+351 916 868 984 visimelp@ese.ipsantarem.pt

Simpósio 01

SIMPÓSIO 1 – ESTUDOS ESTILÍSTICOS: DIÁLOGOS

 

Coordenadoras:

Guaraciaba Micheletti | Universidade Cruzeiro do Sul / Universidade de São Paulo | guatti@uol.com.br

Ana Elvira Luciano Gebara | Universidade Cruzeiro do Sul / Direito GV | aegebara@hotmail.com

 

Resumo:

Organizado pelo Grupo de Pesquisa: Estudos estilísticos (CNPq/UNICSUL/Universidade Nova de Lisboa), este Simpósio tem por objetivo congregar estudos teóricos e analíticos que focalizem diversas linhas dos estudos estilísticos, em especial, aqueles se voltam para a Estilística Discursivo-Textual. O Grupo entende que, no final do século XX, os limites entre as várias disciplinas dos estudos da linguagem se tornaram tênues, permitindo, por identificar pressupostos teóricos convergentes, um salutar diálogo entre áreas afins. A vinculação da Estilística aos quadros dos estudos linguísticos pôs, em discussão desde Bally (1909), o caráter multidisciplinar que a análise estilística e a reflexão subjacente exigiam ainda que nem sempre esse caráter tenha sido reconhecido. Tradicionalmente, a imagem da Estilística ficou restrita ao enunciado e às figuras de linguagem que, porventura, o constituiam. Havia, assim, balizas que impediam uma análise mais ampla e profunda, que colocasse em primeiro plano a expressividade do discurso. No Brasil, no fim da década de 80, a partir do trabalho pioneiro de Martins (1989), os estiliólogos ressignificaram o papel do contexto, da interação para a análise dos enunciados de diversas esferas. É nesta nova concepção da disciplina que o Grupo Estudos Estilísticos se insere e desenvolve suas pesquisas sempre em diálogo com a Análise do Discurso, a Linguística Textual, a Pragmática, e a Semântica tendo por base como todas essas disciplinas a Gramática. Dessa forma, consideramos nos diálogos, autores como Bally (1941, 1951), Spitzer (1955), Vossler (1905), passando por Ullmann (1973), Alonso (1950), Lapa (1945) Jakobson (1970, 1980), Molinié (1989) Cressot (1980), Martins (2013), Kerbrat-Orecchioni (2006), Uchôa (2013) e outros afins. Este simpósio propõe-se como espaço de reflexão e diálogo sobre questões que envolvem os atuais estudos estilísticos.

 

Palavras-chave: Estilística, discurso, enunciação, análise estilística.

 

Minibiografias:

Doutora em Letras (Teoria Literária e Literatura Comparada) pela Universidade de São Paulo, onde atuou até 2008, Guaraciaba Micheletti, aposentada da USP, é professora titular da Universidade Cruzeiro do Sul, coordenando o Mestrado em Linguística e o grupo de pesquisa Estudos estilísticos. Possui artigos e livros publicados, relacionados aos temas de sua atuação com destaque para Estudos de Discurso e Estilo (2012) e A poesia, o mar e a mulher: um só Vinicius (2013).

Ana Elvira Luciano Gebara, doutora em Letras, Filologia e Língua Portuguesa pela Faculdade de Filosofia Letras e Ciências Humanas, atualmente é professora do Curso de Letras e do Programa de Mestrado em Linguística da Universidade Cruzeiro do Sul, e da Escola de Direito da Fundação Getúlio Vargas – SP. Suas publicações abrangem as duas áreas de pesquisa: A poesia na escola: leitura e análise de poesias para crianças (2012); Gêneros textuais: construindo sentidos, planejando a escrita (2012), em coautoria.

 

 

Resumos dos trabalhos aprovados

Comunicação 1

LEITURA ESTILÍSTICO-DISCURSIVA DA PROSA DE RESISTÊNCIA DE B. KUCINSKI

Autora:

BETH BRAIT – Pontifícia Universidade Católica de São Paulo/PUC-SP; USP/CNPq – bbrait@uol.com.br

 

Resumo:

O objetivo desta comunicação é discutir resultados de pesquisas que dão continuidade à leitura, pela perspectiva dialógica do discurso (ADD), de textos da literatura brasileira voltados para o período da ditadura militar dos anos 1960-1980, tanto os produzidos no momento dos acontecimentos como os atuais. O autor aqui destacado, Bernardo Kucinski, cuja produção vem assinada B. Kucinski, será considerado a partir de três de suas obras: K. Relato de uma busca (2011); Você vai voltar pra mim e outros contos (2013); Os visitantes (2016). Para promover e fundamentar a abordagem dialógica dessa prosa de resistência, que toma como motivo um passado que ecoa e persiste de forma trágica no presente, a chave de leitura será a estilística do gênero romanesco, estilística dos gêneros da prosa literária ou estilística sociológica, constituída por meio da reflexão ético-estética que Mikhail Bakhtin (1895-1975) propôs e desenvolveu na quase totalidade de suas obras. Do conjunto, duas serão mobilizadas: Por uma filosofia do ato, apontamentos escritos na década de 1920, e O discurso no romance (1934-1935), ensaio que trata de maneira original a natureza da prosa literária, sua capacidade de trabalhar artisticamente o diálogo social das linguagens, o plurilinguismo, a luta entre as forças centrípetas, orientadas para a centralização verboideológica, e as forças centrífugas, constitutivas das múltiplas línguas em uso e da descentralização verboideológica. A primeira obra constitui as bases filosóficas da ética-estética e a segunda discute a necessidade de uma estilística sociológica ou estilística do discurso, capaz de dar conta de pontos de vista, conjunto de valores e maneiras de exprimi-los, em constante em tensão. Ambas contribuem para uma reflexão estilístico-discursiva das escrituras de resistência.

Palavras-chave: Estilística discursiva; Prosa de resistência; Bernardo Kucinski.

 

Minibiografia:

Elisabeth Brait, assinatura BETH BRAIT, é crítica, ensaísta, professor associado da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo/PUC-SP e professor associado aposentado da Universidade de São Paulo/USP. É pesquisador 1 do CNPq e atua nas áreas de Teoria e análise do texto e do discurso, Estudos Bakhtinianos, Análise dialógica do discurso, leitura e análise da verbo-visualidade e estudos literários.


Comunicação 2

PARA UMA ESTILÍSTICA DA TRADUÇÃO

Autora:

SOLANGE P.P. CARVALHO – USP – solangepinheiro@usp.br / pinheirodecarvalhosolange@yahoo.it

 

Resumo:

Estudos recentes salientam a importância da abordagem interdisciplinar nas mais diferentes áreas de pesquisa dos estudos literários; entretanto, no campo dos estudos tradutológicos, a interdisciplinaridade não tem sido devidamente aplicada: trabalhos acadêmicos nessa área se voltam normalmente para os estudos linguísticos e sociolinguísticos, deixando de lado um enfoque que poderia dar uma contribuição extremamente significativa, como a estilística. Esta é aplicada sempre ao estudo de textos escritos na “língua original”, mas a análise do texto final – a tradução – não é feita sob a perspectiva do estilo. Pensando nas diversas possibilidades de manipulação do léxico e da estrutura da frase, e questões como criação de palavras, emprego de recursos sonoros, repetições, o ritmo do texto, para obter efeitos inesperados em uma língua, como usar a análise do texto fonte de modo a introduzir, no texto traduzido, efeitos semelhantes àqueles encontrados no texto fonte? Quais seriam as possíveis estratégias para que os tradutores usem os recursos oferecidos pela estilística para apresentar um texto que apresente para os leitores a riqueza do “original”? A união dos pressupostos da estilística do som, da palavra, da frase e da enunciação pode oferecer uma contribuição fundamental para a tradução de textos literários, salientando aspectos do texto fonte que, com outros embasamentos teóricos, poderiam não ser observados ou apreciados. Assim sendo, este trabalho tem por objetivo fazer uma análise estilística de alguns trechos de obras literárias de diferentes autores e épocas em quatro línguas – inglês, francês, italiano e alemão – e propor para eles uma tradução em português brasileiro mostrando a aplicação dos estudos estilísticos no texto final.

Palavras-chave: estudos estilísticos; tradução; literatura; interdisciplinaridade.

 

Minibiografia:

Solange P. P. de Carvalho é bacharel em Letras Tradutor/Intérprete (2002). A partir de 2004, desenvolveu pesquisas na FFLCH/USP, defendendo em 2007 o mestrado no Programa de Estudos Linguísticos e Literários em Inglês, e em 2011, a tese de doutorado no Programa de Filologia e Língua Portuguesa. Em 2016, finalizou o pós-doc no Programa de Estudos da Tradução, durante o qual escreveu um livro sobre tradução de variantes linguísticas para o português brasileiro, que está à espera de publicação.


Comunicação 3

MOVIMENTO E VARIAÇÕES ENUNCIATIVAS NA LITERATURA E NO CINEMA

Autora:

IRENE MACHADO – Universidade de São Paulo; CNPq – Brasil – irenemac@uol.com.br

Resumo:

Ainda que tenha se colocado como problema gramatical, estilístico e discursivo para os estudos da língua, a teoria da enunciação não se restringe ao campo linguístico, mas se estende a diferentes áreas em que enunciados se apresentam como formas de interação e de produção de mensagens. Na teoria da enunciação formulada por V.N. Volochinov a enunciação constitui problema central do discurso e seu grande desafio é a incorporação do discurso alheio nos processos de transmissão. O presente ensaio é dedicado à investigação da enunciação na narrativa literária e cinematográfica. Interessa-nos examinar como o cinema trabalha a transmissão do discurso do outro dentro das possibilidades enunciativas de suas mediações. Para isso recorremos a estudo comparativo sustentado pela hipótese de que a transmissão do discurso de outrem resulta de uma dupla mediação: a narrativa e a tradução audiovisual operada pela câmera – aqui um sujeito enunciativo. Com base nessa hipótese, buscamos fundamentos teóricos em estudos de Volochinov sobre as correntes estilísticas que se dedicaram à transmissão. Das premissas construídas pelos alemães, emergiram os estudos sobre o discurso do imaginário; nas práticas da literatura francesa se consagrou o discurso indireto livre; nos estudos russos, Volochinov distinguiu o uso do discurso quase-direto fundado no design entoativo da linguagem nas interações. Práticas que comparecem nos trabalhos de cineastas como os de Serguei Eisenstein sobre o desenvolvimento do monólogo interior e nos estudos históricos de Jacques Derrida sobre o desenvolvimento audiovisual que distinguiu o discurso direto do cinema silencioso; o discurso indireto no cinema sonoro; e discurso indireto livre nos experimentos do cinema moderno. A partir daí esperamos examinar as expansões para discurso quase-direto, o monólogo interior, o fluxo de consciência. Com isso, espera-se compreender e distinguir as formações discursivas bem como seus desdobramentos estéticos nos diferentes campos artísticos alcançando um horizonte mais amplo dos estudos enunciativos.

Palavras-chave: Enunciação; Cinema; Discurso; Transmissão; Estilo.

 

Minibiografia:

Professora Livre Docente em Ciências da Comunicação pela Universidade de São Paulo, Brasil. Ministra aulas nos cursos de graduação na Escola de Comunicações e Artes e na pós-graduação no Programa de Meios e Processos Audiovisuais da USP. Como Pesquisadora do CNPq desenvolve pesquisas, publica e orienta trabalhos no campo da Semiótica da Comunicação na Cultura, com ênfase nos meios e processos audiovisuais a partir do cinema.


Comunicação 4

A POESIA METALINGUÍSTICA DE FERREIRA GULLAR: UMA ANÁLISE ESTILÍSTICO-DISCURSIVA

Autora:

Helba Carvalho – Universidade Cruzeiro do Sul (UNICSUL) – augustomatraga@yahoo.com

Resumo:

A proposta deste trabalho é analisar, na trajetória do poeta Ferreira Gullar, a presença constante e cada vez mais frequente de metapoemas que sistematizam uma noção de poesia na qual se destaca, entre os diferentes ethé  presentes, um ethos professoral, com discurso marcadamente filosófico: o enunciador argumenta, explica, critica e ensina. A teoria utilizada para a análise do corpus, alguns fragmentos de poemas, pautou-se na estilística-discursiva, mais especificamente, a relação entre os recursos linguísticos utilizados (sonoros, lexicais, sintáticos, semânticos) e os efeitos de sentido produzidos no plano da enunciação e do discurso. Para os estudos estilísticos (a noç&atild e;o de estilo) e da enunciação, foram consideradas as teorias de Charles Bally (1951), Mattoso Câmara (1961, 1973, 1977), Mikhail Bakhtin (2002, 2003, 2013), Sírio Possenti (2000, 2001), Nilce Sant´Anna Martins (1989) e Émile Benveniste (2006). Para a Análise do Discurso de linha francesa, são discutidos os conceitos de Dominique Maingueneau (1993, 2008, 2011), especialmente sobre ethos discursivo e cenografia. Finalmente, para as considerações sobre a metalinguagem/ metadiscurso e argumentação, presentes nos poemas metalinguísticos, são citados os estudos de Roman Jakobson (1990, 2004, 2007), Samira Chalhub (2002), Sírio Possenti (2000, 2001), Ruth Amossy (2005, 2007, 2011), José Luiz Fiorin (2004, 2015) e Ingedore Koch (2003, 2004, 2007). A partir da análise do corpus, torna-se possível concluir que, na medida em que o militante marxista morre na poesia gullariana, ganham mais voz o crítico de arte e o filósofo Ferreira Gullar. Nesse sentido, o ethos professoral se faz presente e permite refletir sobre o tom didático dos poemas, na forma como ensinam sobre o gênero e o fazer poético.

Palavras-chave: Ferreira Gullar; metapoema; estilística discursivo-textual.

 

Minibiografia:

Possui doutorado em Filologia e Língua Portuguesa na FFLCH da USP (2016), mestrado em Literatura Brasileira (2002), graduação e licenciatura em Letras pela mesma universidade (1998 e 1999, respectivamente), graduação em Comunicação Social pela ESPM (1996). Professora e coordenadora do NUFEP (Núcleo de Estágio) da Universidade Cruzeiro do Sul, dedica-se aos estudos estilístico-discursivos em poemas e contos modernos e contemporâneos da literatura brasileira e à pesquisa da área estilística e ensino.


Comunicação 5

SUSPIROS FINISSECULARES E MODERNÍSSIMOS URROS: O ESTILO DE ORPHEU (1915)

Autora:

Sandra Ferreira – UNESP/Assis – san@assis.unesp.br

 

Resumo:

A revista Orpheu possui perfil literário simultaneamente de comunhão, se considerada sua vertente emocional ligada à tradição, e de universalização, em sua verve intelectual de ruptura. Seu projeto estético harmoniza tendências simbolistas e modernizantes, deixando ver que os de Orpheu vão ao encontro de uma realidade moderna, convertida em poesia multifacetada. A realidade cultural de Orpheu é condicionada por uma performance verbal que garante aos poemas nela publicado uma incisiva expressividade. A estética finissecular, evidente em certos poemas de Luís de Montalvor, Fernando Pessoa, Mário de Sá-Carneiro, convive com a estridência sensacionista e moderníssima de poemas como “Ode Triumphal” e “Opiário”, de Álvaro de Campos, e de “Manucuro” de Mário de Sá-Carneiro. Ao trabalho ora proposto interessa descrever e analisar a configuração de recursos estéticos decadentistas e modernistas, já que a tradição crítica tem apontado a forte influência do decadentismo-simbolismo sobre os poetas de Orpheu e, com igual empenho, tem assinalado o variegado estético de suas páginas. O aporte teórico da reflexão serão as contribuições da estilística dita idealista, especialmente as fornecidas por Amado Alonso em Materia y forma en poesía. Para Alonso, o labor do poeta consiste em unir, por meio da palavra, a intuição e o sentimento, sem deixar fissuras, de modo que o sentimento não se salva sem objetivar-se em uma intuição da realidade. Esse pressuposto orientará a consideração dos processos estilísticos desenvolvidos, sobretudo por Pessoa e Sá-Carneiro, para aludir a um mundo em vertiginosa transformação.

Palavras-chave: Orpheu, Fernando Pessoa, Mário de Sá-Carneiro, Estilística, Modernismo.

 

Minibiografia:

Mestre e doutora em Teoria Literária e Literatura Comparada pela Universidade de São Paulo, tem pós-doutorado em Teoria Literária pela Universidade de Coimbra. É professora de Literatura Portuguesa na Faculdade de Ciências e Letras da UNESP, câmpus de Assis, e autora de Entre a biblioteca e o bordel: a sátira narrativa de Hilário Tácito (2006) e Da estátua à pedra: percursos figurativos de José Saramago (2015).


Comunicação 6

ESTILÍSTICA: REPETIÇÃO E FREQUÊNCIA COMO CONSTITUIÇÃO DISCURSIVO-TEXTUAL NA POESIA

Autora:

Guaraciaba Micheletti – Universidade Cruzeiro do Sul (UNICSUL)/ Universidade de São Paulo (USP) – guatti@uol.com.br

 

Resumo:

A repetição consiste num dos procedimentos fundamentais da língua, constituindo um elemento básico discursivo-textual tanto na prosa como na poesia. É um fator relevante para a coesão sequencial e, mesmo, para a construção da coerência, em última instância, do sentido. Ela se manifesta nos diferentes níveis discursivos: fonológico (aliterações, assonâncias, rimas), morfológico (morfemas, léxico), sintático (em particular, pelas estruturas paralelísticas), no semântico (figuras, em geral) e no discursivo. Já exploramos a repetição como fator de desdobramento na poesia de F. Gullar (MICHELETTI, 1997), mas ela é também responsável pela ampliação ou delimitação de sentidos. Importa ressaltar que sua frequência marca a inda uma característica de um autor, ou seja pode identificar um estilo. Na prosa isso pode ser notado em, por exemplo, na exaustiva utilização de determinados conectivos e dos processos de modalização nos contos de M. Carone (MICHELETTI, 2011). Nesta comunicação, identificaremos como os procedimentos de repetição e frequência constituem traços de estilo na poesia de Cacaso. Consideraremos que a Estilística em qualquer um de seus ramos (tradicionalmente, apenas da língua e da literatura) é uma disciplina dos estudos da linguagem voltada para  os estudos da expressividade, preciosa auxiliar na identificação dos sentidos (de modo mais amplo) e do ethos de um enunciador seja na prosa ou na poesia. Para isso, serão considerados estudos de Bakhtin (2015, 2003), Martins (2008), Brait(1996, Riffaterre, 1973) entre outros.

Palavras-chave: estilística; repetição; procedimentos; estruturas; discurso.

 

Minibiografia:

Graduada  em Letras pela Universidade de São Paulo (1972), mestre (1983)  e doutora (1992) em Letras (Teoria Literária e Literatura Comparada) pela mesma universidade Atualmente, professora titular da Universidade Cruzeiro do Sul, coordena o Mestrado em Linguística. Aposentada da USP, atuou até 2008 no Programa de Pós Graduação em Filologia e Língua Portuguesa, orientando alunos de Mestrado e Doutorado. Atua, principalmente, nos seguintes temas: análise do discurso, leitura, estilística, enunciação, ensino, poesia brasileira.


Comunicação 7

POEMAS METALINGUÍSTICOS PARA CRIANÇAS: ESTILOS DE SE CONCEBER E ENSINAR POESIA

 

Autores:

Ana Elvira Luciano Gebara – Universidade Cruzeiro do Sul (UNICSUL) / FGV DIREITO SP – aegebara@hotmail.com

 

Resumo:

As temáticas da poesia para crianças sempre oscilaram entre elementos resultantes da apresentação do mundo (lugares, sentimentos, objetos) a partir de uma ótica de adulto e elementos do universo infantil nas inúmeras maneiras de se olhar esse mundo adulto. São, por um lado, poemas que ensinam; poemas com princípios morais; poemas narrativos (fatos cotidianos e cômicos), e por outro, poemas narrativos e descritivos a partir do ponto de vista das crianças; e poemas que alinham, pelo menos, duas gerações. A multiplicidade e a variação da temática é resultado principalmente desse embate entre tempos em um mesmo espaço. No entanto, um dos temas parece permanecer desde que se começa a escrever para crianças e transita do mundo adulto para o mundo infantil – trata-se da metalinguagem. São poemas que indicam a concepção do que seja a poesia, o próprio poema; ou ainda que identifiquem quais as formas de se ler o poético e apreciá-lo. Desses poemas, essa comunicação tem como objeto quatro deles, de três poetas. O primeiro é José Paulo Paes, em dois poemas “Convite” (Poemas para brincar, 1990) e “Poesia e Prosa” (Vejam como eu sei escrever, 2001); o segundo, Almir Correia, em “Meu poema abana o rabo” (de livro de mesmo título, 2004); e o terceiro de José Jorge Letria, em A casa da poesia, livro composto por um único poema. Para a análise da metalinguagem, serão identificadas as imagens associadas ao poema e à poesia, pela escolha lexical e sintática, tendo como instrumental analítico, os da Estilística e dos estudos do estilo, Martins (2003), Possenti (2007), e da Estilistica Discursivo-Textual, segundo Micheletti (2014), e também os da metalinguagem, Campos (2004) e Chalhub (1998).

Palavras-chave: estilística; poema metalinguístico; poema e poesia.

 

Minibiografia:

Doutora em Letras, Filologia e Língua Portuguesa pela Faculdade de Filosofia Letras e Ciências Humanas, atualmente é professora do Curso de Letras e do Programa de Mestrado em Linguística da Universidade Cruzeiro do Sul, e da Escola de Direito da Fundação Getúlio Vargas – SP. Suas publicações abrangem as duas áreas de pesquisa: A poesia na escola: leitura e análise de poesias para crianças (2012); Gêneros textuais: construindo sentidos, planejando a escrita (2012), em coautoria.


Comunicação 8

A CRIAÇÃO LEXICAL COMO MARCA DE EXPRESSIVIDADE E DISCURSIVIDADE NA POÉTICA CABRALINA

Autora:

Rosana Maria Sant’Ana Cotrim – Universidade Federal de Goiás – Brasil . rocotrim@ufg.br

 

Resumo:

As criações lexicais literárias, dadas as circunstâncias em que surgem, raramente incorporam-se ao léxico da língua porque operam no nível do discurso, desempenhando funções expressivas específicas aos enunciados em que se inserem. Contudo, concebidas como neologia estilística e compreendidas pelos pressupostos da estilística léxica como um recurso discursivo, engendram efeitos de sentido de inegável valor expressivo que lhes conferem relevância. Além disso, sua expressividade pode ser um eficaz marcador de ideologias socio-historicamente constituídas, pelo desvelamento do discurso e do sujeito que as enuncia, e, por essa via, evidenciar estilo(s) no universo literário. Este trabalho tem por objetivo demonstrar os mecanismos de criação lexical e seus resultados expressivos e discursivos na poética de João Cabral de Melo Neto, escritor pernambucano, teoricamente enquadrado na terceira fase do Modernismo Brasileiro, cuja produção, pautada no rigor da linguagem por meio da “forma construída”, beneficia-se do recurso. A pesquisa fundamenta-se nos Estudos do Léxico para a identificação e classificação das criações lexicais presentes na poética cabralina, sob o ponto de vista teórico de Guilbert (1975), e das teorias e classificações aplicadas à língua portuguesa de Alves (2002) e Correia e Lemos (2009); e também na Estilística Léxica para a compreensão dos efeitos de sentido que as criações lexicais produzem no discurso cabralino, pelos pressupostos teóricos de Cressot (1976) e Martins (2000, 2003). A presença significativa de criações lexicais nos poemas analisados configura a busca de expressividade poética pelas criações lexicais particularizadas no discurso de João Cabral como um elemento caracterizador de sua poética. Conclui-se, portanto, que o recurso às criações lexicais participa efetivamente do processo de “construção da linguagem” de que fala o poeta e opera na engenhosidade arquitetônica de sua produção como um modo de superação da dicotomia entre expressão e construção.

Palavras-chave: criação lexical; expressividade; discursividade; discurso literário; poética cabralina.

 

Minibiografia:

Doutora em Linguística e Língua Portuguesa pela Universidade Estadual Paulista, Campus de Araraquara (UNESP/FCLAr). Professora Adjunta da Universidade Federal de Goiás, na Unidade Acadêmica Especial de Ciência Humanas (UFG/UAECH). Desenvolve pesquisas em Lexicologia / Estudos do Léxico, nos temas: criação lexical, estilística léxica e léxico de especialidade; e em Análise do Discurso de linha francesa, nos temas: subjetividade e enunciação.


Comunicação 9

PESSOA E PERSONA: QUESTÃO DE VISÃO E ESCRITURA

Autora:

Neiva de Souza Boeno – SEDUC/MT, SME/Cuiabá, PPGEL/Universidade Federal de Mato Grosso – professoraneivaboeno@hotmail.com

 

Resumo:

Neste trabalho, analisamos dois poemas: “II”, escrito em 1914, da obra O guardador de rebanhos (1911-1912), de Fernando Pessoa/Alberto Caeiro, e “Esse legado de um céu negro”, de 2014, da obra Entre uma noite e outra, de Lucinda Persona. O que nos interessa, nos textos literários, é a visão artística problematizada e enunciada em cada poema selecionado, estabelecendo um diferencial na relação com as coisas, o mundo, os seres e a própria escritura. Desse modo, nossa pesquisa parte dos pressupostos que reconhece o caráter imanente da Literatura, em especial, o trabalho com a linguagem e a questão de autoria. Partindo de uma análise focada na textualidade, demonstramos como os poemas versam sobre a singularidade do ver e do labor poético. Nesse contexto, de um lado temos os poetas, em sua criação literária, e do outro o leitor como interpretante, dando novos sentidos aos poemas. Para este estudo temos como suporte teórico de reflexão sobre a visão artística a pesquisa de Maurice Merleau-Ponty (1984), em O olho e o espírito, Jacques Derrida (2010), em Memórias de Cego, Octávio Paz (1982; 1996), em O arco e a lira e Os signos em rotação; sobre a questão de autoria e leitura, a pesquisa de Mikhail Bakhtin (1979), em Estética da criação verbal e Roland Barthes (1973; 1994), em O prazer do texto e Aula; e para discorrermos sobre os procedimentos estilísticos recorremos aos trabalhos de Nilce Martins (2008), em Introdução à Estilística, de Alfredo Bosi (1977), em O ser e o tempo da poesia e Theodor Adorno (2003), Notas de Literatura 1, com o objetivo de captar nos poemas passagens de expressividades que possam revelar sua poeticidade pela materialização linguística atravessada pela função poética. Nos poemas analisados, verifica-se o trabalho com a língua e a linguagem, criando imagens poéticas e estabelecendo um novo mundo.

Palavras-chave: Pessoa; Persona; Visão; Autoria; Estilística.

 

Minibiografia:

Professora de Língua Portuguesa, efetiva na rede estadual pela Secretaria de Estado de Educação de Mato Grosso e rede municipal pela Secretaria Municipal de Educação de Cuiabá; doutoranda em Estudos de Linguagem no Programa de Pós-Graduação em Estudos de Linguagem, na Universidade Federal de Mato Grosso, tendo como orientador o Prof. Dr. Manoel Mourivaldo Santiago Almeida (USP) e coorientador o Prof. Luciano Ponzio (UNISALENTO, Lecce/Itália). Suas publicações abrangem as áreas de Língua Portuguesa, Literatura e Educação.


Comunicação 10

AS ESCOLHAS LEXICAIS E SUAS INTENÇÕES ESTILÍSTICO-SEMÂNTICAS

Autores:

Claudio Artur O. REI – Universidade Estácio de Sá (UNESA) / Prefeitura do Rio de Janeiro (SME-RJ) – arturrei@uol.com.br

Darcilia SIMÕES – Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) – darcilia.simoes@pq.cnpq.br

 

Resumo:

A Estilística não existe para impor normas sobre como deve ser o discurso, isso compete às Retóricas (Plebe; Emanuele). Entretanto, neste artigo, nosso objetivo é mostrar como um estilo pode ser produzido a partir das escolhas lexicais, gerando efeitos semânticos (intencionais) e semióticos (inesperados).  A partir de um corpus ainda a ser eleito, tentaremos mostrar quão significativas são as escolhas lexicais nesses textos e de que forma podemos explorá-las em sala de aula: relações semânticas, sonoridade, conhecimento transdisciplinar, ou seja, de que forma textos bem estruturados podem produzir trabalhos significativos na atividade docente e discente. Discutir se é sempre difícil estabelecer qual é o grau zero da escrita: é a norma culta, a científica ou a popular? Levar em conta, como o faz Jean Cohen (1974), ou seja, considerar o discurso científico como “norma”, contrapondo-se ao discurso literário como “desvio”? Seria, no nosso ponto de vista, incorrer numa impropriedade classificatória, pois são dois discursos de naturezas distintas, cada qual possuindo caracteres e escopos próprios, visto que a linguagem literária não se afirma em oposição à linguagem normal, mas é uma sobreposição de linguagens em que manifestam estruturas complexas. Apoiados na Estilística, podemos mostrar aos alunos como a linguagem poética é constituída, acrescentando ao discurso linguístico significado novo, surpreendente. Outrossim, o signo linguístico não tem, como na língua comum, um caráter convencional e arbitrário, mas sua essência é a iconicidade, a capacidade de estabelecer não apenas uma configuração entre significante e significado, mas de apresentar polivalência (D’Onofrio).

Palavras-chave: Estilística; Aulas de Língua Portuguesa; Semântica; Semiótica.

 

Minibiografias:

DARCILIA SIMÕES: Professora Associada de Língua Portuguesa do Instituto de Letras; Pós-doutora em Linguística (UFC, 2009) e em Comunicação & Semiótica (PUC-SP, 2007); Doutora em Letras Vernáculas (UFRJ, 1994), Mestra em Letras (UFF, 1985). Coordenadora do Laboratório de Semiótica – LABSEM e das Publicações Dialogarts. Lidera o GrPesq Semiótica, Leitura e Produção de Textos – SELEPROT (Base CNPq). Suas pesquisas privilegiam o ensino da língua portuguesa, com foco principal na iconicidade e na linguística aplicada.

CLAUDIO ARTUR O. REI: Doutor e Mestre em Língua Portuguesa pela UERJ, Membro do Grupo de Pesquisa Semiótica, Leitura e Produção de Textos – SELEPROT (base CNPq). Professor do Ensino Médio desde 1990, na rede particular; professor do Ensino Fundamental desde 1994, na rede pública municipal; professor adjunto da Universidade Estácio de Sá, desde 2000, onde também atua como professor da Pós-graduação e eventualmente na Pós-graduação da Faculdade São Bento. Desenvolve pesquisa na área de Estilística, com subsídios em Semântica e Semiótica.


Comunicação 11

O CASO “PELEUMONIA” E “RAÔXIS” SOB ENFOQUE DIALÓGICO: ESCOLHAS ESTILÍSTICAS E(M) TENSÃO NA MÍDIA

Autora:

KELLI DA ROSA RIBEIRO – Universidade Federal do Rio Grande – UFRG – klro.rib@gmail.com

 

Resumo:

O Círculo de Bakhtin, em diversas obras, refere-se ao estilo do locutor como um elemento que se constrói a partir de um julgamento social de valor, isto é, a partir de seleções e escolhas que são primordialmente tomadas de posição axiológicas frente à realidade linguística, considerando uma gama de vozes sociais que avaliam um mesmo objeto. Percebemos, desse modo, a relação sempre tensa do que é dado (forma com relativa estabilidade do gênero) com o novo (ressignificação axiológica do estilo do locutor) postulado pelas reflexões bakhtinianas. Levando em conta tais questões, neste trabalho, analisamos os discursos que envolveram o caso “Peleumonia” e “Raôxis”, na internet, observando a constituição estilística do locutor que deu origem à polêmica, bem como o embate de vozes sociais instaurado. Esse caso teve como protagonista um médico do hospital Santa Rosa de Lima, Serra Negra – SP, que publicou uma foto, em sua página no Facebook, com o seguinte enunciado: “Não existe peleumonia e nem raôxis”. O caso teve grande repercussão e circulação nas redes sociais e inúmeras respostas emergiram acerca do fato. Nosso intuito é analisar, numa perspectiva dialógica do discurso, o caso em suas três fases na mídia: o embate de vozes, a resposta e a retratação. Para tanto, elencamos quatro questões norteadoras: a) Como se constitui o embate de vozes no enunciado do médico, a partir das escolhas estilísticas empregadas? b) Como aparecem as contrapalavras (respostas) ao fato? c) De que maneira se construiu uma tentativa de álibi do ser na fase na retratação do médico? d) Como a esfera midiática se torna o palco de relações sociais e linguísticas de poder? Por meio da análise, será possível perceber as relações de poder e de hierarquia social que perpassam a língua em uso, atingindo grande massa de sujeitos através da mídia.

Palavras-chave: Discurso; Embate de vozes; Estilo; Mídia.

 

Minibiografia:

Kelli da Rosa Ribeiro é doutora em Linguística pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). Atualmente, é Professora Adjunta na Universidade Federal do Rio Grande (FURG) e membro do Grupo de pesquisa Diálogos com Bakhtin (CNPq) sediado na FURG. Atua também como pesquisadora colaboradora no grupo de pesquisa Tessitura: Vozes em (dis)curso (CNPq), sediado na PUCRS.


Comunicação 12

ESTILO E AUTORIA EM SERMÕES RELIGIOSOS: UMA ANÁLISE DIALÓGICA

Autor:

PEDRO FARIAS FRANCELINO – Universidade Federal da Paraíba – Brasil – pedrofrancelino@yahoo.com.br

 

Resumo:

O sermão religioso caracteriza-se com um gênero discursivo complexo do ponto de vista de sua composição linguístico-discursiva, notadamente marcado por uma densidade polifônico-axiológica derivada da inserção dos sujeitos que o produzem na esfera religiosa da atividade comunicativa humana. O objetivo deste trabalho é analisar a constituição da autoria em sermões religiosos, produzidos por sacerdotes cristãos em contexto enunciativo de exposição (pregação religiosa oral) em cultos/missas. Busca-se compreender como os sujeitos, inscritos nessa esfera de uso da linguagem, representam-se como autores de seus enunciados mediante o emprego de procedimentos linguístico-enunciativos caracterizadores de um estilo, isto é, de uma forma singular, única e concreta de se situar no empreendimento discursivo. Esta proposta insere-se na perspectiva dos estudos discursivos, particularmente os que consideram a enunciação como processo de produção de sentidos mediante uso de diferentes procedimentos de inscrição do sujeito naquilo que diz. A metodologia adotada se pauta na análise dialógica do discurso, por meio da descrição, análise e interpretação dos enunciados que integram os dados da pesquisa, um conjunto de sermões expositivos produzidos por sacerdotes cristãos, católicos e/ou protestantes, em contextos de missas ou cultos, disponibilizados em sites das instituições representadas por esses sujeitos. A base teórico-metodológica que subsidia a análise é a Teoria Dialógica da Linguagem, depreendida dos escritos filosófico-linguísticos de Mikhail Bakhtin e Valentin Volochinov. As análises revelam que a autoria é construída, nos enunciados analisados, a partir de um embate de vozes marcado por uma pluralidade de tons emotivo-volitivos e acentos apreciativos provenientes da posição axiológica ocupada pelos sujeitos enunciadores. Essa forma de valorar, de construir um ponto de vista acerca de determinado objeto de discurso, por sua vez, caracteriza o estilo dos enunciados e, consequentemente, desses sujeitos nessa relação com a linguagem.

Palavras-chave: Relações Dialógicas; Estilo; Autoria; Sermão Religioso.

 

Minibiografia:

Pedro Farias Francelino é Doutor em Linguística pela Universidade Federal de Pernambuco UFPE (2007). Professor Associado I do Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas da UFPB. Professor do Programa de Pós-Graduação em Linguística da UFPB – PROLING da mesma instituição. Desenvolve pesquisas nas seguintes perspectivas teórico-metodológicas: Estudos Bakhtinianos, Análise de Discurso e Teoria/Análise de Gêneros Discursivos.


Comunicação 13

ESTILO COMO FENÔMENO PRÓPRIO DA ORGANIZAÇÃO TEXTUAL

Autora:

Juzelly Fernandes Barreto Moreira – Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN) – juzelly@gmail.com

 

Resumo:

Desde a primeira metade do século XX, os estudos estilísticos ganham espaço em diferentes campos da linguística, proporcionando a disseminação de diversas concepções de estilo. Dentre os autores de relevância nesse percurso, destacamos:  Bally (1941, 1951), que parte da ideia de um sistema expressivo da língua para caracterizar estilo; Bakthin (1992), que designa o estilo como um dos componentes conceituais de gênero discursivo e Discini (2015), que associa o estilo à construção do éthos do sujeito da enunciação. Levando em conta esse breve panorama, este trabalho – de caráter essencialmente teórico – objetiva ampliar a discussão epistemológica sobre estilo, trazendo-a para o campo da linguística do texto e, nessa perspectiva, interessa-nos entender em que medida o estilo pode ser considerado como um fenômeno próprio da organização textual. Para amparar nossas reflexões, buscamos respaldo na separação que Coseriu (2007) estabelece entre os níveis de linguagem, a saber:  1) O nível universal, 2) O nível histórico 3) O nível individual. Segundo o autor, a linguística do texto está inserida no nível individual da linguagem e, desse modo, constitui uma linguística que se ocupa da investigação da hermenêutica do sentido, tomando cada texto como evento único.  Apenso a isso temos Adam (1999), que trata o estilo como uma “variação individual”, circunscrevendo-o na mesma dimensão em que situa o texto e, dessa forma, fornecendo-nos indícios que apontam para uma relação intrínseca entre texto e estilo. Se acreditamos que o estilo contribui diligentemente na composição de eventos textuais sempre únicos, cabe-nos indagar: em que esfera(s) textual(is) está encrustado o estilo? Convém resslatar que não constitui nosso foco apresentar  respostas prontas para essa questão, nossa proposta é sugerir algumas hipóteses, a partir das quais  esperamos contribuir para o avanço dos  debates acerca do papel do estilo na composição da organização textual, sob a ótica da linguística do texto.

Palavras-chave: estudos estilísticos; linguística do texto; estilo; texto; epistemologia.

 

Minibiografia:

Graduada em Letras pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (2005). Especialista em Ensino da Língua Portuguesa, pelo Instituto de Educação Superior Presidente Kennedy (2010). É professora de Língua Portuguesa e Literatura no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte (IFRN). Mestranda no PPGeL/UFRN na área de Linguística Textual. Seus interesses de pesquisa voltam-se, principalmente, para os seguintes temas: linguística textual, referenciação textual e estilo.


Comunicação 14

A ESTILÍSTICA NO ENSINO DA DRAMATURGIA

Autor:

Carlos Afonso Monteiro Rabelo – Universidade Federal da Bahia (UFBA) – carlosrabelo@gmail.com

 

Resumo:

Nesse artigo discutimos as possibilidades da estilística para o ensino da dramaturgia. Partindo da  experiência, e da observação da escrita de novas peças de teatro, entre profissionais e estudantes, seria possível embasar essa prática de ensino detectando estruturas e recursos dramáticos que possam ser repetidas e testadas por alunos, para daí desenvolverem suas vozes individuais na criação artística. Nesse intuito, a estilística pode ser de grande utilidade, ao se pensar nos diversos registros de fala, que podem ser expressas nas réplicas dos personagens. Do mesmo modo, como esses falares que expressam condição social, idade, formação, profissão, são cuidadosamente burilados para se transformar em um  novo registro, o próprio falar teatral, que apresenta regras internas, dificuldades específicas ao palco e à dicção do ator/atriz. Além disso, esse falar teatral apresenta uma complexa condição, pois carrega em si a voz autoral do dramaturgo, marcada pela dupla enunciação teorizada por Mainguenau (1996). A partir desse ponto, as aproximações possíveis em dramaturgia e estilística se multiplicam, já que essas duas enunciações nem sempre caminham em polifonia paralela, havendo sobreposições, ironias e afastamentos que possibilitam leituras infindas. Por outro lado, seria possível estabelecer as possibilidades e dificuldades no que concerne a escrita da comédia, nas indagações sobre o efeito do ridículo em Perelman (2005), onde a persuasão e convencimento do público é conquistado através do humor. Se, de certo modo, todo ator também é um orador, e vice-versa, os campos de conhecimento da dramaturgia e da estilística têm muitas questões em comum para diálogos, empréstimos e esclarecimentos.

Palavras-chave: dramaturgia; estilística; escrita criativa.

 

Minibiografia:

Carlos Rabelo é dramaturgo, tradutor, músico, ator e professor de teatro. Doutorando em Artes Cências no PPGAC da UFBA, com o projeto A dramaturgia da commedia dell’arte e a escrita da comédia contemporânea. Mestre em Estudos Literários pela Faculdade de Letras e Linguística da UFG, com a dissertação Um estudo metodológico do ensino em dramaturgia: ensaiando para escrever. É licenciado no curso de Artes Cênicas da UFG. Tem publicado as traduções de August Strindberg, Sagas e Gente de Hemso, pela editora Hedra.


Comunicação 15

ESTILÍSTICA, ENSINO E TRADUÇÃO: UMA PROPOSTA DE ATIVIDADE DE ESTILÍSTICA FÔNICA DO PORTUGUÊS PARA O INGLÊS

Autor:

EDSON CARLOS ROMUALDO – Universidade Estadual de Maringá (UEM) – ecromualdo@uol.com.br

 

Resumo:

Nosso objetivo é analisar os resultados de uma atividade para alunos do segundo ano de um curso de Letras – Habilitação Única em Língua Inglesa/Bacharelado em Tradução, cuja finalidade era voltada para a discussão da expressividade fônica e a apresentação de uma possível tradução do enunciado “A feroz família feliz”, presente na crônica Compras no Mercado, de Evely Libanori. A proposta foi desenvolvida no primeiro semestre, no contexto de ensino do conteúdo de fonética e fonologia da língua portuguesa, pois, nesse momento, o programa curricular não contempla aulas voltadas à estilística e à tradução. O intuito da atividade era mostrar como os aspectos estilísticos – no caso, principalmente os fônicos – são fundamentais na constituição e produção de sentidos dos textos e a importância de seu domínio para futuros professores de língua e de tradutores. Para realizá-la, os alunos seguiram tópicos colocados pelo professor, que consideravam a importância dos sons na constituição frase, a importância da frase no contexto da crônica, uma proposta de tradução e a motivação para a tradução apresentada. A análise qualitativa das produções demonstra que a maioria dos alunos estabeleceram interpretações condizentes ao uso dos fonemas na constituição da frase e de sua importância como elemento sintetizador da situação colocada pelo narrador na crônica; mostra também que a análise estilística da frase em português serviu como elemento fundamental para os alunos pensarem os sons da língua inglesa quanto aos seus traços caracterizadores na combinação de palavras da tradução, estabelecendo um cruzamento profícuo entre a estilística fônica do português e suas futuras atividades profissionais com a língua inglesa.

Palavras-chave: Estilística fônica; língua portuguesa; fonética; fonologia; tradução.

 

Minibiografia:

Edson Carlos Romualdo é professor associado do Departamento de Teorias Linguísticas e Literárias da Universidade Estadual de Maringá (UEM) e atua nos cursos presenciais de graduação e pós-graduação em Letras e nos cursos a distância de Letras e Pedagogia. Fez seu pós-doutorado na Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) e seu doutorado e mestrado em Letras na Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (UNESP).


Comunicação 16

LIVRO DIDÁTICO DE PORTUGUÊS E ESTILÍSTICA: PERSPECTIVAS PARA O ENSINO

Autor:

SANDRO LUIS DA SILVA – Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) – vitha75@gmail.com

 

Resumo:

Ao pensarmos nas (novas) propostas de ensino de língua materna, é preciso levar em consideração, a nosso ver, os mecanismos linguístico-discursivos, favorecendo um ensino reflexivo e não simplesmente tecnicista. Dentro desse contexto, temos constatado que o livro didático de português (LDP) tem se tornado objeto de várias pesquisas no campo dos estudos da linguagem. Consideramos que o LDP constitui-se em um gênero discursivo que pode favorecer o  processo de ensino-aprendizagem de língua materna. Esta comunicação objetiva  apresentar resultados – quantitativos e qualitativos –  de uma pesquisa (em andamento) cuja proposta é analisar como o LDP tem apresentado as questões estilísticas a partir de atividades de língua(gem) propostas, que levem o aluno a perceber a importância e os efeitos estilístico-discursivos para a construção do conhecimento. O corpus é constituído por quatro coleções de livros do Ensino Fundamental II aprovadas pelo PNLD (2014). Este estudo pauta-se em Rojo e Batista (2003), Costa Val e Marcuschi (2008), Dionísio e Bezerra (2005), Bunzen (2010) no tocante ao livro didático; Lapa (1998), Martins (1989), Monteiro (1991) e Spitzer (1995) quanto à estilística e Maingueneau (2002, 2008, 2010 e 2014) no que se refere ao discurso e, ainda, nos pautaremos nos Parâmetros Curriculares Nacionais de Língua Portuguesa (1998).

Palavras-chave: estilística; livro didático; ensino; discurso.

 

Minibiografia:

Professor Adjunto de Língua Portuguesa na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Pós-Doutor em Linguística, Análise de Discurso, pela Universidade Sorbonne Paris IV, sob supervisão do Prof. Dr. Dominique Maingueneau. Pós-Doutorando em Educação na Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo, sob supervisão do Prof. Dr. Valdir Barzotto. Doutor em Língua Portuguesa pela PUC/SP.


Comunicação 17

POR UM ESTUDO DO ESTILO DA DIVULGAÇAO CIENTÍFICA: A ESTILÍSTICA DO DISCURSO, DO GÊNERO E DA AUTORIA

Autor:

URBANO CAVALCANTE FILHO – Universidade de São Paulo / Université Paris Ouest / Instituto Federal da Bahia – urbanocavalcante@usp.br  / urbano@ifba.edu.br

 

Resumo:

Há um estilo do discurso de divulgação científica? O discurso de divulgação científica brasileira do século XIX apresenta um estilo específico? Quais elementos enunciativos, discursivos, textuais poderiam nos indicar possíveis respostas a essas questões? No intuito de respondê-las é que propomos este trabalho, cujo objetivo central é, à luz do pensamento bakhtiniano, analisar a questão do estilo no discurso de divulgação científica brasileira do século XIX. Por pensamento bakhtiniano, entendemos o conjunto dos textos assinados por Mikhail Bakhtin e outros intelectuais russos (a exemplo de Valentin Voloshinov e Pavel Medvedev) nas primeiras décadas do século XX, que se dedicaram às questões do discurso, do enunciado, do gênero. Assim, nessa perspectiva, não encaramos a questão do estilo sob uma ótica meramente pautada na autenticidade individual, mas visto por um prisma de construção dialógica e, portanto, social, pensando em “sujeitos que instauram discursos a partir de seus enunciados concretos, de suas formas de enunciação, que fazem a ela e são a ela submetidos” (BRAIT, 2005, p. 98). Escolhemos como corpus para realizar as análises, os enunciados de uma das atividades mais significativas de divulgação científica do século XIX: as Conferências Populares da Glória, ocorridas no Rio de Janeiro. Outras análises de outros aspectos já foram empreendidas pelo autor (e.g. Cavalcante Filho, 2012, 2013, 2014, 2015, 2016), mas, para esse simpósio pretendemos verticalizar e refinar análises sobre a questão estilística desse discurso, problematizando o conceito de estilo e buscando estabilidades fundadas em movimentos reguladores da arquitetônica genérica numa totalidade discursiva, aberta à eventicidade do ato de enunciar (DISCINI, 2012). O que pretendemos perseguir no estudo é observar se há a possibilidade de afirmarmos que há um estilo do discurso (de divulgação científica), um estilo do gênero (conferência) e um estilo do autor (divulgador da ciência).

Palavras-chave: Estilo; Círculo de Bakhtin; Análise dialógica do Discurso; Divulgação científica; Conferências Populares da Glória.

 

Minibiografia:

Doutorando em Filologia e Língua Portuguesa na Universidade de São Paulo (FFLCH-USP-Brasil) e em Sciences du Langage na Université Paris Ouest Nanterre La Défense (France). Professor do Instituto Federal da Bahia (IFBA – Campus Ilhéus-Brasil). Membro Pesquisador do Grupo de Pesquisa Diálogo (USP/Université de Poitiers/CNPq-Brasil) e do Laboratoire MoDyCo UMR 7114 (CNRS/Université Paris Ouest).


Comunicação 18

HÁ UM ESTILO AVALIATIVO DO GÊNERO ARTIGO CIENTÍFICO SOB A ÓTICA DO SISTEMA DE AVALIATIVIDADE DA LINGUÍSTICA SISTÊMICO-FUNCIONAL?

Autora:

Sônia Margarida Ribeiro Guedes – Universidade de Brasília – UnB – son.ninha@hotmail.com

Resumo:

A proposta desta pesquisa é a de fazer a descrição do gênero artigo científico em diferentes áreas disciplinares do ponto de vista do estilo interpretativo, cujo campo do discurso diz respeito às áreas disciplinares Física, Engenharia Civil, Antropologia e Linguística. O estilo interpretativo fica aqui delimitado pelo estilo avaliativo de textos que instanciam o referido gênero, ou seja, a descrição está sendo feita quanto aos padrões de marcas de posicionamento avaliativo que o caracterizam no âmbito de cada uma das quatro comunidades discursivas escolhidas de acordo com os preceitos do Sistema de Avaliatividade no âmbito da Linguística Sistêmico-Funcional (HALLIDAY; MATTHIESSEN, 2014; MARTIN; WHITE, 2005). Portanto, o objetivo geral deste estudo é o de investigar, de uma perspectiva descritivista, se há um ‘estilo avaliativo’ do gênero artigo científico realizado nos quatro registros diferenciados pela área disciplinar na variável ‘campo’ do contexto de situação (HALLIDAY; HASAN, 1989; PRAXEDES FILHO; MAGALHAES, 2013A). O corpus foi constituído por quatro subcorpora, formado, cada um, por dez trechos aleatórios com 1.000 palavras, os quais foram extraídos de grupos de dez artigos científicos de cada uma das quatro áreas disciplinares, tendo como fonte de busca a base de dados Scielo-Brasil. Como recurso metodológico foram utilizados a fórmula randbetween (Excel) e o método Split-half (BIBER, 1993;1990), para a seleção das amostras. A categorização das ocorrências dos elementos avaliativos está sendo realizada manualmente por meio de etiquetas. A extração dos dados quantitativos será realizada por meio da ferramenta computacional WordSmith Tools (SCOTT, 2006). Por ser uma pesquisa em andamento ainda não foi possível descrever ainda se há um estilo avaliativo do gênero textual em estudo, mas já é possível constatar que há uma prevalência das categorias avaliativas dos subsistemas de ‘atitude’ e de ‘gradação’ nos excertos analisados.

Palavras-chave: Sistema de Avaliatividade; LSF; Estilo avaliativo; Artigo científico.

 

Minibiografia:

Doutorando em Filologia e Língua Portuguesa na Universidade de São Paulo (FFLCH-USP-Brasil) e em Sciences du Langage na Université Paris Ouest Nanterre La Défense (France). Professor do Instituto Federal da Bahia (IFBA – Campus Ilhéus-Brasil). Membro Pesquisador do Grupo de Pesquisa Diálogo (USP/Université de Poitiers/CNPq-Brasil) e do Laboratoire MoDyCo UMR 7114 (CNRS/Université Paris Quest).


Comunicação 19

UM ESTUDO DO ESTILO NOS GÊNEROS DO DISCURSO BIOGRAFIA E AUTOBIOGRAFIA

Autor:

Tiago Ramos e Mattos – PUC-SP – cambiaridea@yahoo.com.br

 

Resumo:

O presente trabalho perspectivou o estudo contrastivo dos gêneros do discurso biografia e autobiografia por intermédio do estudo do estilo em ambos os gêneros do discurso verificando em que convergem e no que divergem a biografia e a autobiografia. Este trabalho trouxe à tona, como tema de pesquisa, um estudo destes gêneros, voltado para o processo de elaboração textual em sua constituição estilística, nos moldes propostos por Bakhtin. Teve como problema de pesquisa a pergunta: Quais são as características convergentes e mais precisamente as características divergentes presentes na identificação dos gêneros do discurso biografia e autobiografia, levando-se em conta o estilo de ambos os gêneros do discurso? O objetivo central da pesquisa estava em verificar a construção estilística destes gêneros, estabelecendo uma análise comparativa ancorada nos seguintes objetivos específicos: posicionamento enunciativo-discursivo, os gêneros do discurso primário e secundário e a heterogeneidade constitutiva. Como bases teóricas utilizamos as considerações de Arfuch (2009/2010) Bakhtin (1992) Bakhtin/Valoshínov (2009), Brait (2006), Brait/Melo (2005), Castro (2014) Fairclough (1992), Fiorin (2006/2008), Vilas Boas (2007). Os corpora selecionados foram as publicações referentes à vida de Malala Yousafzai, ativista paquistanesa que luta pela questão da educação.  Com base na análise dos corpora, chegou-se ao resultado que a biografia de Malala quanto ao estilo, tem como característica um estilo formal, “escrito como se escrito” com uma preponderância do estilo pictórico sobre o estilo linear. A autobiografia também é formal, embora seja travestida de uma intenção informal derivada do seu posicionamento enunciativo-discursivo, que pressupõe a unicidade do pronome pessoal do caso reto “eu” e que tem, portanto, um estilo escrito como se falado tendo uma preponderância do estilo linear sobre o estilo pictórico.

Palavras-chave: Biografia; autobiografia; gênero do discurso.

 

Minibiografia:

Tiago Ramos e Mattos é mestre em língua portuguesa pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo – PUC-SP, tendo concluído o mestrado em setembro de 2015. No mesmo ano recebeu o convite da editora: Novas Editoras Acadêmicas, para publicar o livro: Biografia e Autobiografia: um estudo do estilo em ambos os gêneros do discurso. Em 2016, comecei o doutorado na mesma instituição participando de alguns congressos sendo um deles, o mais significativo, na Universidade de Letras do Porto.


Comunicação 20

O REMORSO DE BALTAZAR SERAPIÃO E A PERFORMATIVIDADE DO DISCURSO FEMININO: RELATO DE UMA ORIENTAÇÃO

Autoras:

Isabel Cristina Ferreira Teixeira – Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA) – isabelcristinaft@gmail.com

Bruna Soares Lopes – Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA) – bruna_s_lopes92@hotmail.com

 

Resumo:

Este estudo constitui-se no relato da orientação de um trabalho de conclusão de curso, em andamento, cujo objeto é a performatividade do discurso feminino em o remorso de baltazar serapião, de Valter Hugo Mãe (2011). A história é narrada em 1ª pessoa, por baltazar que conta sobre o seu amor por ermesinda, numa sociedade patriarcal, em que a mulher está sujeita à brutalidade masculina. O objeto em estudo nos encaminhou, a mim e a orientanda, primeiramente, à análise da performatividade da linguagem (AUSTIN, 1990); depois ao desenvolvimento de tal noção, aplicada à identidade de gênero, conforme propõe Butler (2016), para quem, segundo Salih (2015, p. 91), “as identidades de gênero são construídas e constituídas pela linguagem, o que significa que não há identidade de gênero que preceda a linguagem”. Alinhadas a essa perspectiva adotamos a noção de citacionalidade, como método para observar pela repetição a construção de tal identidade. Mas as teorias escolhidas pareciam não dar conta da expressividade de certos elementos linguísticos, constitutivos da narrativa que entendemos como relacionados ao objeto de estudo. Então, o percurso da análise nos levou a dialogar com a noção de mito (ZILBERMANN, 1977) que nos permitiu refletir sobre o tempo, o espaço, dentre outros recursos formais que configuram o estilo da obra. A análise nos tem levado a múltiplas interpretações, dentre as quais destacamos a exemplaridade da narrativa que – situada em tempo e espaço difusos – indica a interdição do dizer feminino e, como uma de suas consequências, a ideia de que o gênero feminino é construído pela citação masculina; e a linguagem como um possível lugar de redenção do remorso de baltazar – no que se refere à violência praticada contra ermesinda – porque ela tem o potencial de romper a circularidade do mito, instaurando a historicidade, pela interação com o leitor.

Palavras-chave: performatividade; citacionalidade; mito; discurso.

 

Minibiografias:

Isabel Cristina Ferreira Teixeira é doutora em Letras – concentração em Estudos Linguísticos – pela Universidade Federal de Santa Maria – UFSM/RS. Trabalha na Universidade Federal do Pampa – UNIPAMPA/RS, câmpus Bagé, onde atua na área de Língua Portuguesa e Linguística, com destaque para os estudos de Semântica; na orientação de Estágios na Educação Básica; e atualmente é coordenadora de subprojeto do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência – PIBID.

Bruna Soares Lopes é acadêmica do curso de Letras – Português e Literaturas de Língua Portuguesa na Universidade Federal do Pampa – UNIPAMPA/RS, câmpus Bagé; bolsista de iniciação à docência do subprojeto do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência – PIBID; e bolsista voluntária do Núcleo de Formação do Leitor Literário – NULI, na mesma instituição.