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Simpósio 11

SIMPÓSIO 11 – A VISÃO DOS DESCOBRIMENTOS E DA COLONIZAÇÃO PORTUGUESA: LITERATURA, FORMAS DO IMAGINÁRIO E REPRESENTAÇÃO DA REALIDADE

Coordenadores:

Pedro Carlos Louzada Fonseca | Universidade Federal de Goiás | pfonseca@globo.com  

Márcia Maria de Melo Araújo | Universidade Estadual de Goiás | marcimelo@gmail.com

Maria Laura Bettencourt Pires | Universidade Católica Portuguesa | laurapir6@gmail.com

 

Resumo:

Com enfoque na consideração do tratamento literário da chamada literatura de viagens e da cronística colonial do período dos descobrimentos e da colonização portuguesa, tanto em referência oriental quanto ocidental, o simpósio tem como objetivo a apresentação de trabalhos que tematizem o estudo da visão desses descobrimentos e colonização na perspectiva da relação binômica entre formas do imaginário e representação da realidade. Recomendando uma metodologia crítico-analítica, com substancial suporte teórico, o simpósio apresentará trabalhos que visem ao exame de ideias ou ideário e formas do imaginário que influem na formação da visão representacional da realidade colonial e a expressão retórica desse tipo de literatura de descobrimentos e colonização, peculiar por se transicionar entre a mentalidade tradicional e o adventício e novel pensamento dos tempos modernos. Fixando-se especialmente na influência e disseminação das formações ideológicas do mundo mental europeu, o simpósio pretende demonstrar que a escrita e a retórica dessa literatura de descobrimentos e colonização constrói-se por um conjunto de temas e recursos de expressão estilística e retórica de propósitos entre historiográficos, confabuladores e imaginários que, entretanto, visam a motivos ideológicos e de ordem política bem definidos de um tipo de discurso formado de prerrogativas tropológicas de conquista e colonização marcadamente etnocêntricas e apropriadoras da realidade natural e etno-antropológica do conquistado. Este simpósio, em termos de investigação científica, fundamentação teórica e suporte bibliográfico, apresenta-se correlacionado, especificamente pelo viés teórico e crítico do estudo do discurso do gênero, ao projeto de pesquisa intitulado “Mulher difamada e mulher defendida no pensamento medieval: textos fundadores”, que integra a “Rede Goiana de Pesquisa sobre a Mulher na Cultura e na Literatura Ocidental”, coordenado pelo Prof. Dr. Pedro Carlos Louzada Fonseca e financiado, pelo período de 2013 a 2016, pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Goiás (FAPEG).

Palavras-chave: Literatura, descobrimentos, colonização, imaginário, realidade.

 

Minibiografias:

Pedro Carlos Louzada Fonseca é Professor Titular de Literatura Portuguesa na Universidade Federal de Goiás (Brasil). É Ph. D. em Romance Languages pela University of New Mexico (USA). É autor do livro Bestiário e discurso do gênero no descobrimento da América e na colonização do Brasil (2011) e coautor do livro Mulher medieval e trovadorismo galego-português: o feminino e a feminização nas cantigas de amigo (2015).

Márcia Maria de Melo Araújo é professora de Literaturas de Língua Portuguesa na Universidade Estadual de Goiás (Brasil). Doutora em Letras e Linguística pela Universidade Federal de Goiás, desenvolve pesquisas em Estudos Medievais, com projeto sobre as cantigas de amigo dos trovadores galego-portugueses. É coautora do livro Mulher medieval e trovadorismo galego-português: o feminino e a feminização nas cantigas de amigo (2015).

Maria Laura Bettencourt Pires é Professora Catedrática da Universidade Católica Portuguesa, onde é Investigadora Sénior do Centro de Estudos de Comunicação e Cultura e Directora da revista Gaudium Sciendi da Sociedade Científica. Dedicou-se à docência e coordenação (cursos de Mestrado e Doutoramento e Projectos de Investigação). Ensinou nas Universidades Nova e Aberta e, nos EUA, Georgetown, Brown e Fairfield. Publicou, entre inúmeros outros livros: Intelectuais Públicas Portuguesas – As Musas Inquietantes (2010), Teorias da Cultura (2011, 3ª ed.).

 

 

Resumos dos trabalhos aprovados

Comunicação 1

A visão do descobrimento em Desmundo de Ana Miranda

Autora:

Janice Aparecida de Azevedo Fernandes – PUC Goiás – janiceeuc@yahoo.com.br

 

Resumo:

A obra Desmundo, de Ana Miranda, é marcada e marca a história do imaginário brasileiro, tanto por meio da personagem Oribela, protagonista, quanto pela estrutura em que a obra se corporifica. O objetivo do presente estudo é a investigação acerca do pensamento da personagem, o qual nos permite enveredar o trabalho de pesquisa pela teorias do imaginário, visto que o pensamento dela é povoado de crenças e  medos  permeados pelas questões míticas que embalavam a nova terra, o desmundo que a ela se apresenta. O trabalho justifica-se por a obra indicada apresentar uma visão do ângulo do colonizado, diferentemente das crônicas do descobrimento.  Por meio da narrativa de Oribela, o leitor ingressa em formas de ação e de pensamento da época, deparando-se com aspectos tais como existência feminina, religiosidade, nova terra, amor e sexualidade. No plano estrutural, a autora ilustra a narrativa com imagens que reforçam o imaginário da época, o que será analisado a partir de Estruturas antropológicas do imaginário de Gilbert Durand. Como resultado preliminar, já é possível antever uma visão desconstruída daquela que se nos oferecem os cronistas do descobrimento. A metodologia a ser empregada é a pesquisa bibliográfica.

Palavras-chave: Ana Miranda; Desmundo; imaginário.

 

Minibiografia:

Janice Aparecida de Azevedo Fernandes é graduada em Letras pela UEG-Goiás, pós-graduada em Psicopedagogia, também pela UEG, mestre em literatura e crítica literária pela PUC Goiás.


Comunicação 2

A Revolução do não-dito nas obras A Geração da Utopia de Pepetela e O Sétimo Juramento de Paulina Chiziane

Autores:

Jéssica Schmitz – Universidade Feevale – jessicaschmitz@feevale.br

Daniel Conte – Universidade Feevale – danielconte@feevale.br

 

Resumo:

Dentro dos estudos pós-coloniais, as literaturas africanas em língua portuguesa têm recebido destaque justamente por dar voz àqueles que durante um longo período viveram em um silêncio imposto pela política colonialista, além de instaurarem, ainda, um movimento acerca da recuperação de lugares e situações que remetem ao período colonial. Com base nisso, parte-se da hipótese de que existe um diálogo entre as narrativas africanas contemporâneas no que tange à reescritura da história, à valorização da memória como elemento deflagrador da narrativa e à representação de conflitos de identidade, o que permite analisá-las em suas correlações, tanto quanto ao mundo ficcional instituído, quanto ao processo discursivo que as constitui. Por conta disso, objetiva-se analisar a apropriação de eventos históricos e o tratamento ficcional que lhes é dado nas obras A Geração da Utopia, de Pepetela, e O Sétimo Juramento, de Paulina Chiziane. Pretende-se evidenciar como o silêncio permeia os espaços africanos, figurados nas obras, e qual o papel desempenhado pela memória no processo de reafirmação dos sujeitos de África. A metodologia empregada é de caráter bibliográfico, atentando para um diálogo interdisciplinar entre história e memória, visando à relação que estas narrativas estabelecem com a emergência da memória e a representação de conflitos de identidade surgidos, principalmente, no período colonial.

Palavras-chave: colonialismo; história; identidade; literatura africana; silêncio.

 

Minibiografias:

Jéssica Schmitz é Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Processos e Manifestações Culturais – FEEVALE. Formada em Letras – Português/Inglês pela mesma instituição.  Bolsista CAPES.

Daniel Conte é Doutor em Literatura Brasileira, Portuguesa e Luso-africana pela UFRGS. Professor do Mestrado Profissional em Letras e do PPG em Processos e Manifestações Culturais da Universidade Feevale. Tutor PET Interdisciplinar Feevale. 


Comunicação 3

Memórias do descobrimento: sobre a percepção feminina em Desmundo, de Ana Miranda

Autor:

Kelio Junior Santana Borges –  UFG –  juniorlit@hotmail.com

 

Resumo:

Do ponto de vista dos colonizadores ou dos colonizados, as fontes discursivas que resguardam a memória sobre o descobrimento partem de uma visão de mundo masculina, isto é, por uma voz masculina. Oriundas de diferentes classes, desempenhando diferentes funções ou papéis, europeias ou nativas, as mulheres estiveram presentes no processo histórico vivido em nosso país. Elas não estavam à margem da história, muito pelo contrário, estavam inseridas e dela participaram ativamente, ainda que silenciadas. Esse silêncio as privou de expor suas percepções sobre o descobrimento e sobre os desdobramentos dele. Dentro desse contexto, o que a mulher experienciava encontrava-se registrado por uma elaboração discursiva masculina, responsável por uma memória não pertencente à mulher, mas a respeito dela. Diante dessa realidade, chama a atenção a obra literária Desmundo, de Ana Miranda. Com incrível originalidade, a escritora concede voz a uma mulher portuguesa que viveu seus infortúnios na nova colônia de Portugal. Em primeira pessoa, o livro registra as desgraças e infelicidades dessa testemunha que, mesmo fictícia, torna-se porta-voz de uma condição feminina que era real, sina comprovada por estudos e documentação sobre os quais se debruçou a autora da obra. É a partir dessa personagem fictícia, mas detentora de uma consciência de fundamento realístico, que buscamos rastrear a memória feminina acerca do descobrimento.  Em seus estudos, em especial no livro Matéria e memória, Henry Bergson concedeu um tratamento bastante introspectivo ao tema da memória, relacionando-o ao conceito de percepção, entendido, grosso modo, como a interação do corpo no presente com o ambiente circundante. Se do ponto de vista Histórico foi vetado à mulher expor suas percepções sobre o início de nossa história, coube à arte o papel de preencher essa lacuna, criando um discurso memorialístico filigranado, se coerente ou não, é o que se busca analisar e descrever neste trabalho.

Palavras-chave: Ana Miranda; descobrimento; discurso memorialístico; mulher.

 

Minibiografia:

Kelio Junior Santana Borges é doutorando do Programa de Pós-Graduação em Letras e Linguística da Universidade Federal de Goiás, estudando o mito de Dioniso na obra de Lygia Fagundes Telles. Mestre em Letras e Linguística pela mesma instituição, pesquisando a imagem da tecelã no universo poético da mesma escritora brasileira. É professor de Língua Portuguesa do Instituto Federal de Goiás, Campus Aparecida de Goiânia.


Comunicação 4

Visão do paraíso no descobrimento, conquista e exploração do Brasil Colonial

Autora:

Márcia Maria de Melo Araújo – Universidade Estadual de Goiás – marcimelo@gmail.com

 

Resumo:

Por meio de leituras e estudos a respeito do discurso do gênero e de estratégias de engendramento da realidade, este trabalho trata dos motivos edênicos no descobrimento e colonização do Brasil em Visão do paraíso de Sérgio Buarque de Holanda.  Com o objetivo de entender os motivos edênicos e os seus reflexos no descobrimento, conquista e exploração dos mundos novos, selecionou-se os capítulos 7 e 8 intitulados Paraíso perdido e Visão do paraíso, respectivamente, para mostrar o processo de elaboração de um mito, senão de um dos principais tropos que se fazem constantes no imaginário da cronística historiográfica dos descobrimentos e colonização do Brasil e da América de modo geral. Para Holanda (2000), a crença na existência do Éden foi motivo de sedução para os portugueses, durante a Idade Média e a era dos grandes descobrimentos marítimos, o que explica a reação que o contato com terras desconhecidas do ultramar provocou, principalmente pelo grande número de livros de devoção ou de recreio sobre o assunto. Da mesma forma descrições de viagens, reais e fictícias, como as de Mandeville, vão trazer o tema do Paraíso Terreal, representado no Oriente, segundo o livro de Gênesis, quase sempre envolto em um deslumbramento. O mesmo deslumbramento com que Colombo descrevia e pintava as suas Índias, seja por motivos que buscava em esquemas literários, seja baseado no que os poetas greco-romanos usavam para exaltar aquela época feliz, posta no começo dos tempos. Portanto, embasado em conceitos fundamentais como esse, o trabalho compromete-se em mostrar a ênfase atribuída à natureza na época do Renascimento como norma dos padrões estéticos, éticos e morais, do comportamento humano e de sua organização social e política e que a formação de tais mentalidades não é simplesmente imaginária, posto encontrar-se carregada de construções ideológicas, engendradas e verificadas na conquista da América.

Palavras-chave: visão do paraíso; colonização da América; colonização do Brasil; Sérgio Buarque de Holanda.

 

Minibiografia:

Márcia Maria de Melo Araújo é doutora em Estudos Literários pela UFG. Professora de Literaturas de Língua Portuguesa da Universidade Estadual de Goiás e do Programa de Pós-Graduação Interdisciplinar em Educação, Linguagem e Tecnologias. Desenvolve pesquisas nas áreas dos Estudos Medievais e da Educação, com publicações sobre mulher medieval, cronística do Brasil colonial, ensino de literatura e formação do leitor. É líder do Grupo de Pesquisa GEPELLP, certificado pelo CNPq.


Comunicação 5

O discurso da carência linguística entre os viajantes e colonizadores no Brasil colonial

Autores:

Mauriene Silva de Freitas – UEPB – maurienef@gmail.com

José Gualberto Targino Praxedes – UEPB – gualbertt@gmail.com

Greiciane Pereira Mendonça Frazão – UEPB – greiciane_frazao@hotmail.com

 

Resumo:

O presente trabalho trata dos discursos sobre a língua hegemônica no Brasil Colonial, a língua indígena Macro Tupi, comum na costa do Brasil e que delas se originou a chamada língua geral. Também perpassamos pelos percursos e dos modos com os quais a conquista e a colonização lusitanas efetivaram a expropriação e o encobrimento linguístico indígena, impondo a língua portuguesa como único código de comunicação entre nós, num processo claramente marcado pela fúria das guerras da conquista e da colonização, pela violência às gentes ameríndias e pelo eurocentrismo linguístico. Desta forma, viajantes e colonizadores do período colonial brasileiro foram investigados nos documentos escritos como é o caso de relatos, epístolas, sermões, livros e outros documentos. Neste trabalho, pesquisamos vários autores portugueses, franceses, espanhóis e alemães.  Neste período foram analisadas as obras de Gandavo (1980), Anchieta (1988), Léry (1980), Cardim (1980), Navarro (1988), Nóbrega (1988), Caminha (1985), Thevet (1978), D’ Abbeville (1975), Staden (1974), Vieira (2010), Matos (2002), Pombal (1759), Debret (1965), Spix e Martius (1981). Na esfera do linguístico, o embate entre a imposição linguística colonizador e a resistência do colonizado gera o produto discursivo que analisamos.  Assim em nossa análise recorremos a Fairclough (2001) para compreensão da construção e constituição do discurso, recorremos a Santiago (1978) para compreender o local de fala, mundo e ideologia entre esses atores e a Holanda (1988) para a compreensão desse processo na constituição da cultura brasileira.

Palavras-chave: colonização linguística; Brasil colonial; eurocentrismo.

 

Minibiografias:

Mauriene Silva de Freitas  é Professora Assistente na Universidade Estadual da Paraíba. Doutorado e Mestrado em Linguística pela Universidade Federal da Paraíba, Especialização em Ensino de Língua Portuguesa, graduação em Letras na mesma instituição. Trabalha com a Análise Crítica do Discurso.

José Gualberto Targino Praxedes é Secretário Bilíngue na Universidade Federal da Paraíba, Mestrado em Linguística pela Universidade Federal da Paraíba, graduação em Letras Português e Inglês na mesma instituição. Trabalha com aquisição e ensino de segunda língua e língua estrangeira, português para estrangeiros, linguística e ensino, políticas linguísticas, formação de professores e novas tecnologias (TICs) na educação. 

Greiciane Pereira Mendonça Frazão é Mestre em Linguística, Especialista em Ensino de Língua Portuguesa, Graduação em Letras pela Universidade Federal da Paraíba. Atualmente é coordenadora pedagógica do curso de Letras Virtual do programa UAB (Universidade Aberta do Brasil). Professora da Educação Básica II pelo Governo do Estado da Paraíba. Tem experiência na área de Sociolinguística, com ênfase em Fonética e Fonologia, atuando principalmente como letramento e variação linguística.


Comunicação 6

A tradição bestiária medieval em A cosmografia universal, de André Thevet

Autoras:

Nair Fernandes Pereira – Universidade Estadual de Goiás – nairdfg@gmail.com

Vanessa Gomes Franca – Universidade Estadual de Goiás – Francavg@hotmail.com

 

Resumo:

Nas crônicas de viagem, quando os autores descrevem a fauna e a flora das novas terras, encontramos traços do Bestiário medieval. Os livros bestiários apresentam a descrição de animais, plantas e pedras. Seus capítulos, construídos binariamente, expõem: uma parte descritiva, em que são elencados a natureza do animal, suas características (cor, tamanho, forma), suas formas de alimentação e de reprodução; uma parte moralizadora, na qual são proporcionadas interpretações dos animais com um sentido simbólico-alegórico. A colonização significou o renascimento do pensamento medieval e genesíaco, principalmente no que se refere às figuralidades monstruosas. As crônicas de viagem, ao descreverem a fauna e a flora, serão responsáveis pela divulgação da presença desses seres que estavam ainda tão arraigados a mentalidade da época. Assim, podemos dizer que a tradição bestiária medieval influenciou, sobremaneira, o discurso cronístico, no que se refere às descrições dos espécimes animais encontrados na Terra Brasilis. Desse modo, vemos nas crônicas de viagem uma ménagerie em que figuravam criaturas míticas, monstruosas, híbridas, exóticas e reais. Tendo isso em vista, em nossa pesquisa, procuramos evidenciar vestígios da tradição bestiária medieval presentes na obra A cosmografia universal, do frei franciscano André Thevet. Como referencial teórico, baseamo-nos nos estudos realizados por Acosta (1995), Fonseca (2011), Franca (2013), Franca e Fonseca (2014), Souza (2014), Van Woensel (2001), Varandas (2006).

Palavras-chave: crônicas de viagem; bestiário; criaturas míticas.

 

Minibiografias:

Nair Fernandes Pereira é licenciada em Letras Português/Inglês pela UEG (Câmpus Pires do Rio). Cursa a Pós-Graduação Lato Sensu em Literatura Infantil e Juvenil: práticas de leitura e ensino, também pela UEG. Atualmente é professora de Língua Portuguesa e Língua Inglesa na Rede estadual de ensino do estado de Goiás. Desenvolve pesquisas, principalmente, nos seguintes temas: Literatura Infantil e Juvenil brasileira; Bestiário medieval e Narrativa brasileira contemporânea.

Vanessa Gomes Franca é doutora em Letras e Linguística pela UFG. Pós-doutoranda pela Faculdade de Letras da UFG, sob orientação do prof. Dr. Flávio Pereira Camargo. É professora de Literatura Infantil e Juvenil, Literatura Brasileira e Estágio Supervisionado no Curso de Letras da UEG (Câmpus Pires do Rio). Também atua nos cursos: Pós-Graduação Lato Sensu em Literatura Infantil e Juvenil: práticas de leitura e ensino (UEG-Câmpus Pires do Rio) e Estudos Literários (UEG-Câmpus Posse).


Comunicação 7

Engendramento do discurso da conquista e da colonização: a América dos descobrimentos e o Oriente de Os Lusíadas, de Luís Vaz de Camões

Autor:

Pedro Carlos Louzada Fonseca – Universidade Federal de Goiás – pfonseca@globo.com

 

Resumo:

A ideia fundamental deste trabalho consiste na verificação de que o fazer literário representa geografias e paisagens culturais de outras localidades, alheias à sua própria realidade e contexto, de forma retórica, imaginária e simbólica, refletindo formações ideológicas, de ordem política e cultural. Na esteira desta ideia, o trabalho examina, por meio de pressupostos teóricos e críticos, buscados nos estudos do discurso do gênero e suas estratégias de engendramento da realidade, o principal tropo da retórica da tradicional épica ocidental, qual seja, a feminização ou sexualização da realidade etnoantropológica a ser conquistada por sua redução ao princípio do feminino como regente do seu mundo natural e da sua realidade social e cultural. Tendo por base essas noções, o trabalho propõe examinar Os Lusíadas (1572), de Luís Vaz de Camões, como obra comprometida com traços do complexo etnocultural e androcêntrico da tradição ocidental. Assim, apoiando-se nesses pressupostos acima indicados, o trabalho examina essa referida retórica tropológica do ideário camoniano utilizada para retratar o Oriente, sua paisagem e sua gente, nos moldes ideológicos e formais da narrativa épica tradicional. Nesse âmbito tendenciosamente imaginário e figurativo, destaca-se a chamada orientalização do Oriente, a qual se verifica sob as lentes do discurso ocidental do gênero, ideológica e politicamente informado.

Palavras-chave: Tropos; discurso do gênero; conquista do Oriente; Os Lusíadas.

 

Minibiografia:

Pedro Carlos Louzada Fonseca é Professor Titular de Literatura Portuguesa na Universidade Federal de Goiás (Brasil). É Ph. D.  em Romance Languages pela University of New Mexico (USA). É autor do livro Bestiário e discurso do gênero no descobrimento da América e na colonização do Brasil (2011) e coautor do livro Mulher medieval e trovadorismo galego-português: o feminino e a feminização nas cantigas de amigo (2015).


Comunicação 8

História, parábola ou novela alegórica? A questão do gênero discursivo na História do predestinado peregrino e seu irmão precitodo Pe. Alexandre de Gusmão

Autora:

Valéria Maria Pena Ferreira – UFVJM – valeriapena@hotmail.com

 

Resumo:

Esta comunicação apresenta uma reflexão sobre a questão do gênero discursivo da História do predestinado peregrino e seu irmão precito, do padre jesuíta Alexandre de Gusmão, impressa pela primeira vez 1682. A obra, que vem sendo abordada como novela alegórica no campo dos estudos literários, parece rechaçar essa classificação. Diante disso, procuramos identificar a categoria retórica de que ela faz parte, os procedimentos próprios de tal gênero e a maneira como eles se efetuam especificamente nesta obra, a partir da perspectiva de uma poética cultural que prioriza o lugar do discurso letrado no entrecruzamento dos vários discursos que compõem uma dada episteme. Nesse sentido, lemos a História do predestinado peregrino ao lado de outros textos do Pe. Alexandre de Gusmão, que teve um papel central como educador jesuíta na América portuguesa, bem como à luz do Ratio Studiorum, o código pedagógico dos jesuítas. Por outro lado, procuramos também investigar como a obra se insere no painel das narrativas em prosa do período colonial, anterior ao surgimento do romance.

Palavras-chave: Alexandre de Gusmão; período colonial.

 

Minibiografia:

Valéria Maria Pena Ferreira possui mestrado em Estudos Literários e doutorado em Literatura Comparada pela Faculdade de Letras da Universidade Federal de Minas Gerais. Atualmente é professora da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri nos cursos de Bacharelado em Humanidades e Licenciatura em Letras. Atua principalmente nos seguintes temas: historiografia literária brasileira, literatura brasileira e literatura infantil e juvenil.


Comunicação 9

O conto timorense Ita maun alin (Irmão mais novo) como narrativa de contato

Autor:

Daniel Batista Lima Borges – Universidade Paris Ouest Nanterre La Défense – borgesdaniel26@gmail.com.br

 

Resumo:

Este trabalho baseia-se na análise narrativas tradicionais escritas em português por estudantes timorenses de Graduação em Língua Portuguesa, em disciplinas de Estudos Literários. Pretendemos apresentar uma análise da narrativa de origem Ita maun alin (Da língua Tétum “Irmão mais novo”), considerando-a como uma narrativa de contato entre povos, da mesma forma que se consideram os contatos presentes um registro de literatura de viagens colonial. O mito timorense em questão sugere que a humanidade tem origem na ilha. Em um momento, dois irmãos, descendentes dos seres humanos originais, separaram-se, sendo que o mais velho permaneceu em Timor e o mais novo partiu, pelo mar, para fundar Portugal. Este último voltaria mais tarde, transportando consigo bens que vão constituir o poder temporal sobre a ilha. Muitas vers.es deste mito foram colhidas por pesquisadores, mas na versão colhida por nossa pesquisa, durante uma aula de estudos literários, em 2014, e escrita por um aluno, antes do irmão mais novo partir e fundar Portugal, ele leva um livro consigo, escrito em Timor, onde estariam registrados todos os conhecimentos do mundo, inclusive as técnicas de telecomunicações. Mitos como esse estão presentes no centro do processo de autodeterminação de Timor-Leste, e são narrativas de contato baseadas em ontologias animistas que apresentam outras formas de agir em relação ao Outro. Nelas, o interior e a identidade são subordinados à exterioridade e à diferença. Para esse tipo de cosmologia apresentada na narrativa do irmão mais novo, os outros são uma solução, antes de serem um problema ontológico e representacional. Diferentemente da maioria das narrativas europeias de contato, constituintes das literaturas de viagem, que buscam representar o Outro, muitas vezes impondo uma identidade fixa, podemos ver no mito do irmão mais novo a transformação como regra e a abertura de um lugar para o Outro dentro das culturas timorenses.

Palavras-chave: Timor-Leste; Ita maun alin; Literatura timorense.

 

Minibiografia:

Daniel Batista Lima Borges é doutorando em Letras pela Universidade Paris Ouest Nanterre la Défense – França, é membro do Centre de recherche sur le monde lusophone – CRILUS e bolsista de doutorado pela CAPES com a tese Historicité et formes des récits du Timor-Oriental dans l’enseignement de littérature.


Comunicação 10

 Olhares sobre o espaço colonial: a poesia de Agostinho Neto e Lobivar Matos

Autores:

Edson Flávio Santos – Universidade do Estado de Mato Grosso – edsonflaviomt@gmail.com

Luana Soares de Souza – Universidade do Estado de Mato Grosso – lusoares90@gmail.com

 

Resumo:

A colonização portuguesa foi tematizada nas literaturas de língua portuguesa de diversas maneiras. Ora como exaltação da colonização, em um trabalho ideológico da metrópole, ora como denúncia e resistência, ecos das vozes dos intelectuais engajados. Os poemas de Agostinho Neto e Lobivar Matos se inscrevem para contrapor a narrativa oficial que camufla as dores da colonização. Os bairros pobres, os negros e uma esperança que se expressa no subterrâneo do texto poético, projeta olhares rebeldes que questionam a hegemonia e a colonização. Assim, a brutalidade colonial circunscrita no espaço, mas também nos corpos, é denunciada a cada verso. No processo de recontar e reconstruir a história da colonização de Angola e do Brasil, os poetas cicatrizam as dores do período colonial e, ao mesmo tempo, tecem as malhas da utopia. Este trabalho busca delinear diálogos entre o poeta angolano Agostinho Neto e o brasileiro Lobivar Matos, articulando correspondências entre colonialismo e utopia. Para tanto serão utilizados os teóricos Ernst Bloch (2005), para discutir o princípio esperança, e Frantz Fanon (2008) e Albert Memmi (1977), para refletir sobre as relações de poder no espaço colonial.

Palavras-chave: colonialismo português; Agostinho Neto; Lobivar Matos; Angola; Brasil.

 

Minibiografias:

Edson Flávio Santos é graduado em Letras e mestre em estudos literários pela Universidade do Estado de Mato Grosso. Atualmente é doutorando pela mesma instituição. Tem experiência na área de Letras, com ênfase no ensino e pesquisa em Literatura Contemporânea, atuando principalmente nos seguintes temas: literatura brasileira, literatura angolana, análise literária, poesia, cultura, estudos literários, literatura comparada e teatro contemporâneo.

Luana Soares de Souza é graduada em Letras e mestre em estudos literários pela Universidade Federal de Mato Grosso. Atualmente é doutoranda na Universidade do Estado de Mato Grosso. Atua nos seguintes eixos: poesia, literaturas africanas de língua portuguesa e comunitarismos.


Comunicação 11

Lisboa como representação: um olhar do Narrador de António Lobo Antunes

Autores:

Josiani Job Ribeiro – Universidade Feevale – josiani@feevale.br

Daniel Conte – Universidade Feevale – danielconte@feevale.br

 

Resumo:

A conceituação histórica do colonialismo é intima da sociedade contemporânea a ponto de tornar-se intrínseca para a população, ainda que, na forma de conhecimento vulgar e primada pelo estereótipo eurocêntrico. Levando em conta que a cena colonial foi demasiadamente longa, e que a política expansionista europeia é interrompida apenas na segunda metade do século XX, sua representação social altera-se em cada nação, não apenas pela posição ocupada nessa trama, mas, também, pelo período em que se estabeleceu. Para tanto, será analisado o caso português, no intuito de evidenciar o impacto do colonialismo no narrador de António Lobo Antunes, a partir de sua inserção nas lutas de independência em Angola, através obra Os cus de Judas no que tange à representação da sua cidade de origem, Lisboa. As representações são essenciais na construção e composição das sociedades, são elas que dão sentido aos acontecimentos sociais e eventos cotidianos. Construídas coletivamente desde um apanhado imagético, viabilizam a compreensão do homem em relação ao mundo e ao entendimento semântico dos movimentos da sociedade. Sendo a literatura mimética, com foco no real, encontra-se repleta de alegorias e valores, como qualquer ser humano, logo, é produção social. Analisar os espaços urbanos, cidades, através das narrativas literárias possibilita a compreensão do contexto político e social no qual as obras estão inseridas. Assim, à medida que o narrador de Antunes se insere no território colonial e que compreende seu papel como colonizador, as representações de Lisboa se transformam em seu íntimo. A problematização das representações dar-se-á através da análise teórico-crítica de estudos de Roger Chartier (2002), Stuat Hall (1997), Sandra Pesavento (1999), Marinês Andrea Kunz (2006), entre outros, para assim compreender como a mudança de contexto social do narrador impactou na ressignificação das suas percepções de mundo.

Palavras-chave: Os cus de Judas; colonialismo; Lisboa; representação; narrativas literárias.

 

Minibiografias:

Josiani Job Ribeiro – Mestranda no Programa de Pós-graduação em Processos e Manifestações Culturais pela Universidade Feevale/ Bolsista integral PROSUP/CAPES. Licenciado em História pela Universidade Feevale.

Daniel Conte – Doutor em Literatura Brasileira, Portuguesa e Luso-africana/ Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS. Professor e Pesquisador da Universidade Feevale no curso de Letras e no PPG em Processos e Manifestações Culturais. Tutor PET- Interdisciplinar Feevale (FNDE).


Comunicação 12

História, paisagem sonora e paisagem íntima em Desmundo

Autores:

Poliana Queiroz Borges – Universidade Federal de Goiás – polianaq19@gmail.com

Luiz Eduardo de Jesus Fleury –UFRRJ – luiz.fleury@ifgoiano.edu.br

 

Resumo:

O filme Desmundo (2002), dirigido por Alain Fresnot, livremente inspirado na obra homônima de Ana Miranda, apresenta uma singularidade poético-musical ao trazer uma trilha sonora que faz ressaltar a distância dos relacionamentos afetivos entre as personagens. A narrativa se passa nos primeiros anos da colonização do Brasil feita pelos portugueses, onde se misturam a rudeza dos homens advindos do reino de Portugal, desprovidos de títulos da nobreza e desbravadores, com índios escravizados além de grupos indígenas em conflito. Por meio de procedimentos dialógicos é trazido à cena fílmica a temática da violência, utilizando-se da criação sonora, velada na obra literária, e que ganha tradução pela sensibilidade musical de John Neschling, compositor que assina a trilha do filme. Pelo viés da teoria da “paisagem sonora”, termo cunhado pelo crítico musical, professor e pianista canadense Raymond Murray Schafer, em diálogo com a tradução coletiva na perspectiva do cinema literário brasileiro, é objetivo deste trabalho aproximar as linguagens literatura e música com a intenção de revelar o aspecto violento do processo colonizador imposto pelos portugueses, especialmente com relação às mulheres, constantemente silenciadas tanto na manifestação de seus desejos e anseios, ou seja, de sua intimidade no sentido mais humano que esse termo possa trazer, também nos aspectos das relações sociais. O trabalho é amparado teoricamente por suportes bibliográficos trazidos pela historiografia brasileira, a partir de estudos de Capistrano de Abreu e pela relação da paisagem sonora com o desenvolvimento da civilização humana e processo de humanização por meio dos conceitos de Schafer, aplicados às imagens e ao imaginário do período colonial brasileiro.

Palavras-chave: Desmundo; Historiografia Brasil Colonial; paisagem sonora.

 

Minibiografias:

Poliana Queiroz Borges é doutoranda em Estudos Literários (UFG), pesquisa as relações entre Música e Literatura na perspectiva dos Estudos Interartes e Literatura e Cultura. Integra o Grupo de Pesquisa Estudos Osmanianos: arquivo, obra e campo literário (UnB/CNPq) e também o Centro de Estudos Brasileiros (UFG).

Luiz Eduardo de Jesus Fleury é doutorando pela UFRRJ, Mestre em História (UFG), Especialista em História Cultural (UFG). Professor do IFGoiano Campus Trindade.