta e “conquista” de uma área denominada Gleba Cidapar, no município de Viseu, estado do Pará – Brasil. O movimento social denominado “Conflito da Gleba Cidapar”, foi um fato histórico que aconteceu na Amazônia no período pós-cabanagem no Pará, e contou com apoio em massa da população, porém esse movimento teve um herói (líder), denominado bandido (pistoleiro) pelo Estado, mas que se autodenominava gatilheiro, seu nome era Quintino da Silva Lira (1947-1985) . Após trinta e um anos de sua morte, das poucas obras que se tem referência encontra-se o livro supracitado, sendo ele um dos primeiros registros científico “oficial”. Compreende-se que para que o real se torne realidade, a materialização do fato/acontecimento precisa ser registrada. Esse registro acontece na maioria das vezes em forma de texto escrito, pois utilizamos a língua para comunicar o real. Nesta perspectiva a oralidade, experiência e a observação são fontes, e a escrita a sistematização do real (realidade). E aquilo que compreendemos como realidade é apenas uma representação do real. Por conseguinte, nesta comunicação, discutiremos os limites entre fato e ficção nesse tipo de narrativa a partir de duas instâncias consideradas como constitutivas da estrutura narrativa em âmbitos gerais: a história real e a apresentação/representação da história real. Demostrando que a presença da subjetividade nos textos científicos confere ao texto factual aspectos de textos fictícios. E essa confluência dos dois campos (científico e literário) em um espaço textual único abre espaço para questionamentos sobre os limites entre ficção e fatos, que vem se estreitando pelas descobertas que ambas as ciências veem fazendo sobre o uso de mecanismos em comum na produção e transmissão do discurso. Para tanto, foram levados em consideração as reflexões de Gérard Genette sobre os diferentes estratos da diferenciação entre narrativa/discurso, e o entrecruzamento dos registros narrativos da história/factual com os da ficção na representação da atualidade histórica.

Palavras-chave: Fato; Ficção; Narrativa; Discurso; História.

 

Minibiografias:

Michele Barbosa Cruz possui graduação em Pedagogia, pós-graduação em Metodologia do Ensino de Português e Literatura. Atualmente cursa licenciatura em Letra-Inglês e mestrado em Linguagens e saberes na Amazônia. É professora da Educação Básica efetiva em dois municípios.


Comunicação 54

A QUESTÃO LINGUÍSTICA COMO ELEMENTO CONSTITUTIVO DE UMA IDENTIDADE NACIONAL NA PRÁTICA DISCURSIVA DO MODERNISMO BRASILEIRO

 

Érica Rogéria da Silva – Universidade Federal de Uberlândia – erica.rs2@hotmail.com

 

Resumo:

O objetivo deste trabalho consiste em descrever e analisar o funcionamento do discurso modernista a respeito da legitimação de uma identidade linguística brasileira. Uma vez que Mário de Andrade se posiciona a favor de uma língua nacional e possui trabalhos inseridos em diversos âmbitos, como o literário, o epistolar, o linguístico, o musical entre outros, analisaremos a questão da colocação pronominal na obra Macunaíma: o herói sem nenhum caráter, a Gramatiquinha da fala brasileira e seis cartas escritas por Mário de Andrade e endereçadas a Manuel Bandeira. O recorte na colocação pronominal se justifica na medida em que essa é uma questão representativa da diferença entre o Português brasileiro e o europeu, bem como da tensão entre as modalidades faladas e escritas no Brasil. A análise do corpus foi realizada em conformidade com Pêcheux (1983), alternando os movimentos de descrição e de análise do objeto sem tratar essas atividades como indiscerníveis, e também de acordo com Maingueneau (2008) que afirma que o tratamento metodológico dos dados pode partir de hipóteses fundamentadas na história e em um conjunto de textos.

Palavras-chave: análise do discurso; Modernismo brasileiro; língua nacional.

 

Minibiografia:

Mestranda em Análise do Discurso pela Universidade Federal de Uberlândia – UFU. Graduada em Letras Português e Literaturas de Língua Portuguesa pela Universidade Federal de Uberlândia. Graduada (dupla titulação) em Letras Português e Literaturas pela Universidade de Coimbra (UC), através do Programa de Licenciaturas Internacionais (PLI), fomentado pela CAPES. Graduanda em Psicologia pela UFU.


Comunicação 55

Escritores brasileiros em LIBRAS: línguas em rede

 

Lívia Letícia Belmiro Buscácio – INES – liviabuscacio@gmail.com

 

Resumo:

O presente trabalho visa mostrar a base teórico-metodológica do projeto “Escritores brasileiros em LIBRAS”, o qual se propõe à produção de suportes midiáticos em língua portuguesa e em língua brasileira de sinais (LIBRAS), com o intuito tanto de promover a difusão de nomes de autor do domínio público da literatura brasileira para a comunidade surda como de disseminar a LIBRAS através da tradução-interpretação literária. O primeiro volume será sobre Mário de Andrade e a correspondência com um literato e um gramático, Manuel Bandeira e Sousa da Silveira, considerando o lugar de Mário de Andrade como instaurador de dizeres sobre a língua e a literatura do/no Brasil (BUSCÁCIO,2014) e as cartas, o maior arquivo de correspondência literária em língua portuguesa (CANDIDO, 1942). Conforme analisado por Buscácio (2014), de Mário de Andrade circulam saberes sobre a língua através do dizer sobre a escrita literária, formando a memória da língua do/no Brasil. Assim, o saber literário além de ser uma forma de saber linguístico (AUROUX, PUECH, ORLANDI), isto é, um modo de transmissão de saberes sobre a língua para além de gramáticas, dicionários e manuais escolares, se constitui também como um saber metalinguístico. Tendo em vista a Lei 10.436/2002, que decreta a LIBRAS como a língua oficial do surdo, ocupando a língua portuguesa o lugar de segunda língua preferencialmente na modalidade escrita, compreendemos, reformulando Candido (1995) o acesso à literatura como um direito linguístico. Além disso, procuramos ir contra a uma trama de dizeres que marcam a língua portuguesa como inatingível para o sujeito surdo, mesma trama que aloca o surdo como incapaz e deficiente e confere, por sua vez, um sinal de língua menor à LIBRAS. Para tanto, postulamos o acesso à língua portuguesa escrita para surdos calçado na relação entre língua, história e sujeito, tomando os laços (e desenlaces) entre as línguas. Através de uma proposta na qual o saber literário é percebido como uma emergência da memória de saberes sobre a língua, sugerimos que a circulação de uma materialidade bilíngue pode contribuir para a relação tanto do sujeito surdo como do sujeito ouvinte com as línguas do/no Brasil e seus nós.

Palavras-chave: Língua portuguesa do/no Brasil; LIBRAS; Mário de Andrade; Memória; Ensino.

 

Minibiografia:

Lívia Letícia Belmiro Buscácio é doutora em Estudos da Linguagem (2014), tendo defendido a tese Mário de Andrade, um arquivo de saberes sobre a língua do/no Brasil, sob orientação da profª drª Vanise Medeiros. É professora efetiva de língua portuguesa e literatura da educação básica no Instituto Nacional de Educação de Surdos, onde coordena o projeto “Escritores brasileiros em LIBRAS-Mário de Andrade e as cartas” e líder do grupo de pesquisa “Estudos Linguísticos e Literários na educação de surdos” ( http://dgp.cnpq.br/dgp/espelhogrupo/8191336634503455).


Comunicação 56

O campo de batalha da linguagem literária: narrativa e trabalho em Passageiro do Fim do Dia, de Rubens Figueiredo

 

Thayllany Ferreira Andrade – Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Brasília – athayllany@gmail.com (graduanda)

Gustavo Arnt – Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Brasília – gustavo.arnt@ifb.edu.br (Orientador)

 

Resumo:

Este trabalho se propôs a investigar a representação do trabalho na narrativa brasileira contemporânea, especificamente no romance Passageiro do fim do dia, de Rubens Figueiredo (2010). Como se sabe, o trabalho ocupou e ocupa lugar central na formação da humanidade e adquiriu as mais diversas formas ao longo da história, desde o simples trabalho de colheita dos povos primitivos, passando pelas especializações (divisão sexual, divisão intelectual) e por múltiplas e variadas formas de exploração (escravidão, servidão, assalariamento, etc.), até chegar à contemporaneidade, quando se observa a tensa convivência de formas arcaicas e modernas de execução, organização e exploração do trabalho, cada vez mais assombrado pelos avanços tecnológicos, os quais, por um lado, representam um enorme ganho para a produção e até para os trabalhadores, mas que, por outro lado, tendem a suprimir quantidades enormes de postos de trabalho. Publicado em 2010, o romance de Figueiredo teve sua recepção crítica eminentemente voltada para a reflexão acerca do espaço enquanto categoria organizadora da forma estética. No entanto, apesar da importância do espaço para a estruturação do romance, entendemos que, para além da forma ostensiva, a estrutura do romance, em sua forma latente, aponta para outra mediação estética, que é o trabalho. A pesquisa realizada demonstrou a validade da compreensão de que, no romance de Rubens Figueiredo, por meio do processo de redução estrutural operada no campo da linguagem, o trabalho atua como princípio organizador da forma do romance. A fundamentação teórica do nosso estudo baseia-se nas concepções estéticas de Theodor Adorno, Antonio Candido e  Raymond Williams, principalmente no que diz respeito à relação entre forma literária e forma social. Por fim, o principal objetivo do nosso estudo foi analisar o modo como o trabalho está representado no romance Passageiro do fim do dia, de Rubens Figueiredo (2010).

Palavras-chave: Figueiredo; Literatura; Narrativa; Trabalho

 

Minibiografias:

Thayllany Ferreira Andrade: graduanda em Letras – Língua Portuguesa pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Brasília.

Gustavo Arnt: Doutor em Literatura pela Universidade de Brasília. Professor de Língua Portuguesa do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Brasília.


Comunicação 57

Diálogo no abismo: a escrita caleidoscópica de Campos de Carvalho

 

Soraya Rodrigues Madeiro – Universidade Federal do Ceará – sora.rodrigues@gmail.com

 

Resumo:

A escrita caleidoscópica de Campos de Carvalho permanece, desde a década de 1940, quando da publicação de seu primeiro livro, dividindo opiniões em tímidos espaços literários, já que, por infortúnio, o autor não é um cânone da literatura brasileira e ainda é pouco debatido dentro da universidade. Nesta comunicação, objetiva-se acompanhar os elementos de sua composição que provocam opiniões tão diversas quanto seus enredos. Com diálogos e monólogos obscuros e, por vezes, absurdos, o autor mantém um discurso sincopado que galga sua obra. Seus narradores nos induzem a depositar na palavra que está por vir a esperança de explicação da palavra anterior, interrompida por algum pensamento não compartilhado com o leitor. De maneira geral, os narradores de Carvalho são obsessivos e descrentes em relação à vida e, por isso, metamorfoseiam um elemento dela – um púcaro, uma mulher, o seu lugar, fora ou em si mesmo – e estão inteiramente obstinados a persegui-lo. Todavia, essa obsessão já não os deixa distinguir mais o que eles querem, o que é possível, o que é verdade ou o que é loucura. Nessa busca contínua, procuram um absoluto que existe nesse laço embaciado que embrulha aquilo que se quer verdadeiramente, mas que não se sabe onde está ou o que é. Para análise das obras de Carvalho, partimos primordialmente da leitura delas, bem como do pensamento sobre literatura de Giorgio Agamben e Maurice Blanchot.

Palavras-chave: Literatura Brasileira Contemporânea; Campos de Carvalho; Maurice Blanchot; Giorgio Agamben.

 

Minibiografia:

Soraya Rodrigues Madeiro é graduada em Letras e mestre em Literatura Comparada pela Universidade Federal do Ceará. Atualmente, faz doutoramento em Literatura Comparada pela mesma universidade. É membro do grupo de estudo “O esvaziamento da história nas literaturas brasileira e portuguesa contemporâneas” desde 2006, sob orientação do professor Dr. Cid Ottoni Bylaardt.


Comunicação 58

Facebook como ferramenta de discussão política: uma análise de comentários online

 

Rainhany Karolina Fialho Souza – Universidade Federal de Viçosa – rainhany@hotmail.com

 

Resumo:

Diante dos estudos sobre redes sociais e suas contribuições para a disseminação de informação através da livre propagação do discurso, observamos nessas um amplo campo de investigação acerca do discurso político. Deste modo, com a internet móvel dos telefones celulares e computadores configuramos e reconfiguramos o espaço virtual através do nosso discurso. Assim, neste contexto, procuramos analisar as reações discursivas encontradas na análise de alguns comentários postados em um grupo do Facebook, de uma pequena cidade de Minas Gerais, situada na zona da mata, intitulado “Abre a boca Teixeiras, o prefeito precisa te ouvir”, à luz da metodologia de análise discursiva sobre instância cidadã proposta por Charaudeau (2015) em Discurso Político, os traços identitários de Emediato (2015), algumas considerações de Mendes (2013) e dos apontamentos sobre redes sociais de Recuero (2009 e 2014) para, então, tentarmos perceber, através dessas categorias de análise do discurso, as interferências de tais reações para a compreensão dos comentários.

Palavras-chave: Facebook; identidades; discurso político.

 

Minibiografia:

Mestranda em Linguística Aplicada pela Universidade Federal de Viçosa.
Graduada em Letras pela Universidade Federal de Viçosa com graduação- sanduíche CAPES (2011/2013) na Universidade de Coimbra – PT.


Comunicação 59

Configurando a matriz literária indígena na literatura brasileira

 

Fábio Almeida de Carvalho – Universidade Federal de Roraima – fabioalmeidadecarvalho@yahoo.com.br

 

Resumo:

o trabalho aborda a ocorrência do fenômeno de emergência de uma literatura indígena no sistema cultural brasileiro. Para tanto, discute questões atinentes à circulação literária e cultural e aborda os processos de tradução transcultural e translinguística, com o fim último de refletir sobre os problemas relacionados à configuração da literatura indígena na conformação da matriz cultural brasileira.

Palavras-chave: literatura brasileira; circulação literária; literatura indígena.

 

Minibiografia:

Mestre em Teoria da Literatura/UFPE (1998); doutor em Literatura Comparada/UFF. Professor Associado da Universidade Federal de Roraima, onde atua no curso de Licenciatura Intercultural (graduação), no Programa de Pós-Graduação em Letras (PPGL/UFRR), e no Programa de Pós-Graduação em Sociedade e Fronteiras (PPGSOF/UFRR). Vem-se dedicando, principalmente, aos temas do estudo das trocas e transferências literárias e culturais e à problemática da interpretação do Brasil a partir de um viés crítico e literário.


Comunicação 60

Deixar cair para poder dizer (e silenciar)

 

Glaucia Nagem – FCL/SP – glaucia.nagem@uol.com.br

Lucília Maria Abrahão e Sousa – FCL/SP; USP – luciliamasousa@gmail.com

 

Resumo:

O objetivo deste escrito é produzir a partir do vazio e do silêncio, contornando, tanto quanto possível, uma reflexão sobre ambos em suas instâncias fundadoras do humano, do ser falante e do trabalho artístico (FREUD; LACAN). Pensar a relação desse intervalo faltante – que a linguagem não toca – com o silêncio constitutivo de toda possibilidade de significação (ORLANDI) é o que me move. Da gravidez do vazio e do silêncio, nasce toda fala e todo ato de linguagem, os quais depois de materializados, indiciam algo do início, um resto ou certo efeito de vazio e silêncio dados pela incompletude e imperfeição de todo dito. Analisaremos a performance de Tatiana Blass, denominada “Metade da fala no chão – piano surdo”, refletindo sobre a relação do sujeito com a linguagem e com a arte. Pensar a relação desse intervalo faltante com o silêncio constitutivo de toda possibilidade de significação (ORLANDI) é o que nos move. Da gravidez do vazio e do silêncio, nasce toda fala e todo ato de linguagem, os quais depois de materializados indiciam algo do início, um resto ou certo efeito de vazio e silêncio dados pela incompletude e imperfeição de todo dito. Do e com o espaço esburacado, o sujeito entretece seus (bem)ditos, faz trajetos de dizer com intensas manobras de retornos, assim, para encontrar, de novo e mais uma vez, aquilo que o fundou. O que não pode ser preenchido, tampouco tocado no seu núcleo, ou seja, ao escrever sinto-me dando voltas em redor, espiralando um em-torno, bordando às voltas-de e produzindo uma artesania-puro-bordejo de um nada.

Palavras-chave: discurso: Inconsciente; real; silêncio; arte.

 

Minibiografias:

Glaucia Nagem: Formada em psicologia, iniciou sua formação em psicanálise na Escola de Psicanálise Letra Freudiana. Por mudar-se para São Paulo passou para a Escola dos Fóruns do Campo Lacaniano onde continua sua formação e ministra o seminário Psicanálise e Arte. Frequentou o ateliê de Sérgio Fingermann e o do Museu Lasar Segall trabalhando com pintura e gravura. Participou com artigos em revistas científicas e de psicanálise.

Lucília Maria Abrahão e Sousa: Formada em Letras, doutora em Psicologia e Livre- Docente em Ciência da Informação. Publicou livros, além de artigos em revistas científicas e capítulos de livros. Coordena o Grupo de Pesquisa “Discurso e memória: movimentos do sujeito”, cadastrado junto ao Diretório de Grupos do CNPQ. É membro do Fórum do Campo Lacaniano de São Paulo.


Comunicação 61

Entre “Palavra Cantada” e palavra escutada: ressonâncias sobre o processo de constituição de sujeitos e sentidos

 

Maria Beatriz Ribeiro Prandi – USP-Ribeirão Preto/SP/Brasil – bia.prandi@hotmail.com

Ane Ribeiro Patti – Centro Universitário Barão de Mauá-Ribeirão Preto/SP/Brasil – anepatti@hotmail.com

 

Resumo:

Este trabalho coloca em questão algumas ressonâncias sobre o processo de constituição de sujeitos e sentidos na produção musical da dupla “Palavra Cantada”, a partir de um posicionamento de trabalho discursivo, embasadas na voz de Michel Pêcheux (2009 [1975]), Sigmund Freud (1996) e Jacques Lacan (1953 [1998]). Nosso recorte que compõe o material discursivo a ser discutido, restringe-se às canções do álbum “Canções Curiosas”. Refletiremos sobre a relação do ser e do sujeito com a entrada e atravessamentos do elementos musicais via voz que circundam o bebê humano para o constitui-lo como sujeito e mostraremos como a constituição da linguagem poética, musical e literária destinada aos sujeitos-criança se colocam no batimento condensação-deslocamentos, metáfora-metonímia, entre a palavra cantada e a palavra escutada, relançando ao leitor, possíveis outras leitura.

Palavras-chave: Análise do Discurso; Sujeito-criança; Palavra Cantada.

 

Minibiografias:

Maria Beatriz Ribeiro Prandi é doutoranda em Psicologia, Processos Culturais e Subjetivação da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FFCLRP-USP). Mestra em Educação pela FFCLRP-USP e Bacharela em Biblioteconomia, Ciências da Informação e da Documentação pela FFCLRP-USP. Pesquisadora do E-L@DIS – Laboratório discursivo, sujeitos e sentidos em movimento (FAPESP). Professora de música.

Ane Ribeiro Patti é Profa. Dra. da Graduação de Psicologia do Centro Universitário Barão de Mauá, da Pós-Graduação de Psicanálise da Universidade de Franca; Pesquisadora membro do E-L@DIS – Laboratório discursivo, sujeitos e sentidos em movimento (FFCLRP/USP); Psicanalista.


Comunicação 62

Que línguas são faladas no Rio de Janeiro?

 plurilinguismo e política de línguas

 

Tania Conceição Clemente de Souza – Museu Nacional/UFRJ – taniacclemente@gmail.com

 

Resumo:

Nosso trabalho tem por objetivo trazer à tona a constituição do universo de línguas que se desenha atualmente no Estado do Rio de Janeiro, buscando entender esse desenho a partir de uma política de línguas. O trajeto teórico que permeia as discussões está calcado na Análise de Discurso, fundada por Pêcheux, dentre outros. Apesar de no Brasil serem faladas mais de 250 línguas, considerando-se  as línguas indígenas e as línguas de imigração, juridicamente, através de decretos e leis, somente duas são as línguas oficiais do país: o português e, bem recentemente, a língua de sinais brasileira, LIBRAS (lei n.º 10.436, de 24 de abril de 2002). A postura do Estado nacional com relação a uma política linguística tem sido a de impor, historicamente, o monolinguismo. O que, de imediato, nosso trabalho busca focar, porém, é a questão em torno das várias e numerosas línguas que vêm sendo faladas no Rio de Janeiro, a partir da presença não só de índios e imigrantes, mas também da presença de refugiados oriundos de vários continentes. O foco principal de nossa discussão é verificar até que ponto o Estado empreende projeto de atendimento com relação à comunicação linguística a esses que aqui chegam. Segundo dados divulgados na mídia, o Rio de Janeiro coloca em prática uma posição pioneira, quando  a Secretaria de Estado de Assistência Social e Direitos Humanos do Rio de Janeiro lançou, em 2014, um plano inédito em todo o país que permite formalizar políticas de atendimentos a refugiados. Em que medida nesse plano se prevê uma política linguística? Em que medida o Estado ignora, ou não, todos os entraves oriundos de uma imposição de uma língua única, quando não se tem como meta uma integração – e não apenas um acolhimento – na e pelas línguas?  Essas são questões da ordem do discurso que buscamos responder ao longo do trabalho.

Palavras-chave: política linguística; plurilinguismo no Rio de Janeiro; acolhimento de refugiados.

 

Minibiografia:

Tania Conceição Clemente de Souza é professora lotada no Departamento de Antropologia do Museu Nacional e membro da Pós-graduação em Linguística da Faculdade de Letras/UFRJ. Desenvolve trabalhos, pelo viés da Análise do Discurso, tendo interesse no estudo de textos verbais e não verbais, além de pesquisas desenvolvidas junto a diferentes povos indígenas no Brasil.


Póster 1

SISTEMA DE ORGANIZAÇÃO DO CONHECIMENTO NA ÁREA DE LITERATURA INGLESA: Shakespeare e sua obra

 

Márcia Barcelos Gomes – UFRJ – marciabarcellosg@gmail.com

Vânia Lisboa da Silveira Guedes – UFRJ – vanialisboa@facc.ufrj.br

Maria José Veloso da Costa

 

Resumo:

Este estudo desenvolve um sistema de organização do conhecimento sobre Shakespeare e sua obra, na área de literatura inglesa. William Shakespeare soube como poucos pensar e refletir sobre as questões primordiais da própria existência humana e, por essa razão, suas obras literárias são lidas, relidas e adaptadas em diferentes gêneros textuais. Com isso, o presente estudo tem como objetivo contribuir para a elaboração de um protótipo de vocabulário controlado, a saber, um tesauro sobre a biografia do autor e sua obra. Dessa forma, para embasamento, utilizaram-se: abordagens teóricas e metodológicas interdisciplinares da análise documentária, classificação, terminologia, teoria do conceito e dos sistemas de organização do conhecimento, sob a perspectiva da linguística documentária. Sob essa perspectiva, destacam-se algumas contribuições da Linguística para a Biblioteconomia que permitem a aproximação de diferentes áreas do saber com o objetivo de desenvolver sistemas de organização do conhecimento. Para a composição da amostra, selecionaram-se artigos de periódicos científicos, em Português do Brasil, publicados no período de 2006 a 2015, que tratam de temas relacionados à biografia de Shakespeare e sua obra. Finalmente, é apresentado um protótipo de vocabulário controlado sobre o tema e sugere-se dar continuidade a esse empreendimento em pesquisas posteriores.

Palavras-chave: Organização do Conhecimento; William Shakespeare; Microtesauro; Linguagem Documentária.

 

Minibiografias:

Márcia Barcelos Gomes: Possui graduação em Abi – Letras – Português – Inglês pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (2010). Cursa Biblioteconomia e Gestão de Unidades de Informação pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Atua como assistente em administração na Biblioteca Central do CCS/ Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Vânia Lisboa da Silveira Guedes: Pós-doutorado em Linguística, Programa de Pós-Graduação em Linguística (PPGL) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), 2015. Doutora em Linguística pelo PPGL/UFRJ, 2010. Mestre em Ciência da Informação (CI) pela Escola de Comunicação da UFRJ-IBICT/CNPq (1992). Bacharel em Biblioteconomia e Documentação pela Universidade Santa Úrsula (1980). Professora Adjunta do Curso de Biblioteconomia e Gestão de Unidades de Informação da FACC.(Fonte: Currículo Lattes. Disponível em: < http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=K4727340U5>. Acesso 12 out. 2016)


Póster 2

O potencial da transitividade em língua portuguesa como aparato de construção representacional da população LGBT

 

Iran Ferreira de Melo – Universidade Federal Rural de Pernambuco – iranmelo@hotmail.com

 

Resumo:

A função ideacional da linguagem, responsável por representar a realidade, pode ser investigada, de acordo com Halliday & Matthiessen (2004), através da análise da transitividade, sistema lexicogramatical formado por participantes (grupos nominais), processos (verbos) e circunstâncias (advérbios). A relação semântica entre esses elementos e a função que exercem na produção de sentidos sociais são capazes de construir representações acerca de quaisquer pessoas e grupos. Partindo, portanto, do estudo de tal sistema como ferramenta para evidenciar textualmente as imagens públicas produzidas sobre grupos sociais minoritários, apresentaremos uma investigação da transitividade em textos do jornal Folha de São Paulo (Brasil) sobre o ativismo social de lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros, componentes do denominado movimento LGBT. Trata-se de um trabalho que objetiva compreender como esse grupo historicamente excluído de seus direitos sociais é representado em suas práticas de ativismo político no jornal brasileiro de maior circulação nacional. Exporemos, para isso, a conclusão de uma pesquisa de doutorado desenvolvida na Universidade de São Paulo sobre a representação sociodiscursiva de LGBT na imprensa brasileira, reconhecendo, assim, o papel da transitividade como efetivo mecanismo de construção e desvelamento de ideologias para a análise dos discursos de domínio público e jornalístico.

Palavras-chave: transitividade; representação; língua portuguesa; LGBT.

 

Minibiografia:

Professor de Língua Portuguesa e Linguística, doutor em Letras /Filologia e Língua Portuguesa (Universidade de São Paulo – 2013), mestre em Letras / Linguística (Universidade Federal de Pernambuco – 2007) e licenciado em Letras / Língua Portuguesa (Universidade Federal de Pernambuco – 2004). Desenvolve pesquisas transdisciplinares sob os paradigmas da Análise Crítica do Discurso e da Linguística Aplicada ao ensino de língua portuguesa como idioma materno.


Póster 3

DOM CARMURRO EM OUTROS GÊNEROS: UMA ANÁLISE DA RESSIGNIFICAÇÃO DO ROMANCE NA MINISSÉRIE E NA HISTÓRIA EM QUADRINHOS

 

Jessica de Castro Gonçalves – Faculdade de Ciências e letras de Araraquara/UNESP – jesqueline@ig.com.br

 

Resumo:

O presente trabalho volve os olhares para a recriação de romances da literatura canônica em outros gêneros discursivos. Com a recorrência desse tipo de produção e sua entrada no contexto escolar, surgem muitos discursos desfavoráveis a essas recriações, julgando-as inferiores ao romance e prejudiciais ao ensino de língua e literatura na escola. Frente a essa polêmica, propomos, neste trabalho, pensar essas produções como novas obras, as quais em diálogo com o romance, são mais do que simples adaptações, pois ressignificam-se nas materialidades verbo-voco-visuais presentes nos novos gêneros discursivos e estabelecem novos diálogos e valorações em seus respectivos contextos de produção e recepção. Com esse objetivo, analisaremos a ressignificação do narrador Dom Casmurro do romance Dom Casmurro de Machado de Assis, nas seguintes produções: a minissérie Capitu de Luis Fernando de Carvalho e a história em quadrinhos Dom Casmurro de Felipe Grecco e Mário Cau. Esta pesquisa propõe a discussão desses novos enunciados considerando-os em sua relativa in-dependência. Objetivamos discutir como um narrador, semelhante nas três produções, sofre uma ressignificação e se torna outro, devido a forma, materialidades e estilos diferentes. Para isso, os conceitos de diálogo, ressignificação, enunciado e gênero sob a perspectiva do Círculo de Bakhtin e o método dialético-dialógico (Paula et al, 2011) fundamentam esse estudo. Se para Bakhtin, o gênero discursivo se constitui na relação conteúdo, estilo e forma, bem como nas relações dialógicas que este estabelece nos contextos de interação, julgar a qualidade de uma produção somente pela fidelidade maior ou menor ao enredo romanesco é algo a ser debatido. Almeja-se com esse trabalho contribuir com os estudos sobre a produção e existência de gêneros em outras materialidades.

Palavras-chave: Gêneros; Diálogo; Ressignificação.

 

Minibiografia:

Graduada em Letras pela Faculdade de Ciências e Letras de Assis – UNESP e Mestre em Linguística e Língua Portuguesa pela FCLAr/UNESP. Atualmente é doutoranda, bolsista CAPES, sob a orientação da professora doutora Luciane de Paula, no programa de Pós-Graduação em Linguística e Língua Portuguesa na FCLAr- UNESP. Desenvolve pesquisas na área de gêneros do discurso, na perspectiva bakhtiniana e participa dos grupos de pesquisa GED (UNESP – Assis) e SLOVO (UNESP – Araraquara). Atuou como docente no ensino básico e superior.