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Simpósio 13

SIMPÓSIO 13 – CARTOGRAFIA(S) DA LUSOFONIA

 

Coordenadoras:

Regina Pires de Brito | Universidade Presbiteriana Mackenzie | rhbrito@mackenzie.br

Lúcia Vidal Soares | Instituto Politécnico de Lisboa – ESE/CIED |luciavsoares@gmail.com

Neusa Barbosa Bastos |Universidade Presbiteriana Mackenzie / Pontifícia Universidade Católica – SP |nmbastos@terra.com.br

 

Resumo:

O objetivo deste simpósio é o debater aspectos que destaquem o papel da língua portuguesa como instrumento construtor de identidades múltiplas (linguística, cultural e social) do sujeito em países de oficialidade lusófona (Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, São Tomé e Príncipe, Timor-Leste), em outros espaços de presença significativa de comunidades lusofalantes, além de regiões como Galiza e Macau, por exemplo. Pretende-se, ao longo das discussões, oferecer subsídios para o reconhecimento das diferentes normas do português, refletir acerca das políticas linguísticas desenvolvidas, buscando uma compreensão da relação entre discurso lusófono e consciência nacional. Por fim, neste simpósio, abre-se espaço para estudos e experiências que focalizam a difusão da língua portuguesa em contextos multilingues e reflexões sobre a internacionalização do português no século XXI.

 

Palavras-chave: lusofonia, variedades do português, política linguística, internacionalização, difusão linguística.

 

Minibiografias:

REGINA PIRES DE BRITO – Pós-Doutora pela Universidade do Minho, Doutora e Mestre em Linguística pela FFLCH-USP. Professora Adjunto III, é docente e coordenadora do Núcleo de Estudos Lusófonos do Programa de Pós-Graduação em Letras da Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM). Pesquisadora Associada do Centro de Estudos das Literaturas de Expressão em Língua Portuguesa da USP, membro do Conselho Diretivo do Instituto Nacional de Linguística de Timor-Leste, do Grupo de Historiografia Linguística do IP-PUC-SP e do GT de Historiografia da ANPOLL. Líder do Grupo de pesquisa CNPq – CILL (Cultura e Identidade Linguística na Lusofonia).

LÚCIA VIDAL SOARES – Doutora, pela Universidade de Aveiro, em Didática e Formação, Mestre em Relações Interculturais, pela Universidade Aberta de Lisboa, na área da Sociolinguística e Licenciada em Filologia Românica – Linguística, pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Professora adjunta (aposentada) da Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Lisboa, na área de Línguas. Membro do Centro Interdisciplinar de Estudos Educacionais (CIED).Tem-se dedicado ao estudo da Lusofonia, sobretudo, no âmbito didático e das políticas linguísticas, principalmente, em Timor-Leste. Colabora, atualmente, com a Faculdade de Letras da Universidade Agostinho Neto (Angola), no âmbito do Mestrado em Língua Portuguesa.

NEUSA BARBOSA BASTOS – Pós-doutora pela Universidade do Porto. Doutorado em Linguística Aplicada ao Ensino de Línguas pela Pontificia Universidade Católica de São Paulo (PUCSP). Professora titular da PUCSP e da Universidade Presbiteriana Mackenzie, onde é vice-coordenadora do NEL – Núcleo de Estudos Lusófonos. Consultor da CAPES – Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior e da FAPESP – Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, membro de diretoria do Sindicato dos Professores. Membro o GT de Historiografia da Linguística Brasileira da ANPOLL – Associação Nacional de Pós-Graduação em Letras e Linguística. Vice-líder do Grupo de pesquisa CNPq – CILL (Cultura e Identidade Linguística na Lusofonia).

 

 

Resumos dos trabalhos aprovados

Comunicação 1

A língua portuguesa no século XXI – perspectivas

Neusa Barbosa Bastos – Pontifícia Universidade Católica de São Paulo / Universidade Presbiteriana Mackenzie – nmbastos@terra.com.br

 

Resumo:

Centramo-nos em discursos lusófonos para observar a interação humana no espaço lusófono, objetivando apresentar reflexões acerca de aspectos linguísticos, culturais e identitários dos sujeitos em países de oficialidade lusófona no século XXI, marcado pela globalização, entendida como processo de aprofundamento internacional que integra questões linguísticas, culturais, econômicas, sociais e políticas no final do século XX e início do século XXI e o pós-colonialismo, entendido como conjunto de transformações na ordem linguística, cultural, política e econômica mundial visíveis, desde o final do século XX, deixado pelo colonialismo nos países colonizados. Cumpre estabelecer, para falantes lusófonos interagentes no mundo, passos para um ensino/aprendizagem de Língua Portuguesa, pautado num enfoque linguístico-político-cultural, que entenda a diversidade cultural no universo dos falantes da Língua Portuguesa e que promova, difunda e enriqueça a Língua Portuguesa nos diversos espaços de uso.

Palavras-chave: língua portuguesa; discursos lusófonos; estudos lusófonos.

 

Minibiografia:

Neusa Barbosa Bastos – Pós-doutora pela Universidade do Porto. Doutorado em Linguística Aplicada ao Ensino de Línguas pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUCSP). Professora titular da PUCSP e da Universidade Presbiteriana Mackenzie, onde é vice-coordenadora do NEL – Núcleo de Estudos Lusófonos. Consultor da CAPES – Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior e da FAPESP – Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, membro de diretoria do Sindicato dos Professores. Membro o GT de Historiografia da Linguística Brasileira da ANPOLL – Associação Nacional de Pós-Graduação em Letras e Linguística. Vice-líder do Grupo de pesquisa CNPq – CILL (Cultura e Identidade Linguística na Lusofonia).


Comunicação 2

Olhares sobre a diversidade linguística.Das línguas das nações às línguas das interações

 

Paulo Feytor Pinto – Universidade de Coimbra – paulofeytorpinto@gmail.com

 

Resumo:

Desde o início do século XXI, verifica-se uma mudança profunda na forma como é analisada e classificada a diversidade linguística do planeta. Durante o século passado, a importância de cada língua foi avaliada de acordo com critérios exclusivamente demográficos e políticos numa abordagem endógena centrada na identidade de nações que têm determinada língua como língua oficial e no número de potenciais falantes, residentes nessas nações. Neste paradigma, a classificação de uma língua nacional assentava na sua capacidade de difusão no sistema internacional. Pelo contrário, no paradigma emergente, uma língua é relevante no sistema global devido às interações que estabelece com outras línguas ou comunidades linguísticas. Numa abordagem exógena, o plurilinguismo dos falantes torna as línguas implicadas mais influentes na conectividade do sistema global, tanto digital como não digital. Ou, dito de outro modo, a influência de uma língua é maior quanto maior for o plurilinguismo dos seus falantes. Assim, ganham relevo critérios como a veicularidade da língua, a produção de traduções, a sua utilização em mensagens multilíngues e a notoriedade internacional dos seus falantes. Nesta comunicação serão apresentados três estudos que adotam critérios exógenos de avaliação da diversidade linguística (Calvet, 2012; British Council, 2013; MIT, 2014) e será apresentada uma análise da situação do português de acordo com estes critérios, centrada no caso dos países africanos em cujo ecossistema linguístico o português tem o estatuto de língua oficial.

Palavras-chave: ecolinguística; globalização; multilinguismo; plurilinguismo.

 

Minibiografia:

Paulo Feytor Pinto – Mestre em Relações Interculturais (1999) e doutor em Estudos Portugueses, especialização em Política de Língua (2008). Foi presidente da Associação de Professores de Português (1997-2011), colaborou na redação do Dicionário da Academia das Ciências de Lisboa (1992-95) e é autor dos livros Formação para a Diversidade Linguística na Aula de Português (1998), Como Pensamos a Nossa Língua e as Línguas dos Outros (2001), Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa (2009) e O Essencial sobre Política de Língua (2010).


 Comunicação 3

Perspectivas para a evolução do sistema de normas da língua portuguesa

 

Gilvan Müller de Oliveira – Universidade Federal de Santa Catarina / Instituto de Investigação e Desenvolvimento em Política Linguística (IPOL) – gimioliz@gmail.com

 

Resumo:

O sistema de normas da língua portuguesa tem se caracterizado, desde o início do século XX, pelo dualismo entre os processos de normatização do Brasil e de Portugal, o que conduziu a duas normas não-cooperativas. A norma portuguesa foi adotada pelas novas nações independentes de língua portuguesa após 1975. Dados de projeção demográfica dos países de língua portuguesa até 2100 apontam para um crescimento populacional elevado dos PALOP nas próximas décadas, especialmente Angola e Moçambique, e para um decréscimo populacional de Brasil e Portugal, de tal maneira que uma grande parcela dos falantes da língua estaria na África Meridional (Angola e Moçambique) na virada para o século XXII. Este texto discute os processos normativos da língua e explora preliminarmente cenários para a gestão do sistema de normas da língua portuguesa à luz de alterações geopolíticas previstas para a segunda metade do século XXI.

Palavras-chave: Sistema de normas; pluricentrismo linguístico; língua portuguesa; PALOP; geopolítica.

 

Minibiografia:

Gilvan Müller de Oliveira – Professor Adjunto da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), na área de Política Linguística e História da Língua Portuguesa, foi um dos criadores e Coordenador Geral do IPOL – Instituto de Investigação e Desenvolvimento em Política Linguística, de Florianópolis, Brasil, e Diretor Executivo do IILP – Instituto Internacional da Língua Portuguesa, da CPLP – Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, de 2010 a 2014. Doutor pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e pós-doutor pela Universidade Autônoma Iztapalapa (México). Atua na formulação e execução de políticas públicas, como a política de oficialização de línguas em nível municipal, a da criação do Inventário Nacional da Diversidade Linguística, para o reconhecimento das línguas brasileiras como patrimônio imaterial (INDL) e a das Escolas Interculturais Bilíngues de Fronteira do Mercosul Educacional (PEIBF). Como Diretor Executivo do IILP, coordenou o processo de criação de projetos multilaterais para a promoção do português no âmbito da CPLP, como o Portal do Professor de Português Língua Estrangeira/Língua Não Materna (PPPLE) e o Vocabulário Ortográfico Comum da Língua Portuguesa (VOC), previsto no Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990 (AO90), além de coeditar a publicação científica do Instituto, a Revista Platô.


Comunicação 4

Mitos fundadores da mitologia cultural portuguesa e a lusofonia

 

Elaine Cristina Prado dos Santos – Universidade Presbiteriana Mackenzie – elainecristina.santos@mackenzie.br

 

Resumo:

Este trabalho tem por objetivo apresentar uma leitura do imaginário político português sob uma perspectiva mítica a fim de verificar que, conforme Mircea Eliade, a partir de um certo momento a origem não se encontra mais apenas num passado mítico, mas também num futuro fabuloso, chamado de mobilidade da origem. Pautado neste pressuposto, o foco de estudo será o imaginário político português que se reflete na ressignificação constante de mitos fundadores em diferentes conjunturas. A projeção do passado no futuro é algo recorrente no imaginário político português, refletindo em termos de ressignificação de mitos fundadores: “Quinto Império”, “Crença no destino imperial português”. A partir do século XIX, conforme Valentim Alexandre, dois mitos são fundamentais ao imaginário político português: o mito de Eldorado e o mito da Herança Sagrada. Este conjunto de mitos é retomado pelo Estado Novo, sob a liderança de Salazar, construindo um discurso de nação plurirracial e pluricontinental em torno da crença em um Portugal uno e indivisível. Entretanto, com a opção europeia consolidada, após os anos 80, Portugal procurou retomar sua dimensão atlântica a partir de novos parâmetros, ao regatar as glórias passadas da nação e projetá-las em um futuro aparentemente realizável em um processo de reconstrução da identidade nacional portuguesa, sustentada em uma mitologia cultural de forte presença na sociedade portuguesa. Nosso estudo tem por meta apresentar o imaginário político português e sua ressignificação por meio de seus mitos fundadores a fim de compreender a complexidade do universo identitário da Lusofonia.

Palavras-chave: imaginário português; identidade; diversidade;  estudos lusófonos.

 

Minibiografia:

Elaine Cristina Prado dos Santos – graduação em Letras Português Inglês pela Universidade Presbiteriana Mackenzie (1983), graduação em Letras Clássicas Latim pela Universidade de São Paulo (1985), mestrado e doutorado em Letras (Letras Clássicas) pela Universidade de São Paulo (1995 e 2005). É professora adjunto II da Universidade Presbiteriana Mackenzie e também Coordenadora do Curso de Letras. É docente do programa de Pós-Graduação em Letras, da Universidade Presbiteriana Mackenzie, na linha de pesquisa Literatura e suas relações com outras linguagens.


Comunicação 5

Pertinência e viabilidade da Lusofonia

Regina Pires de Brito – Universidade Presbiteriana Mackenzie – rhbrito@mackenzie.br

 

Resumo:

A Lusofonia tem sido foco de interesse recente (e não poucas vezes permeado por polêmicas) no meio acadêmico. Sendo uma preocupação a conceituação e a pertinência do tema, esta comunicação procura abranger elementos que contribuam para a construção de uma ideia de “lusofonia” viável, pautada numa visão pluricêntrica do português. Acredita-se na necessidade de se buscar o fortalecimento e a disseminação da língua portuguesa, ao mesmo tempo em que se defende o conhecimento, o reconhecimento, o respeito e a legitimação das variedades linguísticas nacionais, partindo de experiências em alguns de seus contextos multilíngues, particularmente, em Timor-Leste.

Palavras-chave: estudos lusófonos; língua portuguesa; pluricentrismo linguístico; contextos multilíngues; difusão do português.

 

Minibiografia:

Regina Pires de Brito – Pós-Doutora pela Universidade do Minho, Doutora e Mestre em Linguística pela FFLCH-USP. Professora Adjunto III, é docente e coordenadora do Núcleo de Estudos Lusófonos do Programa de Pós-Graduação em Letras da Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM). Pesquisadora Associada do Centro de Estudos das Literaturas de Expressão em Língua Portuguesa da USP e do CLEPUL – Centro de Literaturas e Culturas Lusófonas e Europeias da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Membro do Conselho Diretivo do Instituto Nacional de Linguística de Timor-Leste, do Grupo de Historiografia Linguística do IP-PUC-SP e do GT de Historiografia da ANPOLL. Líder do Grupo de pesquisa CNPq – CILL (Cultura e Identidade Linguística na Lusofonia).


Comunicação 6

Contextos de ensino e de formação em PLE/PL2: os desafios da diversidade

 

Edleise Mendes – Universidade Federal da Bahia – edleise.mendes@gmail.com

 

Resumo:

Considerando-se os contextos multiculturais e complexos nos quais o português como LE/L2 tem lugar, examinar o papel que esta língua desempenha hoje no mundo contemporâneo e seus reflexos nas ações projetadas para o ensino e a formação de professores deixa de ser apenas uma exigência pedagógica e metodológica para transformar-se em agenda política. Com esta comunicação, desse modo, pretendo contribuir para a discussão sobre o fortalecimento do português como língua pluricêntrica, representativa dos modos como vivem diferentes culturas, refletindo sobre alguns desafios que se impõem ao trabalho de pesquisadores, professores, gestores e alunos em relação à eleição de abordagens e estratégias teórico-metodológicas, e seus devidos enquadres políticos, que possam dar conta da grande diversidade de contextos nos quais as experiências de ensinar e aprender têm lugar: língua estrangeira, língua segunda, língua de acolhimento, língua de herança, língua de integração, entre outros. Finalmente, destacarei algumas tendências contemporâneas para o ensino e a formação de novos professores, incluindo a prospecção de possíveis caminhos para o desenvolvimento de políticas institucionais, públicas e privadas, que fomentem o desenvolvimento e a projeção do português como língua de importância global, mas sem desconsiderar os problemas e necessidades de cada espaço social onde a língua é ensinada e aprendida.

Palavras-chave: Ensino de PLE-PL2; Diversidade; Formação de Professores; Pluricentrismo linguístico.

 

Minibiografia:

Edleise Mendes – mestrado em Estudos Linguísticos (Universidade Federal da Bahia -1996), doutorado em Linguística Aplicada (Universidade Estadual de Campinas – 2003) e Pós-Doutorado no Centro de Estudos Sociais – CES, da Universidade de Coimbra (2014-2015). Atualmente é professora adjunta da Universidade Federal da Bahia (UFBA), onde atua na graduação e no Programa de Pós-Graduação em Língua e Cultura (PPGLinC). Dedica-se a estudos sobre a língua portuguesa e os contextos culturais que a abrigam, atuando principalmente nos seguintes temas: ensino e aprendizagem de língua portuguesa, materna e estrangeira, formação de professores, avaliação e produção de materiais didáticos, abordagens interculturais e críticas para o ensino de línguas, políticas linguísticas para a língua portuguesa. Tem vários livros e artigos publicados sobre diferentes aspectos relativos ao ensino e à formação de professores de língua portuguesa e é especialista na elaboração e no desenvolvimento de projetos para a promoção, a projeção e a difusão da língua portuguesa no mundo. É Presidente da Sociedade Internacional de Português Língua Estrangeira – SIPLE (2014-2016), Diretora do Observatório de Português Língua Estrangeira / Língua Não Materna e coordenadora do grupo de pesquisa LINCE – Núcleo de Estudos em Língua, Cultura e Ensino (UFBA/CNPQ).


Comunicação 7

Mas nas lojas me entendem… Autoindulgência do aprendiz falante de espanhol e construção de conhecimento em PLE: como ensinar Português e cultura brasileira para além da raya

Ida Maria da Mota Rebelo Arnold – Universidade de Valladolid – ntrebelo@yahoo.com.br

 

Resumo:

Buscamos, nesta comunicação, delinear os contornos do ensino de PLE em um ambiente geográfico e cultural ainda influenciado pelos contatos com Portugal e com a variedade de Português em uso na região. Primeiramente, contextualizamos, brevemente, o ambiente dentro e fora de sala de aula em que se dá o ensino de Português como língua estrangeira na Universidad de Valladolid, Espanha. Em seguida, apresentamos de que forma a atividade do Leitorado de Português e Cultura Brasileira promove a adaptação dos aprendizes incentivando a construção de um olhar contrastivo e não excludente entre as modalidades Brasileira e Portuguesa da língua. Além disso, lançamos um olhar sobre a própria construção de identidade como falante estrangeiro de Português, tal como a define o Quadro Comum Europeu de Referência para as Línguas (QCRL). Em termos concretos apresentamos algumas reações dos estudantes ao se depararem com aspectos como pronúncia e prosódia, seleção de vocabulário e de estruturas frasais e as respectivas estratégias adotadas para incorporá-las ao seu conhecimento/experiência prévia em PLE. Elencamos uma amostragem de suas produções que será objeto de uma breve análise a partir de subsídios de diferentes áreas da Linguística Aplicada ao ensino de LE, tais como Foco na Forma, estudos sobre Interação e Didática de Línguas.

Palavras-Chave: PLE; construção de conhecimento em LE; hispanofalantes.

 

Minibiografia:

Ida Maria da Mota Rebelo Arnold – Professora de Português L2 e LE com mestrado e doutorado na área de Linguística Aplicada ao ensino de PLE pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro; formação de professores de PLE/L2 nas disciplinas de Linguística Aplicada ao ensino de PLE e Fronteiras do Português e Português no Mundo (PUC-Rio); animadora em sessões do projeto europeu GALANET, plataforma digital intercompreensão de línguas românicas (Universidade de Aveiro e PUC-Rio); EAD, coordenação, design e execução de cursos em plataformas digitais (ATEC e Learn4U, Lisboa); tradutora.


Comunicação 8

Macau: que lugar na cartografia da lusofonia?

 

Lola Geraldes Xavier – Instituto Politécnico de Macau / Instituto Politécnico de Coimbra – lolagrafias@gmail.com

 

Resumo:

A língua portuguesa, qual ser vivo, está em constante mudança. Essa dinâmica advém de múltiplos e complexos factores não só linguísticos, mas sobretudo sociais, geográficos, políticos, económicos e culturais. São factores que interferem com a própria noção de comunidade de países de língua portuguesa e com a concepção de lusofonia, nem sempre usada de forma pertinente. Analisando os vários factores que contribuem para a pluralidade e diversidade da língua portuguesa, tentaremos examinar a situação política e linguística da atual Região Administrativa Especial de Macau (RAEM). Nesse sentido, pretende dar-se resposta a algumas questões como: Que discurso lusófono existe em Macau? Numa comunidade em que o cantonês é manifestamente majoritário e em que a língua de trabalho é o inglês, que políticas linguísticas têm sido desenvolvidas em Macau para a preservação da língua portuguesa? Qual a recepção do Acordo Ortográfico em Macau? Que papel desempenha Macau na estratégia económico-linguística da República Popular da China? Que função Macau tem/poderá ter para a internacionalização do Português no século XXI? A resposta a estas e outras questões, através de uma perspetiva histórica e caracterização da situação atual, permitirá ajudar a traçar uma cartografia lusófona para Macau.

Palavras-chave: Macau; políticas linguísticas; cultura lusófona; lusofonia.

 

Minibiografia:

Lola Geraldes Xavier tem pós-doutoramento, pela Universidade de Coimbra, e é doutorada em Literatura pela Universidade de Aveiro. Coorganizou e publicou vários livros e dezenas de artigos. Apresentou igualmente dezenas de comunicações em Congressos Internacionais. Como docente na Escola Superior de Educação de Coimbra, foi diretora da licenciatura em Educação Básica. Atualmente desempenha funções de professora coordenadora no Instituto Politécnico de Macau.


Comunicação 9

Língua portuguesa em Macau: uma história secular de convivência?

Maria de Lurdes Nogueira Escaleira – Instituto Politécnico de Macau – lescaleira@ipm.edu.mo / salselas@hotmail.com

 

Resumo:

É comum afirmar-se que, desde há longa data, existe, em Macau, um convívio entre as línguas chinesa e portuguesa, no entanto, em nosso entender, a realidade é complexa e, se tomarmos o termo convívio na sua acepção mais radical, podemos afirmar tratar-se de uma representação que não corresponde à realidade. Pretendemos pois, com este estudo, fazer uma desconstrução deste pressuposto e mostrar que o que, desde sempre e até ao presente, existe em Macau são duas línguas que vivem lado a lado e raramente se cruzam e se interrogam uma à outra. Para demonstrar essa realidade partimos da análise dos contos de Deolinda da Conceição e dos contos e romances de Henrique de Senna Fernandes, escritas que retratam a sociedade do século XX, nomeadamente, os aspectos linguísticos e culturais destes dois mundos. Assim, o foco da investigação incide na forma como as várias personagens se posicionam face à língua portuguesa e, também, no modo como o domínio linguístico determina a sua vida.  A nossa proposta consiste num regresso ao Macau do século XX para, assim, através da escrita destes dois autores macaenses reflectir sobre a presença da língua portuguesa, num ambiente onde a maioria da população tem o chinês como língua materna. A partir deste contexto, será traçada uma resposta à pergunta inicial mostrando que o português e o chinês têm vivido em Macau de costas voltadas e, mesmo quando se aventuram no mundo do Outro, acabam por ser tratados como estranhos e diferentes sem conseguirem integrar-se e partilhar um espaço comum. Afinal, a divisão espacial em cidade cristã e cidade chinesa (bazar) não reflecte per si essa vivência de tolerância e desconhecimento?

Palavras-chave: Macau;  espaço multilíngüe; domínio linguístico; língua materna.

 

Minibiografia:

Maria de Lurdes Nogueira Escaleira – Licenciada em Filosofia e doutorada em Didática das Línguas, pela  Faculdade de Letras da Universidade do Porto e, ainda, licenciada e mestre em Administração Pública, pela Universidade de Macau. Em Macau, foi docente dos Serviços de Educação e Juventude, Instituto Português do Oriente e, desde 1991, lecciona no Instituto Politécnico de Macau. Temas de investigação: ensino/aprendizagem da Língua Portuguesa, ensino da tradução e escrita em língua portuguesa em Macau. Tem feito comunicações e publicados artigos em Macau, Portugal, Brasil e Índia.


Comunicação 10

Macau: de políticas linguísticas a novos contornos literários

 

Mônica Simas – Universidade de São Paulo – monicasimas@usp.br

 

Resumo:

O objetivo dessa comunicação é mostrar como Macau se constituiu, ao longo do tempo, como uma rede de comunicação complexa na qual políticas linguísticas podem convergir para uma educação voltada à interculturalidade. Especificamente, alguns pressupostos que circulam na região, nos últimos anos, oferecem valores que podem ser transportados à concreção de novos contornos literários baseados em mecanismos de transformação ou alternação na autoconstituição e abertura cognitiva, indispensáveis a uma educação voltada ao convívio de diferentes grupos socioculturais.

Palavras-chave: língua portuguesa em Macau; multilinguismo; inteculturalidade; literatura de Macau.

 

Minibiografia:

Mônica Muniz de Souza Simas – Professora Associada do Programa de Literatura Portuguesa da USP, Pós-doutora sob supervisão de Yao Jingming da Universidade de Macau, coordenadora do LIA (Laboratório de Interlocuções com a Ásia) interdepartamental DLCV-DLO e do Grupo de Estudos “Porta Macau: literaturas, línguas e culturas”, certificado no CNPq. É colaboradora do Centro de Estudos Comparatistas da Universidade de Lisboa e foi professora visitante na Universidade de Florença. Da sua bibliografia destaca-se o livro Margens do Destino: Macau na literatura em língua portuguesa, lançado pela editora Yendis, em 2007.


Comunicação 11

Traços do Extremo Oriente: a narrativa de Wenceslau de Morais desvendando as múltiplas culturas do mundo oriental em bom português

 

Sérgio Pereira Antunes – Universidade de São Paulo – FFLCH-LIA – santunes@usp.br

 

Resumo:

Wenceslau de Moraes em Traços do Extremo Oriente, por meio de sua interessante narrativa de viagem, descreve uma cartografia própria do mundo lusófono a caminho do Oriente. Sua viagem faz a língua portuguesa novamente presente em paisagens anteriormente contatadas pela expansão empreendedora de Portugal. Após conhecer a América, as costas ocidental e oriental da África, em Traços do Extremo Oriente, Wenceslau nos conta da Tailândia (Sião), de Jacarta (Batávia), de Macau, da China e do Japão. Sua narrativa, em bom português, é instrumento revelador de identidades e aspectos multiculturais dos lugares por onde passou em sua missão como oficial da Marinha e, por consequência, prestador do serviço exterior português. A obra revela ao mundo lusófono – seus leitores – o universo oriental que desvendava com especial destaque ao sul da China, a partir de Macau, e à terra de seu deslumbramento, o Japão. É em Macau que Wenceslau de Moraes vai se estranhar, mas é também ali que ele vai compreender o Oriente e revelá-lo aos seus compatriotas. Sua escrita introduz à sua língua materna termos do mundo oriental, explicando-os com maestria. Sua escrita literária, embora arraigada aos ditames do fim do século XIX, viabiliza reflexões e auxilia a justificar a internacionalização do português no século XXI. A investigação proposta se insere na área da literatura da língua portuguesa, com objetivo de observar a multicultura relatada. Justifica-se por tratar da expansão da língua portuguesa nos diferentes territórios, evidenciando-a como uma língua internacional que precisa conhecer o mundo. A metodologia parte da leitura de Traços do Extremo Oriente, sua crítica em face das doutrinas de relações internacionais contemporâneas. Os resultados preliminares evidenciam a importância de Wenceslau de Moraes, em especial, no conhecimento da cultura japonesa.

Palavras-chave: Oriente; Wenceslau de Moraes; língua portuguesa; Macau; Japão; estudos lusófonos.

 

Minibiografia:

Sérgio Pereira Antunes – Pesquisador do LIA (Laboratório de Interlocuções com a Ásia, da FFLCH-Faculdade de Filosofia Letras e Ciências Humanas, da Universidade de São Paulo-USP). Graduado em Economia, Direito e Letras. Doutor em História Econômica pela USP. Atualmente dedica-se a temas de Direito Internacional e, na área oriental, em especial, acerca da literatura e cultura armênia, chinesa e de Macau.


Comunicação 12

Edificando o bilinguismo: entre o cabo-verdiano e o português

 

 Ana Josefa Cardoso – Universidade Nova de Lisboa – ajgc@1969gmail.com

 

Resumo:

Em Cabo Verde há uma contradição entre o estatuto oficial das línguas e o seu uso corrente. O português, apesar de ser mais respeitado e de maior prestigio, é a língua que ocupa menos espaço na vida do cidadão comum. A maior parte dos cabo-verdianos teve o seu primeiro contacto com o português no espaço escolar, sendo este, muitas vezes, o único contexto de input. A falta de oportunidade para exercitar esta língua quotidianamente, condiciona o seu uso, tornando-a numa língua de constrangimento para muitos, cuja competência é, sobretudo passiva. O cabo-verdiano, beneficiando do estatuto de língua nacional, apesar de não ser ainda suficientemente valorizada, é a língua materna e de uso diário de todos os cidadãos. Nos últimos anos, esta língua tem vindo a conquistar alguns espaços que antes eram preenchidos exclusivamente pelo português. Paulatinamente, têm surgido medidas políticas para a valorização do cabo-verdiano que vão legitimando o seu uso em contextos formais. Com o intuito de valorizar ambas as línguas, no ano letivo 2013/2014 iniciou-se uma experiência-piloto de educação bilingue onde o português e o cabo-verdiano estão é pé de igualdade na sala de aula, fomentando a biliteracia e contribuindo para a construção de um bilinguismo efetivo. Esta experiência e os seus resultados serão o foco desta apresentação.

Palavras-chave: cabo-verdiano; português; bilinguismo; lusofonia.

 

Minibiografia:

Ana Josefa Cardoso pertence ao Centro de Línguas da Universidade Nova de Lisboa, mestre em Relações Interculturais pela UAberta, doutoranda em Linguística na FCSH-UN. É professora de Português e formadora de Educação Intercultural, Português Língua Não Materna e Língua Cabo-verdiana. Participa em projetos interculturais e é mentora do projeto Educação Bilíngue em Cabo Verde.


 Comunicação 13

O Português de Cabo Verde: alguns aspetos do input e da escolarização

 

Nélia Alexandre – Universidade de Lisboa – n_alexandre@letras.ulisboa.pt

 

Resumo:

O contacto já secular entre a língua cabo-verdiana e a portuguesa em Cabo Verde está a conduzir a uma mudança linguística que é justificada pelo facto de a primeira língua ser falada como L1 em todo o território, enquanto a segunda é L2 naquele espaço. O objetivo principal desta comunicação é, assim, apresentar e refletir sobre alguns aspetos morfossintáticos inovadores na gramática do português falado em Cabo Verde, porque não convergentes com a gramática do português europeu. Para isso, começa-se por se apresentar a situação sociolinguística atual de Cabo Verde, salientando-se o valor/prestígio do português no país, assim como o seu papel na construção da identidade (bilingue) cabo-verdiana. A partir da análise de dados de corpora, mostrar-se-á que a natureza do input a que os falantes cabo-verdianos têm acesso condiciona as propriedades da gramática da variedade (emergente) do português de Cabo Verde. Além disto, equacionar-se-á o peso da escolarização na formação dessas propriedades inovadoras, tendo em conta que (i) a taxa de alfabetização da população entre os 15 e 24 anos é de 96,8% (Censo 2010) e que (ii) o português é falado como L2 pela grande maioria da população de Cabo Verde (80%, segundo dados do mesmo Censo). Defender-se-á que o português de Cabo Verde está a ser, então, modelado por estas variáveis, mas também por mudança interna à própria gramática do português.

Palavras-chave: Língua cabo-verdiana; português L2; input; escolarização; identidade.

 

Minibiografia:

Nélia Alexandre – Doutora em Linguística Geral (Sintaxe do Crioulo de Cabo Verde) e investigadora do Centro de Linguística da ULisboa (CLUL). Interessa-se pela aquisição de Português L2, essencialmente em contextos de contacto linguístico; é uma das coordenadoras dos cursos de PLE da FLUL e formadora de professores. Colabora ainda nos projetos Learner Corpus of Portuguese L2 (CLUL/FLUL); Cátedra de Português Língua Segunda e Estrangeira (Univ. Eduardo Mondlane) e Cátedra Eugénio Tavares de Língua Portuguesa (Uni-CV).


 Comunicação 14

O português mora aqui? – exemplos de políticas linguísticas (educativas) em contexto multilíngue lusófono

 

Lúcia Vidal Soares – Instituto Politécnico de Lisboa – Escola Superior de Educação – luciavsoares@gmail.com

 

Resumo:

Após a independência, os designados países “pós coloniais” procuraram criar sistemas educativos que funcionassem como alavanca para implementar o desenvolvimento da educação e que nesse âmbito pusessem em prática o ensino das línguas associado ao ensino das culturas. Este esforço ficou a dever-se, segundo Lobo de Pina (2007: 15), “como forma de recuperar o sentido pleno do que é conhecer uma língua, de atingir a compreensão do outro, na sua alteridade”, mas também procurando responder, segundo o autor, a preocupações inscritas no conceito de Educação de Qualidade para Todos (UNESCO) que “preconiza que as medidas em educação considerem aquilo que caracteriza as sociedades actuais: a coabitação, o convívio, o contacto de línguas e culturas nos contextos sociais” (idem). Ora, soluções educativas em sociedades plurais não podem ser uniformes. Pretende-se, assim, nesta comunicação contextualizar, apresentar e comparar, na medida do possível, políticas linguísticas levadas a cabo em Angola e em Timor-Leste, no intuito que perceber que tipo de trama se tece entre línguas endógenas e o português, língua herdada da colonização.

Palavras-chave: políticas linguísticas; Angola; Timor-Leste; lusofonia; multilinguismo.

 

Minibiografia:

Doutora em Didática e Formação pela Universidade de Aveiro. Professora adjunta aposentada da Escola Superior de Educação de Lisboa, membro do Centro de investigação desta instituição, Cied. Interessa-se não só por temas relativos a Políticas Linguísticas, como pelo processo de ensino /aprendizagem do Português como LNM, sobretudo, em contextos multilíngues.


 Comunicação 15

Influência do pensamento de Paulo Freire em Timor-Leste

 

Márcia V. Cavalcante – Universidade de São Paulo – FEUSP – marciacalva@gmail.com

 

Resumo:

Este trabalho pretende discutir e os percursos históricos da influência dos estudos do educador Paulo Freire em Timor-Leste. Para isso, será realizada uma descrição e análise da cartilha Rai Timur Rai Ita Nian (Terra Timor Nossa terra), elaborada pela Frente Revolucionária de Timor-Leste Independente – FRETILIN, com o objetivo de ser utilizada na campanha de alfabetização popular, iniciada no final do período colonial português, tendo continuidade durante a ocupação indonésia. A análise do material será feita tendo como norte os estudos de Paulo Freire, principalmente, em relação à educação popular e  ao conceito de Invasão Cultural. Com a intenção de que esta análise seja melhor compreendida, ao longo da comunicação será feita uma abordagem sobre o contexto histórico, político e educacional timorense.

Palavras-chave: Educação Popular; Paulo Freire; Timor-Leste; Identidade; Estudos Lusófonos.

 

Minibiografia:

Márcia V. Cavalcante – Doutoranda em Educação pela Universidade de São Paulo- USP, Mestre em Letras pela Universidade Presbiteriana Mackenzie de São Paulo (2013). Participou como professora cooperante do Programa de Qualificação de Docentes e Ensino de Língua Portuguesa em Timor-Leste- PQLP/CAPES, durante os anos de 2007 a 2010 e de 2013 a fevereiro de 2015. Atuou na formação de professores da Educação Básica de Timor-Leste e no Departamento de Língua Portuguesa da Faculdade de Educação, Artes e Humanidades (FEAH) da Universidade Nacional Timor Lorosa’e. É professora da Rede Estadual de Ensino de Pernambuco e atua também na área de Letras e formação de professores de Ensino Básico.


 Comunicação 16

Inclusão de pessoas com deficiência em Timor-Leste: discursos e contextos

 

Susana Silva Carvalho – Centro de Aperfeiçoamento dos Profissionais da Educação – EAPE/SEE-DF – susana.eape@gmail.com

Márcia V. Cavalcante – Universidade de São Paulo – FEUSP – marciacalva@gmail.com

 

Resumo:

Timor-Leste, país localizado no sudeste asiático, conquistou a independência em 2002, depois de 24 anos de ocupação Indonésia. Atualmente, enfrenta sérios desafios na Educação, decorrentes do desmonte ocasionado pelos diversos conflitos nos diferentes períodos histórico-políticos vivenciados.  Um dos desafios está relacionado com a inclusão educacional e social de pessoas com deficiência, tendo em vista as perspectivas culturais e religiosas do país. Em determinados contextos timorenses, as deficiências estão intrinsecamente relacionadas a crenças de maldição e punição no núcleo familiar. Esta comunicação pretende, portanto, analisar o contexto inclusivo das pessoas com deficiência, considerando aspectos histórico-culturais e compreender as relações entre educação especializada e o significado de deficiência, além de relacionar a educação e a inclusão nos discursos de profissionais, familiares e pessoas com deficiências envolvidas em processos inclusivos sociais e educacionais em contextos multilíngues.  Tendo como aporte teórico a psicanálise e suas relações com a educação, além de outros estudos sobre deficiência e inclusão. A metodologia adotada é a pesquisa bibliográfica e documental, tendo também contribuições de entrevistas e questionários.

Palavras-chave:  Educação Inclusiva; Timor-Leste; Contexto Multilinguístico; Lusofonia.

 

Minibiografias:

Susana Silva Carvalho – Pedagoga e Mestre em Educação. Professora na Secretária de Estado de Educação do Distrito Federal (SEEDF), no Programa de Reabilitação Funcional no Centro de Ensino de Especial de Deficientes Visuais. Bolsista (CAPES) no Programa de Qualificação Docente e Ensino de Língua Portuguesa em Timor Leste, atuando na articulação pedagógica do programa e também na formação inicial e continuada de professores e em Centro de Reabilitação, 2013-2015. Atualmente é professora no Centro de Aperfeiçoamento dos Profissionais da Educação – EAPE em Brasília – DF, atuando em cursos de formação continuada para professores nas áreas de deficiência visual e Transtorno do Espectro Autista.

Márcia V. Cavalcante – Doutoranda em Educação pela Universidade de São Paulo- USP, Mestre em Letras pela Universidade Presbiteriana Mackenzie de São Paulo (2013). Participou como professora cooperante do Programa de Qualificação de Docentes e Ensino de Língua Portuguesa em Timor-Leste- PQLP/CAPES, durante os anos de 2007 a 2010 e de 2013 a fevereiro de 2015. Atuou na formação de professores da Educação Básica de Timor-Leste e no Departamento de Língua Portuguesa da Faculdade de Educação, Artes e Humanidades (FEAH) da Universidade Nacional Timor Lorosa’e. É professora da Rede Estadual de Ensino de Pernambuco e atua também na área de Letras e formação de professores de Ensino Básico.


Comunicação 17

A construção da identidade timorense

 

Luís Costa – Timor-Leste – lusarcos@hotmail.com

 

Resumo:

A identidade nacional da República Democrática de Timor-Leste teve como vetor o regime colonial português que durou quase meio milénio pelo que é natural que desse convívio secular, a par de muitas e conhecidas dissensões, se tenham firmado afetos em consequência da história, da religião e da língua comuns. Por outro lado, como resultado da miscigenação e dessa convivência secular surgiu uma realidade cultural própria que inclui aspetos comuns às culturas em longa interação. O que dizemos constitui certamente uma das exceções nas relações entre Estado colonizador e território colonizado e é impossível não realçar o que consiste numa particularidade na história dos povos. A génese do Estado de Timor-Leste reside na existência de características que o distinguem dos povos das ilhas vizinhas e emergem da vivência comum e da interação com um povo oriundo literalmente do outro lado do Mundo que transformaram o território numa comunidade singular nesta região do globo. Timor-Leste é portador de uma identidade própria que foi cultivando e construindo em simultaneidade com a compreensão da importância da sua diferença: paulatinamente, à cultura ancestral, acrescentou os novos valores trazidos pelos navegadores portugueses e se foram enraizando como traços de uma identidade criadora do nacionalismo timorense, que abriu caminho para a necessária perceção de que os timorenses são um só povo de uma só pátria que comunga o sentimento de pertença a uma nação que o Estado materializa; o timorense apreendeu que “pertencer significa simultaneamente ser incluído numa comunidade e estar separado e diferenciado de outra. Será sobre estes aspectos que esta comunicação irá se desenvolver.

Palavras-chave: Identidade;  Língua Portuguesa; Timor-Leste; Nação; Lusofonia.

 

Minibiografia:

Luís Costa – estudioso timorense, especiamente dedicado à história e cultura timorenses. Teólogo pelo Seminário de Leiria (1973), em 1974 regressa a Timor-Leste onde foi cooperar na missão de Ossú. Durante a invasão indonésia, esteve nas montanhas com a população, de 1976 a 1979. Colaborou com a tradução para tétum do Ordo Missae, Ferial e Leituras das missas, aprovadas pela Santa Sé em 1981. Em 1984, em Portugal, colaborou em atividades pela causa timorense. Desenvolve diversos trabalhos de pesquisa e produção de material para o Instituto Camões e para o Ministério da Educação de Timor-Leste. É autor do Dicionário tétum-português, do Guia de conversação português-tétum.


Comunicação 18

Lusofonia: a questão da diversidade linguística e a competência comunicativa de professores em processo de formação continuada

 

Dieli Vesaro Palma – Pontifícia Universidade Católica de São Paulo – dieli@uol.com.br

 

Resumo:

A Língua Portuguesa, atualmente, espalha-se pelos cinco continentes, em função do projeto colonizador de Portugal, caracterizando-se pela diversidade, resultante do contato do Português com diferentes culturas e diferentes línguas, o que lhe deu especificidades nos diversos locais em que é falado. Assim, quando nomeamos Língua Portuguesa, não estamos nos referindo a uma homogeneidade linguística, mas, ao contrário, estamos fazendo referência a usos da Língua Portuguesa com feições próprias, a partir de uma base primeira, marcados pela diversidade.    Essa diversidade, cuja origem foi comum, tem possibilitado nomearem-se, no mundo lusófono, línguas nacionais, como o português brasileiro, o português europeu, o português angolano, o português moçambicano, o português timorense etc. É importante destacar-se que a variação linguística não existe apenas entre as línguas nacionais do mundo lusófono, uma vez que ela também está presente, por exemplo, no português brasileiro nas diversas variantes que compõem a língua nacional. Assim, o tema deste trabalho é a variação linguística focalizada, por meio da análise linguística (léxico-gramatical), em processo de formação continuada de professores do português língua materna como conhecimento necessário para o desenvolvimento da competência comunicativa desses docentes. Portanto, tem-se por objetivo apresentar-se o estudo realizado com esses professores, com base na análise linguística de diferentes gêneros textuais, fundamentada na Linguística Funcional, com vistas a ampliar-se a sua competência comunicativa, entendida como um conjunto complexo de competências, sobretudo no que diz respeito à competência sociolinguística. Esses gêneros são representativos de diferentes variantes do português brasileiro e também do português angolano e moçambicano, que estão sendo comparadas entre si. Os resultados obtidos até o momento mostram que a análise linguística de diferentes gêneros representativos de diversas variantes linguísticas é um caminho produtivo para a ampliação da competência comunicativa de docentes em serviço, bem como para relacionar  diversidade linguística  e  múltiplas identidades.

Palavras-chave: lusofonia; diversidade linguística; competência comunicativa; múltiplas identidades.

 

Minibiografia:

Dieli Vesaro Palma – Doutora em Linguística Aplicada pelo Programa de Estudos Pós-Graduados em Linguística Aplicada e Estudos da Linguagem – Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, com Estágio Pós-Doutoral em Língua Portuguesa, na Universidade do Porto. Professora do Programa de Estudos Pós-Graduados em Língua Portuguesa da PUCSP.Dedica-se a pesquisas nas áreas da Historiografia Linguística, da Linguística Cognitiva e da Formação de Professores. Tem trabalhos publicados sobre temas relevantes nesses campos.


Comunicação 19

Lusofonia: uma história em quadrinhos

 

Karine T. S. Silva – Faculdade Estácio / Faculdade Capital Federal – karinets@gmail.com

 

Resumo:

Como bem sabemos a Lusofonia vem ganhando cada vez mais espaço, pois ela representa um conceito muito mais amplo do que apenas um espaço composto por um conjunto de países que partilham um mesmo idioma. A Lusofonia vai, além disso, representar a cultura e a ideologia de uma “nação” Lusófona. Assim sendo, ao pensarmos em culturas Lusófonas analisadas cultural, sociológica e criticamente, tem-se um estudo concentrado na subjetividade, identidades e na complexidade dos encontros e interações culturais, contrastando a homogeneidade da língua com a heterogeneidade dos espaços (cf. BASTOS, BRITO e HANNA, 2010). A partir de tais concepções, a Lusofonia se estrutura como elemento primordial no que se refere a uma nova realidade que, no futuro poderá assumir uma importância determinante para a divulgação plena da língua portuguesa, não se traduzindo somente no âmbito político, por exemplo, mas também, na união linguística e cultural bem mais solidificada. Nosso estudo focaliza o jornalista brasileiro Pedro Cirne que, a partir de uma história familiar, organizou uma história em quadrinhos e convidou autores lusófonos (Cabo Verde, Moçambique, Timor Leste, por exemplo) para escreverem narrativas sob a temática “Púrpura”. Cada autor terá uma visão diferenciada do tema a partir de sua cultura. Assim, tal narrativa se torna um excelente incentivo para se trabalhar a Lusofonia como questão de conhecimento, divulgação e desenvolvimento de, quem sabe, novos estudiosos. O foco deste trabalho é criar subsídios para se trabalhar esta história em quadrinhos nos cursos de graduação em Letras e Pedagogia, pois investindo na educação lusófona desses profissionais, cada vez mais teremos uma gama maior de conhecedores e difusores da Lusofonia em nosso país, que é tão carente deste tipo de profissional.

Palavras-chave: história em quadrinhos; formação de professor; estudos lusófonos.

 

Minibiografia:

Karine T. S. Silva – Mestre em Letras pela Universidade Presbiteriana Mackenzie (2013). Tem sua formação acadêmica toda na área de Letras. Leciona para Graduação e Pós-Graduação: Leitura, Produção e Prática Textual, Análise do Discurso, Literaturas Portuguesa, Brasileira, Infantil e Contemporânea e Comunicação Organizacional. Atualmente, desenvolve estudos a respeito da importância de se trabalhar a lusofonia no curso superior.


Comunicação 20

Identidade e conflito linguístico em espaço lusófono: um estudo do romance Mulheres de Cinzas de Mia Couto

 

Adriano Carlos Moura – Instituto Federal Fluminense – adriano.moura@iff.edu.br

 

Resumo:

Mulheres de Cinzas, primeiro livro da trilogia Areias do Imperador de Mia Couto, é um romance narrado sob a perspectiva de uma jovem moçambicana e de um soldado português alternadamente. Trata-se de um romance histórico sobre o período em que o Sul de Moçambique era governado por Ngungunyane, último imperador do Estado de Gaza que, no final do século XIX, ameaçava o domínio colonial. Esta comunicaçã oé resultado de um estudo da obra, com a finalidade de investigar o papel da língua como construção da identidade individual e coletiva numa sociedade em conflito entre colonizados e colonizadores, e a hibidrez entre ambos como marca da experiência colonial.  Parte-se, inicialmente, dos estudos históricos de Erick Hobsbawn  sobre nação, língua e nacionalismo,  a partir de 1780, para  compreender como a maioria dos países ocidentais construíram esses conceitos. Em seguida, o romance é analisado como narrativa performativa sobre a nação, considerando seu contexto de produção (Moçambique pós-colonial), entendendo o termo “performativo” na acepção concebida por Homi Bhabha e suas reflexões sobre identidade. Nesse contexto, a língua é percebida não como um elemento de comunicação apenas, mas também de conflito no espaço lusófono.

Palavras-chave: Identidade; Língua Portuguesa; Literatura; Nação.

 

Minibiografia:

Adriano Carlos Moura é graduado em Letras, mestre em Cognição e Linguagem. Professor de Literatura Portuguesa e Africana do curso de Letras do Instituto Federal Fluminense, coordenador da pós-graduação em Literatura, Memória Cultural e Sociedade, editor executivo da Essentia Editora, do Instituto Federal Fluminense. Ficcionista, autor dos livros Liquidificador: poesia para vita mina, O julgamento de Lúcifer, Todo Verso Merece Um Dedo de Prosa.


Comunicação 21

As margens do outro: Mia Couto e Guimarães Rosa

 

Marli Fantini Scarpelli – Faculdade de Letras da UFMG – marlifan@terra.com.br

 

Resumo:

O objetivo central desta proposta é buscar convergências estruturais e linguísticas do romance Um rio chamado tempo, uma casa chamada terra, de Mia Couto com o conto “A terceira margem do rio”, de Guimarães Rosa. Naquele, pretendemos identificar correspondências geopolíticas, simbólicas e alegóricas entre o universo ficcional e a história da guerra colonial em Moçambique, bem como seus desdobramentos pós-coloniais, o que decorre, justamente, do diálogo entre ficção e documentário. Em seu romance, Mia Couto traça, na erosão e esvanecimento dos lugares de memória de uma ilha pós-utópica, um retrato poético e alegórico da Moçambique contemporânea, de cujo contexto despontam inventários de fragmentos, cintilações, modulações melancólicas de vozes a reverberar no apagamento de memória individual e coletiva, nos rastros de tradições, ritos e mitos de uma história em ruínas. Por sua feita, Guimarães Rosa, escritor brasileiro, implode e estilhaça, kafkianamente, os hábitos linguísticos cristalizados da Língua Portuguesa, para fazer da escrita um acontecimento epifânico, a fecundar — nos interstícios minados da língua formal — outra língua, “sua língua brasileira”, instrumento esteticamente modulado por outros idiomas. Mediante essa estratégia, Rosa postula o direito simbólico e político de renovar a língua, para renovar a literatura e a vida: “Minha língua é a arma com a qual defendo a dignidade do homem (…). Somente renovando a língua é que se pode renovar o mundo” (ROSA, 1994: 52). Este trabalho salientará, enfim, não apenas acontecimentos traumáticos, perdas e luto, mas também instantes de superação e travessia – cintilações a iluminar devires, espaços ainda desabitados, práticas nômades, a hibridez de histórias, memórias, culturas e zonas fronteiriças de que falam Guimarães Rosa e Mia Couto. Neste trabalho, ancorar-nos-emos nas linguagens estilhaçadas de ambos os escritores, que, em suas respectivas literaturas, elaboram saídas simbólicas por ilhas e crostas, por terceiras margens, obscuros limites fluviais através dos quais Rosa faz um barco à deriva deslizar n’ “A terceira margem do rio”, conto com o qual o romance de Mia Couto entabula um fecundo diálogo.

 

Minibiografia:

Marli de Oliveira Fantini Scarpelli – Professora Associada IV da FALE/UFMG. Coordenou a Câmara de Pesquisa da FALE. Foi Chefe do Departamento de Semiótica e Teoria da Literatura; Diretora do CESP – Centro de Estudos Portugueses e Editora das Revistas do CESP. Foi Presidente da Comissão Editorial da Ed.FALE/Ed. Dentre suas publicações, destacam-se: Guimarães Rosa: Fronteiras, margens, passagens. 2ª EDIÇÃO. (2008), Machado e Rosa: Leituras Críticas (2010 – Org.); A poética migrante de Guimarães Rosa (2008 – Org.), Crônicas da antiga corte: literatura e memória em Machado de Assis, (2008 – Org.), Olhares críticos: estudos de literatura e cultura (2009 – Org.). Co-organizadora de: Portos flutuantes: trânsitos ibero-afro-americanos (2004); Gênero e representação nas literaturas de Portugal e África (2002); Poéticas da diversidade (2002); Os centenários: Eça, Freyre, Nobre (2001). É pesquisadora do CNPq e da FAPEMIG.


Comunicação 22

Identidades femininas em língua portuguesa: mulheres-meninas-mães em contextos periféricos

 

Vima Lia de Rossi Martin – Universidade de São Paulo – vima@usp.br

 

Resumo:

Trabalhando de forma expressiva a língua portuguesa, as obras ficcionais do brasileiro Marcelino Freire e do angolano João Melo focalizam a realidade vivida por segmentos socialmente marginalizados. Especialmente os contos “O caso da menina”, de Freire, publicado no livro Angu de sangue (2000), e “O feto”, de Melo, publicado em Filhos da pátria (2001) são narrativas protagonizadas por mulheres-meninas-mães que, desamparadas e sem condições de cuidar de seus filhos, agem de maneira extrema. A análise comparativa dos contos, escritos a partir de estratégias discursivas bastante distintas, favorece a reflexão sobre o modo de representação literária da identidade pessoal e social de mulheres pobres, moradoras de espaços periféricos, que são frequentemente submetidas a processos sistemáticos de violência física e simbólica e de violação de direitos humanos. A leitura dos textos revela a dura realidade da opressão feminina que, no Brasil e em Angola, ganha contornos específicos ao combinar-se com fatores como a exploração econômica e a discriminação racial.

Palavras-chave: Marcelino Freire; João Melo; contos em língua portuguesa; marginalidade social; identidade feminina.

 

Minibiografia:

Vima Lia de Rossi Martin – Doutora em Letras pela Universidade de São Paulo e professora de Estudos Comparados de Literaturas de Língua Portuguesa na mesma instituição. Atua na graduação e na pós-graduação e é membro do Núcleo de Apoio à Pesquisa Brasil – África (USP). Publicou artigos em revistas nacionais e internacionais e também em livros. É organizadora de Diálogos críticos: literatura e sociedade nos países de língua portuguesa (Arte e Ciência, 2005) e autora de Literatura e marginalidade (Alameda, 2008), Língua Portuguesa (Positivo, 2013) e Veredas da palavra (Ática, 2016).


Comunicação 23

Angola e Brasil – Poder e Discurso Político: a constituição do ethos discursivo em pronunciamentos presidenciais de Angola e do Brasil

 

Patrícia Martins Mafra – Pontifícia Universidade Católica de São Paulo – PUC/SP – mafrapat07@gmail.com

 

Resumo:

Busca-se, neste artigo, com base na teoria da Análise do Discurso (AD) de linha francesa, com observação da pesquisa de Maingueneau (2008) e Charaudeau (2008), analisar a constituição do ethos discursivo dos pronunciamentos presidenciais dos países lusófonos Angola e Brasil, da década de 1990. Justificamos a escolha por Angola e Brasil possuírem um passado em comum e trazerem semelhanças resultantes das ações do período da colonização portuguesa. Dentre essas podemos citar a língua portuguesa como elemento unificador, o sacrifício e a escravidão imposta aos seus nativos por lucros financeiros, a fim de sustentar a metrópole colonizadora. Para Pêcheux (1988), fiel ao marxismo de Althusser, a ideologia é fundamentalmente aquilo que determina o sujeito, à sua revelia, na ilusão da autonomia que lhe fornece a língua e complementa com o fato de que não há discurso sem sujeito e sem ideologia: o indivíduo é interpelado em sujeito pela própria ideologia e é assim que a língua faz sentido. Especificamente, os corpora da pesquisa são constituídos pelo pronunciamento de  José Eduardo dos Santos, Presidente da República de Angola, na assinatura do Acordo de Lusaka, em 1994 e pelo pronunciamento de Fernando Collor de Mello, Presidente da República do Brasil, na cerimônia de posse no Congresso Nacional, em 1990. A pesquisa classifica-se qualitativa uma vez que não se vale de instrumentos estatísticos no processo de análise. Essa análise visa à identificação de semelhanças e de diferenças da constituição do ethos dos referidos discursos, a partir do contexto histórico e situacional, dos procedimentos linguísticos e das representações sociais acerca da legitimidade, por meio de eleições democráticas, da credibilidade e da identificação do sujeito político. Os resultados apontam que há semelhanças e diferenças na construção do ethos discursivo dos corpora em questão, e que as mesmas assinalam diferentes efeitos de sentido nos coenunciadores.

Palavras-chave: Lusofonia; Análise do Discurso; Ethos Discursivo; Efeitos de sentido.

 

Minibiografia:

Patrícia Martins Mafra – Doutoranda em Língua Portuguesa na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo – PUC/SP. Mestre em Língua Portuguesa pela Universidade Católica de São Paulo – PUC/SP. Membro do Grupo de Pesquisas Historiografia de Língua Portuguesa (IP-PUC/SP). Atualmente, professora Efetiva de Língua Portuguesa, Educação Básica, na Prefeitura Municipal de São Paulo.


Comunicação 24

Dêiticos discursivos: um olhar multicultural em Pepetela

 

Micheline Padovani – Pontifícia Universidade Católica de São Paulo – michelinepadovani@yahoo.com.br

 

Resumo:

Utilizando a Análise do Discurso de Linha Francesa desenvolvida por Dominique Maingueneau, esta pesquisa trata da constituição e representação do contexto angolano durante o período de guerra civil e de questões relacionadas ao multiculturalismo de Angola, por meio de dêiticos que mostram (EU/TU-AQUI/AGORA), presentes na obra “O planalto e a estepe”, de Pepetela. Fundamentaremo-nos em: Augusto (2015), Bastos (2008), Charaudeau (2004 e 2006), Leite (2003), Maingueneau (1995, 1996, 1997, 1998, 2002, 2004, 2006 e 2008), Mateus (1983), Mingas (1998), entre outros. Explicitaremos algumas características da narrativa e particularidades dos personagens, pois a mesma serve como instrumento para a multiculturalidade e a construção identitária do homem angolano. Maingueneau (1995, p.146) relata que as ideias contidas no discurso literário apresentam “uma maneira de dizer que remetem a uma maneira de ser”, demonstrando as diversas constituições do EU/TU. O romance é lugar de encontro de vários discursos, várias etnias ou mesmo de língua. A literatura é um espaço abrangente e interativo entre o sujeito enunciador (sujeito da escrita), o enunciatário e os textos históricos que percorrem a narrativa.

Palavras-chave: Angola; dêixis; multiculturalismo; Pepetela; estudos lusófonos.

 

Minibiografia:

Micheline Tacia de Brito Padovani – Licenciatura Plena em Letras- Português pela Universidade Metodista de Piracicaba (2006) e Especialização, Lato Sensu, em Língua Portuguesa pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (2008). É mestranda em Língua Portuguesa pela PUC-SP com bolsa CAPES (2015). Atualmente é professor de língua portuguesa – Secretaria da Educação do Estado de São Paulo, com ênfase em Ensino de Língua Portuguesa, literatura africana, leitura e escrita. Participa do grupo de pesquisa – Historiografia da Língua Portuguesa, vinculado ao IP – PUC-SP.


 Comunicação 25

Língua portuguesa e o sujeito angolano: análise da obra Luuanda sob uma perspectiva historiográfica

 

Andressa Pereira da Silva – Pontifícia Universidade Católica de São Paulo – andressacassiolatto@terra.com.br

 

Resumo:

O objetivo deste trabalho é mostrar a influência da Língua Portuguesa no período colonial tardio em Angola, pela análise da obra Luuanda, de Luandino Vieira, seguindo as orientações teórico-metodológicas propostas por Koerner (1996) para a Historiografia Linguística. O que motivou esta análise foi investigar as marcas da Língua Portuguesa durante o colonialismo português (1962-1975) e como o contexto sócio-histórico-cultural da época atuou sobre o sujeito angolano na busca pelo fim da hegemonia de Portugal. Colonizador e colonizado: dois grupos díspares que atuam em polos contrários. O dominador impõe a um grupo preponderante seu código linguístico, cultura, valores e estruturas sociais sob a congruência da singularidade: apenas uma língua prevalece. O colonizado, por sua vez, deve apropriar-se da língua de seu conquistador e, gradualmente, afastar-se de sua essência sociocultural, como cita Albert Memmi: “A língua materna do colonizado, aquela que é nutrida por suas sensações, suas paixões e seus sonhos (…), enfim, aquela que contém a maior carga afetiva, essa é precisamente a menos valorizada.” (1977, p. 97) Nessa perspectiva, embasamos nosso estudo em HL, conforme citado anteriormente, e nos três princípios norteados por Koerner: o princípio da contextualização, o princípio da imanência e o princípio da adequação teórica. As estórias de Luuanda aproximam-nos do espaço angolano e da denúncia à situação colonial. A obra contribuiu para a integração cultural e linguística de Angola e mostra a Língua Portuguesa como instrumento de transformação em um momento histórico revolucionário.

Palavras-chave: historiografia linguística; Angola; língua portuguesa; colonialismo português; estudos lusófonos.

 

Minibiografia:

Andressa Pereira da Silva – Pós-Graduada pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo com o título de Especialista em Língua Portuguesa e pesquisa embasada nos estudos da Historiografia Linguística. Participou de cursos de extensão na USP, voltados para a literatura africana. Graduada em Letras pela Fundação Santo André e professora de Língua Portuguesa da rede particular.


Comunicação 26

Questões lusófonas: o século XVI

 

Victor Hugo Ramão Fernandes – Pontifícia Universidade Católica de São Paulo – victor.fernandes@live.com

 

Resumo:

Pensar a lusofonia remete-nos aos tempos da política expansionista portuguesa. Assim, voltamo-nos para um gramático renascentista e comparamo-lo com a situação linguística hoje no Brasil, na visão de um gramático contemporâneo.  Nessa perspectiva, o trabalho examina os conceitos e descrições relacionados aos pronomes nos séculos XVI e XXI, a partir dos procedimentos teóricos e metodológicos da Historiografia Linguística. Para tanto, analisa a Gramática da Língua Portuguesa (1540) de João de Barros e a Moderna Gramática Portuguesa (2009) de Evanildo Bechara, em sua 37ª edição. Tal pesquisa se funda na importância do fenômeno linguístico e no período histórico e abarca a questão das diferentes normativas de Portugal e Brasil. Seguindo os procedimentos metodológicos comuns à Historiografia Linguística, deve-se obedeceraos princípios koernianos de Contextualização, Imanência e Adequação. Perguntamo-nos como os pronomes eram compreendidos pelo gramático renascentista no momento em que a língua portuguesa foi levada aos mais dispersos territórios do mundo. Visamos a responder às questões: Como se compreendiam os pronomes no período de gramatização da língua portuguesa? Quais semelhanças e distinções podem ser apontadas quanto à descrição dos pronomes entre o período quinhentista e o período atual? Respondendo a tais perguntas, pretende-se, no trabalho, contribuir com as pesquisas de Historiografia Linguística oferecendo um estudo de uma das primeiras gramáticas do século XVI voltado para os pronomes e uma análise de uso em textos do mesmo período, assim como compreender comparativamente com seu uso atual.

Palavras-chave: lusofonia; pronomes; gramáticas; historiografia linguística.

 

Minibiografia:

Victor Hugo Ramão Fernandes – professor de Língua Portuguesa na rede pública do Estado de São Paulo, desde 2009. Graduado em Letras pela UNIFIG (Guarulhos/SP). Atualmente, é mestrando em Língua Portuguesa pela PUC/SP e participa do grupo de pesquisa em Historiografia Linguística do IP-PUC/SPSedes Sapientiae. Sua área de atuação está voltada para Gramática, Lusofonia e Historiografia Linguística.


Comunicação 27

Consciência lusófona e identidade linguística em “Uma política do idioma”,  de Celso Cunha

 

Patrícia Leite Di Iório – Universidade Cruzeiro do Sul – patsilvestre@uol.com.br

 

Sônia Maria Nogueira – Universidade Estadual da Região Tocantina do Maranhão / FAPEMA – ssonianogueira@gmail.com

 

Resumo:

Este trabalho busca analisar a proposta de política do idioma apresentada por Celso Cunha por ocasião da 1ª Reunião dos Conselhos Estaduais de Educação, proferida em dezembro de 1963, no Ministério da Educação e Cultura. A conferência, reproduzida, posteriormente, no nº 21 de Documenta, foi reproduzida no livro “Uma política do idioma” (1964) e, segundo o autor, acrescida de notas e fundamentos linguísticos e filológicos. Trata-se de obra relevante para a compreensão da proposta de Cunha de manter a unidade relativa do idioma, para que não precise ser a mesma, mas não se torne outra. Assim, pretende-se verificar em que contexto político-linguístico-educacional o discurso é proferido e quais são as implicações do clima de opinião sobre a sua proposta, bem como quais são as concepções de língua, de política do idioma e de lusofonia e identidade que estão imanentes. Para estabelecer essas relações é necessário buscar fundamentos nos conceitos de Lusofonia e Identidade (BRITO, 2013, 2016), sob o olhar do discurso político (CHARAUDEAU, 2006), para se observar as questões de identidade e consciência nacional e lusófona do discurso político-linguístico de Celso Cunha.

Palavras-chave: lusofonia; política linguística; identidade; discurso lusófono.

 

Minibiografias:

Patricia Leite Di Iório – Doutora e Mestre pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo – PUC/SP). Professora da Universidade Cruzeiro do Sul, onde é professora do Programa de Pós-Graduação em Linguística. Pesquisadora do Grupo Teorias e Práticas Discursivas e Textuais da Universidade Cruzeiro do Sul, do Grupo de Historiografia Linguística do IP-PUC-SP e do GT de Historiografia da ANPOLL – Associação Nacional de Pós-Graduação em Letras e Linguística.

Sônia Maria Nogueira – Doutora e Mestre em Língua Portuguesa pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo-PUC/SP, com estágio na Universidade do Porto, Portugal. É docente na Universidade Estadual da Região Tocantina do Maranhão-UEMASUL. Coordenadora da Linha de Pesquisa Historiografia Linguística e Ensino do Grupo de Estudos Linguísticos do Maranhão-GELMA, pesquisadora do Grupo de Historiografia Linguística do IP-PUC-SP e do GT de Historiografia da ANPOLL – Associação Nacional de Pós-Graduação em Letras e Linguística.