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Simpósio 10

SIMPÓSIO 10 – ESCRITAS DE SI E IDENTIDADE

 

Coordenadoras:

Maria José Coracini | UNICAMP | coracini.mj@gmail.com

Beatriz Maria Eckert-Hoff | UDF e UNICSUL | biaeckert@gmail.com

 

Resumo:

Este simpósio objetiva abarcar pesquisas que analisem questões de identidade e escritas de si, por meio de corpora obtidos através de narrativas (orais ou escritas) de sujeitos (mulheres, moradores de rua, professores, alunos, cientistas, poetas, escritores, migrantes e imigrantes) em diferentes situações, para estudar como se entrelaçam, na língua e pela língua, o simbólico e o imaginário na constituição da memória e da identidade. Partimos do pressuposto de que, seja ela escrita ou não, a vida inevitavelmente se escreve (se in-screve e se ex-screve), por inscrições, rastros e traços de si e do outro; logo, traçar a escritura de si é buscar fios na memória, é rastrear inscrições no corpo, a partir da intervenção do outro. Assim se constitui o eixo deste simpósio, aberto para acolher trabalhos cuja tessitura teórica se dá pela Análise do Discurso (Foucault, Pêcheux) com a possibilidade (ou não) de entremear fios da psicanálise (Freud, Lacan) e da desconstrução (Derrida).

 

Palavras-chave: Língua, Sujeito, Identidade, Memória, Escritas de si.

 

Minibiografias:

Maria José Coracini: Livre Docente e professora titular MS-6 em Linguística Aplicada na Área de Ensino/Aprendizagem de Língua Estrangeira pela Unicamp. Pós-doutorado junto ao Centre Inter-universitaire en Analyse du Discours et Sociocritique des Textes (Ciadest) e ao grupo de pesquisa Marges (Marginalisation et Marginalité dans les discours), em Montréal, Canadá. Estágio pós-doutoral junto à Université de Paris 3 (Sorbonne Nouvelle), Sylled e junto à Universidade de Lisboa (Faculdade de Ciências da Psicologia e Educação).

Beatriz Maria Eckert-Hoff: Doutora em Linguística Aplicada pela UNICAMP, com estágio sanduíche na ESES de Portugal. Mestre em Letras na UFSM. Pós-Doutora pela USP e pela Christian-Albrechts-Universität zu Kiel, Alemanha. Professora no Programa Stricto Sensu, Mestrado em Linguística na UNICSUL/SP e Reitora da UDF/Brasília.

 

Resumos dos trabalhos aprovados

Comunicação 1

Identidade e subjetividade em escritas de si de moradores de rua de São Paulo

 

Autores:

Aline Torres Sousa Carvalho – Instituto Federal de Ciência e Tecnologia do Triângulo Mineiro – alinetorres_letras@yahoo.com.br

Pollyanna Júnia Fernandes Maia Reis – Instituto Federal de Ciência e Tecnologia de Minas Gerais – pollyana.letras@hotmail.com

 

Resumo:

Este trabalho insere-se na Análise do Discurso de origem francesa. Tem como objetivo investigar em que medida e por quais formas o discurso sobre “si próprio” coloca em jogo a descentração enunciativa da identidade individual e/ou coletiva em narrativas de vida de moradores de rua de São Paulo, retiradas da página de facebook spinvisível. Justifica pela possibilidade de se analisar as vozes daqueles que vivem à margem da sociedade, os quais encontram, no discurso narrativo, uma possibilidade de atribuir existência a si mesmo. Utiliza como base teórica os fundamentos epistemológicos de Benveniste (2002, 2005), Hall (2002), Machado (2009, 2012, 2015) e Dahlet (2015). Tem como metodologia a transcrição e análise de excertos das narrativas selecionadas, dando destaque à materialidade linguística na qual o sujeito marca ou não suas formas. Percebe-se que, diferentemente do discurso identitário, o discurso sobre “si próprio” caracteriza-se por apresentar uma disjunção referencial, pois a singularidade permite a clivagem de um eu e um outro dentro de si mesmo. Nesse sentido, o eu e suas vozes no enunciado podem se manifestar de diferentes formas: i) a localização enunciativa, ii) a objetivação enunciativa, iii) a duplicação enunciativa e iv) a alterização enunciativa. Assim, por exemplo, no trecho “Eu acho que a pessoa (morador de rua que pede esmolas aqui e ali)” tem-se o sujeito como centro da enunciação em EU, mas também um desnivelamento da subjetividade em A PESSOA, explicitada como morador de rua, categoria na qual ele está inserido, sem, no entanto, se incluir linguisticamente nela. Há, inicialmente, uma localização enunciativa e, em seguida, uma objetivação enunciativa.

Palavras-chave: narrativa de vida; subjetividade; identidade; exclusão.

 

Minibiografias:

Aline Torres Sousa Carvalho é professora de Língua Portuguesa no Instituto Federal do Triângulo Mineiro, campus Patrocínio, doutoranda em Estudos Linguísticos na Universidade Federal de Minas Gerais, mestre em Letras: Teoria Literária e Crítica da Cultura, pela Universidade Federal de São João del-Rei e especialista em Educação pela Universidade Federal de Lavras. Possui graduação em Letras pela Universidade Federal de São João del-Rei.

Pollyanna Júnia Fernandes Maia Reis é professora de Língua Portuguesa no Instituto Federal de Minas Gerais, campus Ponte Nova, doutoranda em Estudos Linguísticos na Universidade Federal de Minas Gerais, mestre em Letras: Teoria Literária e Crítica da Cultura, pela Universidade Federal de São João del-Rei. Possui graduação em Letras pela Universidade Federal de São João del-Rei e em Pedagogia pela Universidade Federal de Ouro Preto.


Comunicação 2

De papel e lembranças: a composição dos diários de Carolina Maria de Jesus

Autora:

Ivana Bocate Frasson – Universidade Estadual de Londrina (UEL) – ivana.bocate@hotmail.com

 

Resumo:

Negra, semianalfabeta, filha bastarda de uma doméstica, Carolina Maria de Jesus apresenta-se como uma figura singular na literatura afro-brasileira contemporânea, tendo produzido obras nos mais diferentes gêneros, tais como diários, peças de teatros, provérbios, contos, romances cartas e bilhetes, além de uma infinidade de manuscritos ainda inéditos. O objetivo de nosso trabalho é analisar a composição dos diários desta autora como manifestação da escrita de si. Justifica-se a opção por esta temática pelo interesse em adentrar o instigante universo desta escritora que tem sido tema de inúmeros estudos, sobretudo na seara internacional, conjugada à intensidade de seus registros escritos. O escopo teórico-crítico deste trabalho é composto por diferentes autores, dentre os quais salientamos Lejeune (2008), Klinger (2012) e Querido (2012). A metodologia adotada é a análise literária de fragmentos das obras Quarto de despejo: diário de uma favelada (1960) e Casa de alvenaria: diário de uma ex-favelada (1961) e Meu estranho diário (1996). A autobiografia e a autoficcção constituem constructos relevantes como forma de trazer as especificidades destas formas narrativas, na medida em que tais conceitos mostram-se imbricados, pois as fronteiras entre o vivido e o ficcional revelam-se bastante fluidas. O desdobramento das instâncias de autora, narradora e personagem, por sua vez, encontram-se entrelaçados nos escritos de Carolina Maria de Jesus, permitindo-nos adentrar no universo da voz múltipla da narrativa das várias “carolinas” que transitam pelas obras. Os resultados obtidos na pesquisa que deu origem a esta comunicação permitem refletir sobre a autobiografia como uma tendência contemporânea bastante expressiva, ao corroborar a composição dos diários como um exercício da escrita de si, produzida na fronteira entre o ficcional e o real. Almejamos comprovar, assim, que a vida de Carolina é demarcada, linha a linha, em sua escrita e principalmente, nas entrelinhas de sua narrativa.

Palavras-chave: Autobiografia; Autoficção; Diário; Escrita de si; Carolina Maria de Jesus.

 

Minibiografia:

Licenciatura em Letras com habilitação em Português e Língua Inglesa Moderna com as respectivas Literaturas pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) – 2003. Especialização em Neuropsicopedagogia pelo Instituto São Francisco de Assis (ISFACES) – 2016. Mestrado em Letras – Estudos Literários, pela UEL – 2016.


Comunicação 3

Escrita fora de si: A louca da casa de Rosa Montero

Autor:

Hugo Amaral -DFCI – FLUC / ESEV – IPV, Portugal – hugomendesamaral@gmail.com

 

Resumo:

Algures entre a autobiografia e a fábula do sujeito, o testemunho crível e o perjúrio, a memória e o sonho, ou então, algures entre o ensaio sobre literatura e a encenação ficcional do processo fantasmático de identificação subjetiva, A louca da casa, porventura o escrito mais «pessoal» e assombrado de Rosa Montero, parece abrir para a questão sem idade da experiência in-finita da não-identidade a si ou da interminabilidade da identificação como reenvio a um «fora», a uma exterioridade absoluta ou a uma imemorialidade que por sua vez tece o caráter auto-bio-thanato-hetero-gráfico (Derrida dixit) da escrita. Estará assim em questão propor uma leitura de A louca da casa de Rosa Montero a partir do idioma filosófico da Desconstrução derridiana, dando para tal a pensar a dita escrita de si, de uma suposta transparente identidade a si, como a travessia ou a provação de um limite – da obliquidade de um limite que, no seu rumor silencioso, ao tocar o intocável de uma diferença absoluta, interdita ao mesmo tempo falar separadamente de verdade e de ficção, de razão e de loucura, de vida e de morte, de identidade e de alteridade. Reenviando sempre ao algures de um «entre», a outra coisa ou ao outro em geral, este sujeito perturbado ou dividido na sua identidade, exilado de si ou posto fora dele mesmo, não pode assinar senão a oferenda oblíqua de um texto que situa o insituável e o indecidível como a própria lei auto-heteronómica ou ex-apropiante da língua – uma língua louca por si mesma porque já sempre, arqui- originariamente, fora de si, impossibilitada de estar-em-casa (être-chez-soi), justamente.

Palavras-chave: Identidade; «fora(-de-si)»; ex-apropriação; hetero-grafia; Desconstrução.

 

Minibiografia:

Professor, investigador e tradutor (de Jacques Derrida, Nicole Brossard e Horst Bredekamp), Hugo Amaral é licenciado em Línguas e Literaturas Modernas, pós-graduado em Estudos Anglo-Americanos e doutorando em Filosofia pela FLUC. Investigador convidado da ESEV, co-organizou, na FLUC, o Colóquio Internacional «Heranças e Promessas da Desconstrução» e as Jornadas de «Escrita’s da Resistência». Escreveu para o Dictionnaire des Femmes Créatrices sobre literatura portuguesa.


Comunicação 4

O corpo e suas vicissitudes: o caso de mulheres em situação de rua

Autora:

Maria José Coracini – Unicamp, IEL/DLA; Brasil – coracini.mj@gmail.com

 

Resumo:

Inscrita na perspectiva discursivo-desconstrutivista, que se apóia em Foucault, Derrida e Lacan, respectivamente, para as noções de discurso, desconstrução e subjetividade, esta comunicação tem o objetivo de problematizar a questão da mulher em situação de rua na relação com o corpo. Sabemos que o corpo é portador de valores, de poder e de controle exercido massivamente pelo marketing principalmente no meio urbano, o que afeta sobremaneira as representações do corpo e do belo e, portanto, a identidade. As mulheres em situação de rua não ficam imunes às investidas publicitárias; pelo contrário, são movidas pelo desejo de atrair homens pela beleza do corpo, revestido de roupas “da moda”, mas seu corpo, sofrido, marcado pela privação, pelas experiências e pelas violências se fazem também notar pelo olhar. Assim, se o corpo atende às expectativas do momento, ele é também lugar de “marcas”, cicatrizes decorrentes de atos de violência durante a infância, na juventude e/ou na fase adulta, rugas que não desaparecem com cosméticos baratos, deformações advindas de frustrações e ressentimentos, doenças causadas pelas drogas e pela pouca higiene. Juntamente com a preocupação da moda não são poucas as participantes de pesquisa que mostram cuidados com o asseio do corpo: diariamente, passam pelo abrigo para tomar banho e lavar as roupas, mantendo os hábitos sociais antigos. O sofrimento se manifesta, assim, no corpo e na linguagem (no dizer), que se faz corpo no corpo de cada relato, corpo no qual se inscrevem e se ex-crevem as experiências mais subjetivas… A constituição identitária das participantes passa pelo outro e pelo Outro de si, na medida em que as representações de si são inevitavelmente construídas pelo outro que constitui sua subjetividade. Foram gravados, transcritos e analisados para esta comunicação dez relatos de vida, obtidos na rua ou em um abrigos na cidade de Campinas (SP).

Palavras-chave: Desconstrução; subjetividade, corpo; linguagem.

 

Minibiografia:

Livre Docente e professora titular MS-6 em Linguística Aplicada na Área de Ensino/Aprendizagem de Língua Estrangeira pela Unicamp. Pós-doutorado junto ao Centre Inter-universitaire en Analyse du Discours et Sociocritique des Textes (Ciadest) e ao grupo de pesquisa Marges (Marginalisation et Marginalité dans les discours), em Montréal, Canadá. Estágio pós-doutoral junto à Université de Paris 3 (Sorbonne Nouvelle), Sylled e junto à Universidade de Lisboa (Faculdade de Ciências da Psicologia e Educação).


Comunicação 5

A memória como motor da escrita de si na obra de Dulce Maria Cardoso e de  José Luís Peixoto

 

Autora:

Vânia Rego – Instituto Politécnico de Macau, Escola Superior de Línguas e Tradução – vania.rego@ipm.edu.mo

 

Resumo:

Sendo a memória uma porta de entrada na intimidade do sujeito, sobretudo quando estamos a falar do personagem-narrador no romance, é muitas vezes através dela que o narrador consegue dominar a sua própria existência e até preencher o vazio do presente. Ao estar face a face com as lembranças do passado, o escritor pode suspender de maneira eficaz o tempo para o compreender e assim apreender as questões ligadas à sua própria fragilidade enquanto ser humano. Não é por acaso que a escrita de si na literatura contemporânea portuguesa aparece muitas vezes associada ao retorno do sentimento do trágico na literatura, sentimento que se materializa na literatura europeia já na segunda metade do século XX e na literatura portuguesa em particular neste início de século XXI. No caso dos escritores que me proponho estudar – José Luís Peixoto na sua obra romanesca e Dulce Maria Cardoso, especialmente no romance O Retorno -, a memória é não só uma espécie de motor da escrita mas também um instrumento a mais na busca da sua identidade. A língua desempenha um papel fundamental na reconstituição desta busca tão íntima do ser. É através dela que se materializa a memória frequentemente fragmentada.

Aliada a processos de fabulação, a escrita de si em José Luís Peixoto e em Dulce Maria Cardoso acaba por tocar também de forma profunda os elementos simbólicos que constituem o imaginário português. Na busca da sua identidade, o Eu e o Outro confundem-se. O Outro sendo muitas vezes uma espécie de Eu coletivo, o Nós dos portugueses.

Palavras-chave: escrita de si; identidade; memória; literatura portuguesa contemporânea.

 

Minibiografia:

Doutora em Literatura portuguesa contemporânea, com tese sobre a obra do escritor José Luís Peixoto, é professora-adjunta convidada no Instituto Politécnico de Macau. As suas pesquisas concentram-se em autores portugueses do século XX e XXI, com especial atenção para as questões ligadas à escrita na 1ª pessoa.


Comunicação 6

Sobrescrever os corpos: ressignificação e emancipação de sujeitos pela (ou na) literatura

 

Autores:

Henrique Furtado de Melo – Universidade Estadual de Londrina – furtado.henrique@live.com

Maria Carolina de Godoy – Universidade Estadual de Londrina – mcdegodoy@uol.com.br

Sheila Oliveira Lima – Universidade Estadual de Londrina – sheilaol@uol.com.br

 

Resumo:

O trabalho proposto é parte integrante das pesquisas que vimos desenvolvendo desde o ano de 2013, no Programa de Pós-graduação em Letras e no Programa de Pós-graduação em Estudos da Linguagem da Universidade Estadual de Londrina. Envolvendo vozes e experiências de pesquisadores vinculados a diversas áreas de estudo (literatura, linguística, psicanálise, filosofia), nossa trajetória de pesquisa vem se tornando uma ampla cartografia (PASSOS; KASTRUP; ESCÓSSIA, 2015). Transitamos, com nossas investigações, por diferentes espaços críticos: a penitenciária, um abrigo judicial para crianças e jovens, escolas públicas, e a própria literatura, nos quais se observaram processos de escrita de si mobilizados pela arte. As diversas expressões simbólicas por nós testemunhadas em tais espaços constituíram percursos de ressignificação subjetiva e identitária, reeditando, de um modo ou de outro, uma grafia que, como refletimos em nossos trabalhos, se assemelha em muito com o fenômeno da Escrevivência, sobre o qual Conceição Evaristo reflete (EVARISTO, 2005). Para este trabalho propomos traçar pontes entre os escritos contornados por tantos dos sujeitos com os quais nos deparamos, buscando registrar o modo como, em contato com a arte, durante sessões de leituras e compartilhamentos, o lápis ou a voz de cada envolvido risca no ar, nos cadernos e folhas, em esculturas de sabonete, nas paredes, em todo espaço, uma nova-velha narrativa de si, reconstruindo aos pedaços as próprias trajetórias narrativas, em movimento emancipatório, costurando os rasgos dos corpos, ressignificando suas histórias, reelaborando os próprios pertencimentos e suas vinculações identitárias. Por meio dos traços aqui propostos, intencionamos registrar os rastros de escritas de si que escorrem por entre os vãos do discurso, os quais a leitura e a escrita literária, enquanto atividades criativas e de nomeação provisória do inominável, de cobertura simbólica do real e refreamento do imaginário, têm a capacidade de organizar em texto, criando coesões, consistência e pertinência.

Palavras-chave: Espaços críticos; Resistência; Ressignificação; Escrever-se.

 

Minibiografias:

Henrique Furtado de Melo: Graduado em Letras Vernáculas e Clássicas pela Universidade Estadual de Londrina, mestre em Estudos Literários pelo Programa de Pós-Graduação em Letras da mesma Universidade. Primeiro aplicador da cidade de Londrina do Projeto Remição pela Leitura, instituído por Lei Estadual na esfera carcerária do estado do Paraná, Brasil. Desenvolve, desde 2013, pesquisas acerca do contato com a arte como meio de emancipação.

Maria Carolina de Godoy: Professora doutora do departamento de Letras Vernáculas e Clássicas da UEL e pesquisadora associada do PACC/UFRJ. Coordena o projeto Literatura afro-brasileira e sua divulgação em rede, financiado pelo CNPq e Fundação Araucária.

Sheila Oliveira Lima: Graduada em Letras, mestre em Teoria Literária e Literatura Comparada, doutora em Educação e Linguagem pela USP. Docente da área de Metodologia do Ensino do curso de Licenciatura em Letras e do Programa de Pós-Graduação em Estudos da Linguagem da Universidade Estadual de Londrina. Coordena o Mestrado Profissional em Letras na mesma universidade. Realiza projetos de pesquisa e extensão com foco na formação do leitor e na leitura literária.


Comunicação 7

Testemunho e escrita de si: um entre-lugar na linguagem

Autora:

Bethania Mariani – Universidade Federal Fluminense – bmariani@id.uff.br

 

Resumo:

Este trabalho objetiva discutir questão do testemunho tendo em vista a escrita de si que o testemunho mobiliza.  Partimos do ponto de vista teórico da Análise do Discurso e da Psicanálise para analisar Fora do Lugar, de Edward Said, uma narrativa autobiográfica em que se entrelaçam memória, história e constituição subjetiva, sempre se produzindo entre-línguas.   Tendo em vista o RSI lacaniano, a noção de real é mobilizada, circunscrevendo um impossível de ser simbolizado tanto na linguagem como na história, ou seja, na narrativa em tela o testemunho mobiliza um tipo de saber não redutível e que ultrapassa o sujeito. Discute-se, no trabalho a ser apresentado, o aspecto memoriável da escrita de si tendo em vista a dimensão de um indizível, de um furo presente na linguagem que todo testemunho porta.

Palavras-chave: Testemunho; Subjetivação; Escrita de Si; Memória; Real/Simbólico/Imaginário.

 

Minibiografia:

Bethania S. C. Mariani é Professora Titular de Linguística do Departamento de Ciências da Linguagem – GCL, da Universidade Federal Fluminense – UFF.  Coordena o Laboratório Arquivos do Sujeito, ministra aulas na Pós-Graduação em Estudos de Linguagem em duas linhas de pesquisa: Análise do Discurso e História das Ideias Linguísticas.  Seus últimos trabalhos estão voltados para a temática do testemunho.


Comunicação 8

“O erro como escrita de si: traços da constituição do sujeito de linguagem materializados em seu dizer”

Autora:

Juliana Santana CAVALLARI – Universidade do Vale do Sapucaí (Univás) – judu77@hotmail.com

 

Resumo:

Balizando-se por uma perspectiva discursivo-psicanalítica, o objetivo deste trabalho é rastrear, em narrativas e episódios ocorridos no espaço de sala de aula, traços do sujeito desejante, bem como do sujeito ideologicamente determinado, sem perder de vista sua dupla dimensão constitutiva (pelo inconsciente e pela ideologia). Nos episódios ou acontecimentos discursivos analisados, buscou-se destacar a dimensão constitutiva do sujeito pelo inconsciente, pois traços do desejo que lhe escapa – posto que desejo e falta se entrelaçam – puderam ser rastreados nos dizeres abordados. Na relação com o outro professor e com as línguas que se pretende ensinar e aprender algo sempre resta inapreensível no/pelo simbólico e parece falhar, se apresentando, a princípio, como simples lapso de linguagem ou como meros erros gramaticais. Uma escuta ancorada nos pressupostos discursivos em uma interface com a psicanálise lacaniana nos permitiu tomar esses aparentes erros e lapsos como escrita de si, já que apontam para traços e rastros da constituição identitária do sujeito de linguagem, bem como para os impasses subjetivos vivenciados que parecem clamar por uma significação singular, para além do conteúdo ministrado pelo professor e dos sentidos já cristalizado sócio historicamente. Por fim, a análise de alguns episódios ocorridos em sala de aula e que, aparentemente, produziram algum mal-estar tanto no professor como no aprendiz nos permitiu revisitar e deslocar a noção de erro que incide em nosso fazer docente, nos lançando à compreensão do modo como o significante toca e marca o corpo do sujeito que surge como efeito do assujeitamento à linguagem.

Palavras-chave: Língua e Ensino; Perspectiva Discursiva; Psicanálise; Impasses Subjetivos.

 

Minibiografia:

Juliana Santana Cavallari é mestre e doutora em Linguística Aplicada pela UNICAMP; concluiu um estágio pós-doutoral, em Tradução, na mesma instituição. Realizou um curso de formação em Psicanálise pelo Clin-a. É professora adjunta no Programa de Pós-Graduação em Ciências da Linguagem da UNIVÁS. Integra projetos de pesquisa interinstitucionais, em âmbito nacional e internacional, como participante e líder.


Comunicação 9

A OBRA “PELAS MULHERES INDÍGENAS” E A (RE)(CON)FIGURAÇÃO IDENTITÁRIA INDÍGENA

 

Autor:

Willian Diego de Almeida – PG-UFMS/CPTL – willian.diego@hotmail.com

 

Resumo:

Discorrer sobre os discursos que perpassam (n)a trama social é, antes de tudo, pensar na sua dinamicidade na produção de sentidos. E essa dinamicidade se dá pela (re)circulação de diversas materialidades, cujos movimentos discursivos acabam por “determinar” a constituição dos sujeitos – históricos –, ou seja, a produção das suas identidades. Com base nesse pressuposto, temos por objetivo problematizar como é (d)enunciada a identidade da mulher de etnia indígena no fio intradiscursivo da obra “Pelas Mulheres indígenas”, idealizada pela ONG Thydêwá e publicada no ano de 2015. Partimos da hipótese de que a obra, mesmo incluindo as mulheres de etnia indígena na ordem do discurso social, desempenha um papel de estabilizar identificações já consideradas periféricas, mediante escritas de si que (re)forçam a permanência do discurso colonial por apresentarem relatos díspares da cultura ocidental hegemônica. Tendo como foco o gesto interpretativo discursivo-desconstrutivista, a análise subsidia-se, transdisciplinarmente, nas noções teórico-metodológicas: da perspectiva discursiva de Guerra (2010, 2015) e Coracini (2007, 2010, 2011); da perspectiva derrideana da desconstrução; do suporte teórico-metodológico foucaultiano — arqueogenealógico; da perspectiva teórico-culturalista de Anzaldúa (2005), Mignolo (2003), Castro-Goméz (2005), Santos (2014) e Bhabha (2013). Embora este seja um dos recortes de minha tese de doutoramento, resultados preliminares apontam que da materialidade da obra, no âmbito discursivo, emerge um tipo de saber que (re)produz e autentica as identidades indígenas ainda como discriminadas, legitimadas por um imaginário que (r)estabelece diferenças entre colonizador versus colonizado, desenvolvimento versus subdesenvolvimento, opressor versus oprimido.

Palavras-chave: Mulher indígena; Discurso(s); escrita de si; identidades.

 

Minibiografia:

Doutorando e Mestre em Letras, na área de concentração em Estudos Linguísticos e linha de pesquisa ‖Discurso, subjetividade e ensino de Línguas‖, pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul. Bolsista da CAPES/UFMS.


Comunicação 10

A ESCRITA DE SI A PARTIR DA CARTILHA “POVOS INDÍGENAS EM ESPAÇOS URBANOS”

 

Autora:

Vania Maria Lescano Guerra – Universidade Federal de Mato Grosso do Sul/Brasil – vguerra1@terra.com.br

 

Resumo:

A circulação de acontecimentos discursivos tem demonstrado, na atualidade, que a presença de indígenas nas cidades tornou-se fato recorrente e os motivos que os levam para os contextos urbanos são os mais diversos, especialmente a luta por seus direitos e a reconstrução de suas relações e organizações. E como tais acontecimentos são efeitos de discursos que intervêm na produção social de sentidos, e se materializam na/pela língua(gem), o objetivo desta pesquisa é refletir sobre o processo identitário de indígenas, a partir da escrita de si em depoimentos veiculados na cartilha denominada “Povos indígenas em espaços urbanos”, publicada no espaço virtual por ocasião da “Semana dos Povos Indígenas”, realizada de 14 a 20 de abril de 2008 e organizada por Cledes Markus, com apoio do Conselho de Missão entre Índios (http://docplayer.com.br/9624584-Semana-dos-povos-indigenas-2008-amiga-e-amigo-sumario.html). Este estudo considera a proposta teórica transdisciplinar, que se apoia na Análise do discurso de origem francesa, a fim de investigar possíveis marcas de exclusão deixadas pelo período colonial no texto da cartilha, que influenciam no deslocamento identitário desses povos. Buscamos identificar as múltiplas vozes que perpassam suas subjetividades, descrevendo as projeções que fazem de si e do outro. Para isso, utilizamos os estudos de Foucault (1992), de Eckert-Hoff e Coracini (2010) no que diz respeito ao processo de escrita de si; de Lévy (2005), Baudrillard (2005) e Coracini (2011) sobre a escrita do/no ambiente virtual e suas implicações sociais, discursivas e subjetivas. Dessa perspectiva, a materialidade da cartilha nos interessa em razão dos objetivos do discurso nela traçados, tais como o conhecimento, o respeito e a troca de informações sobre/com os povos indígenas. Nessa escrita de si, identificamos um sujeito multifacetado, descentrado, que deixa escapar traços identitários do branco, e também do indígena mítico e escolarizado.

Palavras-chave: identidades; discursos; escrita de si; indígenas.

 

Minibiografia:

Vânia Maria Lescano Guerra tem mestrado em Linguística Aplicada aos Estudos da Linguagem e doutorado em Linguística e Língua Portuguesa pela UNESP de Araraquara, com Pós-doutorado no IEL, UNICAMP. Atualmente é docente permanente do Programa de Pós-graduação em Letras UFMS e pesquisadora do CNPq. Coordena o Diretório de grupos de pesquisa no CNPq: “O processo identitário do indígena de Mato Grosso do Sul: análise documental e midiática da luta pela terra”. É membro do GT “Práticas Identitárias em Linguística Aplicada” da ANPOLL.


Comunicação 11

A ESCRITA DE SI: UM ESPELHO DA CULTURA E IDENTIDADE INDÍGENA DE RORAIMA

Autores:

Maria Georgina dos Santos Pinho e Silva – UERR-Roraima-Brasil – georginapinho@hotmail.com

Júlia América Vieira Campos – UNIVIRR-Roraima-Brasil – juliacamposrr@hotmail.com

 

Resumo:

Desde a antiguidade as escritas em primeira pessoa tem ocupado um espaço singular na sociedade atual, configurando como objeto de estudo em diferentes campos das ciências. Expressões como autobiografias, cartas, diários  e memórias tem promovido questões sobre a visão do sujeito de si, isto é, aquele que escreve sobre a sua própria existência para mapear suas histórias de vida, possibilitando um olhar mais atento para o passado por meios das argúcias do presente. Nesse sentido, a proposta do trabalho é analisar, a luz da Análise do Discurso, a produção do discurso de narradores indígenas, a fim de mostrar as filigranas que se entrelaçam para verificar como o simbólico e o maginário permeiam a memória narrativa dos narradores, uma vez que um suporte para o cultivo dos costumes e tradições indígenas, que se apresentam cada vez mais multíplices. Os relatos se constituem num grande significado, em que as relações do cotidiano do narrador com seu mundo desdobram-se em conceitos que definem os indígenas e a comunidade, considerando que a cultura não desapareceu nem pelo fato de indígenas manterem contato com não indígenas ou pela utilização dos meios tecnológicos que adentram na comunidade. Por trabalhar com narrativas orais, registrando as histórias coletivamente compartilhadas na comunidade indígena, adotei os procedimentos metodológicos da história oral.

Palavras-chave: Sujeito; Memória; Escrita de si; Cultura; Identidade.

 

Minibiografias:

Maria Georgina dos Santos Pinho e Silva é doutoranda em Linguística e Língua Portuguesa pela Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”, Campus Araraquara, é professora efetiva da Universidade Estadual de Roraima-Brasil.

Júlia América Vieira Campos é Professora especialista da Universidade Virtual de Roraima – UNIVIRR – Roraima-Brasil.


Comunicação 12

Os laços desatados: as vivências de Lídia Raposo na cidade de Boa Vista

 

Autora:

Selma Mulinari – Secretaria Estadual de cultura -mulinari.selma@globo.com

 

Resumo:

Após o processo de demarcação das terras indígenas em Roraima temos um processo de convivência onde os índios e não índios coabitam territórios em função de termos três municípios com suas áreas urbanas dentro da área indígena. Essa aproximação causou um processo vivencias comuns. Nessa questão observamos um processo de migração que atingiu principalmente as mulheres indígenas para áreas urbanas do Estado de Roraima, principalmente para a cidade de Boa Vista. Esse deslocamento obedece a vários interesses e também a diversas expectativas. Quando a mulher se insere no mercado de trabalho formal é normal que se preocupe com a capacitação e esse é um dos movimentos identificados. Em 2002, Lídia Raposo optou por viver na cidade, então deixou a comunidade da Raposa e veio para Boa Vista. Refez sua vida, fazendo de tudo um pouco, foi viver do seu artesanato, foi empregada doméstica. Com o tempo se firmou como artesã e como monitora passando a treinar outras mulheres na confecção das panelas de barro. Hoje vive do seu oficio, fazendo as panelas de barro e comercializando. A convivência nos mostra que essas mulheres não retornam para suas comunidades, para sua antiga vida, tem sua trajetória modificada, há um distanciamento da cultura. Em função das experiências as mulheres passaram um processo de construção de novas identidades, já que para a mulher indígena as vivências da cidade marcam um rompimento com os laços de sua comunidade, de seus parentes e de sua cultura, a vivência na cidade traz outras contribuições, outras expectativas. Exige todo um processo de reinvenção de uma nova identidade para que possa se mostrar diante das adversidades. A metodologia utilizada nesse trabalho é a historia oral, onde busco através dos relatos e da vivência com a Lídia registrar sua trajetória de vida.

Palavras-chave: Gênero; Identidade; Migração; Índios de Roraima.

 

Minibiografia:

Selma Mulinari, formada em História pela Universidade Federal de Roraima – UFRR, Especialista em Psicossociologia das Relações Afro-brasileiras – UFRR, Mestra em História Social pela Universidade federal do Rio de Janeiro – UFRJ. Professora do Ministério da Educação, membro do Conselho Estadual de Educação, Atualmente exerço o cargo de Secretária estadual de cultura, membro do CNIC – Conselho Nacional de Incentivo a Cultura.


Comunicação 13

#PrimeiroAssédio: a coragem feminina da verdade

Autora:

Mariana Rafaela Batista Silva Peixoto – Unicamp – mariipx@gmail.com

 

Resumo:

Em resposta a enxurrada de assédios virtuais sofridos por uma candidata de um reality show para crianças, a ONG brasileira Think Olga, que promove ações feministas, lançou, no mês de outubro de 2015, a hashtag #PrimeiroAssédio. Instadas a falarem publicamente sobre a primeira vez que sofreram algum tipo de assédio sexual, milhares de mulheres aderiram à campanha, colocando em evidência e problematizando a cultura do estupro em nossa sociedade brasileira. A partir de uma perspectiva discursivo-desconstrutivista da linguagem, propomo-nos, com este trabalho, discutir os efeitos de sentido que a hashtag e tais relatos produziram, compreendendo-os como parrésias femininas contemporâneas. Para tal, retomamos os trabalhos de Foucault (2009) acerca de uma das técnicas de si praticada pelos cínicos que consiste na produção do verdadeiro na/pela fala, a parrésia. O parresiasta não é um professor, um sábio ou um profeta, mas aquele que assume um risco, o da própria vida, ao enunciar a verdade. Entretanto, não se trata de dizer qualquer verdade, mas de “dizer-tudo”: tudo o que confronta o outro e coloca aquele que enuncia em situação de risco. Quando nos propomos a pensar nas parrésias femininas da contemporaneidade, a partir dos relatos nas redes sociais, queremos com isso discutir o caráter parresiástico que tal (d)enunciação carrega. Para esta apresentação, analisaremos recortes extraídos de postagens públicas da rede social Twitter com vistas a melhor compreender os afetamentos de tais (re)escritas de si, bem como as implicações subjetivas em torno da condição feminina.

Palavras-chave: Parresia; discurso; identidade; condição feminina; primeiro assédio.

 

Minibiografia:

Doutoranda em Linguística Aplicada pela Universidade Estadual de Campinas, com estágio sanduíche na Univesité de Montpellier III, França. Mestre em Linguística Aplicada pela Universidade Estadual de Campinas. Graduada em Letras pela Universidade Federal de Uberlândia. Professora adjunto nível I da Escola Superior.


Comunicação 14

REPRESENTAÇÕES IDENTITARIAS DO/SOBRE O SUJEITO IDOSO: cidadania e inclusão educacional

Autores:

Silvane Aparecida de Freitas – UEMS – silvaneafreitas@hotmail.com

Celso Ricardo Ribeiro de Aguiar – UEMS – celso2raguiar@gmail.com

 

Resumo:

Nosso intuito nesta comunicação é problematizar a educação voltada ao sujeito idoso na UNATI (Universidade Aberta à Terceira Idade) e EJA (Educação de Jovens e Adultos) de um dos municípios do interior do estado de São Paulo-SP. Para tanto, iniciaremos nossa investigação, a partir da problematização das noções de cidadania e inclusão educacional por acreditarmos que uma análise discursiva com estas noções nos proporciona alinhavos discursivamente produtivos concernentes às representações identitárias do/sobre o sujeito idoso. Por conseguinte, pretendemos analisar o discurso sobre cidadania e inclusão educacional na UNATI e EJA com vistas a deslocar os efeitos contraditórios da discursividade do e sobre o sujeito idoso, segundo conceitos psicanalíticos lacanianos de sujeito descentrado e do jogo de imagens de Pêcheux (1988). Os objetivos específicos são: a) analisar, segundo o método arqueológico de Foucault (1986), os discursos dos sujeitos idosos UNATI e EJA-Fernandópolis/SP em busca de regularidades que funcionem como leis que governam as dispersões dos enunciados que compõem estes discursos; b) problematizar as noções de inconsciente, real/ imaginário e político segundo a AD para articular as noções que interpelam o indivíduo em sujeito: o histórico, o ideológico e o simbólico. O corpus da pesquisa está composto por entrevistas orais de sete sujeitos idosos da UNATI e da EJA de um município do interior paulista. Utilizando-nos dos pressupostos teóricos da Análise do Discurso de linha francesa, partimos para a análise dos dados que nos permitiu chegar às seguintes considerações: o sujeito idoso aluno da EJA e UNATI concebe a educação como um caminho de transformação e acesso à inclusão e cidadania, e para tanto, se identifica como protagonista que deve se integrar, qualificar, ser civilizado, moralizado e não reconhece os benefícios da interação com o jovem para que, juntos, façam parte do processo de emancipação social.

Palavras-chave: Idoso; Discurso; Cidadania; Inclusão Educacional.

 

Minibiografias:

Silvane Aparecida de Freitas: Pós doutorado em Linguística Aplicada IEL/UNICAMP (2008). Doutora em Letras UNESP/ASSIS 2002. Mestrado em Linguística Aplicada IEL/UNICAMP (1997). Docente sênior da Pós graduação scrito sensu da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul -UEMS. Desenvolve pesquisa na perspectiva da Análise de Discurso de orientação francesa, abordando as seguintes temáticas: indentidades, memoria, exclusão, o idoso e ensino de língua materna.

Celso Ricardo Ribeiro de Aguiar: Mestre em Educação pela UEMS (2016). Graduado em Letras. Professor de língua inglesa da rede pública do estado de São Paulo. Desenvolve pesquisa sobre o idoso, ensino de línguas, na perspectiva da Análise do Discurso de orientação francesa.


Comunicação 15

A escrita de si em narrativas orais de idosas brasileiras: uma análise dos modos de identificação e da resistência

Autores:

Priscilla Melo Ribeiro de Lima – Universidade Federal de Goiás – primlima@gmail.com

Sostenes Cezar de Lima – Universidade Estadual de Goiás – limasostenes@gmail.com

 

Resumo:

Neste trabalho temos como objetivo analisar os modos de resistência identitária presentes em narrativas orais de mulheres idosas. Concebemos as práticas de resistência identitária como formas de ação social através das quais padrões identitários hegemônicos são contestados em favor da promoção e valorização de novas formas de identificação. Os discursos de resistência identitária associados à velhice constituem um conjunto de ações discursivas por meio dos quais se contesta o modo como o sujeito velho é identificado. Os discursos hegemônicos identificam a velhice como dócil e assexuada, e improdutiva e decrépita. Na esteira da resistência, são construídas para a mulher idosa novas formas de identificação e de estar-no-mundo próprias da velhice. A partir de embasamento teórico assentado na Análise do Discurso, com contribuições da Psicanálise e estudos foucaultianos, buscamos (1) Discutir como discursos de resistência são construídos nas narrativas de idosas participantes das oficinas; (2) Identificar e analisar quais fatores biográficos puderam contribuir para a resistência aos discursos hegemônicos de velhice dócil e assexuada, e improdutiva e decrépita; (3) Investigar como os discursos hegemônicos de velhice se fazem presentes no discurso das idosas; (4) Investigar como discursos de resistência podem ser construídos a partir da vivência das oficinas. Nossa discussão parte de uma proposta de pesquisa e extensão realizada a partir de oficinas de revisão de vida com idosas. Explorar coletivamente as histórias de vida em projetos participativos, como as oficinas, auxiliou no reconhecimento e enfrentamento de experiências silenciadas. Além disso, as narrativas de vida compartilhadas possibilitaram a construção de um espaço de resistência aos modos de identificação hegemônicos, que tem como base a juventude e a produtividade.

Palavras-chave: velhice; narrativas de vida; discurso de resistência.

 

Minibiografias:

Priscilla Melo Ribeiro de Lima: Doutorado em Psicologia Clínica e Cultura (Universidade de Brasília); Docente da Faculdade de Educação e do Programa de Pós–graduação em Psicologia (PPGP) da Universidade Federal de Goiás (UFG); Coordenadora do Grupo de Estudos e Pesquisa sobre Velhice (GEPEV). Atualmente coordena dois projetos de pesquisa no PPGP: “Oficinas de revisão de vida: uma proposta de investigação da velhice”, e “Discursos e identidades: a velhice e seus modos de resistência”.

Sostenes Cezar de Lima: Doutorado em Linguística pela Universidade de Brasília. Docente do Curso Letras e do Programa de Pós-Graduação Interdisciplinar em Educação, Linguagem e Tecnologias (PPG-IELT), da Universidade Estadual de Goiás (UEG), Campus Anápolis de Ciências Socioeconômicas e Humanas. Atua nas áreas de Análise do Discurso, e Educação Linguística. Atualmente coordena o projeto de pesquisa “Discursos e identidades: a velhice e seus modos de resistência” no PPG-IELT.


Comunicação 16

ESCRITA E ENSINO: MARCAS DE SUBJETIVIDADE EM TEXTOS DE ALUNOS INFRATORES DO MATO GROSSO DO SUL

Autores:

Celina Aparecida Garcia de Souza Nascimento – UFMS – celina_ufms@hotmail.com

Daniele Cristina Scaliante – UNESP – daniele_scaliante@hotmail.com

 

Resumo:

No âmbito escolar, a escrita tem sido vista por uma visão restrita e perpassada por metodologias que buscam padronizar um processo de ensino-aprendizagem que comumente a desconsidera enquanto prática discursiva inerente ao contexto social. Objetivamos descrever e interpretar marcas de subjetividade em textos escritos por alunos das Unidades Educacionais de Internação (UNEIs) do Mato Grosso do Sul, a fim de interpretar a subjetividade nas práticas de escrita que se dão no cotidiano escolar. Para tanto, pautamo-nos, transdisciplinarmente, na perspectiva discursiva, de linha francesa, e no suporte teórico-metodológico foucaultiano — arquegenealógico —, objetivando pelo gesto interpretativo discursivo-desconstrutivista, problematizar situações de escrita, a partir do recorte teórico de Coracini (2002, 2003a, 2003b, 2010), Foucault (2006, 2010) e Orlandi (1996, 2005 e 2012), para a reflexão sobre o ensino de escrita e leitura, incompletude da linguagem e subjetividade. O corpus é constituído de alguns textos de um total de quinze, escritos na escola pública que funciona dentro das Unidades, por alunos infratores de UNEIs do MS. Os resultados indicaram diferentes marcas de subjetividade, fato esse, que em relação às práticas escolares de produção textual, passa despercebido (ou escamoteado?), pois elas pouco contribuem para que a escrita ultrapasse os muros escolares enquanto prática social e atividade discursiva.

Palavras-chave: Língua Portuguesa; Educação; Identidade.

 

Minibiografias:

Celina Aparecida Garcia de Souza Nascimento: Doutorado em Lingüística e Língua Portuguesa/UNESP-Araraquara. Pós-doutorado em Linguística Aplicada/UNICAMP/CNPq, sob a supervisão da Profa. Dra. Maria José Coracini. Docente associado da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, com atuação na área de Linguística Aplicada, principalmente nos seguintes temas: Identidade, Subjetividade, Ensino-aprendizagem em Língua Materna, Leitura e Escrita.

Daniele Cristina Scaliante: Mestrado em Letras/Estudos Linguísticos pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), onde desenvolveu estudos referentes à escrita de si de adultos em situação de exclusão. Doutoranda em Linguística e Língua Portuguesa/UNESP-Araraquara, investigando estratégias de escrita e de leitura na sala de aula a partir do gênero epistolar.


Comunicação 17

NARRATIVAS DE SI E AS (IM)POSSIBIIDADES DE SE DIZER: UMA ANÁLISE DE RELATOS DE DENÚNCIA

Autora:

Keyla Silva Rabêlo – Universidade do Estado do Rio de Janeiro – keurabelo@yahoo.com.br

 

Resumo:

Os diferentes textos que usamos nas variadas circunstâncias de interação possibilitam-nos lidar com o mundo e reconhecê-lo em sua pluralidade e isso se dá, inevitavelmente, através da linguagem em suas diversas manifestações (sonora, imagética, verbal, oral, gestual). Considerando as escritas de si um material privilegiado para reflexão sobre escrita, alteridade e subjetividade, esta pesquisa tem por objetivo compreender, através do gênero relato de denúncia, não só as tramas do discurso do outro, como também a interseção existente entre o indivíduo, suas vivências e, consequentemente, a construção de sua identidade. Os relatos de denúncia que serão analisados estão disponíveis no site da ONG Tem Local, uma plataforma colaborativa que tem como intuito mapear casos de LGBTfobia. Esses relatos configuram-se não só como escritas de denúncia, como também de resistência em relação à condição de vulnerabilidade a qual os indivíduos pertencentes à comunidade LGBT encontram-se constantemente submetidos. O debate proposto pela pesquisa será fundamentado em discussões realizadas nos âmbitos linguísticos, em especial na Análise do discurso (sujeito, discurso, interdiscurso e condições de produção – Foucault  e Pêcheux) e na Teoria do Desdobramento ( Derrida) e, também, culturais (identidade cultural – Stuart Hall).

Palavras-chave: Linguagem; Sujeito; Escrita de si; Identidade.

 

Minibiografia:

Doutoranda em Língua Portuguesa pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e Mestre em Educação (Linha Filosofia, Linguagens e Práxis Pedagógica) pela Universidade Federal da Bahia. Interessa-se por pesquisas cujas temáticas discutam questões referentes ao ensino de Língua Portuguesa, à leitura e produção textual, às teorias da linguagem e do discurso e à formação de professores.


Comunicação 18

A (DES) CONSTRUÇÃO DO SUJEITO AMOROSO A PARTIR DOS DISCURSOS NO GRUPO MADA

 

Autoras:

Maria da Luz Olegário – Universidade Federal da Paraíba – daluzprof@gmail.com

Patrícia Guedes Corrêa Gondim – Universidade Federal da Paraíba – profpatriciagondim@gmail.com

 

Resumo:

Objetivamos, com essa comunicação, analisar práticas discursivas de subjetivação no contexto do grupo MADA (Mulheres que Amam Demais Anônimas) cuja proposta do Grupo é a de recuperar mulheres da dependência de relacionamentos abusivos, ou seja, um padrão de comportamento obsessivo-compulsivo, no qual algumas delas se encontram e com as quais não conseguiam romper. Disso decorre a máxima que “amam demais” e que isto significa sofrer. O embasamento teórico-metodológico parte dos estudos de Análise do Discurso, sobretudo, acerca das formulações de Michel Foucault, para quem o sujeito é resultado de uma prática, ou seja, o sujeito é sempre fabricado. Assim, compreendemos que o MADA se constitui em um espaço no qual as mulheres, ao falarem de si, se inscrevem enquanto sujeitos que (des)constroem suas identidades forjadas num discurso patriarcal e nas desigualdades de gênero. A partir da análise, observamos que discursos sobre gênero e amor no Grupo revelam mudanças, pois este se utiliza de estratégias que possibilitam às mulheres participantes olharem para si mesmas, interpretarem-se, julgarem-se, decifrarem-se, narrarem-se, aprenderem a ser mais autônimas, numa narrativa pedagógica e pedagogizável.

Palavras-chave: Discurso; Gênero; Amor; Identidade.

 

Minibiografias:

Maria da Luz Olegário: Doutora em Educação, mestre em Língua Portuguesa, especialista em leitura e produção de textos e graduada em Letras pela Universidade Federal da Paraíba e professora da mesma instituição. Docente do Programa de Pós-Graduação Profissional em Letras – CFP-UFCG. Coordena projetos de pesquisa voltados para os temas: discurso, educação, gênero, amor e violência. É vice-líder do Grupo de Estudos e Pesquisas GEINCOS-UFPB.

Patrícia Guedes Corrêa Gondim: Doutora e mestre em educação pela Universidade Federal da Paraíba. Especialista em Psicopedagogia pela Faculdade Integrada de Patos. Orientadora Educacional pela Prefeitura Municipal de João Pessoa. Professora na Universidade Estadual Vale do Acaraú. Tutora do Programa de Pós-Graduação em Gestão nas Organizações Aprendentes e do curso de Graduação em Letras-Libras da Universidade Federal da Paraíba. Experiência na área de currículo e diversidade.


Comunicação 19

O silenciamento do privado e a construção de identidade nas memórias de Duguay-Trouin

 

Autora :

Gileade Godoi – CEFET-RJ – gi.godoi@hotmail.com

 

Resumo:

René Duguay-Trouin foi um corsário francês cujo feito mais célebre foi a tomada do Rio de Janeiro em 1711. Nosso interesse nessa narrativa recai sobre a edição baseada em dois de seus manuscritos, que contam também suas aventuras de juventude, omitidas na ublicação autorizada de suas Memórias, em 1740. A revisão, que teria sido baseada em questões de estilo, suprimiu as aventuras amorosas e “libertinagens” narradas no manuscrito. A edição “saneada” pela família omite tais aventuras, que aparecem na publicação não autorizada de 1730, publicada em Amsterdã por Pierre Mortier. Destas memórias múltiplas, o que nos interessa é o que não foi dito, o que foi silenciado. O que a escritura de memórias implica? Quando se as escreve, lembranças são relatos ou imagens construídas? Que identidade/imagem Duguay-Trouin, desejava apagar e perpetuar? Memórias são lembranças trazidas à luz ou percepções acerca de um passado? Ou são, em certa medida, a reconstrução de um passado? Essas são algumas das questões que nos movem na elaboração desta reflexão. Forjar-se uma imagem “própria à emulação”, desejo expresso por Duguay-Trouin, exige duplo esforço: de proclamação e silenciamento. Silenciar o que não convém, engrandecer o que parece conveniente. Reside aí a ambiguidade que trabalha com diversas formações imaginárias, cujas pistas desejamos seguir.

Palavras-chave: Imaginário; memória; identidade; silenciamento.

 

Minibiografia:

Doutora em Linguística pela Unicamp, Mestre em Letras pela UFF, professora de Francês  e coordenadora de Português no CEFET-RJ.


Comunicação 20

Sem maquilhagem: a essência do Eu em Alta Definição

Autores:

Ana Clara Birrento – Universidade de Évora, CEL-UE – birrento@uevora.pt

Maria Helena Saianda – Universidade de Évora, CEL-UE – mhrs@uevora.pt

Olga Baptista Gonçalves – Universidade de Évora, CEL-UE – obg@uevora.pt

 

Resumo:

Partindo do quadro conceptual de que a representação do Eu implica as posições a partir das quais se escreve ou se fala – as posições de enunciação – pois embora falemos sobre nós mesmos, em nosso nome e sobre a nossa experiência, quem fala ou escreve, quem determina a identidade do narrador e o sujeito sobre quem se fala ou se escreve não são idênticos e não estão no mesmo lugar, propomo-nos analisar a forma como cinco homens e cinco mulheres, de campos de intervenção diferentes, entrevistados no programa televisivo Alta Definição,  constroem a sua identidade através da expressão oral, a partir da intervenção do entrevistador. Entendendo que escrevemos e falamos a partir de um lugar e tempo particulares, de uma história e de uma cultura que é específica, que o que dizemos é sempre contextualizado e posicionado, a análise do corpus desta comunicação assentará na combinação de duas abordagens complementares – lexicométrica e semio-linguística – tendo como objectivo revelar a forma como os entrevistados são levados a apresentarem-se metaforicamente sem maquilhagem. Teremos em atenção a ausência e a presença de conceitos tão opostos como: verdade, confissão, experiência, imanência, privado e público, individual e universal, masculino e feminino, bem como  a problemática de que o entrevistado se vê a si mesmo a ser sujeito e a ser olhado enquanto sujeito; um sujeito que fala de si e que sabe que o presente é diferente do passado e que não é repetido no futuro; um sujeito que sabe que o eixo horizontal do passado não pode ser recuperado, e que o do futuro, pelo qual anseia, é atravessado pelo eixo vertical do presente, que contém em si o imediato e o real.

Palavras-chave: Representação; Eu; discurso; oralidade; identidade

 

Minibiografias:

Ana Clara Birrento: doutorada em Literatura Inglesa pela Universidade de Évora, é Professora Auxiliar de Literatura Inglesa e de Cultura Inglesa no Departamento de Linguística e Literaturas da mesma Universidade, e membro do Centro de Estudos em Letras (CEL-UÉ). Lecciona também no âmbito dos cursos de Mestrado, Literatura e Estudos Culturais e Cultura e Tradução.

Maria Helena Saianda: doutorada em Linguística Portuguesa pela Universidade de Évora, é Professora Auxiliar aposentada da Universidade de Évora e membro do Centro de Estudos em Letras (CEL-UÉ). Investiga Análise do Discurso Político e Autobiográfico, oral e escrito e tem orientado teses de doutoramento nesta área.

Olga Baptista Gonçalves: doutorada em Linguística pela Universidade de Évora e Professora Auxiliar no Departamento de Linguística e Literaturas. Lecciona Língua Inglesa para Fins Académicos e Específicos e Linguística Inglesa a cursos de 1º Ciclo, bem como Discurso e Tradução ao curso de Mestrado em Línguas e Linguística: Tradução e Ciências da Linguagem.  É membro do Centro de Estudos em Letras onde tem desenvolvido investigação em Análise do Discurso, nomeadamente em discurso político e autobiográfico.


Comunicação 21

Língua, cultura e construções identitárias em Timor-Leste

 

Autores:

Marina Pereira Reis – Prefeitura Municipal de São Vicente/SP. E-mail: marina-reis@usp.br

Verónica Marcela Guridi – Universidade de São Paulo/USP. E-mail: veguridi@usp.br

 

Resumo:

Após a independência, Timor-Leste firmou acordos de cooperação com o Brasil, iniciando a formação dos seus professores em Língua Portuguesa e reforçando, assim, sua posição de membro da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). Como resultado de um desses programas de formação de professores desenvolveu-se uma pesquisa empírica, cujos resultados ora são apresentados. Investigou-se a construção da identidade do professor timorense, em especial, do professor de Biologia, com base no contexto histórico-cultural-linguístico leste-timorense. Esse tipo de estudo justifica-se, em parte, pelo fato de que um dos grandes desafios de uma democracia é garantir à sua jovem e crescente população uma educação de qualidade que contribua para o exercício da cidadania, notadamente na formação técnico-científica-cultural. Assim, é fundamental o desenvolvimento de estudos sobre quem é o professor de Biologia que dá formação acadêmica a esse público. O trabalho metodológico foi estruturado na tradição qualitativo-interpretativa de pesquisa, com ênfase na pesquisa bibliográfica e documental, por meio da interpretação e análise de registros documentais, memoriais e entrevistas. Na análise dos dados, foi possível observar que os professores evidenciam em suas narrativas alguns temas que delas emergem e que refletem, a princípio, influências advindas da sua recente história de dominação e liberdade, sobrevivência e resistência.

Palavras-chave: Construção da Identidade; Ensino de Biologia; Timor-Leste; Formação de Professores.

 

Minibiografias:

Marina Pereira Reis: Mestre em Ensino de Ciências pela Universidade de São Paulo (USP/SP), licenciada e Bacharel em Biologia. Entre 2007 e 2009 atuou como professora da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) em Timor-Leste e como consultora pedagógica pela Agência Espanhola até 2010, também em Timor-Leste. Atualmente, atua como formadora e orientadora de estudo em programa do Ministério da Educação – MEC/Brasil.

Verónica Marcela Guridi: Graduada em Licenciatura Plena em Matemática e Física – Universidad Nacional del Centro de la Provincia de Buenos Aires, Argentina (1993), Mestrado em Epistemologia e Metodologia da Ciência – Universidad Nacional de Mar del Plata, Argentina (1999) e Doutorado em Educação (orientação Ensino de Ciências e Matemática) pela USP (2007). Professora da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo (EACH/USP).


 Comunicação 22

DISCURSOS SOBRE O PROFESSOR BRASILEIRO: RELAÇÕES DE SABER E DE PODER

 

Autora:

Valdoméria Neves de Moraes Morgado – IF Goiano – Campus Ceres – valdomeria.morgado@ifgoiano.edu.br

 

Resumo:

Desde outrora é possível observar discursos que desqualificam o sujeito-professor. Essas construções discursivas promovem saberes e fazem emergir relações de poder que constituem formas de controle e de domínios de verdade sobre a imagem que se tem do professor brasileiro. Para observar e discutir a construção dessas verdades, recortamos textos de documentos gestores e midiáticos, a partir dos meados do século XVIII, para verificar as práticas discursivas que reiteram representações disfóricas sobre o professor. Para isso, filiamo-nos à Analise do Discurso de linha francesa e mobilizamos os conceitos foucaultianos a partir da obra A Ordem do Discurso (2007), pois entendemos que à medida que esses saberes, transformados em estereótipos, se disseminam, potencializam o exercício do poder que controla e sustenta discursos, provocando a multiplicação do sujeito-professor à medida que os discursos que o desqualificam são retomados. Os textos recortados na análise nos permitem verificar como os discursos promovem saberes que se tornam verdades e verdades que se tornam saberes, via historicidade e materialidade repetível. Nesse sentido, implicam-se mutuamente as relações de poder e saber que asseveram imagens disfóricas do sujeito-professor a partir das práticas discursivas historicamente constituídas. No levantamento dos textos, detectamos a repetição reiterada das representações que desmerecem o professor, mediante o controle de discursos para mantê-lo funcionando em circunstâncias específicas de produção. Assim, é por meio dessas formulações discursivas que o docente é apontado como um dos principais responsáveis pelo suposto fracasso do ensino brasileiro, tornando esse discurso verdadeiro em cada época de sua emergência. Embora os discursos pareçam simples repetições, as construções discursivas que desqualificam o professor, séculos após séculos, não tiveram força suficiente modificar as representações negativas desse profissional geradas há tempos.

Palavras-chave: Discurso; Professor; Saber; Poder.

 

Minibiografia:

Mestre e Doutora em Letras e Linguística pela Universidade Federal de Goiás, Goiás, Brasil. É professora de Língua Portuguesa do ensino básico, técnico e tecnológico do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia – Campus Ceres, Goiás, Brasil. Tem experiência na área de Letras e Linguística, com ênfase em análise do discurso de linha francesa e foco temático e de pesquisa sobre: discurso, saber/poder, professor, verdade.


Comunicação 23

Formações identitárias do coordenador pedagógico: desafios e dilemas

 

Autoras:

Silvane Aparecida de Freitas – UEMS – silvaneafreitas@hotmail.com

Laura de Cássia Ribeiro de Lima – UEMS – ribeirolima.laura@gmail.com

 

Resumo:

Nesta apresentação, temos como objetivo verificar como se dá a formação identitária do coordenador pedagógico, que ideologias defende, que representações possui, problematizar seu papel enquanto formador de professores, tendo como campo de pesquisa as escolas de ensino fundamental do município de Andradina-SP. Pretendemos analisar o papel do coordenador nas atividades do contexto escolar, de modo a verificar se as ações de formação e a ciência de seu papel garantem-lhe mais autonomia e confiança diante dos conflitos e dilemas enfrentados no dia a dia. Assim como refletir sobre como se dão as condições de produção do discurso, uma vez que, segundo o senso comum, os coordenadores são os “professores sem sala de aula”, que “ajudam” os demais docentes, “monitores de luxo”, “aliados” do diretor ou da Secretaria da Educação. Construindo representações, que constituem sua identidade – sempre vinda do outro. Como todo sujeito que ocupa um lugar determinado numa formação discursiva, sua identidade se constitui no conflito entre o desejo da completude e a percepção, ainda que não totalmente consciente, da falta; daí a angústia, a busca incansável por soluções, momentaneamente apaziguadoras, para os problemas do dia-a-dia (CORACINI, 2003, p. 207). Nesse sentido, a cada luta que travamos, a cada embate, a cada dificuldade imposta, novas maneiras de agir vamos encontrando, melhor vamos nos conhecendo, aprendendo a driblar os embates político-ideológicos que nos são impostos diariamente (FREITAS, 1999, p.136). A metodologia empregada foi a qualitativa, coletas das entrevistas empregadas aos professores e coordenadores participantes da pesquisa. Conclui-se, preliminarmente, que o sujeito desta pesquisa está em conflito identitário, mesmo assim, conseguiu deslocar- se, reelaborar seu discurso, criar um desconforto, para que por meio da desestruturação das práticas costumeiras, possa emergir uma reflexão sobre a própria prática.

Palavras-chave: Coordenador pedagógico; Discurso; Identidade; Professor.

 

Minibiografias:

Silvane Aparecida de Freitas: Pós doutorado em Linguística Aplicada IEL/UNICAMP (2008). Doutora em Letras UNESP/ASSIS 2002. Mestrado em Linguística Aplicada IEL/UNICAMP (1997). Docente sênior da Pós graduação scrito sensu da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul -UEMS. Desenvolve pesquisa na perspectiva da Análise de Discurso de orientação francesa, abordando as seguintes temáticas: identidades, memoria, exclusão, o idoso e ensino de língua maternal.

Laura de Cássia Ribeiro de Lima: Mestranda em Educação pela UEMS/Paranaíba, Pós- Graduada em Coordenação Pedagógica UFSCAR (2015) e Psicopedagogia pelas FIU (2003), Graduada em Pedagogia UCESP/Araçatuba (2013), Direito UFMS (2005) e Letras UFMS/Três Lagoas (1999). Coordenadora Pedagógica na rede municipal- Andradina/SP. Desenvolve pesquisa sobre o coordenador pedagógico, identidade, na perspectiva da Análise do Discurso de orientação francesa.


Comunicação 24

Professor de Língua Portuguesa e escrita de si: (re)construindo a identidade docente pelos portfólios de estágio supervisionado

Autora:

Obdália Santana Ferraz Silva – UNEB – bedaferraz@hotmail.com

 

Resumo:

Este estudo discute sobre o portfólio de estágio supervisionado como instrumento que poderá contribuir para que o futuro professor de Língua Portuguesa reflita sobre sua identidade profissional, desenvolva uma compreensão sobre o fazer docente, visando à escolha dos caminhos que trilhará para construção de sua práxis pedagógica (VILLAS BOAS, 2006). As narrativas escritas de si, que articulam experiências de vida e de formação (JOSSO, 2004), poderão se constituir em recursos para se pensar a formação pessoal e profissional do professor (NÓVOA, 2009), “os discursos que ele incorporou nas diferentes situações de sua formação” (ECKERT-HOFF, 2008). Pela escrita de si, o futuro professor articula e tece as experiências teóricas vivenciadas no cotidiano da academia com a vivenciadas no chão da escola, a partir do diálogo com o outro, (re)configurando as dimensões cognitiva, afetiva, ética e estética do ensinar, as quais constituem sua subjetividade (CORACINI, 2003); esta entendida como marca de um sujeito que apreende e representa o mundo e nele se representa. Nesse movimento, vai retalhando-se, (re)costurando-se, re)tecendo-se (ECKERT-HOFF, 2015) e construindo uma identidade plural, contraditória, heterogênea, em modificação constante, porque constituída pelo discurso e pela linguagem (CORACINI, 2003). Tomando a escrita do portfólio como modo de escuta pedagógica aos professores de Língua Portuguesa em formação, questiono: Que contribuições trazem os portfólios de estágio supervisionado, como escrita de si, de modo a propiciar reflexões sobre o fazer pedagógico, visando à construção da(s) identidade(s) docente(s) dos futuros professores de Língua Portuguesa? O aporte metodológico deste estudo se define como narrativas de formação, produzidas em portfólios. Os saberes teóricos e práticos já construídos têm apontado o portfólio como possibilidade de o futuro professor de Língua Portuguesa refletir sobre sua prática pedagógica, seus conflitos, angústias e (in)sucessos (PIMENTA, 2012), suas ações como estagiário, bem como autoavaliar-se, rumo à construção contínua de sua(s) identidade(s) docente(s).

Palavras-chave: Estágio Supervisionado; Língua Portuguesa; Portfólio; Formação de Professor; Identidade(s).

 

Minibiografia:

Doutora em Educação pela Universidade Federal da Bahia (UFBA); Mestre em Educação e Contemporaneidade pela Universidade do Estado da Bahia (UNEB); docente no Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade do Estado da Bahia (UNEB) e do curso de licenciatura em Letras/Português do Campus XIV (UNEB). Temáticas de pesquisa e estudo: formação de professor, (multi)letramentos, ensino de Língua Portuguesa, tecnologias digitais, escrita, plágio, autoria.


Comunicação 25

A escrita (de si) como constitutiva do processo de formação no ensino superior

 

Autora:

Marluza T. da Rosa – UFSM/FW – marluza.rosa@gmail.com

 

Resumo:

Este estudo visa a colocar em discussão a relação com a escrita no ensino superior brasileiro, por meio de uma problematização direcionada ao imaginário do qual compartilham estudantes em fase final de graduação. Buscamos, desse modo, cartografar e analisar não apenas as dificuldades vivenciadas no processo de produção de um trabalho de conclusão de curso, mas também, e principalmente, as possibilidades de (re)escrita de si que permeiam esse processo formador. Para tanto, estabelecemos um diálogo teórico com trabalhos que se voltam para a problemática da escrit(ur)a no campo da Linguística Aplicada, como as teorias do discurso na interface com as do(s) letramento(s) acadêmico(s). O corpus de análise se constitui de entrevistas, gravadas e transcritas, nas quais os participantes são convidados a tomar posição frente a escrita seja como processo (as idas e vindas do texto, seu caráter constantemente inacabado, bem como a escrita e a falta do/no pesquisador que ela torna visível), seja como produto (o texto considerado bem ou mal escrito, o retorno, positivo ou não, por parte do outro – professores, colegas, etc.). Compreendemos o falar de si, o inscrever-se no e a partir do discurso universitário, por um viés que toma (re)escrita e (re)leitura enquanto modos de sujeição ao outro/Outro, mas também de ascensão a um lugar de sujeito do dizer. Sendo assim, consideramos que o papel formador da escrita não prescinde do olhar para as (des)identificações que estruturam o sujeito; papel que excede, portanto, a dimensão técnica e formal daquilo que (não) se escreve.

Palavras-chave: Identidade; escrita; formação superior; pesquisa acadêmica.

 

Minibiografia:

Docente do Departamento de Ciências da Comunicação da Universidade Federal de Santa Maria, campus Frederico Westphalen (UFSM/FW); Graduada e Mestre em Letras pela UFSM, Doutora e Pós-Doutora em Linguística Aplicada pela UNICAMP. No cruzamento entre os estudos do discurso, da psicanálise e da desconstrução, tem pesquisado a problemática da leitura, da escrit(ur)a e da subjetividade nos/dos discursos universitário-científico e midiático.


Comunicação 26

PROFESSORES-ALFABETIZADORES E SUAS RELAÇÕES COM A LEITURA E A ESCRITA: memórias e desdobramentos para a prática pedagógica escolar 

Autora:

Filomena Elaine P. Assolini – USP de Ribeirão Preto – elainefdoc@ffclrp.usp.br

 

Resumo:

Apresentamos resultados parciais de pesquisa que investiga as relações de professores alfabetizadores com a leitura e a escrita, bem como as ressonâncias e implicações decorrentes dessas relações para os seus fazeres profissionais, em salas de aulas dos anos iniciais de Ensino Fundamental. Partimos do pressuposto segundo o qual a memória discursiva não se apaga, mas continua a reverberar, (re) produzindo sentidos. Para sustentar o presente estudo, tecemos um aparato teórico formado pelas contribuições dos seguintes estudiosos: Pêcheux, Foucault, Lacan, Derrida e Coracini. O corpus foi constituído por depoimentos orais que nos foram concedidos por vinte professores, em unidades escolares onde ministravam aulas nos anos de 2014 e 2015. Nossa pesquisa, portanto, é de caráter qualitativo, baseada na estrutura narrativa do dizer e no falar de si, constitutivos da noção de identidade enquanto ficção, produção e efeito de linguagem. As análises realizadas assinalam que: a) relações negativas com a leitura e a escrita, quando não ressignificadas, influenciam negativamente o professor em sua prática pedagógica escolar, no sentido de que permanece preso à reprodução de sentidos, vinculados em programas e materiais didáticos oficiais; b) relações negativas com a leitura e a escrita, quando ressignificadas, contribuem para que o professor considere o interdiscurso dos estudantes em seu trabalho pedagógico na sala de aula, o que lhe permite desenvolver propostas e práticas que fazem sentido para o estudante; c) professores que, de alguma forma, relacionaram-se amorosa prazerosamente com a leitura e a escrita conseguem escutar e valorizar as interpretações dos estudantes, permitindo-lhes produzir sentidos, a cada gesto de leitura. Nessas condições de produção, conseguem “alfabetizar-letrando”, o que contribui significativamente para a formação de leitores capazes de desconfiar do funcionamento ideológico da linguagem, de forma ampla, considerando que a leitura e a escrita podem dizer algo diferente do que aparentemente dizem.

Palavras-chave: Memória; leitura; escrita; interpretação; ensino.

 

Minibiografia:

Pós-doutoranda do Instituto de Estudos da Linguagem, IEL-UNICAMP, sob a coordenação da Profª. Titular Maria José Fernandes Coracini. Graduada em Pedagogia, Letras e Linguística. Mestrado e doutorado na área de Psicologia pela FFCLRP-USP, onde ministra aulas em cursos de licenciatura e na pós-graduação, área de Educação. Orienta, atualmente, cinco dissertações de mestrado e uma de doutorado. Coordena o Grupo de Estudos e Pesquisas sobre Alfabetização, Leitura e Letramento, GEPALLE.


Comunicação 27

A profissão docente em palco: um olhar sobre as identidades dos professores de uma escola pública

 

Autoras:

Maria Dolores Martins de Araújo – UFG – maria.dolores.1@hotmail.com

Lucielena Mendonça de Lima – UFG – lucielenalima@gmail.com

 

Resumo:

A presente proposta de trabalho busca analisar as representações de professores de uma escola pública circunscritas em suas práticas discursivas com vistas a entender como essas representações constituem suas identidades profissionais. Para tanto, tem-se como fundamentação teórica estudos voltados à linguagem, ao discurso e à identidade numa visão pós-estruturalista, pois parte-se da premissa de que a linguagem é a principal mediadora na constituição identitária dos sujeitos, uma vez que é principalmente por meio do uso da linguagem que as pessoas constroem e projetam suas identidades (RAJAGOPALAN, 1998; CORACINI, 2000; 2013; ECKERT-HOFF, 2008). Desse modo, toma-se o construto identidade na perspectiva contemporânea dos Estudos Culturais apresentados por Hall (2009; 2011), Silva (1999; 2001; 2009) e Woodward (2009), visto que, nessa acepção, a identidade está ligada aos sistemas de representação, às estruturas discursivas, apresentando conexões com as relações de poder (FOUCAULT, 1995; 2003; 2004; SILVA, 1999). A pesquisa segue a abordagem qualitativa interpretativista tendo como método o estudo de caso (ESTEBAN, 2010). A investigação envolve professores de uma escola da rede pública estadual de ensino médio de uma cidade do interior de Goiás. No processo de geração de dados estão sendo utilizados os seguintes instrumentos: narrativa escrita e entrevistas individuais. A pesquisa ainda está em andamento, portanto, não há, até então, resultados/considerações finais. Entretanto, é válido ressaltar que espera-se possibilitar condições para a reflexão sobre a profissão de professor da escola pública, no contexto goiano e brasileiro, na atual conjuntura social/política, abrindo espaço para que esses profissionais se (auto)representem, e assim, evidenciar a complexidade que envolve o processo de constituição das identidades desses profissionais.

Palavras-chave: Representações; identidade profissional; professores; escola pública.

 

Minibiografias:

Maria Dolores Martins de Araújo: Aluna do Programa de Pós-graduação em Letras e Linguística, da Universidade Federal de Goiás (UFG). Graduada em Licenciatura Plena em Letras (Português/Inglês) pela Universidade Estadual de Goiás (2012/2015). Foi bolsista do subprojeto PIBID Letras (Português) da Universidade Estadual de Goiás, Câmpus Itapuranga (2014-2015).

Lucielena Mendonça de Lima: Professora Titular da área de espanhol da Faculdade de Letras da Universidade Federal de Goiás. Pós-doutora pela Universidade de Brasília em Linguística Aplicada sobre o ensino de Português como Língua Estrangeira (2013). Doutora em Filologia Hispânica pela Universidad de Oviedo (Espanha, 1998), título revalidado pela Universidade Federal de Santa Catarina. Docente do Programa de Pós-graduação em Letras e Linguística da Universidade Federal de Goiás.


Comunicação 28

As representações do ser-professor de língua materna: regimes de verdade, práticas de subjetivação e a identidade em formação

Autora:

Érica Danielle Silva – UNESPAR – Campus de Apucarana – erica_dsilv@yahoo.com.br

 

Resumo:

Sob a ótica reflexivo-crítica, a formação do professor implica desenvolver a capacidade de investigar sua própria prática e, consequentemente, o processo contínuo de construção de sua identidade. Fundamentando-nos nos pressupostos foucaultianos, localizamos a construção dessa identidade num universo simbólico, uma construção historicamente realizada por práticas discursivas. Assim, na intersecção da Análise do Discurso franco-brasileira com a Linguística Aplicada, nosso objetivo, neste trabalho, é apresentar os modos de (se) significar de professores de língua portuguesa em formação, a partir das relações imaginárias e da multiplicidade de vozes que o constituem, que materializam regimes de verdade e processos de subjetivação do professor, na contemporaneidade. Problematizamos a dispersão de sentidos sobre “ser-professor” construída na tensão entre o que é dito e o que é silenciado pelo sujeito-professor em formação sobre si mesmo, sobre suas experiências e sobre sua (futura) profissão, promovidos e sustentados pelo discurso pedagógico. Essa investigação faz parte de uma prática acadêmica na disciplina de Metodologia do Ensino de Língua Portuguesa I, desenvolvida com alunos do 3º ano do curso de Letras Português, em uma universidade estadual do estado do Paraná. Por ser uma disciplina específica sobre a prática didático-pedagógica, percebeu-se a necessidade de promover uma reflexão sobre ser-professor e, para isso, os alunos elaboraram uma autobiografia e responderam a alguns questionários, denominados “diários”, no início e no final do ano letivo. Além disso, os alunos participaram de sessões reflexivas, cujas discussões demonstraram alguns deslocamentos discursivos sobre ser-professor. Esperamos que a pesquisa, ainda de caráter inicial, possa, além de sistematizar procedimentos que colaborem com o processo reflexivo-crítico do professor em formação, apontar as tensões discursivas que constituem a formação da identidade profissional desse sujeito.

Palavras-chave: Identidade; Professor em formação; Ser-professor; Regimes de Verdade; Práticas de subjetivação.

 

Minibiografia:

Professora na UNESPAR, Campus de Apucarana e pesquisadora do Grupo de Estudos do Discurso da UEM (GEDUEM-CNPq/UEM). Doutora em Letras pela Universidade Estadual de Maringá (UEM), na linha do texto e do discurso. Desenvolve pesquisas no campo teórico da Análise de Discurso de linha foucaultiana, buscando contribuições dessa perspectiva para a compreensão dos processos de subjetivação, de representação e de constituição identitária do sujeito e da leitura de diferentes linguagens.


Comunicação 29

Autobiografias de professores: na busca de rastros de si

Autora:

Márcia Aparecida Amador Mascia – Universidade São Francisco – marciaaam@uol.com.br

 

Resumo:

O presente trabalho insere-se em um projeto mais amplo, OBEDUC (Observatório da Educação), desenvolvido numa parceria do Programa de Pós-Graduação em Educação no qual atuamos, com uma escola pública municipal de uma cidade do interior paulista. O projeto se desdobrou em sub-projetos, sendo o tema de um deles analisar as  identidades que atravessam o discurso do professor. Tomando como corpus autobiografias de participantes do projeto, neste caso, de dois professores, um que atuava como professor e diretor de escola de educação básica e uma que atuava como professora de Literatura Brasileira e, também, como mestranda em Educação, este trabalho tem como proposta empreender uma análise discursiva, a partir dos pressupostos da Análise do Discurso de linha francesa, na convergência de alguns pontos da psicanálise, mobilizando as noções de discurso, sujeito, memória e identidade. Para empreender a análise, tomamos a metáfora da “caixa de Pandora”, entendendo a identidade do professor como que um mistério a ser decifrado, a partir dos fios discursivos oriundos das autobiografias analisadas. As conclusões nos levam a inferir as imagens identitárias dos professores analisadas como constitutivamente heterogêneas, sendo que múltiplas vozes as atravessam: vozes do passado, do presente, vozes da mídia, do senso comum, vozes dos pais e que tecem a memória do passado, como rastros de si em suas autobiografias.

Palavras-chave: Identidade; Memória; Análise do Discurso; Professor; Autobiografia.

 

Minibiografia:

Licenciada em Letras e Mestre em Linguística e Língua Portuguesa, pela UNESP, doutora em Linguística Aplicada pela UNICAMP e Pós-doutora em Educação pela Universidade de Wisconsin-Madison, EUA, no departamento de “Curriculum and Instruction”. Atua como líder do Grupo de Pesquisa “Estudos Foucaultianos e Educação” (GPEFE), certificado pelo CNPq. Atualmente, é professora do Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Educação da Universidade São Francisco, estado de São Paulo, Brasil.


Comunicação 30

“AINDA TENHO UMA VISÃO ROMÂNTICA DO SER PROFESSOR”: UM ESTUDO SOBRE O MOVIMENTO DAS REPRESENTAÇÕES DOCENTES

 

Autora:

Maria Alzira LEITE  – UNINCOR – mariaalzira35@gmail.com

 

Resumo:

As reflexões que aqui apresento vêm sendo tecidas no escopo das pesquisas desenvolvidas na psicologia social – consideradas as possibilidades de articulá-las às abordagens psicanalíticas e discursivas – numa tentativa de compreender fatores que concorrem para o movimento de imagens do professor apresentadas/construídas nos seus dizeres. Destaco, assim, que o objeto desta pesquisa é o dizer, imbricado nos discursos que atravessam o profissional do ensino.  Posto isso, a direção que proponho para este estudo visa, principalmente, a um trabalho de caráter linguístico-textual e discursivo, pautado em categorias dos modos de enunciar, para o exame do delinear das representações sobre o professor, o que, segundo o ponto de vista aqui assumido, pode afetar a forma de esse sujeito conceber a si mesmo e a sua relação com o mundo. Para alcançar esse objetivo, pauto-me em concepções e reflexões de (Foucault, 1975), (Authier-Revuz, 1999), (LACAN, 1998; 2009), (CORACINI, 2010),  e, ainda, um diálogo com as contribuições dos estudos da psicologia social, com base em (Jodelet, 2001), (Marková, 2006). De natureza explicativa e interpretativa, abordagem qualitativa e de base etnográfica, este estudo nos fez perceber como os discursos podem revelar representações, pautadas nas ações coletivas e individuais, constitutivas do processo de construção da figura do profissional do ensino. Os exemplos discutidos revelam que os modos de enunciar podem projetar imagens e sentidos ancorados numa memória, e estes se refletem em modelos elaborados e partilhados de professores, hoje, (re)significando os papéis, os posicionamentos e as representações com relação ao ser e ao fazer docente.

Palavras-chave: Representação; Discurso; Identidade; Professor; Memória.

 

Minibiografia:

Docente no Programa de Pós-Graduação na UNINCOR. Líder do Grupo de Pesquisa LOGOS – Estudos de Língua, Linguagem e Ensino. Pós-doutoranda no Instituto de Estudos da  Linguagem – UNICAMP, sob a supervisão da profa. Dra. Maria José Coracini. Autora de diversas produções, dentre elas: “Das práticas discursivas às reconstruções de imagens docentes: as representações sobre o trabalho do professor de português”; Fragmentos discursivos de consciência num jogo de poder” e “A gramática tradicional nas malhas do discurso e do ensino”.


Comunicação 31

ESCRITA DE MIM, ESCRITA DO OUTRO: O OUTRO EM MIM

 

Autora:

Letícia Cristina Alcântara Rodrigues – UFG – letycrys@gmail.com

 

Resumo:

Quando Serge Doubrovski empregou o termo autoficção em um exercício em resposta a Philippe Lejeune, estabeleceu que a autoficção refere-se ao fato do contar de si mesmo, memória ou não, ser ficcionalizante. Nesse sentido, o romance Nove noites, de Bernardo Carvalho não é apenas um contar sobre a tragédia do antropólogo americano Buell Quain, que suicidou-se em Mato Grosso em 1939, nem um rememorar do jornalista em busca de solucionar os mistérios do evento, 62 anos após, mas também uma ficionalização do próprio escritor. Esse processo, entretanto, não é tão contemporâneo quanto podemos imaginar. Já podemos encontrar princípios desse exercício de rememorar para criar, e de recriar na ficcionalidade para tornar-se presente, na obra monumental de Dante Alighieri, Il sommo poeta. Dante, escritor, rememorando sua viagem aos três mundos do além, criou Dante, personagem e poeta, síntese do homem medieval, mas também precursor do homem moderno. Desta forma, pretende-se no presente trabalho compreender como a autoficção, vista no romance Nove noites, possui resquícios daquela do poeta italiano. Para essa análise, utilizar-se-á os apontamentos teóricos de Diana Klinger, no tocante à autoficção, Hans Ulrich Gumbrecht, para uma compreensão do movimento na contemporaneidade, bem como outros teóricos, além dos apontamentos relativos ao estudo da hermenêutica, na busca do entendimento simbólico da figura do autor e autoral.

Palavras-chave: Autoficção; Bernardo Carvalho; Dante Alighieri.

 

Minibiografia:

Mestre em Letras e Linguística, área de concentração em estudos literários, pela Universidade Federal de Goiás, estudando o mito do vampirismo e sua correlação com as ansiedades do homem moderno. Doutoranda em Letras e Linguística, estudando Dante Alighieri e sua relação com o espaço medieval, bem como a transição que apontará para o homem moderno. 


Comunicação 32

Escritas de si e identidade: sujeito e memória da/na língua

 

Autora:

Beatriz Maria ECKERT-HOFF – Universidade do Distrito Federal – biaeckert@gmail.com

 

Resumo:

Esta comunicação objetiva mostrar a imbricação das línguas na constituição da identidade, por meio da análise de escritas de si de sujeitos-professores entre-línguas, entre-culturas, descendentes de imigrantes alemães, portanto falantes da língua alemã e da língua portuguesa, da região sul do Brasil. Com base nos pressupostos teórico-metodológicos da Análise do Discurso de linha Francesa (Pêcheux, Foucault, Robin) em aliança com alguns fio da Desconstrução (Derrida), o estudo nos mostra que há sempre um processo de fuga ou de captura na relação do sujeito com a(s) língua(s), e esse processo deixa rastros de andanças do sujeito, que vão formando, continuamente, sua identidade, seja por adição, seja por subtração, seja por enxerto, mas sempre pela relação com o Outro. A pesquisa nos instiga a direcionar o olhar para os contextos de imigração, no sentido de promover formas de inclusão no/pelo simbólico que suponham o não silenciamento nas e das línguas, o não apagamento do sujeito.

Palavras-chave: Sujeito; memória, identidade, escritas de si.

 

Minibiografia:

Doutora em Linguística Aplicada pela UNICAMP, com estágio sanduíche na ESES de Portugal. Mestre em Letras na UFSM. Pós-Doutora pela USP e pela Christian-Albrechts-Universität zu Kiel, Alemanha. Professora no Programa Stricto Sensu, Mestrado em Linguística na UNICSUL/SP e Reitora da UDF/Brasília.


Comunicação 33

O LABIRINTICO TRILAHMENTO DA IDENTIDADE DO SUJEITO NA NARRATIVA DE ALINA PAIM

 

Autoras:

Ana Maria Leal Cardoso – Universidade Federal de Sergipe – analealca@yahoo.com.br

Maria Goretti Ribeiro – Universidade Estadual da Paraíba – psiqueribeiro@gmail.com

 

Resumo:

A escrita de si, objeto de estudo de diversos campos das ciências, se faz presente na humanidade, desde períodos remotos, como uma forma de trazer à memória acontecimentos que ligam o sujeito ao momento atual, de forma a torna-los objetos do presente. A mitologia grega destaca a deusa Mnemosine cuja característica maior era lembrar aos homens os grandes feitos. De posse do passado, pelo viés da memória, os heróis eram vistos como poderosos por deterem o poder de manter vivas as lembranças e trazê-las ao presente por meio da escrita, eis, então, a função do poeta/escritor. O objetivo deste trabalho é mostrar, na produção literária da escritora brasileira Alina Paim, professora, intelectual, comunista, que a vida das suas personagens se confunde com a sua própria vida marcada por conflitos familiares, políticos e sociais. Suas personagens femininas lutam, incansavelmente, por uma sociedade mais justa e inclusiva. Para tal, usaremos alguns mitos clássicos a fim de ilustrar nossa proposta, bem como Foucault com suas referências ao treinamento de si por meio da escrita e a sua função etopoiética, além de outros teóricos que tratam das questões da identidade dos sujeitos na modernidade.

Palavras-chave: Alina Paim; Identidade; narrativa; personagem; memória.

 

Minibiografias:

Ana Maria Leal Cardoso é doutora em Literatura Brasileira pela UFAL, professora da graduação e da Pós-Graduação em Letras da Universidade Federal de Sergipe. É autora, juntamente com Carlos Magno Gomes: Do imaginário à literatura. Organizou, juntamente com Carlos Magno Gomes e Josalba dos Santos: Sombras do mal na literatura (2011), Registros literários – memórias e crimes (2014). Organizou com Carlos Magno Gomes Mito, gênero e ancestralidade (2014). É líder do grupo de pesquisa registrado no CNPq: GELIC- Grupo de literatura e cultura.

Maria Goretti Ribeiro é doutora em Literatura Brasileira e professora da Universidade Estadual da Paraíba-UEPB. Atua no Programa de Pós-Graduação em Literatura e Interculturalidade – Mestrado e Doutorado. É autora de O mito do ciborgue e outras representações do imaginário (2004) e de A via crucis da alma: leitura mitopsicológica da trajetória da heroína de As parceiras de Lya Luft (2006).


Comunicação 34

Verso e prosa de um gauche – a escrita de Drummond como lugar de identidade e memória

 

Autora:

Leíza Maria Rosa – Jornalista – leiza.rosa@hotmail.com

 

Resumo:

Este trabalho tem como objetivo estudar a escrita de si e encontrar a voz identitária na prosa e nos versos de Drummond. Para tal, a intenção é utilizar como corpus literário um pequeno grupo de crônicas publicadas no livro Confissões de Minas, e um pequeno grupo de poemas publicados em Boitempo, ambos livros considerados memorialísticos de Drummond. Para isso se faz necessário dialogar com teóricos da literatura como Candido, para quem, Drummond falou expressivamente sobre a solidão, tanto em sua prosa, quanto em sua poesia, uma solidão que leva Drummond, enquanto protagonista dos próprios escritos, a pensar os próprios problemas e os dos outros, sempre tomando estes últimos para si, escrevendo sobre todos. Nessas obras é possível encontrar o menino Carlito em Itabira, bem como o adolescente Carlos em Belo Horizonte e o adulto Carlos no Rio de Janeiro, em todas as fases da vida, um Carlos perdido, gauche, tentando se encontrar, buscando uma identidade. Confissões de Minas, primeiro livro de prosa de Drummond, originalmente publicado em 1944, traz as percepções de um poeta, em forma de prosa, sobre presente (que tornou-se passado) e passado. Publicado em 1968, Boitempo é apresentado como verdadeiramente um livro de memórias de Drummond. Ali está a percepção adulta de um agora poeta, sobre a própria infância em uma cidade pacata no interior das Minas Gerais. Para embasar este trabalho é necessário ainda dialogar com teóricos que estudam a memória, como Halbwachs e Benjamin e teóricos que estudam a questão da identidade como Ciampa, Hall. É nossa intenção ainda, demonstrar que a maestria de Drummond para compor uma obra memorialista e identitária perpassa sem problemas tanto pela sua prosa, quanto pelos seus versos, pois ambas as escritas do autor, são poéticas.

Palavras-chave: Drummond; crônica; poema; identidade, memória.

 

Minibiografia:

Jornalista pelo Centro Universitário do Triângulo – Uberlândia-MG; licenciada em Letras-Português pela Universidade Federal de Goiás, Regional Catalão; Mestra em Estudos da Linguagem pela Universidade Federal de Goiás, Regional Catalão; professora de língua portuguesa.


Comunicação 35

Cartas de Godofredo Rangel a Monteiro Lobato: (Re)descobrindo o escritor e sua obra

Autora:

Camila Russo de Almeida Spagnoli – Universidade de São Paulo – camilarusso@usp.br

 

Resumo:

O gênero epistolar tem despertado o interesse tanto editorial como de estudiosos, de diferentes campos do conhecimento, que encontram no espaço das missivas confidências, testemunhos autobiográficos, bastidores da vida de um determinado período, vestígios da criação artística, possibilidades diversas que permitem ver a carta como objeto e/ou fonte de pesquisa.  O escritor mineiro Godofredo Rangel (1884-1951) ficou conhecido como interlocutor de Monteiro Lobato (1882-1948), amizade epistolar que se estende por mais de quarenta anos e está registrada em A barca de Gleyre, livro que Lobato organiza e publica pela Companhia Editora Nacional em 1944. A obra congrega, contudo, somente a correspondência ativa endereçada a Godofredo Rangel. Diferentes respostas são encontradas em torno da não publicação do outro lado d’A barca. Entretanto, dezessete cartas de Rangel foram publicadas (1984) no Suplemento Literário de Minas Gerais. A presente comunicação, desdobramento da pesquisa de doutorado, ainda em andamento, levanta algumas das relações e dos possíveis diálogos entre as cartas de Lobato e as até então inéditas de Rangel, recuperando trechos que lidem com a própria publicação dessa correspondência e também com os bastidores da publicação do livro de Rangel Vida Ociosa (1920). Algumas indagações surgem quando se menciona o nome de Godofredo Rangel: Quem foi mesmo este escritor? Qual a sua produção literária? Embora tenha ocupado cadeira na Academia Mineira de Letras, poucas pesquisas detiveram-se em estudar a obra rangelina, conforme já alertava o biógrafo Enéas Athanázio, em 1977. Em face da exígua fortuna crítica, investigar a produção literária de Godofredo Rangel é aventurar-se por um caminho pouco trilhado, com seus riscos e desafios. Tendo em vista esses objetivos, a pesquisa é norteada pela Teoria Literária, valendo-se também da Epistolografia, Crítica Genética e Análise do Discurso.

Palavras-chave: Godofredo Rangel; Monteiro Lobato; Suplemento Literário; Correspondência; Escrita de si.

 

Minibiografias:

Doutoranda em Literatura Brasileira, na FFLCH-USP, orientada pelo Prof. Dr. Marcos Antonio de Moraes, desenvolve pesquisa que explora a produção literária do escritor brasileiro Godofredo Rangel na Revista do Brasil. Mestre em Filosofia (2014), pelo Instituto de Estudos Brasileiros-USP. Possui Licenciatura em Letras, Português e Inglês (2009), pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. Professora de Língua Portuguesa no Ensino Fundamental (2009-2016), na Prefeitura Municipal de São Paulo.


Comunicação 36

Maria Pureza: a mulher ao lado do escritor Monteiro Lobato

Autora:

Raquel Endalécio Martins – Universidade Presbiteriana Mackenzie – raquelnunes.endalecio@gmail.com

 

Resumo:

As pesquisas sobre mulheres de escritores e sua contribuição no processo de criação literária de seus maridos têm ganhado cada vez mais espaço nos estudos acadêmicos e literários. Nesse sentido, apresentaremos Maria Pureza Natividade (1885-1959), esposa do escritor brasileiro José Bento Monteiro Lobato (1882-1948).  A mulher que acompanhou sua formação como escritor e a consolidação de sua obra, porém, pouco se sabe sobre ela. Maria Pureza foi mulher letrada, professora e mãe dos quatro filhos de Lobato: Martha, (1909-1996); Edgard, (1910-1943); Guilherme, (1912-1938) e Ruth, (1916-1972). Além disso, foi responsável pela organização do arquivo pessoal do escritor, depositado na Biblioteca Infantil Monteiro Lobato em São Paulo, e pela confecção de quatro álbuns de recortes com artigos e textos publicados por Lobato em jornais. Ela teve também um papel fundamental ao preservar as cartas e documentos dele como: fotos, cartões-postais e manuscritos, tendo o cuidado de guardá-los em papel de seda costurado à máquina, tais documentos encontram-se depositados no Centro de Documentação Cultural “Alexandre Eulálio” (CEDAE) localizado no Instituto de Estudos da Linguagem na Unicamp no estado de São Paulo. Encontramos também alguns livros que pertenceram a ela e um poema que escreveu a uma amiga da escola em um caderno de recordações.  Nessa comunicação apresentaremos um pouco da biografia e da figura dessa mulher, que construímos a partir de suas fotografias, das cartas de Monteiro Lobato, destinadas a ela e a terceiros falando sobre Maria Pureza e outros documentos deixados por sua família, com a finalidade de analisar o papel dessa mulher na sociedade brasileira no século XX.

Palavras-chave: Maria Pureza; Monteiro Lobato; Biografia; Mulheres de Escritores; Identidade.

 

Minibiografia:

Doutoranda em Letras pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, bolsista pela Capes e orientada da Profa. Dra. Marisa Lajolo. Mestre em Filosofia pelo Instituto de Estudos Brasileiros – USP, bolsista pela Fapesp, orientada pelo Prof. Dr. Marcos Antonio de Moraes. Professora de Língua Portuguesa no Ensino Fundamental (Prefeitura Municipal de São Paulo) e Superior (Fappes) e editora de material didático e paradidático (Mackenzie).


Comunicação 37

Que vozes escutamos na poética de Ana C. Cesar?

 

Autora:

Vivian Steinberg – UNICID – UNICSUL / SP – viviansteinberg@terra.com.br

 

Resumo:

Paul Valéry inscreveu a sedução da serpente perante Eva no verso: “Eu me escuto”, como se produzisse uma espécie de ponto surdo na voz onipresente de Deus que permitisse a Eva a ouvir sua própria voz. A partir dessa consideração e levando em conta a proposta de Henri Meschonnic, denominada de crítica do ritmo. Uma proposta de leitura e de crítica que leva em consideração o ritmo, – esse que escande e ao mesmo tempo revela a oralidade ou a voz do texto. Abordaremos a poética de Ana Cristina Cesar, nos perguntando quais questões políticas de diversas ordens são instauradas pelas vozes nessa poética. Política entendida como relação entre identidade e alteridade, já que só existe identidade quando há  alteridade. Levaremos em consideração os estudos de Viveiros de Castro em relação ao perspectivismo ameríndio assim como o conceito de antropofagia desenvolvido por Oswald de Andrade.

Palavras-chave: Ana Cristina César; ritmo; voz; Meschonnic; Paul Valéry.

 

Minibiografias:

Doutora e Mestre em Literatura Portuguesa pela USP, com estágio sanduíche em Portugal, Universidade de Lisboa, estudou as poéticas de Sophia de Melo Breyner Andresen e, no doutorado, Fiama Hasse Pais Brandão, escritora de Literatura estrangeira em língua portuguesa. Pesquisa a poética de Ana Cristina César.


Comunicação 38

Monteiro Lobato leitor e (re)criador

Autoras:

Camila Russo de Almeida Spagnoli – Universidade de São Paulo – camilarusso@usp.br

Raquel Endalécio Martins – Universidade Presbiteriana Mackenzie – raquelnunes.endalecio@gmail.com

 

Resumo:

O processo de criação vem ganhando cada vez mais espaço nos estudos literários. Conhecer vestígios de como o autor compôs sua obra não apenas desmistifica o ato de escrever, mas também deixa marcas de suas fontes, leituras e preferências. Nessa perspectiva, buscamos rastrear algumas das leituras de Monteiro Lobato (1882-1948) e discutir de que maneira dialogam com a produção literária do escritor. Como leitor de clássicos e obras que eram conhecidas e lidas em sua época, Lobato nos deixa pistas, em sua correspondência mantida por ele com seu amigo e também escritor Godofredo Rangel (1884-1951), reunida em A barca de Gleyre (1944), de que foi um homem que viajou pelo universo das letras. Principalmente, durante a juventude, testemunha-se nas cartas as memórias de um Lobato em formação, ensaiando-se como escritor e, concomitantemente, como um leitor voraz. Leitor e escritor também se mesclam nos textos lobatianos como, por exemplo, em História do mundo para as crianças (1933), obra na qual Dona Benta lê, à sua moda, A Child’s History of the World (1924), de Virgil Mores Hillyer, discutindo com os picapauzinhos questões da história do mundo. Encontra-se na biblioteca que pertenceu ao escritor – depositada parcialmente na Biblioteca Infantil Monteiro Lobato, em São Paulo – o exemplar de A Child’s History of the World com anotações e recortes feitos pelo taubateano e, a partir dele, discutiremos nessa comunicação, aspectos relacionados a como Lobato se apropria de elementos de sua leitura e os adapta dando origem a uma nova obra.

Palavras-chave: Monteiro Lobato; Biblioteca de Escritores; Literatura Infantil; Correspondência; Escrita de si.

 

Minibiografias:

Camila Russo de Almeida Spagnoli: Doutoranda em Literatura Brasileira, na FFLCH-USP, orientada pelo Prof. Dr. Marcos Antonio de Moraes, desenvolve pesquisa que explora a produção literária do escritor brasileiro Godofredo Rangel na Revista do Brasil. Mestre em Filosofia (2014), pelo Instituto de Estudos Brasileiros-USP. Possui Licenciatura em Letras, pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. Professora de Língua Portuguesa no Ensino Fundamental (2009-2016), na Prefeitura Municipal de São Paulo.

Raquel Endalécio Martins: Doutoranda em Letras pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, bolsista pela Capes e orientada da Profa. Dra. Marisa Lajolo. Mestre em Filosofia pelo Instituto de Estudos Brasileiros – USP, bolsista pela Fapesp, orientada pelo Prof. Dr. Marcos Antonio de Moraes. Professora de Língua Portuguesa no Ensino Fundamental (Prefeitura Municipal de São Paulo) e Superior (Fappes) e editora de material didático e paradidático (Mackenzie).


Comunicação 39

Valêncio Xavier e a escrita de si

Autora:

Maria Salete Borba –  Universidade Estadual do Centro-Oeste do Paraná –  nena.borba@gmail.com

 

Resumo:

Propõem-se para a presente comunicação apresentar uma leitura da “escrita de si” a partir Minha mãe morrendo e o menino mentido (2001) do escritor brasileiro Valêncio Xavier (1933-2008). Sublinha-se que, além do caráter autobiográfico, o a escrita de si vem à tona e reivindica a memória como pressuposto para a compreensão/apreensão de sua estética que, nesse livro, desdobra-se em biografia e mesmo autobiografia. Em Valêncio Xavier a biografia/autobiografia está aliada visivelmente a um arquivo pessoal que nos é apresentado como uma sorte de álbum de família ou um álbum de recortes. Leremos Valêncio Xavier tal como Ricardo Piglia, que no livro Formas breves (2004) afirma que os textos de sua coletânea “podem ser lidos como páginas perdidas no diário de um escritor e também como os primeiros ensaios e tentativas de uma autobiografia futura”. (PIGLIA, 2004). Nos últimos anos a crítica vem rearmando leituras que mostram outras possibilidades de configuração da história, partindo de um estudo pautado no anacronismo. Se nos voltarmos para as investigações teóricas observaremos que desde a década de 1960 vários escritores, artistas e teóricos veem trabalhando com questões voltadas para a biografia/ autobiografia. Para fundamentar esta comunicação serão usadas as reflexões realizadas por Sylvia Molloy (2004) no livro Vale o escrito- a escrita autobiográfica na américa hispânica.

Palavras-chave: Valêncio Xavier; Biografia; autobiografia; Literatura Brasileira Contemporânea.

 

Minibiografia:

Professora adjunta de Literatura Brasileira e da Pós-graduação em Letras da Universidade Estadual do Centro-Oeste do Paraná – (UNICENTRO).


Comunicação 40

PODER E RESISTÊNCIA: O SUJEITO EM “LADRÃO DE MARABAIXO”

Autor:

Ednaldo Tartaglia Santos – Universidade Federal do Amapá (UNIFAP) e Universidade Estadual de Maringá (UEM) – ednaldo.tartaglia@gmail.com

 

Resumo:

O Ciclo do Marabaixo é o maior evento folclórico do Estado do Amapá (Brasil) e dá-se pela união entre dança, fé, bebidas, folias, ladainhas, missas, fogos, cortejos, dramatizações e promessas. Grupos minoritários remanescentes de escravos e de refugiados negros do Amapá cultuam o Ciclo que acontece nas cidades de Mazagão e Santana, bem como na Capital do Estado, Macapá. Na Capital, o Ciclo do Marabaixo consiste em um período de festas destinado ao culto do Divino Espírito Santo e da Santíssima Trindade, elementos do catolicismo (Romano) que se fundem com elementos religiosos de matrizes africanas. Em Macapá, os sujeitos envolvidos nos festejos do Marabaixo passaram, historicamente, por um processo de remoção, isto é, foram remanejados da área central da Capital para bairros periféricos, motivados por uma política de “progresso e desenvolvimento urbano” por parte do governo estadual em meados do século XX. Esse deslocamento populacional dividiu o Ciclo em dois grupos, bem como emergiu discursos de resistência no interior das festividades do Marabaixo, como exemplo, nos “ladrões de marabaixo” (cantigas de cunho religioso e/ou satírico que compõe o Ciclo). Desse modo, este trabalho objetiva estudar as manifestações discursivas de resistência e de identificação dos sujeitos inscritos no Ciclo e elege o “ladrão de marabaixo” como materialidade discursiva. Para tanto, esta pesquisa foi sustentada nos pressupostos teórico e metodológico de Michel Foucault, mobilizando os estudos sobre poder, resistência e a escrita de si. Procurou-se evidenciar que o processo de remoção da população macapaense foi um exercício de poder (biopolítica) pelo governador do Estado. Entretanto, esse deslocamento espacial fez emergir discursos de resistência (micropoderes) e de submissão que atravessa(ra)m os cantos religiosos do Ciclo do Marabaixo macapaense. Assim, os sujeitos se representam, resistem e tentam construir uma identificação.

Palavras-chave: Poder; Resistência; Identificação; Ladrão de marabaixo.

 

Minibiografia:

Professor de Estudos da Linguagem na Universidade Federal do Amapá, Campus Santana – UNIFAP (Brasil). Doutorando no Programa de Pós-Graduação em Letras da Universidade Estadual de Maringá – PLE/UEM. Mestre em Letras pelo Programa de Pós-Graduação em Letras da Universidade Federal de Rondônia, Campus de Porto Velho – ML/UNIR. Integrante do Grupo de Estudos Foucaultianos – GEF/UEM.


Comunicação 41

A escrita de si – Carolina Maria de Jesus – do quarto de despejo à sala de visitas

 

Autora:

Rilza Rodrigues Toledo – Fundação Presidente Antônio Carlos – rilzatoledo@yahoo.com.br

 

Resumo:

Este trabalho tem como objetivo fazer uma reflexão sobre o discurso narrado em um diário que assinala a visão de dentro em “Quarto de despejo’. Uma escrita na perspectiva de Carolina Maria de Jesus, moradora da favela do Canindé de São Paulo, uma catadora de papel e de outras sucatas. Trata-se de um diário que relata e denuncia a violência, a miséria e a fome. Carolina escreveu a (sua) história da favela durante suas andanças em busca de sustento para seus três filhos. O livro é atemporal e conserva a escrita de Carolina, sua sintaxe, seu discurso. Um diário íntimo de quem morou em uma das favelas assoladas pela miséria e violência na década de 1950, tem como característica central a escrita do ‘eu’. Essa escrita marca uma identidade, o que remete o leitor a pensar em quem escreve e/ou quem é a pessoa que fala de si.  A identidade da narradora é de uma mulher, negra, mãe – Carolina – que cria seus filhos sozinha – escritora, pobre e favelada. Autobiografia “real”. Uma espécie de literatura-verdade, que relata a cruel e triste vida na favela. Sua linguagem é ao mesmo tempo simples e rebuscada: simples pela forma que escreveu algumas palavras, aproximando-se da linguagem oral (como “iducada”) e rebuscada pelas palavras altamente cultas que utiliza (como “funestas”).  Seu diário comove leitores devido à sensibilidade como conta os acontecimentos durante os anos que morou em Canindé. Percebe-se que tudo que é narrado foi visto, sentido e vivenciado por Carolina e se passava cerca de três a dez dias sem escrever era porque estava doente e se sentia fraca. A fome permeia todo o diário. O diário mostra a escritora contando dinheiro quase todos os dias no intuído de comprar alimentos, declarando “a tontura da faz tremer (…) é horrível ter só ar dentro do estômago” (JESUS, 2007, p. 45). Sentia medo da fome, da enfermidade e da morte. Em sua narrativa, Carolina dá um tom de sensibilidade ética no que diz respeito à política. Falava das condições de vida das pessoas pobres, falava da miséria, da fome, da falta de educação e instrução, da divisão de classes, exclusão social e ideologia da época. Carolina comparava a cidade a uma espécie de sala de visitas e favela, por sua vez, era o quarto de despejo.

Palavras- chave: Carolina Maria de Jesus; Quarto de despejo; Diário Íntimo; Favela; Fome.

 

Minibiografia:

Mestre em Letras pelo CES/JF – Centro de Ensino Superior de Juiz de Fora. Professora de Língua Portuguesa da FUPAC VRB/UBÁ – Fundação Presidente Antônio Carlos – Visconde do Rio Branco e Ubá, MG.


Comunicação 42

Estar em cena como experimentação poética de si

Autora:

Celeia Machado – Colégio de Aplicação/UFRJ. UFRJ – celeiamachado@yahoo.com.br

 

Resumo:

Um dos focos de pesquisa do Projeto Fazendo Gênero, desenvolvido no CAp da UFRJ, tem sido a aplicação e a análise nas aulas de Artes Cênicas do 1° ano do Ensino Médio, de uma prática teatral fundamentada nas ideias e conceitos do Teatro Físico, principalmente da pedagogia de Jacques Lecoq. A partir da experiência com os princípios do Teatro Físico no universo escolar surgiu a discussão sobre o fluxo de identidades que o ator é capaz de deflagrar ao se colocar em cena, evidenciando a condição poética de si mesmo que irrompe do e no ato de criação. Como se dá esse fluxo? Quais as condições para que ele ocorra? Quantas multiplicidades podem habitar um mesmo corpo? Como essas especulações podem ajudar a pensar a formação de um ser humano atravessada pela experiência poética? Estas perguntas constituem a problemática central do estudo sobre a Identidade Expressiva e orientam a pesquisa de um caminho de ensino de Teatro que favoreça a experimentação poética de si e considere a radical alteridade da qual é constituído o fazer teatral, discutindo sobre a forma de a criação teatral dialogar com a busca humana de tornar-se, de vir a “ser quem se é”, seja no espaço daquele que aprende, seja no âmbito daquele que exerce o ofício.

Palavras-chave: Identidade expressiva; subjetividade; ensino de teatro.

 

Minibibliografia:

Possui mestrado e doutorado  em Artes pela UNICAMP/ BRASIL. Atualmente é coordenadora do Setor Curricular de Artes Cênicas do Colégio de Aplicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Tem experiência na área de Ensino de Teatro, atuando principalmente nos seguintes temas: criação teatral e produção de subjetividade(s), teatro-educação e formação de professores de teatro.


Comunicação 43

A inter-relação identidade-alteridade na obra o Passo de Estefânia de Núbia Marques

 

Autores:

Maria Leônia Garcia Costa Carvalho – Universidade Federal de Sergipe –

marialeoniagarcia@yahoo.com.br

Antônio Ponciano Bezerra – Universidade Federal de Sergipe – pombez@bol.com.br

 

Resumo:

Segundo Orlandi, “a escrita funciona como espaço de articulação entre língua, história, discurso e sujeito”. Sem dúvida, ponderamos que, ao trazer à memória as vivências e experiências pessoais, portanto, sua história, o sujeito busca, na escrita de si, uma maneira de construir sua identidade por meio de um movimento ininterrupto entre o que é próprio de si e o que é do outro. Este trabalho tem como objetivo mostrar como a lembrança de acontecimentos passados é retomada e ressignificada na criação literária, a exemplo da obra O Passo de Estefânia, da escritora Núbia Marques, professora universitária e assistente social, que viveu no período da ditadura militar em Aracaju-Sergipe. Nela, a autora se confunde com a personagem principal, Estefânia, e revive fatos de sua vida, marcada por conflitos sociais e políticos, decorrentes do autoritarismo e da repressão conveniente ao regime instaurado. Sua personagem feminina discorda das práticas do regime, denuncia as arbitrariedades e luta contra as injustiças sociais.  A obra em tela demonstra uma imensa preocupação com a condição da mulher, vítima de uma ideologia que reproduz o preconceito de uma sociedade ainda marcada pelo patriarcalismo, em que, mesmo na prisão, ela sofre insultos ao seu sexo e violências de toda espécie “para saber que lugar de mulher é na cama e na cozinha”. No presente artigo, buscamos explorar a relação entre os conceitos de escrita, identidade, alteridade e autoria com base em Pêcheux, Orlandi, Grigoletto, entre outros da Análise do Discurso francesa.

Palavras-chave: Escrita, autoria, identidade, alteridade, Análise do Discurso.

 

Minibibliografias:

Maria Leônia Garcia Costa Carvalho é doutora em Linguística pela UFAL – Universidade Federal de Alagoas, professora da Graduação e da Pós-graduação em Letras e Linguística (PPGL) da Universidade Federal de Sergipe. Trabalha, sobretudo, com discursos femininos, tendo publicado o livro A Construção de uma discursividade feminista em Sergipe: A revista renovação na década de 1930.

Antônio Ponciano Bezerra é doutor em Linguística pela USP-Universidade de São Paulo, Pós-Doutor pela Universidade de Lisboa, professor titular da Graduação e da Pós-graduação em Letras e Linguística (PPGL) da Universidade Federal de Sergipe.